ESTE BLOGUE FOI SELECCIONADO EM 2007 PELO JÚRI DO BOBS COMO UM DOS 10 MELHORES WEBLOGS EM PORTUGUÊS (559 CONCORRENTES) E EM 2008 COMO UM DOS 11 MELHORES (400 CONCORRENTES). NA VOTAÇÃO PÚBLICO: 3.° LUGAR EM 2007 E 2.° EM 2008
08 Novembro 2009
Ferroviário de Maputo é de novo campeão
O Ferroviário de Maputo é, pela segunda vez consecutiva, o campeão nacional do Moçambola, mercê do empate a um golo em jogo acabado de terminar frente ao Desportivo de Maputo de Artur Semedo, estádio da Machava, cidade de Maputo. O treinador Chiquinho Conde (muito nervoso) alcançou, assim, o seu primeiro título: ajoelhou-se, chorou. Delírio dos adeptos do Ferroviário, locutores com vozes emotivadas, intenso tráfego de viaturas no exterior do estádio. Muitos parabéns a ambas as equipas.Adenda às 17: segundo a Rádio Moçambique, corre o rumor de que Artur Semedo deixará o Desportivo para treinar a Liga Muçulmana, acompanhado de alguns jogadores.
Adenda 2 às 17:05: estou francamente chateado, parece que o meu Chingale de Tete desce de divisão.
Ponto de situação sobre questionários

Esse o ponto de situação dos dois questionários situados no lado direito deste diário, conferíveis respectivamente aqui e aqui. Se quiser ampliar a imagem em epígrafe, clique com o lado esquerdo do rato sobre ela.
Adenda às 15:40: entretanto, o primeiro fechou, com resultados francamente progressistas. Dentro de algum tempo retiro-o.
(97) 08/11/09

Talvez possamos dividir os partidos convencionalmente chamados de oposição em Moçambique em três grandes campos, o que se segue é um desenho preliminar, muito provisório, ainda cheio de lacunas, espero que - apesar disso - propício ao debate:
* Partidos da oposição estrito senso: por agora são talvez apenas dois ou três, procuram não fazer compromissos, vencer o enorme e diversificado poder do partido no poder e gerir o Estado são os seus objectivos, o seu discurso de luta é frontal ainda que dependam parcialmente dos fundos estatais para as campanhas eleitorais. Terei ainda de analisar melhor as suas estratégias de luta, eventualmente trabalhar com os conceitos gramscianos de "guerra de movimento" e de "guerra de posição" (citando Gramsci em relação à Índia: “A resistência passiva de Gandhi é uma guerra de posição, que se torna guerra de movimento em certos momentos e, em outros, guerra subterrânea: o boicote é uma guerra de posição, as greves são uma guerra de movimento, a preparação clandestina de armas e de elementos de combate destinados aos ataques é uma guerra subterrânea..."
* Partidos cavalos de tróia: partidos que procuraram ser da oposição mas cuja função nos últimos anos é a de servirem de cavalos de tróia, procurando minar a real oposição e glosando frontalmente o partido no poder. Surgem com algum ruído no "Notícias" nas épocas eleitorais, ainda que dois ou três dos seus dirigentes tenham uma habitação pós-eleitoral mais permanente nesse jornal. Dependem exclusivamente dos fundos estatais para as campanhas eleitorais. Nunca conseguiram assentos parlamentares.
* Partidos gelatinosos-hibernadores: sem filiação definida, ambíguos, sem visibilidade jornalística, totalmente dependentes dos fundos eleitorais. Surgem fugazmente, por vezes assemelham-se à limalha-Janus acenando ao mesmo tempo para o partido no poder e para os reais partidos da oposição para, depois, como alguns cometas, desaparecerem, hibernando até ao próximo ciclo eleitoral.
* Partidos gelatinosos-hibernadores: sem filiação definida, ambíguos, sem visibilidade jornalística, totalmente dependentes dos fundos eleitorais. Surgem fugazmente, por vezes assemelham-se à limalha-Janus acenando ao mesmo tempo para o partido no poder e para os reais partidos da oposição para, depois, como alguns cometas, desaparecerem, hibernando até ao próximo ciclo eleitoral.
Adenda: em qualquer altura posso introduzir modificações no texto. Se isso vier a acontecer, as alterações surgirão a vermelho.
EUA: aprovado projecto de reforma da saúde
No "Estadão" brasileiro: "A Câmara de Representantes (Deputados) dos Estados Unidos aprovou na madrugada deste sábado para domingo pela primeira vez na história do país um projeto de lei que pretende estabelecer um sistema de saúde quase universal."Observação: um degrau vital que foi ultrapassado. Coisa digna.
(96) 08/11/09

