Afrigator THE BOBs
Olá, bem-vinda e bem-vindo a este blogue, sinta-se bem e regresse sempre!
Myspace Layouts

19 Julho 2009

Dambisa e os cleptocratas em África

Citando a economista zambiana Dambisa Moyo (na imagem à esquerda), o "O País" online tem hoje um trabalho que começa assim: "Cerca de 80% da ajuda financeira destinada a África é depositada em contas privadas dos ditadores e líderes corruptos do continente, abertas nos bancos ocidentais."
Já uma vez Dambisa foi reportada neste diário, recorde aqui. E, já agora, veja este vídeo aqui:

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Açúcar, exploração laboral e espíritos abandonados

Na Companhia Açucareira de Moçambique - província de Sofala, posto asdministrativo de Mafambisse - as coisas não andam bem. Assim, os trabalhadores queixaram-se ao governador de Sofala das péssimas relações de trabalho existentes (por exemplo, disseram trabalhar 13 horas diárias), o régulo queixou-se de que os sul-africanos, os maiores accionistas da empresa, tinham acabado com as cerimónias propiciatórias dos espíritos antes do início das campanhas. O governador pediu o respeito dos contratos e ordenou o reinício das cerimónias. Confira aqui.
Sobre a companhia, recorde postagens minhas de 2007 aqui e aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

"Doutor" Soba e seu terceiro olho

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Produtores de igrejas


"A angústia religiosa é, por um lado, a expressão da angústia real e, por outro, o protesto contra a angústia (…). Exigir que [o povo] renuncie às ilusões é exigir que ele renuncie a uma situação que precisa de ilusões." (Karl Marx)
Igrejas de todos os tipos e quilates é o que mais abunda hoje em Moçambique e, especialmente, em Maputo. Por exemplo, basta visitar os bairros periféricos da cidade de Maputo para nos darmos conta de tabuletas com os mais espantosos nomes de micro-igrejas. Naturalmente que Rolland e Heidi Baker criaram também as suas igrejas: Ministério Arco-Iris e Igrejas Comunhão na Colheita. Asseguram que "nossas crianças estão descobrindo a glória de sentir o toque direto de Deus em suas vidas."
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

O pensamento conservador

De um texto de Roberto Romano, com o título em epígrafe: "O que é "conservador"? O medo de que a população estrague a festa do poder, destruindo a segurança, a propriedade, os vínculos da tradição, as inovações técnicas que só beneficiam alguns. Trata-se de conservar o social e o Estado, produto histórico como nos românticos, engenho técnico como em Hobbes, mas sempre no horizonte do pavor e do medo, da guerra, do soldado, da polícia, do carrasco. (…) O Salvador político, com pirotecnia fabulosa, promete ao mesmo tempo segurança às massas e aos proprietários. Nesta conciliação de incompossíveis reside a força retórica do pensamento conservador: no seu Estado, pobre e ricos vivem na aparência em harmonia garantida pelo encanto dos chefes, mas na verdade provida pelo medo da solidão e da morte, do carrasco e da polícia, enquanto se espera o soldado. (…) Enquanto durar este pêndulo, os intelectuais conservadores produzirão teorias que reduzem o povo ao papel de simples suporte, assistindo apenas a vida política, enquanto eles, os intelectuais, aderem sem vergonha aos donos do mando. Isto apenas contribui para o afrouxamento da ética, ensinando o povo a viver de expedientes, como os seus políticos vivem de golpes econômicos, políticos, publicitários, como seus intelectuais (não repetirei a fórmula batida, sobre "as exceções", se elas existem, são evidentes), sobrevivem parasitando os poderosos. No Estado assim constituído, a lei é afastada e dirigida contra os críticos e a oposição."
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Pedido de compreensão

Como quase já se tornou regra ao fim-de-semana, estou sem poder acessar ao meu endereço electrónico do CIUEM, pois está inoperacional. Isso significa que não posso editar os comentários eventualmente feitos.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

