Afrigator THE BOBs
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27 Novembro 2009

Dubai e porto de Maputo

Há severos problemas financeiros em Dubai (confira aqui e aqui), muita falência prevista (leia aqui), mas Dubai DP World, principal patrão do Porto de Maputo, afirma ter investido USD 32 milhões numa companhia que gere o porto de Maputo. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências.
Adenda: alguém tem conhecimento suficiente para discutir este ponto sensível?
Adenda 2 às 10:46: confira também aqui.

(125) 27/11/09


O "Savana" e o "Canal de Moçambique" apresentam descrições do ambiente tenso que parece estar a ser vivido em Nampula, confiram aqui e aqui.
Adenda às 10:51: segundo o "O País" de hoje, o presidente do MDM, Deviz Simango, deverá iniciar nos próximos dias um périplo pelo país para agradecer àqueles que votaram em si e no seu partido (p. 4).

Exames e diz-que-diz

Órgãos de informação mostram que foram maus os resultados obtidos nos exames da primeira época da 10.ª e 12.ª classes (confira, por exemplo, aqui). Uns dizem que os estudantes não se prepararam, outros dizem que algo vai mal na organização dos exames, outros, ainda, com ar televisivo severo, produzem uma generalização do género "a educação em Moçambique não vai bem". Nestas coisas há sempre o vigoroso diz-que-diz, mas raramente encontramos alguém que diga algo após ter pesquisado em profundidade as razões de um determinado fenómeno. Decididamente estamos viciados em opiniões.

O pesadelo dos passeios em Maputo

Acho que ainda ninguém teve a paciência para descrever, em profundidade, o quanto custa circular nos passeios da cidade de Maputo. Custa por quê? Primeiro porque estão, em sua grande maioria, estragados, esburacados; segundo, porque os automobilistas não têm qualquer pejo em fazer deles locais de estacionamento, em particular os utentes de 4x4; terceiro porque, em determinados locais, que não poucos, estão atravancados com a múltipla quinquilharia dos vendedores do desenrasca, especialmente sapatos e estatuetas. Um real pesadelo.

O sistema em julgamento

A "hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:
Para além da surpresa própria da democracia moçambicana de verem um líder da “construtiva” celebrar com os patrões a “vitória esmagadora”, foi muito notada na festa a presença do mais badalado executivo de sucesso da área multimedia. Também estava a celebrar a vitória?

26 Novembro 2009

Obama premeia activistas zimbabweanas

(124) 26/11/09


Citado pelo “O País”, em trabalho do jornalista Atanásio Marcos, o presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, Raul Domingos, veio a terreiro e afirmou o seguinte em relação aos presidentes dos partidos PIMO (Yá-Qub Sibindy), Trabalhista (Miguel Mabote) e Ecologista (João Massango): “Aqueles líderes brincaram com a consciência dos moçambicanos com o espectáculo barato que nos foi posto a ver com discursos alegadamente da oposição, tudo em busca de protagonismo ou algo inconfessável”. A conferir aqui.
Adenda às 15:05: na capa, antetítulo do semanário "Savana" com data de 27/11/09: Ventos incendiários sopram do Norte; título: Tensão em Nampula. Cabeçalho: "Está ao rubro o ambiente político em Nampula, com a Renamo a acusar o Comando Geral da PRM de ter despachado "contingentes fora do comum" e meios de combate para aquele ponto do país. A Residência de Dhlakama está sob permanente vigilância. Mas a Polícia justifica esta operação com o argumento de que Dhlakama "é uma figura pública e membro do Conselho de Estado".

Pedido de auxílio para Estela Banze


O edital acima reproduzido encontra-se no Departamento de Informática e Matemática da Universidade Eduardo Mondlane. Confira o portal da Associação dos Estudantes Universitários da Universidade Eduardo Mondlane, aqui. Obrigado ao Elísio Leonardo pelo alerta. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem acima para a ampliar.

O que é a lei num Estado patrimonial?

Jurista, professor universitário de Direito Público, o brasileiro Roberto Wagner Lima Nogueira (na imagem) escreveu em 2006 um artigo com o título "O que é a lei para os donos do poder no Brasil?”. A noção de “Estado patrimonial” é aí abordada. Eventualmente é um trabalho que, ainda que pequeno e tendo o Brasil como referência, pode ser teorica e transnacionalmente útil para os leitores em várias coisas. Confira aqui.