Só há momentos li o "Notícias" de ontem, refiro-me à edição em papel, pois sobre a online reportei ontem (reler cabeçalho desta postagem). A nove colunas ocupando todo o topo da p. 5, há um trabalho não assinado com o seguinte título: Dhlakama não é ninguém. E o subtítulo: - dizem dirigentes de partidos políticos. A seguir intervenções e enormes fotos de dirigentes de partidos sem qualquer relevância votal, João Massango dos Ecologistas, Yá-Qub Sibindy do PIMO, António Palange dos Democratas Unidos e Miguel Mabote dos Trabalhistas. Nenhum deles disse que Dhlakama não vale nada, o título é da responsabilidade do jornal. Três coisas a assinalar: (1) a frequência com que o “Notícias” recorre a dirigentes políticos desse tipo (antigos satélites da Renamo), dando-lhes um relevo político que não têm e parecendo usá-los como cavalos de tróia nas hostes da oposição; (2) a sistemática depreciação a que o presidente da Renamo é sujeito, seja agressivo ou não, fale ou não; (3) uma frase fascinante do Homo Sibindycus a reter e, afinal, em sintonia com a hipótese dos cavalos de tróia: “Continuarei a ser oposição da oposição”.
Adenda às 20:54: o presidente da Renamo continua a ser ridicularizado no semanário "Domingo", última página da edição de hoje. Desta vez é a propósito da afirmação do primeiro-secretário da Frelimo em Nampula, que afirmou ter Dhlakama perdido as eleições por ter passado o tempo a namorar. Mais: ele é ainda vedeta na rubrica do mesmo jornal com o título "O que eles disseram", que, por exemplo, reproduz sem qualquer tipo de observação, o que, há dias, o jornalista Ângelo Munguambe do "Zambeze" escreveu (recorde a adenda 3 desta postagem aqui).
07 Novembro 2009
Falácias da explicação
Todos nós conhecemos falácias da explicação ou da argumentação do género:-O João gosta de rebuçados porque é guloso
-O Alberto escreve sobre o Partido da Reconciliação Universal porque é desse partido
-O tempo está quente porque está calor
-Aqueles que votaram no Partido das Grandes Obras é porque reconhecem essas obras
-Os homens batem nas mulheres porque são mais fortes
-Os eleitores não votaram porque sabem que a situação não mudará
-Deus existe porque ninguém pode provar o contrário
Enfim, é possível multiplicar os exemplos e as variações dessas falácias, coisas que analisei um pouco no meu livro "Combates pela mentalidade sociológica". Permitam-me, entretanto, sugerir-vos a leitura de três pequenos textos disponíveis na internet com os títulos "Falácias da explicação", "Falácias na argumentação" e "Argumentação - Falácias e Formas Abusivas de Inconsistência".
Produção do Outro
"Apesar da subtileza e da complexidade do discurso racista, os princípios organizadores globais desse discurso são muito simples e similares em qualquer tipo de discurso de base ideológica (itálico meu, CS):
* enfatizam os aspectos positivos do Nós, do grupo de dentro;
* enfatizam os aspectos negativos do Eles, do grupo de fora;
* não enfatizam os aspectos positivos do Eles;
* não enfatizam os aspectos negativos do Nós."
Um protocolo excelente para a análise da discusividade política em Moçambique. Entretanto, lancei áreas de pesquisa na análise da alteridade em Serra, Carlos (dir), Estigmatizar e desqualificar/Casos, análises, encontros. Maputo: Livraria Universitária, 1998. Mais áreas serão propostas no próximo ano com um livro sobre potenciais de xenofobia.
* Dijk, Teun A. van, Racismo e discurso na América Latina. São Paulo: UNCESCO/Editora Contexto, 2008. Imagem reproduzida daqui.
Lançamento próxima sexta-feira 13 de Novembro
"Bom dia!
Tenho o prazer de convidar para o lançamento do livro "Do passado colonial à independência - discursos do semanário Savana nas celebrações da independência de Moçambique (1998-2003)", que terá lugar na próxima Sexta-feira, 13 de Novembro, às 16:00, nas instalações do semanário Savana, na Av. Amilcar Cabral, 1049 - Maputo.
A obra será apresentada pelo Professor Carlos Serra, investigador do Centro de Estudos Africanos da UEM.
“Do passado colonial à independência” é um livro que contribui para a compreensão das dinâmicas da sociedade moçambicana, a partir dos discursos publicados no semanário Savana, por ocasião das celebrações das datas históricas do País. Assumindo que “nada caracteriza melhor uma pessoa do que a forma como ela caracteriza os Outros” o autor procura analisar a memória social de uma elite moçambicana produtora de opinião. A obra dá a conhecer a forma como os empresários e trabalhadores estrangeiros constituem notícia, mas também o modo como os próprios moçambicanos são representados ao longo desses episódios. Ao longo da análise procura-se identificar as condições e as motivações através das quais o Outro é representado e, eventualmente, recusado.
O autor é licenciado em Sociologia das Organizações e mestre em Relações Interculturais. Actualmente frequenta um doutoramento em Estudos Africanos e tem publicado uma série de investigações relacionadas com as identidades e as representações sociais, com a gestão de recursos humanos em contextos moçambicanos ou com a presença chinesa em Moçambique.
Apareçam!
João Feijó"
Tenho o prazer de convidar para o lançamento do livro "Do passado colonial à independência - discursos do semanário Savana nas celebrações da independência de Moçambique (1998-2003)", que terá lugar na próxima Sexta-feira, 13 de Novembro, às 16:00, nas instalações do semanário Savana, na Av. Amilcar Cabral, 1049 - Maputo.
A obra será apresentada pelo Professor Carlos Serra, investigador do Centro de Estudos Africanos da UEM.
“Do passado colonial à independência” é um livro que contribui para a compreensão das dinâmicas da sociedade moçambicana, a partir dos discursos publicados no semanário Savana, por ocasião das celebrações das datas históricas do País. Assumindo que “nada caracteriza melhor uma pessoa do que a forma como ela caracteriza os Outros” o autor procura analisar a memória social de uma elite moçambicana produtora de opinião. A obra dá a conhecer a forma como os empresários e trabalhadores estrangeiros constituem notícia, mas também o modo como os próprios moçambicanos são representados ao longo desses episódios. Ao longo da análise procura-se identificar as condições e as motivações através das quais o Outro é representado e, eventualmente, recusado.
O autor é licenciado em Sociologia das Organizações e mestre em Relações Interculturais. Actualmente frequenta um doutoramento em Estudos Africanos e tem publicado uma série de investigações relacionadas com as identidades e as representações sociais, com a gestão de recursos humanos em contextos moçambicanos ou com a presença chinesa em Moçambique.
Apareçam!
João Feijó"
(95) 07/11/09