18 Julho 2009

PIB abaixo dos 6% até 2011

Os resultados macro-económicos de Moçambique permanecem positivos, mas o Fundo Monetário Internacional sustenta que enfraqueceram, estimando que o PIB permanecerá abaixo dos 6% até 2011. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, por me ter enviado a referência da notícia.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Obama e a questão racial

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Propaganda política e engenheiros de almas

Acho saudável propor regularmente (como tenho feito) aos leitores que estudem como se faz propaganda. Regra geral estamos dopados por ela, regra geral pensamos o que ela, a propaganda, quer que pensemos, mesmo quando pensamos estar a pensar sem ela. Estamos cheios de engenheiros de almas, muitas vezes subtis, quase invisíveis, em seus discursos pregadores. De um livro de Jean-Marie Domenach: "As inauditas possibilidades da propaganda política fizeram e fazem pesar sobre o mundo espantosa ameaça. Já apareceram verdadeiras “epidemias psicológicas” conscientemente provocadas; “engenheiros de almas” já fabricaram em série indivíduos de mentalidade teleguiada. A moderna psicagogia substituiu os artifícios e as sutilezas dos demagogos de todos os tempos por uma estratégia de massas que, segundo a expressão de J. Monnerot, “amplia as operações combinadas para dimensões invisíveis”.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Eles e nós: representações sociais num bairro de Maputo (9)

Mais um pouco da série, com parte de uma entrevista feita a um chefe de mercado.
“Pergunta: Tá bom, agora que nomes ou expressões eles usam quando se referem aos Moçambicanos?
Resposta: Eles normalmente chamam-nos Moçambicanos ou amigos, não diferenciam se manhambane, machangane ou xingondo, costumam dizer amigo, amigo…
Pergunta: E nós, Moçambicanos? Que nomes ou expressões usamos?
Resposta: Nós lhes chamamos Burundeses, Nigerianos, nunca conhecemos os nomes deles, eles falam na língua deles, não percebemos nada do que dizem, o segredo deles é esse, não dizem os nomes, têm medo, você vai ali ter com eles nunca te dizem o nome, apenas conhecemos aquele que regiosta a barraca, o resto não sabemos, são Burundeses, chamamos assim."
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Notas sobre xenofobia (7)

Mais um pouco desta série.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Fim do mundo e almas das testemunhas

Na história da humanidade sempre surge quem pense que o mundo está a chegar ao fim. As Testemunhas de Jeová são um exemplo aqui em Moçambique. Quais os indicadores da crença? Estes: guerras, epidemias, abalos sísmicos e económicos, criminalidade, colapso da moral e da estrutura social, etc. Por isso vão reunir-se para saber como proceder. O "Notícias" encontrou uma saborosa frase para dizer que se espera que "o número de congressistas possa tactear cerca de três mil almas."
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Mandela faz hoje 91 anos


"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

17 Julho 2009

Sete milhões: atrás do discurso oficial

Aí vão algumas notas de reflexão, algumas hipóteses para aprofundar.
O discurso oficial fala em sete milhões destinados a desenvolver os distritos, a gerar empregos, comida, portanto a combater a pobreza, etc. Por outras palavras: o discurso oficial é um discurso produzido como neutral, um discurso que despolitiza o desenvolvimento, que lhe dá a propriedade de algo puramente nacional, técnico, ao alcance de todos, dos esforçados, dos que trabalham.
Todavia, para se chegar aos sete milhões é preciso passar por ritos iniciáticos cuja natureza e diversidade reais aparecem ocultados pelos canais oficiais dos chamados conselhos consultivos. Esses ritos são filtradores, operam potencialmente de acordo com critérios clientelo-políticos. Nos comícios, uma parte significativa dos protestos dos cidadãos incide justamente sobre esses critérios.
No que me concerne, seria importante saber, por exemplo, quem são os beneficiários do dinheiro, que lugar ocupam nas relações sociais locais, se estão a constituir-se como pequena ou média burguesia rural, se e com que extensão o campesinato local está a ser usado como mão-de-obra, em que condições sociais ele trabalha, que profundidade está a ter o mercado local, qual o real progresso da agricultura comercial, quais os processos de circulação das mercadorias (linhas férreas, estradas, etc.), quais os pesos do capital comercial e fundiário, etc.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