Bricole também

As pessoas vão-se inscrevendo no bricolando o social e análise, os temas vão-se multiplicando (últimos temas: catadores, a representação do negro na prosa brasileira), Moçambique e Brasil em destaque nas participações. Participe também, confira aqui.
Adenda: podemos entender por bricolar algo como trabalho paciente, de oficina, colectivo.

(123) 26/11/09


É fascinante o diz-que-diz politicamente estratégico para certos círculos: depois de porta-vozes da Renamo anunciarem continuadamente que iriam promover manifestações de protesto contra os resultados eleitorais de 28 de Outubro, surgiu um jornal a dizer que, afinal, esse partido desistira do intento, depois que pedira ao governo autorização para realizar as manifestações (reler adenda 3 aqui), enquanto, agora, aparece um ex-general da Renamo a dizer que Afonso Dhlakama poderá participar nas manifestações. Por outro lado, há órgãos de informação a passar sistematicamente a mensagem de que Dhlakama está doente e em estado

pré-

trombose.

25 Novembro 2009

Negócios em Moçambique


Ex-figuras estatais e/ou pertencentes ao aparelho político ligadas ao Capital. O mais recente exemplo: o antigo governador do Banco de Moçambique, Adriano Maleiane, é agora director não executivo da açucareira Tongaat Hulett. Confira aqui. E saiba um pouco mais dos negócios em Moçambique através do Africa Intelligence, aqui.

Dois milhões de dólares

Caso Aeroportos, os voos monetários atingem altitudes enormes: o representante de uma imobiliária afirmou que vendeu duas casas - custando cada uma um milhão de dólares - ao ex-presidente do Conselho de Administração dos Aeroportos de Moçambique, Diodino Cambaza. Confira aqui.

Produção da cor de Obama

Estar ou não de acordo com as políticas de Barack Obama pode influenciar a forma como o concebemos ao nível da cor: se concordamos com elas, concebemo-lo com a pele clara; se não, com a pele escura. Conheça os pormenores de um trabalho científico aqui. Obrigado ao Ricardo, dedicado correspondente em Paris, pelo envio da referência.

Mais um linchamento

Mais um linchamento, desta vez em Chimoio, de um jovem acusado de roubo. Um segundo indivíduo escapou graças à intervenção policial. Em Junho reportei que jovens tentaram linchar três outros no Bairro Codamo daquela cidade.
Adenda: a justiça popular através do linchamento está definitivamente instalada na geografia punitiva urbana do país, em processos sumários dos quais são excluídos quer os órgãos estatais de justiça quer as instâncias informais de resolução pacífica de conflitos (das igrejas às chefias tradicionais). Isto, sem contarmos com os linchamentos por acusação de feitiçaria, bem menos mediatizados. Recorde estes dois livros meus aqui.

(122) 25/11/09


O "Wamphula Fax" de hoje tem mais pormenores sobre o que disse um ex-general da Renamo, Simão Bute, em relação a um suposto plano da Frelimo para assassinar Afonso Dhlakama em Nampula. Enquanto isso, um porta-voz da polícia local afirmou que foi ampliada a capacidade operativa policial na zona norte do país (Nampula, Cabo Delgado e Niassa), com a afectação de um general, de um adjunto de comissário, de uma unidade da Força de Intervenção Rápida e de cinco viaturas da marca Land Cruiser. A conferir aqui.
Adenda às 6:24: a notícia do jornal acima citado mostra claramente a movimentação dos serviços de inteligência da Renamo e do Estado. Já agora analise este tipo de notícia, aqui.
Adenda 2 às 8:15: em artigo no "Canal de Moçambique" online de hoje, o eng.° Noé Nhantumbo analisa várias coisas, entre as quais a posição dos G-19 no tocante às eleições, aqui.
Adenda 3 às 10:16: citando uma fonte governamental não identificada, o “ O País” online reporta que a Renamo retirou o pedido de organização de manifestações que havia formulado ao governo. Confira aqui. Julgo ser uma novidade saber que a Renamo formulou um pedido ao governo para organizar manifestações.