Na página política do "Notícias" online de hoje, a grande vedeta é, uma vez mais, Afonso Dhlakama, em vários tipos de notícias, incluindo a visita de um emissário do rei da Sawazilândia e o habitual espaço que coloca líderes de pequenos partidos a dizerem que o presidente da Renamo é um fanfarrão. Enquanto isso, a CNE trabalha, nenhuma palavra sobre irregularidades ou fraude.
Adenda às 7:32: fraude (enchimento de urnas, boletins alterados), um tema colocado com regularidade pelo Boletim sobre o Processo Político em Moçambique e, ontem, pela Agência de Informação de Moçambique.
06 Novembro 2009
(94) 06/11/09

Já podeis ler o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (33), de 06 de Novembro de 2009, na íntegra (rosto logo abaixo) aqui:

Adenda às 17:28: chegam-me comentários provocadores (há mesmo quem entenda dever dar-me ordens), de anónimos valentes, como me chegam comentários que, embora me pareçam bem-intencionados, continuam a ser de anónimos. Sugiro, uma vez mais, a leitura das normas para se comentar neste diário (ao fundo, do lado direito), bem como o cabeçalho da janela de comentários. Não respondo a anónimos, não sou obrigado a publicar o que quer que seja. Quem quiser interpelar-me e ser correspondido, faça-o identificando-se plenamente. Eu não me escondo. Esta é a última vez que me refiro ao tema. Obrigado pela democrática compreensão.
Adenda 2 às 17:47: os problemas destas eleições são cada vez mais complicados.
Adenda 3 às 19:11: no portal do Partido Frelimo lê-se que a Comissão Política saúda o "povo moçambicano, pela forma massiva, ordeira e pacífica como participou durante a campanha eleitoral e a votação". Aqui. No portal do Partido Renamo fala-se do desaparecimento de cadernos eleitorais e de fraude ("Eleições 2009: uma farsa para o Inglês ver"). Aqui. No portal do Partido MDM, nada de novo surge faz muito tempo. Aqui.
Adenda 4 às 19:36: um trabalho inteiramente técnico o do "O País" online, esforçando-se por mostrar o esforço da CNE e salientando a "pesada derrota" de Dhlakama e da Renamo. Nenhuma palavra sobre fraude. Aqui.
(93) 06/11/09

Ao longo de todo o processo eleitoral surgiram muitos problemas, de vários tipos, muito complexos alguns, problemas a exigir que várias coisas sejam absoluta e rigorosamente corrigidas no futuro tendo em conta as próximas eleições. Todavia, não há evidências que provem que os problemas surgidos ponham em causa a vitória de Guebuza e da Frelimo. Há muitas coisas a criticar, mas também parece ser sensato pensar que não se deve fazer da lamentação e do choro armas políticas permanentes. Sabem, talvez os partidos sejam, afinal, igrejas de um certo tipo, onde também a entrega sem reservas, a pregação constante e a fidelidade sem limites são as chaves da crença robustecida, da ampliação da rede de fiéis e, portanto, da monitoria objectiva do futuro. E, tanto quanto julgo saber, nunca ninguém provou que o futuro habita atrás de nós ou nas lágrimas da impotência.
Adenda: podeis ler um dossier Savana aqui.
Adenda 2 às 11:38: sobre a actual posição do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, confira o "Wamphula Fax", aqui.
(92) 06/11/09

