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27 agosto 2009

Poder social e reprodução


"O discurso controla mentes e mentes controlam ação. Isso significa que, para aqueles que estão no poder, é crucial controlar, em primeiro lugar, o discurso" (Teun Dijk).
Há muitos livros que nos ajudam a compreender como se produz e como se reproduz o poder social - designadamente o poder político -, o conjunto das técnicas de dominação, os papéis jogados pela ideologia, pelo discurso e pela burocracia, as regras políticas explícitas e implícitas do falar e do escrever. Permitam-me sugerir-vos os dois livros acima de Teun Djik e Maurício Tragtenberg, os quais, felizmente, pude comprar hoje aqui, em São Paulo.

20 maio 2009

Discurso e poder

Consumimos discursos todos os dias e possivelmente pouco pensamos neles. Aceitamo-los como algo natural. Não existe ainda em Moçambique um tradição científica de análise de conteúdo dos discursos do poder. Precisamos criá-la, já alguns passos foram dados nesse sentido. Eis o resumo de um livro importante para esse trabalho: "O discurso controla mentes e mentes controlam ação. Isso significa que, para aqueles que estão no poder, é crucial controlar, em primeiro lugar, o discurso. Mas de que modo uma entonação específica, um pronome, uma manchete jornalística, um tópico, um item lexical, uma metáfora, uma cor ou um ângulo de câmera se relacionam a algo tão abstrato e geral como as relações de poder na sociedade? Este livro analisa as formas de abuso de poder – manipulação, doutrinação e desinformação – que resultam em desigualdade e injustiça sociais. Utilizando como instrumento a Análise de Discurso Crítica, Teun van Dijk desenvolve ferramentas de análise e as aplica em exemplos concretos como notícias jornalísticas, livros didáticos e discursos políticos. Obra importante para sociólogos, antropólogos, cientistas políticos, críticos culturais, jornalistas, lingüistas e analistas do discurso." Confira aqui e, para o sumário do livro, aqui.

10 janeiro 2010

De que raça é a tua cor? (8)

"O discurso controla mentes e mentes controlam ação. Isso significa que, para aqueles que estão no poder, é crucial controlar, em primeiro lugar, o discurso" (Teun Dijk).
Mais um pouquinho desta
série.
Na luta pelos recursos de poder poderão ser usados os mais variados meios: a raça, a etnia, a preeminência de chegada a um local, vitórias militares, etc.
Mesmo ao nível ao mais pequeno micro-habitat social, podemos observar a luta em toda a sua veemência.
Na luta, a produção ideológica, em seus mais variados níveis, procurará disfarçar os interesses particulares de grupo dotando-os de uma coloração moral e universal.
Os inimigos do grupo serão considerados como a personificação diabólica do grande Mal.
(continua)

20 junho 2009

Discurso político como campo de estudo

Poder, poder político, ideologia, discurso: eis palavras raramente usadas no nosso país enquanto material de estudo. Tenho para mim que, de forma generalizada, o poder político é havido como coisa natural, como uma substância óbvia que apenas deve permitir um tratamento ético, normativo (bons políticos, maus políticos, boas políticas, más políticas, etc.), como uma coisa que se pode melhorar com o esclarecimento, a boa vontade e a moral. São ainda raros os trabalhos científicos que, no nosso país, fazem do discurso em geral e do discurso político em particular, sua matéria-prima, seu campo de trabalho, sua área de descodificação. Falar de discurso político é falar de relações políticas, de dominação, dos mecanismos que permitem a aceitação, a obediência e a cegueira política, é falar de legitimidade e embuste, de manipulação ideológica, de populismo, de luta de grupos sociais, etc. Para todo esse imenso campo por desbravar em Moçambique, permitam-me sugerir-vos a leitura de alguns trabalhos de Teun A. van Dijk (há dias referido neste diário), com portal em espanhol aqui (em inglês aqui) e os seguintes três trabalhos aqui, aqui e aqui. Foto reproduzida daqui. Finalmente, deixo-vos aqui a possibilidade de o escutarem em inglês:

03 agosto 2011

Esconder a ideologia

"(...) os grupos ou classes dominantes tendem a esconder sua ideologia (e, portanto, seus interesses) e terão por meta fazer que esta seja, em geral, aceite como um sistema de valores, normas e objectivos "geral" ou "natural" - Dijk, Teun A. van, Discurso e poder. São Paulo: Editora Contexto, 2008, pp. 47-48.

07 novembro 2009

Produção do Outro

Num livro importante*, Teun A. van Djik (várias vezes citado neste diário) tem a seguinte passagem:
"Apesar da subtileza e da complexidade do discurso racista, os princípios organizadores globais desse discurso são muito simples e similares em qualquer tipo de discurso de base ideológica (itálico meu, CS):
* enfatizam os aspectos positivos do Nós, do grupo de dentro;
* enfatizam os aspectos negativos do Eles, do grupo de fora;
* não enfatizam os aspectos positivos do Eles;
* não enfatizam os aspectos negativos do Nós."
Um protocolo excelente para a análise da discusividade política em Moçambique. Entretanto, lancei áreas de pesquisa na análise da alteridade em Serra, Carlos (dir), Estigmatizar e desqualificar/Casos, análises, encontros. Maputo: Livraria Universitária, 1998. Mais áreas serão propostas no próximo ano com um livro sobre potenciais de xenofobia.
* Dijk, Teun A. van, Racismo e discurso na América Latina. São Paulo: UNCESCO/Editora Contexto, 2008. Imagem reproduzida daqui.

18 dezembro 2014

Esconder a ideologia

"(...) os grupos ou classes dominantes tendem a esconder sua ideologia (e, portanto, seus interesses) e terão por meta fazer que esta seja, em geral, aceite como um sistema de valores, normas e objectivos "geral" ou "natural" - Dijk, Teun A. van, Discurso e poder. São Paulo: Editora Contexto, 2008, pp. 47-48.