24 Novembro 2009

Sinta

Simão Bute hoje

Em conferência de imprensa hoje na cidade de Nampula, Simão Bute, que se apresentou como antigo general da Renamo na guerra civil, disse que a Frelimo tinha um plano para capturar Afonso Dhlakama quando da manifestação (ainda sem data marcada) contra os resultados das eleições de 28 de Outubro. Quais as evidências? A chegada, fim-de-semana passado, de cinco viaturas policiais e a presença de muitos agentes da segurança do Estado. O ex-general falou de forma muito emotiva, dizendo que a Renamo ripostaria a contento em caso de ataque por parte da Frelimo. Contactado, um oficial da polícia confirmou, de facto, a chegada de cinco viaturas, quatro para o policiamento e uma para os serviços burocráticos (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda às 20:33: mais pormenores com o "Wamphula Fax" de amanhã, porém já na minha posse hoje.
Adenda 2 às 20:54: Renamo e Afonso Dhlakama são, de novo, as vedetas dos noticiários e dos menus de um só prato dos chamados analistas da terra. Vedetas em quê? Vedetas no tocante (1) ao não reconhecimentos dos resultados eleitorais, (2) à promessa de manifestações de protesto e (3) ao surgimento de uma aparente enfermidade em Dhlakama, havendo, até, quem, em relação a este último ponto, pense afogueado que ele está na margem de uma trombose. Eclipsados estão MDM e Deviz Simango.

Maka

O presidente angolano José Eduardo dos Santos fez uma crítica à corrupção e falou na necessidade de haver tolerância zero para com ela. Aqui. Já agora, o leitor por acaso conhece o Maka (para o seu significado conferir aqui), portal anti-corrupção coordenado pelo jornalista e activista angolano Rafael Marques (na imagem)? Em português aqui e em inglês aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências.

Prossegue saque da nossa madeira

Especialmente nos distritos de Mocuba e Lugela, província da Zambézia, sai madeira de forma ilegal, a "olho nu" como titula o "Diário da Zambézia" de hoje. Quem isso afirma é o director provincial de Agricultura, Mahomed Valá. Confira aqui.
Adendas: (1) como sabem os leitores mais regulares, este diário tem centenas de entradas sobre o saque da madeira; (2) a edição do jornal acima apresenta, ainda, um trabalho sobre um pretenso tráfico de órgãos humanos com "presumíveis autores" (incluindo o comandante distrital da polícia) no distrito de Mocuba. Creio estarmos diante de um rumor.

Representação da mulher na literatura moçambicana

Salomão Moyana e a luta contra a corrupção

A propósito do que se convencionou chamar "Caso Aeroportos de Moçambique": mais do que o julgamento de A e B, "estão em julgamento, no Tribunal, as opções nepotistas do Governo de Moçambique" (sic); mais do que meia dezena de co-réus, "existem, as magotes, milhares de ladrões, de maior sofisticação, que, diariamente e em conivência com ex-colegas de António Munguambe, delapidam os parcos recursos do nosso empobrecido Estado, construindo e comprando mansões, por via de enriquecimento ilícito e, até, oferecendo diversas casas e outros bens públicos a amigas de ocasião (...)" (sic); Moçambique tem de tomar um posição firme contra a corrupção. E onde deve começar a luta contra a corrupção? No Conselho de Ministros (sic) - resumo do editorial de Salomão Moyana (na imagem) no "Magazine Independente" com data de amanhã e com o título "Cambazadas" infelizes no Tribunal!"
Adenda: deverei ainda hoje receber o editorial na íntegra; se isso acontecer, dá-lo-ei a conhecer aqui.
Adenda 2 às 19:32: eis o editorial, aqui.

Mc Roger e Azagaia

Vários dos meus alunos trabalharam este ano em bairros e escolas da periferia da cidade de Maputo, tentando conhecer as representações sociais existentes sobre as canções de Mc Roger e Azagaia. Creio poder sumarizar os resultados da seguinte maneira:
Mc Roger (à esquerda, Rogério Dinis de seu nome): ao lado da elite em geral e da elite no poder em particular, do patronato, da vida faustosa, dos carros de luxo; os temas aprovam as relações sociais existentes.
Azagaia (à direita, Edson da Luz de seu nome): ao lado dos grupos desfavorecidos, dos excluídos, crítico das desigualdades sociais e da corrupção; os temas questionam as relações sociais existentes.

