O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
Myspace Layouts
<div style="background-color: none transparent;"><a href="http://www.rsspump.com/?web_widget/rss_ticker/news_widget" title="News Widget">News Widget</a></div>

21 fevereiro 2017

Feiticismo das multidões políticas

Há políticos que amam as multidões políticas, que as tomam por testemunho popular de adesão e de doação de legitimidade. Esquecem que os amantes populares de espectáculos sinestésicos são profundamente transversais e não perdem qualquer comício, seja de que político e tonalidade for. O espectáculo com políticos fazendo de messias profanos e, em meio a uma chuva de oferendas e de espectáculos musicais, prometendo transformar a terra no céu e a pobreza na riqueza, naturalmente que atrai gente sequiosa tal como a limalha atrai o ferro. 

À hora do fecho

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1206, de 17/02/2017, disponível na íntegra aqui.

20 fevereiro 2017

No "Savana" 1206 de 17/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1206 do semanário "Savana" com data de 17/02/2017. Se for possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

A lâmpada política de Aladim

De pacato cidadão, o candidato a presidente transforrma-se em pessoa excitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Acredita que não é ele, mas outro, um outro fora do comum, ele-mesmo afinal. É em meio a essa atmosfera de sobreexcitação que o candidato gere a sua lâmpada política de Aladim, prometendo transformar para melhor a vida da terra e das pessoas. Por sobreexcitação, por contágio, o candidato a presidente - não importa de que partido - tudo faz para criar o estado de crença nas multidões, hipnotizando-as - e hipnotizando-se - com promessas sem fim de parusia terrena.

19 fevereiro 2017

Rasgões e sujidade

Tempo houve em que um rasgão numa calça levava ao concerto à mão ou com uma máquina de costura do tipo Singer. Era indecoroso usar uma calça com rasgões. Hoje, a mentalidade punk é diferente: as calças, as jeans, são compradas rasgadas e, aqui e acolá, com sinais intencionais de sujidade. Ou rasgamo-las. Ou sujamo-las. Calças e calções. Rasgão e sujidade são moda. Na internet há montes de portais a ensinar como rasgar calças ou calções. É a moda do descuidado, do à-vontade, do destroyed, do atractivo sexy no caso das jovens de calções (o rasgão é uma porta de entrada, uma chamada sexualizada para a possibilidade da nudez, uma fenda deliberada na defesa corporal). Cada tempo cada sentença. [imagem reproduzida com a devida vénia daqui]

Literatura à Émile Zola

Faz falta no país uma literatura sistemática que vá para além do fantástico, dos roteiros à García Marquéz, dos enredos mágicos, dos percursos pelo passado, da fuga permanente ao real e, de frente, com visibilidade total, nos traga enredos à Émile Zola, nos mostre os caminhos dos extraordinários desencontros sociais do país, o quadro vivo e doloroso das desigualdades sociais entorpecido por certo tipo de discursos e de glosas ao desenvolvimento.

18 fevereiro 2017

Sede da saúde

Vestidos à desportista, embrulhados em calor feroz, caras de sofrimento indizível, correm e suam desalmadamente, convencidos de que assim são a sede da saúde.

A luta de duas linhas

As concepções de estética e sobrevivência na luta de duas linhas, a do Conselho Municipal da Beira e a dos vendedores informais, num texto do "Diário de Moçambique", aqui.
Adenda: recorde neste diário uma série minha em 16 números aqui.
Adenda 2 às 11:05: sobre a Beira recorde neste diário dois textos meus de 2006 e 2007 aqui e aqui.

17 fevereiro 2017

O drama da água

Manuel Alvarinho citado pelo "O País" digital: "Se o cenário prevalecer, nós vamos ficar na situação em que estamos por mais um ano. No pior cenário, daqui a um ano não temos água nenhuma. Não vou dizer que é no dia um de Janeiro, depende, por exemplo, se começarmos a poupar água (...) Depende de medidas de criação de mais furos neste período, que vão evitar que as pessoas estejam só dependentes da água do Umbeluzi. Depende, em última análise, se se consegue viabilizar uma central de dessalinização." Aqui.

Lusa e acidentes de percurso jornalístico

A agência portuguesa "Lusa" deu um exemplo de como podem ocorrer certos acidentes de percurso jornalístico. Assim, usou um mesmo texto para, com um dia de intervalo, querer mostrar que em Moçambique e na Guiné-Bissau existem mais celulares do que latrinas. Confira aqui e aqui. O caso foi apresentado aqui.
Adenda às 08:57 de 18/02/2017: é muito interessante verificar como certos jornais digitais e blogues do copia/cola/mexerica ficaram entusiasmados como tão portentosa descoberta "científica" e mandaram às urtigas a ideia camuflada na peça jornalística de que, afinal, África é toda igual.

Pensamento simbólico

É sempre muito difícil entendermos e aceitarmos a expressão do pensamento simbólico, especialmente quando nasce no interior da situações sociais de crise múltipla, situações cujos medos e cujos anseios reais aparecem traduzidos e ampliados em crenças, em rumores, boatos, lendas.

Cientistas

Os cientistas vivem em múltiplos e ciosos castelos feudais temáticos, cada castelo com sua vigiada ponte levadiça institucional consoante ramos, escolas, saberes e temperamentos pessoais.

16 fevereiro 2017

Proposta

Quando quiser estudar uma sociedade, não comece por aquilo que ela diz dos outros e dela-mesmo, mas por aquilo que faz e pelo como faz.

15 fevereiro 2017

Um director

Preocupado com a falta de energia no meu quarteirão havia cerca de 20 horas, fui hoje com um vizinho à EDM tentar saber a causa. Um director atencioso, paciente e profissional, engenheiro Alberto Banze, explicou-nos a causa do problema e, após um telefonema, deu-nos a previsão da reparação. A previsão cumpriu-se. Precisamos no país de mais directores do tipo Alberto Banze.

A ti homo a thomo tiya kudlayiwene, mylove

O problema fundamental não é que os proprietários de chapas e myloves deixem transportar pessoas em condições desumanas, mas que as pessoas aceitem ser transportadas nessas condições. Hipótese a testar: são os passageiros daqueles veículos com a ajuda da nossa indiferença quem produz e reproduz essas condições desumanas.
Nota: Entre escárnio e resignação, passantes largam frases compensatórias: "Ali vão os bois! (em Xangaan: A ti homo!)". Há quem acrescente: "Para o matadouro! (A thomo tiya kudlayiwene)"