O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2016 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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28 setembro 2016

Nomes na toponímia da cidade de Maputo

A cidade de Maputo surpreende muita gente com os nomes das suas avenidas e ruas. As imagens em epígrafe são um testemunho.

27 setembro 2016

Inscrições até 01 de Novembro deste ano

Concurso anual da "Escolar Editora" iniciado este ano e com inscrições até 01 de Novembro. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Dos mortos sem paz e ponto de agenda [7]

Sexto número aqui.  Nos números anteriores procurei mostrar que somos um país produtor e sofredor de guerras, um país de mortos sem conta e sem paz. Falta abordar uma questão muito delicada: constam os mortos contemporâneos (de 1975/76 a esta parte) e a responsabilização social, da agenda de trabalho conducente à paz? Tanto quanto se pode ler na informação alusiva aos muitos encontros da comissão mista [já lá vão 20 rondas negociais], não há uma única referência a esses dois itens. Para a chamada guerra dos 16 anos e para os seus muitos mortos e estropiados, a amnistia decretada lavrou o esquecimento [em grego amnestía significa justamente esquecimento] de quem matou, feriu, destruiu e fez emigrar em massa [recorde o genocídio aqui]. Muito provavelmente e para o período actual, se e quando a paz política surgir nova amnistia entrará em vigor. Se isso acontecer, lá teremos uma vez mais os espíritos enlutados incomodando - segundo a crença popular - os vivos das mais variadas maneiras porque injustiçados com tanta impunidade.

26 setembro 2016

Humor

Fonte a conferir aqui.

Contas nacionais/2.º trimestre de 2016

Estude as contas nacionais do país para o segundo trimestre de 2016 através deste trabalho do Instituto Nacional de Estatística, aqui.

Risco

No "Notícias" digital de hoje: "A saúde dos consumidores dos produtos das hortas do vale do Mulaúze, na raia entre o município de Maputo e o da Matola, pode estar em perigo. As hortícolas são regadas com águas do rio Mulaúze e da vala da drenagem, cursos que transportam tudo, até dejectos humanos." Aqui.

Próximos cinco livros da colecção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora"

Portal da editora aqui. [Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato]. Abaixo, os 16 livros já editados desde 2013, disponíveis em Maputo:

No "Savana" 1185 de 23/09/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

25 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [7]

Sexto número aqui. Passo ao sexto e último ponto do sumário proposto aqui, a saber: 6.Conclusão. Procurei mostrar que o jovem da Josina Machel (que atacou ou defendeu-se) é bem mais do que ele e do que o seu acto, bem mais do que a consequência de um excesso numa luta normal entre adolescentes de uma escola, bem mais do que um exercício banal pela preeminência chefal. É, por hipótese e enquanto paradigma de um fenómeno, imperativamente, uma figura dialéctica, habitada por várias círculos sociais concêntricos, interdependentes. É, no pequeno local que é a Escola Secundária Josina Machel, a expressão de uma configuração planetária.
Vivemos, a nível mundial, um período de transição, entalados neste presente entre um passado que continua a ser o nosso guia cognitivo e um futuro que julgamos distante mas que já actua em nós.
Neste mundo anfibológico, estamos ainda reféns das categorias analíticas de ontem e por isso não vemos os indícios do futuro. Mundo que se torna mais agreste, mais rapidamente propenso à turbulência social com a velocidade das novas técnicas de comunicação. O modo capitalista de produção militariza-se mais rapidamente, mais intensamente, mais destrutivamente.
À medida que o futuro se tornar pouco a pouco visível, a militarização dos países e das mentes gerará mais intranquilidade, medo e desespero. Procurar abrigo e paz algures poderá tornar-se uma regra no planeta.
Esse é apenas um cenário. Há muitos outros a ter em conta.
Um dos grandes riscos que corremos é acharmos normal a violência, de tanto ela manifestar-se das mais variadas formas. Acresce que, no caso da Josina Machel, pode haver outros fenómenos por estudar.
Finalmente: resta saber como introduzir a razão nos instintos e evitar as múltiplas facas da vida. Talvez aqui resida, desde sempre na história da humanidade, o centro e a aposta de todos os círculos sociais concêntricos.