Não, não é a oposição, não é a Renamo, não é o MDM, não são profetas da desgraça, não são tenebrosos agentes ao serviço de agendas e mãos externas, não são inimigos proponentes de governos de unidade nacional, a dizer e/ou a escrever da possibilidade real de fraude contra os candidatos da oposição, é a Agência de Informação de Moçambique, citada pelo "Notícias" de hoje a propósito dos resultados eleitorais na província de Inhambane (mas com referência também a Sofala). Vou citar extensamente: " (...) dos 300.167 eleitores que votaram em Inhambane, 5,6 por cento deles não escreveu praticamente nada nos seus boletins de voto e 4,6 por cento entregaram votos inválidos. Estes números são extremamente altos, sendo por isso suspeitos. Nas eleições de 2004, os votos em branco de todo o país correspondiam a apenas 2,9 por cento e os votos inválidos representavam apenas 2,7 por cento. (...) Uma explicação alternativa é de que, de certeza, houve alguma fraude deliberada. Toda gente está ciente das práticas desonestas dos MMV’s (=membros das assembleias de voto, CS) que consistem na invalidação deliberada dos votos dos candidatos da oposição. Esta realidade ficou provada nas eleições autárquicas de segunda volta realizadas no Município da Cidade de Nacala-Porto em Fevereiro passado, onde, em pelo menos três assembleias de voto, os MMV’s adicionaram tinta nos boletins de votação durante o processo de contagem, de modo a fazer com que pareça que o eleitor votou em dois candidatos. Ainda nestas eleições, suspeita-se que uma fraude idêntica tenha ocorrido numa assembleia de voto da cidade da Beira, onde cerca de cem votos de Daviz Simango foram invalidados usando essa estratégia. À semelhança do que acontece com os votos em branco, os MMV’s desonestos podem simplesmente juntar os votos inválidos ao conjunto dos válidos, situação que pode ser facilitada pelas precárias condições de iluminação. Isto acontece quando os fiscais dos partidos candidatos encontram-se ausentes da assembleia de voto ou quando simplesmente estiverem desatentos."
Adenda: com base nos dados do "apuramento provincial final", mas ainda sem os dados das províncias de Tete e Niassa: Guebuza eleito por 25% dos eleitores, Dhlakama por 6% e Simango por 3%. Se assumirmos que a população de Moçambique é de 20530714 habitantes (censo de 2007), então, neste momento, Guebuza foi eleito por 12% de Moçambicanos, Dhlakama por 3% e Simango por 1.47%. Corrijam-me caso eu tenha feito mal as contas.
Adenda 2 às 9:21: a abstenção oficial será à volta de 56% - sociólogo Luís de Brito, aqui.
Adenda 3 às 9:44: "Voto justo, vitória merecida" - título do editorial do semanário "Savana" desta semana, aqui.
Em memória de quem tirou a palavra selvagem do vocabulário: Claude Lévi-Strauss
Ainda que com atraso, aqui fica a notícia: morreu na madrugada de sábado para domingo, com 100 anos, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, autor de Tristes Trópicos. Uma jornalista portuguesa escreveu dele, em título de um trabalho, o seguinte: Morreu o antropólogo que tirou a palavra "selvagem" do vocabulário.A "hora do fecho" no "Savana"
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo: 05 Novembro 2009
Cimeira sobre Zimbabwe em Maputo
A propósito da cimeira sobre o Zimbabwe em Maputo, o "O País" tem hoje um trabalho sobre o que organizações zimbabweanas pensam da situação política nesse país, aqui.Adenda às 19:49: segundo a Rádio Moçambique, a reunião (na qual também se analisa a situação política no Lesotho) realiza-se sob fortes medidas de segurança e com muitos jornalistas nacionais e estrangeiros presentes (noticiário das 19:30).
(91) 05/11/09

Agora a versão em português do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (32), 05 de Novembro de 2009, aqui (rosto mais abaixo; versão em inglês na adenda 6 da postagem (90) 05/11/09):

Adenda às 20:18: porque Afonso Dhlakama passou mais tempo a namorar Lúcia Afate do que os eleitores de Nampula, perdeu as eleições na província – esta a tese de Agostinho Trinta, primeiro secretário da Frelimo nessa província. A conferir no “Mediafax”, aqui. Assim vai o presidente da Renamo enchendo o imaginário de certos quadrantes: além de guerreador, é agora, também, namorador. Afinal, a dialéctica da vida.
Adenda 2 às 20:23: os fantasmas da Changara persistem, segundo o “Mediafax”, aqui.
(90) 05/11/09