A Consiglieri Pedroso em livro de 1929


Cidade de Maputo, foto reproduzida daqui. Leia ainda aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Hotel Polana em livro de 1929


O mais notável hotel da cidade de Maputo, foto reproduzida daqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Maçonaria: Grande Loja de Moçambique


O Africa Intelligence reportou que cerca de 100 maçons, liderados pelo respectivo Grande Mestre, participaram em Maputo na consagração da Grande Loja de Moçambique. Confira aqui o cabeçalho da notícia. A actual Escola Industrial 1.° de Maio é onde estava, em 1929, o Palácio Maçónico. Saiba melhor aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Moçambique no Alibaba

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Big men em luta: Dhlakama anuncia 350 mil

O potlatch parece que vai prosseguir: depois das 260 mil assinaturas exibidas na candidatura presidencial de Armando Guebuza - quando a lei só exige dez mil -, o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, é citado pelo "Notícias" de hoje dizendo que já foram recolhidas mais de 350 mil assinaturas para a sua candidatura.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Problema


Aqui está um problema complexo. Em ano eleitoral, o partido no poder sabe bem que um aumento dos preços dos combustíveis poderá provocar sérios problemas sociais. A vida não está fácil, mesmo nada fácil, para muita gente. A memória do 5 de Fevereiro de 2008 ainda é fresca. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Deviz em Cabo Delgado

Prossegue a visita do eng.° Deviz Simango, presidente da Movimento Democrático de Moçambique, aos distritos de Cabo Delgado. Hoje deverá escalar o Chiúre.
Adenda 1 às 13:10: obrigado a quem me alertou para o facto de me ter enganado ao escrever o nome do partido.
Adenda 2 às 13:11: alguém acaba de me informar que a polícia tem estado atenta para evitar confrontos com militantes da Renamo.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Sobre a violência doméstica

O jornalista Lázaro Mabunda escreveu um texto no "O País" tentando mostrar que "os deputados traíram o povo" (sic) ao porem de lado uma lei contra a violência doméstica abrangente em favor de uma lei apenas preocupada com a violência sobre as mulheres. O jornalista tomou em contra o "relatório das auscultações públicas realizadas nas três regiões do país – sul, centro e norte – no passado dia 12 de Maio, uma acção levada a cabo pela Comissão dos Assuntos Sociais, do Género e Ambientais em todas as regiões, (segundo o qual, CS) todos os participantes “foram unânimes em considerar que o projecto de Lei da Violência Doméstica contra a Mulher deve ser abrangente”, além de que tem de ser “denominada Lei Contra Violência Doméstica” com vista “a proteger todos os membros que sofram violência dentro da família”. O jornalista invoca mesmo, nesse sentido, o parecer da ministra da Justiça.
Ontem, no noticiário das 20 horas, a STV entrevistou vários cidadãos - incluindo duas senhoras - que se mostraram contra a visão da violência incidindo apenas em mulheres. Por outro lado, uma oficial da polícia (mas também psicóloga, a dra Lurdes Mabunda) afirmou (espero ter ouvido bem) que no primeiro trimestre deste ano foram comunicados à polícia cerca de quatro mil casos de violência doméstica, entre os quais 700 de mulheres contra homens*.
Enquanto isso, a Assembleia da República transferiu hoje para a próxima segunda-feira a continuidade da discussão (se ouvi bem o presidente da Assembleia da República, agora na especialidade e não mais na generalidade) sobre este delicado tema.
_______
* Aguardo que Lurdes me confirme esses dados.
** 10:23: A dra Lurdes Mabunda corrigiu os meus dados assim: 4716 casos, dos quais 3128 contra mulheres, 892 contra crianças e 699 contra homens.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

