O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2016 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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04 dezembro 2016

Uma coleção

Já estão editados 21 livros desta coleção nascida em 2013, todos também disponíveis em Maputo. Amplie a segunda imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

03 dezembro 2016

Atenção aos boatos

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6). 
Anúncio inserto no "Notícias" de 03/12/2016, p.7.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1195, de 02/12/2016, disponível na íntegra aqui:

02 dezembro 2016

O desalmado saque da madeira

Confira no jornal electrónico Ikweli, editado na cidade de Nampula, com data de hoje, aqui.
Adenda: tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país. Neste diário há desde 2007 centenas de postagens sobre esse saque.

Mentalidade de mata-borrão [7]

Sexto número da série aqui. Escrevi no número anterior que há um outro fenómeno a ter em conta, designadamente o da generalização abusiva retroactiva. O que significa isso? Significa que, prisioneiros da memória, reféns de certos acontecimentos do passado, acreditamos - por hábito, diria David Hume - que a repetição ocorrerá. Assim, se algo de importante aconteceu nos momentos A e B do passado, não surpreende que venha a acontecer no momento C ou que tenha sucedido no momento C ou que venha a suceder em outros momentos. Então, se já morreram dois sapos na Lagoa Poze, por que duvidar de que mais sete estão em risco de morrer? E quem diz mais sete diz mais 20 ou 30, não é? Quanto mais forte for a intranquilidade, mais forte é a generalização abusiva retroactiva.

Os duros e os moles na luta política [3]

Segundo número aqui. Escrevi no número anterior que em política, dureza entronca de imediato no conceito linha-dura, que se popularizou a partir da chamada Guerra Fria tendo como referência a então União Soviética, opondo os duros partidários e da nomemklatura aos moderados ou reformistas [confira aqui]. No caso de Moçambique, por exemplo, é frequente escrever que o partido que gere o Estado, a Frelimo, é intransigente devido aos seus duros, havidos como intolerantes à inclusão. Neste caso, o que se pretende dizer é que a Frelimo devia abrir as portas do poder à Renamo. Esta posição de permeabilidade política é, não poucas vezes, acompanhada por uma imagem de forte apelação gastronómica, a saber: eles já comeram muito, chegou a hora de outros também comerem.

01 dezembro 2016

Um sonho com vista para o Índico

Pela primeira vez visitei hoje a Taverna Doce no Jardim dos Namorados, cidade de Maputo, Avenida Friedrich Engels, tudo muito belo, arranjo arquitectónico de sonho, doçaria e padaria fantásticas, serviço impecável, higiene visível, controlo de entrada com guarda privado, casas de banho asseadas com empregados permanentes de limpeza, vista renovada e maravilhosa do Índico, preçário classe média/alta.

Crises

Quando estamos confrontados com tensões, com crises sociais, imediatamente apelamos para o vocabulário médico e dizemos algo como: estamos em crise, isto está pior, a sociedade adoeceu.

Maniqueísmo

O maniqueísmo parece ser um dos mais sólidos princípios da cognição: a divisão do mundo numa coisa boa e numa coisa má, o daltonismo moral, a irredutibilidade das fronteiras, a religião dos antagónicos, a recusa dos hibridismos e do transfronteiriço mesmo quando são evidentes e normais.

30 novembro 2016

Crimes são fenómenos normais?

Crimes são fenómenos normais? - eis o tema de mais um futuro livro da coleção internacional Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, neste momento em construção, com co-autoria de Maria Sousa Galito de Portugal e, do Brasil, Sergio Graziano e Ricardo Arruda, com as fotos abaixo:

Mentalidade de mata-borrão [6]

Quinto número da série aqui. Escrevi no número anterior que a generalização abusiva de uma afirmação individual é corrente a múltiplos níveis e, em particular, na imprensa. O militante do Partido X diz que é preciso ganhar as eleições e de imediato na imprensa afirma-se que o Partido X diz que é preciso ganhar as eleições. Mas há um outro fenómeno a ter em conta, designadamente o da generalização abusiva retroactiva. O que significa isso?

29 novembro 2016

Por que razão Jorge Ferrão foi nomeado Reitor da UP? [2]