Disponível nos arquivos do IESE já está o texto de Luís de Brito intitulado Uma análise preliminar das eleições de 2009, cuja leitura vivamente recomendo, aqui.
Adenda: ontem como hoje, a abstenção continua a constituir preocupação. Este ano, ele foi, uma vez mais, elevada, entre 60 e 70% (espero a saída dos dados definitivos). Mas, para além de pontos de vista e de juízos partidários, não dispomos ainda de um estudo em profundidade sobre o tema. Creio que os pilares desse estudo foram por mim lançados em 1999, no livro Eleitorado incapturável. Espero poder dedicar-se ao tema no próximo ano.
Adenda 2 às 10:06: tem havido múltiplas condenações do discurso castrense de Dhlakama. Mas muito raramente se tem criticado a violência simbólica com que, sistematicamente, certos sectores analisam e desqualificam outros. Muita coisa ainda por estudar numa história onde a regra é o rio, mas não as margens que o comprimem.
Adenda 3 às 11:04: no semanário "Zambeze" com data de hoje e para criticar a ameaça de Afonso Dhlakama, o jornalista Ângelo Munguambe tem um trabalho intitulado "Dhlakama é um verdadeiro farrapo político..." (p. 2) e um cabeçalho com este início: "Afonso Dhlakama é um daqueles animais políticos que, à semelhança de outros tantos que pululam no espaço político nacional, devia estar enterrado, putrefacto e comido pelos abutres..." Este é um tipo de discurso que merece, ele-também, ser analisado em toda a sua violência punitiva.
Adenda 4 às 11:11: no "Canal de Moçambique" de hoje, o jornalista Borges Nhamirre tem um trabalho com o antetítulo "Elevados índices de abstenção" e o título "Guebuza reconduzido com voto de apenas 27% dos eleitores" (p. 16).
Adenda 5 às 11:32: com cerca de um hora de leitura de vários jornais da praça, verifica-se rapidamente quão imensa é a alegria (regra geral vingativa) de certos sectores produtores de opinião (oficial e informal) em relação ao afastamento da oposição política. Por trás dos ouropéis da democracia formal, reina uma alma monárquica intransigente.
Adenda 6 às 12:41: leia as novidades do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (32), 05 de Novembro de 2009, versão em inglês por agora, aqui (rosto mais abaixo):
Adenda 7 às 13:26: segundo o "Wamphula Fax", o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, reúne-se hoje em Nampula com Brazão Mazula, presidente do Observatório Eleitoral e com Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos, para discutir questões sobre a paz no país. Diplomatas deverão estar também no encontro. Confira aqui.
(89) 05/11/09

Qual é o principal problema da Renamo? Resposta drástica, ao sabor dos tempos: o principal problema da Renamo é o periódico discurso castrense. Problema por quê? Resposta não convencional: porque o neo-liberalismo exige o discurso da paz juridicamente monitorada. O discurso castrense, regressado há dias nas palavras pós-eleitorais do seu presidente, Afonso Dhlakama (e depois assumido por alguns dos seus lugares-tenentes em modalidades diversas), provocou rapidamente o choque, nacional e internacional. O tsunami político deu origem a ondas de apelos e protestos pacifistas. Um dos resultados da situação gerada é que, sejam quais forem as verdades que a Renamo possa apresentar em seu protesto contra o que considera serem irregularidades eleitorais, elas são rapidamente eclipsadas pelo pesadelo das emboscadas, pelo odor multiplicador a AK47. Politicamente não interessa se ela em razão: o que interessa é que militarmente cheira a pólvora. O fim da guerra em 1992 significou também a fabricação internacional e nacional da Renamo enquanto partido, enquanto entidade civil. Ora, periodicamente, por seu intermédio, o passado regressa, as matas fazem-se re-ouvir, os espíritos guerrilheiros reaparecem nos vivos engravatados. Sem paz não há democracia, não há negócios, não há eleições, não há combate contra a pobreza absoluta (melhor que relativa) e não há fundos do Estado para eleições. Os tempos não estão nada a favor da moçambicanização das casernas e os trunfos pacifistas são infinitos. Se Afonso Dhlakama tiver algum tempo, pode, por exemplo, consultar o "Notícias" de hoje, para, num variado banquete temático, saber que o Sr. Moisés Machavane do obscuro Partido Nacional dos Operários e Camponeses lhe aconselha calma e aliança com os vencedores, que o Observatório Eleitoral na pessoa de Brazão Mazula defende que os derrotados devem felicitar o vencedor e, finalmente, como sobremesa regressada com fanfarras, que um afirmado "homem armado" da Renamo em Marínguè trocou tiros com a polícia. No Hamlet, Shakespeare escreveu que era divertido ver o engenheiro ir pelos ares com a sua própria bomba. E, como sabeis, naquele quinhentista tempo ainda não tinham sido inventados o FMI e o BM. Mas, através da Inquisição, já se queimavam supostas bruxas e supostos bruxos.
Adenda às 7:20: talvez estas eleições tenham sido as mais ricas da nossa história em campos merecedores de pesquisa e análise. Interesses em jogo e práticas discursivas são vitais. Como sabem, neste diário de campo tenho regularmente proposto tópicos de pesquisa.
Adenda 2 às 7:41: saiba o que o meu colega Luís de Brito do IESE concluiu num estudo sobre as eleições de 28 de Outubro, aqui.
Adenda 3 às 7:44: saiba o que o delegado político da Renamo em Manica, Albino Faife, disse segundo o "Canal de Moçambique" de hoje, aqui.
Adenda 4 às 7:58: "(...) Luís de Brito refere no seu estudo que o processo eleitoral de 2009 merece atenção por várias razões. Primeiro, porque “decorreu num ambiente particularmente polémico devido às decisões controversas tomadas pela CNE”. Segundo, porque “como tinha acontecido nas eleições de 2004, mais de metade dos eleitores não votou”. Terceiro, porque “a administração eleitoral continua a demonstrar uma actuação parcial”. E finalmente, porque “o processo estabeleceu a hegemonia total da Frelimo na cena política moçambicana, confirmando ao mesmo tempo a decadência eleitoral da Renamo e o surgimento de uma terceira força, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) ”."
04 Novembro 2009
O blogue do Carlos Cadilhe
O compatriota Carlos Cadilhe escreveu-me dizendo ser ex-estudante de direito da UEM e atualmente residente no Brasil, "onde vim estudar economia mas acabei mesmo me apaixonando por tecnologia de informação e hoje trabalho com desenvolvimento para internet. Nos últimos tempos tem batido a saudade da terra e estou me preparando para voltar e rever os meus (faz 16 anos que estou aqui!!!), dentro deste espírito criei um webiste sobre o meu país (...)".Força!
Humor - eleições algures na Gália (50 A.C.)
Reproduzido de O Grande Fosso de Goscinny e Uderzo (clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem abaixo para a ampliar):
(88) 04/11/09