Racismo sem raça

Há dias, cerca de quatro mil imigrantes, na maioria Zimbabweanos, ficaram sem abrigo a 140 quilómetros da cidade do Cabo, depois que foram atacados por Sul-Africanos localmente residentes. Por que foram atacados? Segundo uma fonte policial, porque os Sul-africanos os acusaram de lhes roubar os empregos.
Um quadro clássico em qualquer parte do mundo, uma causa não menos classicamente causal, uma reivindicação xenófoba, um exercício de racismo social sem raça. Há tempos, milhares de compatriotas nossos foram atacados na África do Sul e tiveram de regressar ao país.
Racismo sem raça? Sim, é possível. Lá onde se disputam recursos de vida e/ou de poder, não importa onde nem quando, surge de imediato a intolerância, a construção negativa e diabolizada do Outro. As causas não são causas reais, mas causas estratégicas, de luta, causas da luta pelo monopólio de recursos. Isso não carece de uma cor específica, de características somáticas. Nem de uma etnia. O racismo está na alma social em luta. Lutar contra ele exige múltiplas e profundas medidas de vários tipos.
Adenda: recorde a minha série em sete números com o título Os riscos do efeito borboleta social na África Austral, aqui; veja um dossier do “Notícias” sobre xenofobia na África do Sul, aqui; no próximo ano farei sair um livro que abordará o tema em Moçambique; recorde Serra, Carlos (dir), Racismo, etnicidade e poder - um estudo em cinco cidades de Moçambique. Maputo: Livraria Universitária, 2000.

(121) 24/11/09


Adenda às 13: segundo o "O País" online de hoje, foi agora a vez de a Conferência Episcopal referir as irregularidades cometidas nas eleições de 28 de Outubro. Aqui.

23 Novembro 2009

"A virgem da Babilónia" no "Grande Hotel"

"A virgem da Babilónia"- assim se chama o novo romance do escritor e pintor moçambicano, Adelino Timóteo, também jornalista do "Canal de Moçambique", radicado na cidade da Beira. O enredo desenrola-se no "Grande Hotel" - localizado nessa cidade -, que chegou a ser na era colonial um dos mais luxuosos hotéis de África (inaugurado em 1952 ou em 1955) e que agora é um local do salve-se-quem-puder para cerca de 3500 pessoas pobres que lá vivem. A esse propósito, veja o extraordinário vídeo da AFP:
Adenda: leia um texto de 2007 da jornalista Paula Rolleta, aqui.
Adenda 2 às 20: 55: um filme chamado "O Grande Hotel", dirigido por Lotte Stoops e produzido por Serendipity, estreia-se este mês em Lisboa, Paris e Bruxelas (informação constante da revista Índico das LAM (49) Julho/Agosto, 2009, p. 41.

(120) 23/11/09


É possível ler um trabalho de Johannes Beck e ouvir dois trabalhos audio de Helena de Gouveia produzidos pela estação alemã Deutsche Welle sobre as eleições de 28 de Outubro, aqui.
Adenda às 17:43: tanto quanto julgo saber, o canal em português da China Radio International apenas deu duas curtas e neutrais notícias sobre as eleições, a conferir aqui e aqui.

Congada Moçambique da Nova Gameleira

Descobri isto num portal brasileiro: "Perto do ano de 1960 Maria de Lourdes dos Santos, como forma de pagamento pela cura de seu filho Geraldo Evangelho, funda a Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário, que ficava na antiga Rua dos Pretos na Vila dos Marmiteiros, Bairro da Gameleira, sua família e de seu marido eram de Itaguara-MG e já participavam de Congado há várias gerações, seu marido José Sabino da Costa foi Capitão de uma Guarda de Marujo em Itaguara-MG, mas infelizmente quando Maria de Lourdes funda o Moçambique ela já havia falecido e seu sogro José Sabino Velho era Capitão de Moçambique na mesma cidade e vários outros membros da família faziam parte de congado."

