17 abril 2018

Mais três futuros livros

Entreguei ontem à Escolar Editora as correções das provas tipográficas de mais três futuros livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais, designadamente os números 37.º, 38.º e 39.º, constantes da imagem abaixo [amplie-a clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]. Agora só falta receber proximamente as provas do 40.º, cujos textos foram recentemente entregues à editora tal como reportei em postagem anterior aqui.

16 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1266 de 13/04/2018, aqui.

15 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [48]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor do bicho-papão-nigeriano – que acabou por se extinguir - era um envelope para exprimir vários problemas sociais, era um fusível social, era uma linguagem errada que traduzia, porém, um agregado de problemas verdadeiros, de problemas sentidos pelas pessoas.

14 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1266, de 13/04/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

13 abril 2018

Entrega do 40.º + tema do 41.º

Entreguei ontem à Escolar Editora os textos do 40.º livro da colecção Cadernos de Ciências Sociais, intitulado "O que é verdade em História?", com co-autoria de Antonio Paulo Benatte, Cesar Leonardo Van Kan Saad e José D’Assunção Barros do Brasil e João Carlos Colaço de Moçambique, pela ordem de entrada na foto abaixo.
O futuro 41.º da coleção chamar-se-á "O que são ensino e educação de qualidade (proximamente darei a conhecer a data de entrega à editora), com co-autoria de Jorge Ferrão de Moçambique, Maria Helena Santos de Portugal e, do Brasil, Valda Colares e Desidério Murcho (mas Desidério é um filósofo português, docente universitário no Brasil), pela ordem de entrada na foto abaixo.

12 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [47]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Prossigamos. O rumor do bicho-papão-nigeriano que espalha vermes comedores de fígado pelos órgãos sexuais das mulheres vítimas, aparece embutido numa viatura de luxo, negra, certamente com os vidros fumados - observei no número anterior. E acrescento agora: esse fabuloso carro cujas características exactas ninguém conhece - mas que muitos de nós afirmarão conhecer -, é, afinal, em mais uma hipótese, uma alegoria para expressar o estatuto sinuoso, ambíguo, dos poderosos, para exprimir todos aqueles que é suposto construirem a sua riqueza com a desgraça dos pobres. A natureza de estrangeiro do nigeriano é exemplar pelo facto de remeter simbolicamente para o exterior a corrosão do tecido social interno. O rumor do bicho-papão-nigeriano é um indicador de desigualdades sociais. Os vermes que é suposto ele espalhar são os arautos da desgraça social.

11 abril 2018

Provas tipográficas+livros no prelo+40.º livro

Recebi ontem as provas tipográficas de cinco livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, 31º a 35º, cuja imagem segue abaixo. Dentro de alguns dias entrego as correções à editora.
Enquanto isso, estão no prelo os livros​ 25º a 30º, a saber:
25-O que são rituais funerários?
26-O que é verdade?
27-O que é terrorismo?
28-O que é e para que serve o Estado?
29-O que é colonialismo?
30-O que diferencia ciência da magia?
Proximamente entregarei à editora os textos do 40.º livro intitulado "O que é verdade em História?".
Abaixo, as lombadas dos 24 títulos já publicados.

10 abril 2018

O roubo do desenvolvimento

"A EDM registou, no ano passado só na província de Manica, centro de Moçambique, um prejuízo calculado em 5.3 milhões de meticais na sequência de roubo e vandalização de material elétrico. [Durante o mesmo período, neste mesmo distrito, foram derrubados 14 Postes de Transformação para extração de óleo, cabos elétricos e cantoneiras para venda e fabrico de panelas. [Os malfeitores, para além de cabos elétricos de cobre, roubam também cantoneiras, roldanas, máquinas eléctricas de soldar, parafusos e vandalizaram postos de transformação, vulgo PT, para retirar o seu óleo." Confira fonte aqui. Lembre neste diário aqui.

09 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1265 de 06/04/2018, aqui.

08 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1265, de 06/04/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

