Vejam lá: esta série, que desejei e desejo permanente, estava esquecida, o último número data de 27 de Dezembro do ano passado. Mas conta-gotemo-la:1. O carro é protocolar, a excelência está no banco traseiro, o motorista estaciona e, rápido, febril, sai e vai abrir-lhe a porta. A excelência sai, mas tem o cuidado de deixar ficar com o motorista a pasta que trouxera. Logo de seguida caminha a excelência com seu ar monárquico, de coisa natural, com o motorista atrás carregando a pasta, pasta que, provavelmente, pelo magro volume visualmente apalpado, nada tem dentro. Sente-se que a excelência ama aquele micro-poder, sente-se que procura nos olhares dos outros o aplauso e a reverência. Sabem, falta estudar este tipo de micro-poderes, micro-poderes naturalizados, a cargo de excelências capazes de fazerem solenes discursos ciceroanos em púlpitos populares.
2. Um das ruelas perpendiculares à Av.ª Julius Nyerere, dando para a Av.ª Friedrich Engels, está toda esburacada, parece uma cratera nuclear (como, aliás, muitas outras da nossa Maputo). Como se chama a ruela? Rua dos Combatentes.
3. Sem dúvida que é uma chinfrineira dos diabos, esta dos sapos que estou a ouvir. "Ainda vai chover" - diz a empregada da cafeteria. "Mas como sabe, minha senhora"? - pergunto."Quando sapo canta chuva cai" - responde ela, definitiva.
(continua)