Adenda: já uma vez aqui apresentei um trabalho com o título "Sabe que no "congado" entra...Moçambique?" Confira aqui.

Aeroportos

Prosseguem as revelações inquietantes sobre o que se convencionou chamar “Caso Aeroportos de Moçambique”. Confira aqui.

(119) 23/11/09


Segundo o "Notícias" online de hoje, citando José Manteigas, a Comissão Política da Renamo reiterou a intenção de promover manifestações pacíficas de protesto contra o que entende serem fraudes ocorridas nas eleições de 28 de Outubro. Confira aqui.
Adenda às 8:29: ouvida no senado Americano, a futura embaixadora de Moçambique, Leslie Rowe (imagem à direita), disse o seguinte segundo a "Voz da América" : “Muito embora as eleições tenham sido pacíficas, a exclusão de muitos candidatos da oposição do processo eleitoral com base em alegadas questões técnicas não constitui um bom sinal no que toca o desenvolvimento de uma democracia multi-partidária em Moçambique”. Sobre a distribuição dos ganhos financeiros no país: "Muito dos ganhos financeiros tem sido distribuídos de forma desigual, deixando na pobreza demasiados moçambicanos, incluindo os jovens do país, e criando condições para uma potencial instabilidade social."
Adenda 2 às 12:13: ainda sobre a Renamo e as prometidas manifestações, leia o "Wamphula Fax" de hoje, aqui.

22 Novembro 2009

Jardim dos Professores



Fica ali mesmo em frente à parte fronteira da Escola Secundária Josina Machel, cidade de Maputo, é o reabilitado Jardim dos Professores, com uma excelente gestão no Café Acácia. Tendes o Índico, lá em baixo, mas sensorialmente dentro de vós.
Adenda: é uma tristeza ver e sentir como está a Rua dos Lusíadas - terminal de chapas, um dos lados das barracas do Museu -, pela qual, vindos da Av.ª 24 de Julho, podemos chegar à avenida do jardim: desmazelo, água pútrida, sujidade. E isso colado a um dos maiores e mais antigos estabelecimentos de ensino secundário do país, acima referido.

(118) 22/11/09


Terminadas as eleições, o que se passa com os portais dos partidos políticos? O seguinte, esta manhã, neste momento: o da Frelimo, regra geral actualizado, deve estar em reestruturação ou em manutenção, pois, estranhamente, exibe informação de 2005 - mas actualizado está, a 17 do corrente mês, o portal especificamente eleitoral; o da Renamo mantém-se graças ao esforço de Ivone Soares, com a última actualização a 19 deste mês; o do MDM, que surgiu e se manteve por alguns meses com muito fulgor, deixou de ser actualizado desde Outubro; finalmente, os do PDD e da UD tiveram a rigorosa existência de um fogo-fátuo: surgiram e morreram dois/três dias depois, faz muito.
Adenda às 8:27: ainda não consegui saber que decisões tomou a Comissão Política da Renamo em Nampula.
Adenda 2 às 8:47: como evidente regozijo, em foto de grande destaque ocupando todo o topo da última página, o semanário "Domingo" de hoje mostra o feliz Miguel Mabote, presidente do Partido Trabalhista (à direita), auto-afirmado da oposição, dançando com Edson Macuácua, secretário para a Mobilização e Propaganda da Frelimo, celebrando a vitória eleitoral deste último partido - "a dar passos de fazer inveja a um Mc Roger ou Dama do Bling", salienta o semanário (foto logo abaixo). Sobre o trio Homo Maboticus/Homo Sibindycus/Homo Massangus - cuja força política se reduz às páginas do "Notícias" e do "Domingo" -, recorde aqui; sobre os três tipos de partidos da chamada "oposição", recorde um texto aqui; finalmente: o jornal não tem uma única linha sobre o comunicado do dia 18 da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia:

21 Novembro 2009

Uma chatice

É compreensível que possa haver pessoas que fiquem horrorizadas com o meu calão. Mas como tenho para mim que deuses catárquicos inventaram as palavras feias para amenizar a condição humana, aqui fica a descrição da chatice: percorri hoje, com o carro das pernas, muito rua e passeio e bulevar e acácia (as copulativas também são catárquicas) desta cidade de Maputo. As ruelas perpendiculares são um pesadelo, esburacadas, crateras nucleares; os passeios deixaram de existir em múltiplos sítios, um sobe-baixa-evita-tropeça do diabo, salvo pequenos nichos a cargo de privados e de limpadores guardas privados; os bulevares são uma tristeza buracal, tome-se em conta a 24 de Julho, especialmente o troço entre a Escola Comercial e a Associação de Escritores de Moçambique; as acácias, oh, de quantas acácias tombam lágrimas pela pressão continuada em suas escurecidas bases das urinas aflitas e sem pejo.