Cerca de 70% dos eleitores inscritos não foram votar na província da Zambézia (recorde cabeçalho desta postagem aqui). Leia sobre isso e sobre o que José Manteigas terá dito que faria caso Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, não cumpra o que terá dito que iria fazer, no "Diário da Zambézia", aqui. Obrigado ao AZ pelo envio do jornal via email.
Adenda às 15:27: novas e perturbadoras notícias no Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (31), 04 de Novembro de 2009. Por exemplo, que terá havido cerca de 7% de votos em branco e cerca de 4% de votos nulos (precisamos aguardar os resultados da votação em Tete e Niassa para obtermos a taxa de abstenção, a qual pode - desde já prever-se - deverá ser muito alta). Ou que há votos em quatro distritos que dão para pensar. Finalmente: há uma crítica à Renamo - creio que bem feita - no fim do boletim. Mas saiba dos pormenores (rosto logo abaixo), para já só em inglês, aqui:

Adenda 3 às 17:17: "Em vez de se queixar sobre a boa organização partidária da Frelimo, a oposição faria melhor se aprendesse as boas lições e construísse uma estrutura partidária que espalhasse a sua mensagem e garantisse o voto dos seus apoiantes" - Joseph Hanlon, no boletim atrás citado.
"Fantasmas" instalam terror e pânico em Mopeia"
Porque dois leitores colocaram o tema da reportagem (do jornal "Savana") que se segue, decidi dá-la a conhecer na íntegra, pode ser que gere debate: "Inicialmente, as vítimas, cujas casas eram incendiadas pelos malfeitores, eram funcionários do Estado que não fossem naturais de Mopeia. Isso levou a que se pensasse que os incêndios fossem protagonizados apenas contra os não naturais. Mas agora, já não há como distinguir os alvos dos incendiários, pois tanto os naturais quanto os não naturais acordam, a altas horas da noite, no meio do fogo, com as suas casas e os seus bens todos a arderem. Ante o olhar impávido das autoridades locais, o que todos os populares sabem dizer é que há perigosos incendiários que ateam fogo nas suas residências e põem-se em fuga, mas ninguém sabe dizer quem são eles, de onde vêm e por que fazem o que fazem, havendo mesmo os que desconfiam que se trata de fantasmas saídos do cemitério. Segue-se a reportagem."Cimeira sobre Zimbabwe em Maputo
Segundo o Afrik.com, está marcada para amanhã em Maputo uma nova cimeira para lidar com a crise política no Zimbabwe. Confira aqui.(87) 04/11/09

Nos dias 28 e 29 de Outubro houve grande regozijo por aquilo que se considerou ser uma "grande afluência" de pessoas aos locais de votação. Certos sectores produtores de opinião imediatamente atribuíram a "grande afluência" a meritórios serviços prestados, razão pela qual as pessoas teria correspondido afluindo.
Os dias foram passando e, afinal, as coisas foram diferentes: a afluência em certos sectores, em certas cidades e em certas horas não foi a afluência na maior parte dos sectores, das cidades e das horas. Ainda sem a contagem final, a abstenção está na casa dos 60% e, em certas províncias e distritos, ultrapassa essa cifra.
Esse é um fenómeno que, uma vez mais, exige estudo e análise para além das fantasias úteis e da ideia de que o povo ou é burro ou é preguiçoso. E que exige, também, humildade nos tocadores de fanfarras. Quero crer que alguma coisa do meu livro de 1999 - o "Eleitorado incapturável" - se mantém actual.
Adenda às 7:47: “Fraude filmada em Escola Primária na Beira” é o título de um trabalho de Adelino Timóteo do “Canal de Moçambique” online de hoje, aqui.
Adenda 2 às 8:15: aguardo conhecer a quantidade de votos brancos e nulos, sua distribuicão zonal, etc. Em traços gerais: num voto branco não escolho nenhum candidato (“tanto faz”), num voto nulo nenhum candidato serve (“não concordo com nenhum”). Ocasião haverá para análises.
Adenda 3 às 9:50: confira o naipe de fotos no canto superior esquerdo do portal da Rádio Moçambique, aqui.
03 Novembro 2009
(86) 03/11/09