07 abril 2018

Seteabrilemos todos os dias

Hoje, 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, é bem mais do que um dia feminino, é bem mais do que uma efeméride nacional na qual, nós, homens, surgimos a conceder às mulheres o direito formal à existência, o direito de terem os mesmos direitos que nós, homens, hoje é bem mais do que recordar Josina Machel (à direita, estando à esquerda Marina Pachinuapa), é bem mais do que transformar a data numa inércia discursiva, é bem mais do que uma pausa nas desigualdades de género, é bem mais do que esquecer temporariamente o facto de haver no país milhões de mulheres ainda apenas mulheres, esmagadas por todo um cortejo de regras e de tabos de sujeição e de múltiplas privações que julgamos apagar no ritual comemorativo.
É bem mais ou devia ser bem mais.
Porque, afinal, Josina Machel é bem mais do que uma mulher que deu a vida pela libertação nacional. Na realidade, o simples facto de ter transgredido o universo caseiro, de ter subvertido as regras costumeiras da opacidade social, de ter contribuído a vários níveis para a libertação da pátria, deu-lhe o estatuto heróico de real produtora de relações sociais diferentes, reais, práticas, não discursivas. Esquecer isso é esquecer o real sentido da luta de libertação, luta que foi a um tempo nacional e social.
Neste dia, um abraço, um beijo, uma mão, um carinho, um respeito, uma fraternidade, uma ponte para todas vós. Nem todas as Moçambicanas sabem do 7 de Abril. Também nem todas elas, nem todas vós, o têm como seu e vosso dia. Mas façam de conta de que todos os dias é Dia da Mulher Moçambicana, dia também das Mulheres de Todo o Mundo. Então, seteabrilemos diariamente.
A luta continua por um futuro mais solidário.

06 abril 2018

Lula

"Eles não vão prender meus pensamentos, não vão prender meus sonhos. Se não me deixarem andar, vou andar pelas pernas de vocês. Se não me deixarem falar, falarei pela boca de vocês. Se meu coração deixar de bater, ele baterá no coração de vocês." - aqui. 

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [46]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Prossigamos. O rumor do bicho-papão-nigeriano que espalha vermes comedores de fígado pelos órgãos sexuais das mulheres vítimas, aparece embutido numa viatura de luxo, negra, certamente com os vidros fumados, numa imagem que lembra muito o quadro presente no imaginário social no tocante ao tatá papá tatá mamã, expressão usada no Sul do país para designar o tráfico de pessoas.

05 abril 2018

04 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [45]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Um sexto factor a considerar no rumor do bicho-papão-nigeriano tem a ver com a sua irradiação vertiginosa através do celular, desse extraordinário ampliador de bocas e de ouvidos, dessa rádio electromagnética quase instantânea. Através do celular, um rumor começa com um verme, a meio da cadeia de comunicação já se acredita que mil vermes foram disseminados, quase no fim (se fim houver) o nigeriano já disseminou jacarés, uma porção de pessoas é suposta ter morrido e o fígado literalmente esgotou nos talhos. Por hipótese, o rumor é em grande medida um produto dos celulólatras. Porém, se o celular rumora, também previne.

02 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1264 de 30/03/2018, aqui.

01 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [44]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Um sexto factor a considerar no rumor do bicho-papão-nigeriano tem a ver com a sua irradiação vertiginosa através do celular, desse extraordinário ampliador de bocas e de ouvidos, dessa rádio electromagnética quase instantânea.

31 março 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1264, de 30/03/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

30 março 2018

Faísca

Leia a mais recente edição do Faísca [jornal editado em Lichinga, capital provincial do Niassa], 16 páginas aqui.

29 março 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [43]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Em 2008, muitos compatriotas foram vítimas de ataques xenófobos na África do Sul. Cerca de 40 mil regressaram temporária ou definitivamente ao país.
Essa tragédia provocou traumas de ordem vária, seja em quem estava na África do Sul, seja em quem cá estava e está.
Ora, o rumor do bicho-papão-nigeriano pode também ser uma espécie de linguagem metafórica do drama, a sequela mascarada e mutante da perseguição, do sul-africano-agora-nigeriano atacando o centro nevrálgico e delicado da sociedade - as mulheres -, deixando marcas reprodutoras da morte através dos vermes. Aparentemente nascido no Soweto, o rumor como que se trans-nacionalizou.

28 março 2018

Holofotes

Quantos mais holofotes analíticos estiverem direccionados para um determinado fenómeno, melhores serão a visibilidade e inteligibilidade obtidas.

27 março 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [42]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Como observei no número anterior, os mais velhos, homens e mulheres, manifestam de forma aberta a sua inquietação com o destino moral das raparigas, com a gestão da sua sexualidade.
Então, o bicho-papão-nigeriano é como que o agente promotor, como que o agente devasso, orgiástico - mas também a figura punitiva fantástica -, da dissolução dos valores e dos costumes: os vermes que é suposto ele espalhar nos órgãos sexuais das mulheres são ao mesmo tempo a causa e a consequência do anunciado desregramento moral, o mal e a punição, a metástase e a dor, o aviso e o futuro.

26 março 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1263 de 23/03/2018, aqui.

25 março 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [41]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Um quinto factor a ter em conta no boato aqui em causa é aquilo a que, com frequência, as pessoas chamam "dissolução dos costumes" ou "perda de valores". O que significa isso? Neste campo, muito visível na nossa imprensa, as mulheres constituem uma preocupação fundamental, especialmente no que concerne à liberdade sexual. Os mais velhos, homens e mulheres, manifestam de forma aberta a sua inquietação com o destino moral das raparigas, com a gestão da sua sexualidade.