Interanálise

Um dos capítulos mais interessantes da vida consiste em estudar os modos pelos quais grupos sociais se interanalisam e avaliam.

24 setembro 2016

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [6]

Quinto número aqui. Passo ao quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5.Análise internacional. A extrema agressividade do jovem da Escola Secundária Josina Machel [recorde aqui] faz parte de um conjunto de círculos sociais concêntricos. Um desses círculos tem características internacionais. Por outras palavras: o jovem é, ao mesmo tempo, ele, a zona, a nação e a humanidade.
Hoje, em segundos, do celular à televisão passando pelo computador, sabemos o que se passa no mundo dos riscos crescentes de todos os tipos, da violência, da precariedade e da exclusão sociais, dos atentados a trouxe-mouxe, das guerras a esmo, das carnificinas em cafés e escolas, da morte banalizada, dos medos que se espalham como que liquidamente, dos símbolos trágicos das rixas e das batalhas.
O modesto estudante que agrediu um colega com uma faca na Josina Machel não é estrangeiro a esse mundo, ele - como qualquer um de nós, por mais paroquiais que sejamos - é-lhe parte integrante, esteja ou não consciente disso.
Esse mundo de risco variado não consiste apenas de informação, mas também de formação, de modelo, de proposta. Na verdade, mundo que ao mesmo tempo informa, forma, molda, comanda e formata.
A faca do jovem era, afinal, uma faca mundial, uma bandeira da extensa modernidade problemática que vivemos.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1185, de 23/09/2016, disponível na íntegra aqui:

23 setembro 2016

Repelidos dois ataques da Renamo

Segundo a "Rádio Moçambique" no seu noticiário das 18 horas, as forças governamentais repeliram hoje dois ataques de homens armados da Renamo à sede do distrito de Mulevala, província da Zambézia, o primeiro às duas horas e o segundo às quatro da madrugada. Não há vítimas humanas. Neste momento os milicianos da Renamo estão a ser perseguidos.

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [5]

Quarto número aqui. Passo ao quarto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 4.Análise nacional. Quantos mais holofotes estiverem direccionados para um determinado fenómeno, melhor será a sua visibilidade. A análise nacional é mais um holofote no conjunto de hipóteses em jogo neste texto.
O jovem armado com uma faca na Escola Secundária Josina Machel na cidade de Maputo [recorde aqui] não é o único caso de violência escolar que poderia ter sido letal. É, apenas, um exemplo entre muitos outros. Poderá ter sido permeado por uma cultura de agressividade e punição naturalizadas que, sob as mais diversas formas, habita as redes sociais físicas e digitais, as televisões e as rádios do país, tivesse disso consciência ou não. Ataques, emboscadas, sequestros, assassinatos e destruições variadas tornaram-se parte integrante e banalizada do nosso quotidiano. Com uma faca ou com uma arma de fogo, jovens há que se convencem de poder jogar o papel de heróis, determinando com crueldade - e quantas vezes com letalidade - o destino de pessoas, grupos e locais.
Em seu percurso, em sua acção punitiva, em sua agressividade com uma arma branca, o jovem da Josina Machel pode ter sido o repositório, o veículo inconsciente de uma quádrupla e interligada cultura em curso no país: cultura da violência, cultura da punição, cultura do medo e cultura da impunidade. A este nível há o drama de uma dupla determinação: os impulsos da violência multilateral deixam raízes especiais, os aguilhões. Quando julgamos que os impulsos desapareceram através de acções de profilaxia social, irrompem um dia, veementes, os aguilhões. Este é um dilema à Jano que, geracionalmente, faz parte da nossa história conflitual desde pelo menos o século XVII (aceleração do tráfico de escravos). E que, afinal, espécie de peristalto social, parece habitar por inteiro a atitude do jovem da Josina Machel, atitude que é unicamente a ponta do iceberg.