Do editorial de Salomão Moyana no "Magazine Independente" desta semana: "Em menos de três meses de casamento político “por conveniência”, eis que o divórcio da FRENAMO não se apresenta, apenas, como litigioso, mas, certamente, como um divórcio incendiário, belicoso, que envolve a movimentação de armas e homens, alegadamente, para protestar contra os resultados da sua empenhada colaboração com o partido no poder. Em Nampula, o líder até já indicou os alvos que vão pegar fogo primeiro: os bens públicos na posse do STAE."
Adenda às 16:41: de acordo com o "Wamphula Fax", citando os resultados preliminares divulgados ontem em Nampula, dos 1801259 eleitores inscritos para a província, votaram 713530 - correspondentes a 40 e não a 30% como reporta o jornal -, havendo ainda 64774 votos em branco e 43170 nulos. Enquanto isso e seguindo ainda o jornal, o porta-voz da Renamo na província, Arnaldo Chalaua, afirmou que o seu partido jamais irá aceitar os resultados, exigindo a realização de novas eleições. A conferir aqui.
Adenda 3 às 17:14: na "tvi 24" portuguesa: "Em conferência de imprensa, a porta-voz da RENAMO, Ivone Soares, acusou o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), «enquanto célula do partido FRELIMO», de ter sabotado as eleições, desde a fase de recenseamento até ao final da votação." Confira também aqui.
Adenda 4 às 19:41: elevada abstenção no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado: 76,21 no tocante às eleições presidenciais e 67,29% no tocante às legislativas - porta-voz da Comissão Distrital de Eleições de Montepuez (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda 4 às 19:46: o Conselho de Ministros condenou a posição de Dhlakama e da Renamo e disse ser dever defender o país e a população (porta-voz Luís Covane); nas cidades da Beira e Nampula, porta-vozes da Renamo disseram que os resultados estão viciados, tendo o de Nampula, Arnaldo Chalua, afirmado que o seu partido se preparava para manifestações de protesto. Na Beira, um porta-voz do MDM afirmou igualmente que os resultados foram viciados (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda 5 às 19:47: abstenção global de 66% na província da Zambézia (fonte anterior).
(85) 03/11/09

O “Mediafax” prevê uma abstenção na ordem dos 60%. E acrescenta: "Para analistas, com o registo de cerca de 10 milhões eleitores e com votação de apenas 4 milhões, está-se cada vez mais a eleger-se presidentes menos queridos pela população ou presidentes ilegítimos". Confira aqui.
Adenda às 8:16: ainda o “Mediafax”, desta vez referindo-se a Deviz Simango: "Facilmente se pode perceber que Daviz Simango foi mais votado por eleitores letrados e a residir nas principais e mais importantes cidades moçambicanas."
Adenda 2 às 8:24: cabeçalho de um texto de João Bernardo para reflexão: "Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes."
Adenda 4 às 8:53: de um livro meu de 1999: "A abstenção não é, portanto, uma opção pelo social despolitizado, mas o produto do político socializado e levedado popularmente. O que muitas pessoas penalizam, abstendo-se, não é a acção política, mas a acção política tal como é generalizadamente praticada pelos candidatos."
Adenda 5 às 9:50: no “Diário da Zambézia”, um artigo do eng.° Noé Nhantumbo: "O que se queria era manter o poder e isto virtualmente foi conseguido. Num jogo de desiguais em que uns claramente estavam logo à partida beneficiados, os resultados que vão sendo anunciados não fogem do que se podia esperar numa situação dessas, ou numa situação como a que as forças políticas do país foram produzindo ao longo dos últimos meses." (obrigado ao AZ pelo envio do jornal via email)
Portais de partidos
Terminaram as eleições. Vejamos a situação dos portais dos cinco partidos políticos que os têm: PDD e UD moribundaram bem antes do dia 28 (dia das eleições) de Outubro, acrescendo que nenhuma expressão votal tiveram; o MDM deixou de actualizar o portal desde 12 de Outubro; a RENAMO teve o último despacho a 27 de Outubro, graças a Ivone Soares; a FRELIMO manteve-se publicadora, com a última postagem a 31 do mesmo mês.Adenda: estarei atento aos portais, os quais são sempre um indicador de vitalidade comunicativa.
(84) 03/11/09

Ao reportar o fim da campanha eleitoral, o Baptista João do "Portal de Sena" permitiu-se este saboroso momento de ironia a propósito dos candidatos e dos cartazes afixados nos postes: "Estávamos tão convencidos que concorriam para a Ponta Vermalha e às Assembleias da República e Provinciais mas a verdade é que todos concorriam para esta baliza de postes eléctricos de Alta Tensão, vulgo PT (foto no portal, CS). Queremos ver quem ficará pendurado neste PT por mais 5 anos."
02 Novembro 2009
(83) 02/11/09