O Homo Vianus

Palavra rápida, estilo populista, invocando Deus a cada momento, dizendo-se membro da Frelimo (da "Frelimo renovada", sic), guiado pela mão divina e ao serviço dos injustiçados, o afirmado candidato presidencial às eleições de Outubro e presidente da União dos Democratas de Moçambique, ex-dirigente da falida Link, dialéctico por excelência, José Viana, esteve hoje no café da manhã da Rádio Moçambique, às 7:30, entrevistado por Emílio Manhique. O fogoso candidato afirmou, entre outras coisas, que caso vença as presidenciais irá mandar libertar todos os presos do país e que todos os ex-combatentes, da luta de libertação nacional e da guerra civil, irão beneficiar de condições de vida dignas, cada um merece ter casa, por exemplo. Acresce que chegou o momento de acabar com o reinado sulista na presidência, que é tempo de um xingondo (sic) governar o país, quem está no governo já roubou demais - afirmou Viana, aparatoso sucessor do Homo Ripuensis e digno concorrente do turbantoso Homo Sibindycus.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

16 Julho 2009

A "hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, dois aperitivos:
* Falando dos militares, eles ainda continuam a mandar apesar de vestirem fatos de fino corte. Na Câmara do Comércio cessou funções o piloto do voo rasante. Para preencher a vacatura foram buscar o general dos transportes falidos. Lembram-se? Aquele que tem uma dívida a saldar no Tesouro e é cliente assíduo dos periódicos relatórios do nosso Tribunal de Contas.
* Anda há muito uma pedra no sapato para os lados daquele gabinete monumental em frente dos catembeiros. Não há meio de se mexer no coronel do Zambeze e por lá também não parece mexer nada em termos de economia como atestam calamitosas auditorias. Para mandar a bola para o lado, está-se a pensar mandar a estrutura mastodôntica para o ministério do esforçado ministro das paragens kótis. Como se não bastasse já o imbróglio dos sete bis e das saias
.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

A pergunta

Referi-me ao tema aqui em causa no meu recente Amplos Hegels e Fukuyamas:
Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Editorial do "Savana" desta semana


Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Manchete do "Savana" desta semana


Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Ouro e diamantes que destróem o Zimbabwe


A busca desenfreada de ouro e diamantes está a deixar o Zimbabwe destruído, de acordo com um trabalho de Andrew Mambondiyani (imagem à esquerda), a conferir aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Linchamentos II em Setembro


Trabalha-se para que seja lançado em Setembro o segundo livro da série Linchamentos em Moçambique, sob minha direcção, com o subtítulo "Um okhwiri que apela à purificação". O livro, que versa sobre linchamentos por acusação de feitiçaria, contém testemunhos de mulheres acusadas de feitiçaria. Foto reproduzida daqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Um advogado em foco

O semanário "Magazine Independente" da semana passada fez ocupar quatro páginas com uma extensa entrevista feita ao advogado Albano Silva. Na edição desta semana, o semanário "Zambeze" dedica-lhe três páginas, não menos cerradas, num trabalho cheio de citações documentais com o título (em primeira página) "Albano Silva intoxica opinião pública". Sem dúvida que Albano é um advogado em foco, com a sua vida e a sua actividade profissional ocupando regularmente espaço em certos jornais.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Alma dos negócios, negócios da alma