"A UP é uma instituição de ensino vocacional cuja missão estatutária é a formação superior de professores para todos níveis de ensino e de outros profissionais para área de educação e afins, a nvestigação e a extensão. Neste contexto, a UP pugna pela universalização e regionalização, para além da sua função instrumental na produção e disseminação de conhecimento para a transformação da sociedade moçambicana rumo ao desenvolvimento social, cultural e tecnológico." Aqui.
Número inaugural aqui. Seguem-se dois cenários-hipóteses:
Primeiro cenário. Enquanto Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH], o Prof. Jorge Ferrão teve a oportunidade de conhecer os principais problemas que afectam o ensino em Moçambique. Um desses problemas tem a ver com a formação, humana e técnica, dos professores. Melhorar essa formação em profundidade está menos ao nível do MINEDH do que da Universidade Pedagógica [UP]. O Prof. Ferrão foi seleccionado para melhorar a "formação superior de professores para todos os níveis de ensino" [missão da UP na citação em epígrafe], a montante e não a jusante do processo.
Segundo cenário: citado pelo "Notícias" de ontem, o Ministro de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, Prof. Jorge Nhambiu, afirmou que a UP será reestruturada em quatro universidades autónomas, cada qual com a sua reitoria e a hipótese de seleccionar o seu foco de actuação. Aqui. Se assim for, então o Prof. Jorge Ferrão foi seleccionado para dirigir esse processo. Caber-lhe-á, especialmente, a delicada tarefa de encontrar resposta à seguinte pergunta: continuará a formação de professores a ser o foco, a marca da actual UP nas quatro universidades? Ou sê-lo-á apenas de uma? Ou, enfim, de nenhuma, ante uma nova etapa histórica, com a UP caminhando no figurino plurifocal das universidades públicas como a Universidade Eduardo Mondlane, a Universidade Zambeze e a Universidade Lúrio [Unilúrio]?
Seja qual for o cenário, a nomeação do Prof. Jorge Ferrão não foi um castigo, mas um reconhecimento da sua competência, da sua experiência de gestão na Unilúrio, da sua abnegação e da sua cultura.

A política explicada por Estevão de Fátima [3]

Segundo número aqui. Mostrei no número anterior a posição do Sr. Estevão de Fátima, a saber: cumpre aos partidos políticos distribuir cargos e benefícios aos seus membros. Ora, quem melhor do que Max Weber para apadrinhar o Sr. Fátima? Eis o que ele escreveu: "O que os chefes de partido dão hoje como pagamento de serviços leais são cargos de todo o tipo em partidos, jornais, confrarias, Caixas de Segurança Social e organismos municipais ou estatais. Toda e qualquer luta entre partidos visa, não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo pela distribuição de cargos. (...) Com o incremento do número de cargos, consequência da burocratização geral e o crescente apetite por esses cargos como modo específico de assegurar o futuro, essa tendência aumenta em todos os partidos, cada vez mais encarados pelos seus seguidores como o meio de alcançar o fim: a obtenção de um cargo." - [Max Weber, A política como vocação, um trabalho publicado em 1919]

28 novembro 2016

Zimbabwe

Segundo a ANGOP: "O Zimbabwe está mergulhado numa grave crise económica, assim, pelo menos três quartos dos seus 16 milhões de habitantes vive hoje numa pobreza extrema e 90% da população activa não tem emprego formal." Aqui.

Por que razão Jorge Ferrão foi nomeado Reitor da UP? [1]

O Prof. Jorge Ferrão foi exonerado do cargo de Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano e nomeado Reitor da Universidade Pedagógica. Em vários círculos a medida tem sido encarada como produto de uma decisão errada que não teve em conta a competência e a honestidade do Prof. Ferrão. Também há a ideia de que baixou de categoria.
Vou sugerir uma posição diferente a partir de hipóteses. Faltando-me o dom de ser categórico em coisas que não investiguei, defender hipóteses parece-me saudável. Para o efeito, permito-me recordar-vos o que Marx escreveu um dia no "Grundrisse": "Nasce aqui a questão de saber se este problema não prenuncia já a sua falta de sentido e se a impossibilidade de solução não está já contida nas premissas da questão. Frequentemente a única possível resposta é a crítica da questão e a única solução é negá-la."

Por que razão Jorge Ferrão foi nomeado Reitor da UP?

Livro editado em 2000

Livro editado em 2000 pela Livraria Universitária da Universidade Eduardo Mondlane [UEM], contendo textos apresentados no 6.º Curso Aberto, intitulado "Tradição e Modernidade em Moçambique", por mim orientado no anfiteatro principal da Faculdade de Medicina da UEM entre 9 de Outubro e 18 de Dezembro de 1998, para um auditório de 120 participantes. Autores moçambicanos do livro: Carlos Serra, Miguel César, Ana Loforte, Paulo Soares, João Trindade, Guilherme Mbilana, Joaquim Fumo, André Cristiano, Victor Matsinhe e João Carlos Colaço. Autores estrangeiros: François Houtart da Bélgica, Naura Syria Carapeto Ferreira do Brasil e João Arriscado Nunes de Portugal [os três estiveram em Moçambique a participar no curso a meu convite]. Durante alguns anos dirigi cursos abertos na Faculdade de Medicina da UEM e todos eles deram origem a livros. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

Mediocridade do copia/cola

A agência noticiosa estrangeira Na Hora H [nome imaginário] produz um trabalho bombástico com o título "A fumigadora Mata Rápido tenta interferir na contagem das pulgas do Bairro das Picadelas". Tema, especulação e oportunismo juntam-se para cobrir a ausência de provas, na verdade nenhuma real pesquisa foi feita na empresa e no bairro. Porém, de imediato, sôfregos, acríticos, crédulos, bulímicos, sempre porosos à suposta credibilidade noticiosa estrangeira, certos autores - nacionais e estrangeiros - de jornais bombásticos, blogues do copia/cola/mexerica e páginas das redes sociais digitais do tipo tudo-o-que-vem-à-rede-é-peixe, copiam e divulgam literalmente o texto da Na Hora H.

No "Savana" 1194 de 25/11/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.