Com o título "Desestabilização do país inicia quinta-feira" e antetítulo "Segundo antigos guerrilheiros da Renamo", o "Wamphula Fax" de hoje reporta que antigos guerrilheiros da Renamo iniciam quinta-feira uma "nova acção de desestabilização do país, na sequência dos resultados preliminares das eleições da passada quarta-feira". De acordo com o jornal, os guerrilheiros deram um prazo de três dias (a contar de hoje) ao governo para reflectir sobre o adiamento das eleições. O porta-voz do partido em Nampula, Arnaldo Chalua, é citado como tendo dito que se trata de uma decisão regional, mas que poderá "vir a ser replicada nas restantes regiões do país". A conferir aqui. Obrigado a quem me enviou o jornal via email.
Adenda: vamos a ver se, via órgãos de comunicação, vai haver reacção da Renamo a essa alarmante notícia.
Adenda 2 às 13:57: de acordo com o "O País" online, o delegado político da Renamo em Sofala, Fernando Mbararano, é citado como tendo dito que "o seu partido ameaça dividir esta província a partir do rio Save por alegada viciação dos resultados eleitorais. Falando numa conferência de imprensa, no domingo, na cidade da Beira, capital provincial, Mbararano disse que os militantes do seu partido estavam já preparados para dividir Sofala".'
Adenda 3 às 16:31: também o "O País", em trabalho de Sérgio Banze, chama a atenção para as críticas feitas por observadores internacionais da União Europeia, do EISA e da Commonwealth: "O problema começou, segundo o EISA, com a selecção dos membros da CNE da sociedade civil. “A transparência na selecção dos nomeados pela sociedade civil foi questionável, pondo assim em dúvida a integridade, imparcialidade e independência da CNE”. Quase todos os observadores aconselham a CNE a demonstrar mais transparência na administração do processo eleitoral. “Decisões devem ser explicadas atempadamente a todos os intervenientes sempre que necessário”. De forma geral, o órgão que sempre defendeu se primar por lei, conforme referem os observadores, atropelou vários aspectos legais manchando de certa maneira o processo deste ano."
Adenda 4 às 16:46: declaração preliminar da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia feita a 30 de Outubro, aqui.
Adenda 5 às 16:49: declaração preliminar do EISA, aqui.
Adenda 7 às 17 horas: no portal da Rádio Moçambique: "A contagem dos votos das eleições do passado dia 28 prossegue em Moçambique, mas a Renamo exige a anulação dos resultados, que mantém forte liderança do presidente Armando Guebuza e do seu partido, a Frelimo. José Manteigas, porta-voz da Renamo, afirmou ontem (1) à Rádio de Moçambique que o escrutínio tinha sido fraudulento, com votos "deliberadamente anulados" em numerosas assembleias de voto."
Adenda 8 às 17:38: o Celso Amade comentou sobre a campanha eleitoral dos candidatos num texto cujo penúltimo parágrafo é o seguinte: "O terreno onde lhes foi prometido uma escola ainda se encontra reservado, o espaço onde supostamente terá um posto médico está parcialmente ocupado pela machamba do chefe do posto; as mulheres continuam a ter de percorrer longas distâncias ate ao rio para lavar a roupa e pegar água para a família… o poço prometido ainda não chegou! O trabalho na capital é tanto que o governo entrou em amnésia temporária colectiva e a oposição fez coro."
Adenda 9 às 19:43: apenas votaram 45% dos eleitores inscritos na província de Sofala (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda 10 às 21:23: Dhlakama em Novembro de 2004, citado por "Notícias Lusófonas": "O candidato presidencial da RENAMO, Afonso Dhlakama, ameaçou hoje assumir o poder nas províncias que lhe derem a vitória eleitoral, no caso de as eleições de 1 e 2 de Dezembro em Moçambique não decorrerem em ambiente democrático".
Adenda 11 às 21:31: eis como "UOL" brasileiro vaticinou a vitória da Frelimo e de Guebuza: "(...) o partido do governo, o Frelimo, e o presidente Armando Guebuza, ex-general e rico empresário, devem conseguir a maioria."
Vavi e a corrupção na África do Sul
A corrupção não é unicamente um problema do sector público, mas também do empresariado, fundamentalmente deste, com os altos salários pagos aos executivos na cultura do capitalismo de cão-come-cão (sic) prevalecente na África do Sul - Zwelinzima Vavi, secretário-geral da COSATU, Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos. Leia o detalhe aqui. Recorde postagens anteriores sobre Vavi aqui e aqui.(82) 02/11/09

Guebuza e Frelimo são os vencedores das eleições presidenciais, legislativas e provinciais. A Renamo perdeu todas as províncias nas quais ganhara anteriormente. Em 1999, na Assembleia da República, a Frelimo teve 133 assentos e a Renamo, 117; em 2004, Frelimo 160 e Renamo, 90; agora, a Frelimo poderá ter 192 assentos e a Renamo 48. Uma desrenamização acelerada na Assembleia da República, uma quase certa maioria absoluta para a Frelimo. Entretanto, recorde aqui. E vamos aguardar, entre outras coisas, pelo cálculo da taxa de abstenção.Adenda às 7:33: lamento muito não ter podido estar no terreno a estudar as eleições. Se tivesse podido, haveria, entre outras, uma coisa à qual teria dedicado especial atenção: os efeitos no imaginário popular (especialmente campesino) da acção de helicópteros de campanha, curandeiros e régulos.
Adenda 2 às 9:53: aguardo comunicados da Frelimo, da Renamo e do MDM.
Adenda 3 às 11:23: já disponível o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (sem número), 1 de Novembro de 2009 (rosto logo abaixo), aqui.
Adenda 2 às 9:53: aguardo comunicados da Frelimo, da Renamo e do MDM.
Adenda 3 às 11:23: já disponível o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (sem número), 1 de Novembro de 2009 (rosto logo abaixo), aqui.