Muhive e ninja

Nos bairros periféricos da cidade de Maputo, as pessoas dividem os meliantes em duas categorias: o muhive (plural=vahive) e o ninjaO muhive é aquele que actua por regra sem violência. Ao contrário, o ninja é o mau imediato, instantâneo, aquele que fere, esfaqueia, mata, viola.

22 setembro 2016

Um prémio

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Negócios em Moçambique

Em epígrafe os cabeçalhos das seis mais recentes notícias do mundo dos negócios em Moçambique, aqui. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

A propósito do esfaqueamento na Josina Machel [4]

Terceiro número aqui. Passo ao terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3.Análise zonal. Aceitemos a hipótese de que as pessoas vivem em várias teias de interdependência que dão origem a configurações de vária índole, teias das quais regra geral não têm consciência. Uma investigação deve tomar em conta essas teias e essas configurações.
A Escola Secundária Josina Machel é contígua às chamadas barracas do Museu e tem, num dos lados [através de um dos passeios e do bulevar da Rua dos Lusíadas], grande promiscuidade com chapas, desempregados e vendedores ambulantes de produtos de todos os tipos.
A interdependência entre esse mundo - do qual também devem fazer parte meliantes diversos - e os estudantes da Josina Machel é permanente e múltipla. Pode acontecer que a extrema agressividade do estudante da faca [recorde aqui] tenha raízes na interdependência zonal assinalada, tal como parecem testemunhar algumas passagens de um texto divulgado pelo matutino "Notícias" em sua versão digital de 29 de Julho deste ano: 
"A falta de segurança no recinto da Escola Secundária Josina Machel, na cidade de Maputo, está a criar um ambiente de pavor entre alunos e professores, que com frequência são vítimas de assaltos e agressões por parte de marginais que transpõem a vedação. [Aliado a este facto, o consumo de álcool e drogas por parte de alguns estudantes está a tornar-se preocupante, o que tem concorrido para o aumento da insegurança, pois não raras vezes os protagonistas, na sua maioria adolescentes, depois de consumir estas substâncias são orientados à indisciplina e chegam a violentar os seus colegas.[Recentemente a Polícia da República de Moçambique (PRM) afecta à 2.ª esquadra foi solicitada pela Direcção da escola para repor a ordem, após um grupo de quatro alunos terem-se envolvido em cenas de pancadaria, paralisando literalmente o decurso normal das aulas. [Soubemos que na circunstância um dos agentes da Polícia foi vítima de agressões e sevícias quando tentava serenar os ânimos dos estudantes desordeiros. Em consequência, os alunos envolvidos, todos da 10.ª Classe, foram recolhidos para as celas da 2.ª esquadra." [aqui]

A perspectiva do centésimo andar

"Li, certa vez, a história de um grupo de pessoas que subia cada vez mais alto pelo interior de uma torre desconhecida e muito elevada. Os da primeira geração chegaram até o quinto andar, os da segunda, até o sétimo, os da terceira, até o décimo. No correr do tempo, seus descendentes atingiram o centésimo andar. Foi então que a escada desmoronou. As pessoas se instalaram no centésimo andar. Com o passar do tempo, esqueceram-se de que um dia seus ancestrais haviam habitado os andares inferiores, e também a maneira como elas mesmas haviam chegado ao centésimo andar. Passaram a considerar o mundo, bem como a si mesmas, a partir da perspectiva do centésimo andar, ignorando como os seres humanos haviam chegado ali. Chegavam até a acreditar que as representações que forjavam para si a partir da perspectiva de seu andar eram compartilhadas pela totalidade dos homens." - Elias, Norbert, Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 108.

SISTAFE

"Porque quem comete fraude verifica as fragilidades de quem está a dirigir” - Hermínio Sueia, director-geral do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informática de Finanças (CEDSIF), aqui.