Calane criticou manuais

O meu colega e escritor Calane da Silva criticou os manuais da 1.ª e 2.ª classes. Saiba por quê aqui.

Resolver problemas (3)

Mais um pouco desta série.
Nas chamadas ciências sociais (outros acrescentam "e humanas", coisa fascinante), resolver problemas significa basicamente procurar uma chave para abrir a porta do comportamento social, significa ter consciência de que resolver problemas é, sempre, rejuvescer, realimentar, reintroduzir essa chave, significa reinterrogar em permanência o comportamento social para o compreender.
Prosseguirei.
(continua)

Espantar-me na rua (12)

Vejam lá: esta série, que desejei e desejo permanente, estava esquecida, o último número data de 27 de Dezembro do ano passado. Mas conta-gotemo-la:
1. O carro é protocolar, a excelência está no banco traseiro, o motorista estaciona e, rápido, febril, sai e vai abrir-lhe a porta. A excelência sai, mas tem o cuidado de deixar ficar com o motorista a pasta que trouxera. Logo de seguida caminha a excelência com seu ar monárquico, de coisa natural, com o motorista atrás carregando a pasta, pasta que, provavelmente, pelo magro volume visualmente apalpado, nada tem dentro. Sente-se que a excelência ama aquele micro-poder, sente-se que procura nos olhares dos outros o aplauso e a reverência. Sabem, falta estudar este tipo de micro-poderes, micro-poderes naturalizados, a cargo de excelências capazes de fazerem solenes discursos ciceroanos em púlpitos populares.
2. Um das ruelas perpendiculares à Av.ª Julius Nyerere, dando para a Av.ª Friedrich Engels, está toda esburacada, parece uma cratera nuclear (como, aliás, muitas outras da nossa Maputo). Como se chama a ruela? Rua dos Combatentes.
3. Sem dúvida que é uma chinfrineira dos diabos, esta dos sapos que estou a ouvir. "Ainda vai chover" - diz a empregada da cafeteria. "Mas como sabe, minha senhora"? - pergunto."Quando sapo canta chuva cai" - responde ela, definitiva.
(continua)

"Assim a cólera fica política"

Uma vez mais corre o rumor de que a cólera não é natural e que foi introduzida intencionalmente. O jornalista Pedro Nacuo escreve sobre o rumor na aldeia Muaja - província de Cabo Delgado - e sobre o que receia, sobre a forma como as causas são politicamente estabelecidas: "No fim de contas descobre-se que quem ficou detido é um político da oposição. E assim se enchem celas, coincidentemente de pessoas que militam em partidos da oposição. Assim a asfixia toma conta de pessoas, coincidentemente de pessoas que militam em partidos da oposição. Assim a cólera fica política, foge do seu próprio foro, designadamente, falta de higiene, falta de saneamento do meio, quer dizer POBREZA. (...) Por outras palavras, as pessoas ficam presas por serem POBRES. Ora, o que não gostaria que acontecesse no caso de Muaja, porque temos que aprender com muitos casos, sobretudo de Montepuez e Mogincual, é que se corra imediatamente para o político que esteve na manifestação e daí concluir que terá sido por causa dele que se registou o protesto. O meu medo está no facto de ter ouvido o administrador distrital tentar ligar o acontecimento a um pretenso enraizamento do MDM na aldeia Muaja, sob pretexto de que da outra vez, em Agosto, quando ficaram detidos três alegados desinformadores, o delegado daquele partido apareceu a reclamar a detenção dos seus membros."
Adenda: este diário está cheio de postagens sobre rumores e de referências ao livro com o rosto de capa exibido.