Empresários americanos vieram a Moçambique. Pensando em nós? Nem pensar: pensando nas nossas riquezas, apenas nelas, nos lucros a fazer com elas. O que fizemos nós? Nós apresentámos o que possuímos para formar "parcerias": matérias-primas de todos os tipos, recursos naturais e faunísticos. Exibimos, com rigor, com minúcia, tudo o que é possível de extracção e exploração neste país. A nossa mentalidade de recolectores, de matéria-primais, torna-se cada vez mais sólida e ampla. Essa mentalidade está inscrita numa paisagem de negócios cada vez mais variada, negócios de todos os tipos e quilates. Com essa mentalidade e nesssa paisagem, cobramos depois rendas, impostos, dos formais aos informais. Estendemos a capulana, poisamos nela o que possuímos, os alugadores levam e nós parceiramos com contractos e rendas. Tudo é negócio, universidades há que têm o mundo de negócios como alma vital. Mentalidade produtora, investir na nossa indústria, pensar à Bismarck? Nem pensar, import-export é o horizonte certo, lucro de dumba-nengue é que dá. Depois, na página dos leitores do "Notícias", surgem pessoas queixando-se de que os tempos são outros, que são imorais, que a juventude só pensa em modas e dinheiro, que tudo é motivo para venda e compra, para venalidade; aparecem igrejas e clérigos lamentando a imoralidade social, elas e eles que vivem num meio onde os negócios também abundam.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

15 Julho 2009

Deviz em Cabo Delgado

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Deviz Simango, efectua desde ontem uma visita à província de Cabo Delgado.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Caia e Chimuara: taxicletas e dificuldades futuras


Do portal de Sena - com regularidade aqui referido - gostaria que soubessem, desde já, duas coisas através do Fernando Raposo e do Baptista João: (1) taxicletas são "táxis de bicicleta" e (2) com a ponte sobre o Zambeze gente que tinha seus negócios sem ela deverá, agora, enfrentar dificuldades. Extracto:
Nota: foto reproduzida daqui.
Adenda a 16/7/09, 8:39: acabo de inserir um comentário do portal de Sena, cuja leitura recomendo, aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Atestados de residência

Em conferência de imprensa hoje, Luís Gouveia da Renamo afirmou que o seu partido está em dificuldade para obter atestados de residência destinados aos seus candidatos às eleições para assembleias provinciais de Outubro devido à recusa dos responsáveis dos bairros em emiti-los, responsáveis que - disse Gouveia - "são da Frelimo"(sic). O porta-voz da Renamo acrescentou que o seu partido já canalizou a queixa ao Ministério de Administração Estatal (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
Adenda: a Rádio Moçambique tentou ouvir, a propósito, o secretário permanente do Ministério de Administração Estatal, mas este declinou falar (Rádio Moçambique, noticiário das 21 horas).
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Conteúdos delicados

Certos leitores escrevem comentários com conteúdos extremamente delicados, tal como aconteceu com um que, a propósito desta postagem aqui, reportou hoje situações anómalas no tocante ao empresariado de Cabo Delgado. Compreendo que muitas vezes as pessoas desejem salvaguardar o anonimato, mas acontece que eu careço de mais dados e, em particular, careço de conhecer a identidade de quem me escreveu. Peço a vossa compreensão. Obrigado.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Os dólares do Zimbabwe

O mês passado, Robert Mugabe declarou querer reintroduzir os desaparecidos e hiperinflacionados dólares zimbabweanos. Confira aqui e aqui.

A foto foi reproduzida daqui e o cartoon daqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Na alma das interpretações

Tal como ontem reportei, depois de inquirir 938 empresas a KPMG concluiu em relatório que os empresários estão preocupados, por exemplo, com a criminalidade e a corrupção em Moçambique. Prestem agora atenção à maneira como, pelos títulos, os resultados do relatório foram vistos por três órgãos de informação:
* "Canal de Moçambique" - Ministro da Indústria e Comércio contesta pesquisa da KPMG
* "Rádio Moçambique" - Ambiente de negócios:
empresários continuam cépticos quanto à eficácia das reformas (nota: ministra da Justiça contesta posição dos empresários, CS)
* "Notícias" - AMBIENTE DE NEGÓCIOS :
Empresários moçambicanos cada vez mais confiantes
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Psicologia dos produtores da pátria (6)

Mais um pouco da série, com um segundo exemplo.
Na cidade da Beira, ainda em 1974, Samora disse:

Mas não só: por um lado, o grupo hegemónico não tolerou qualquer tentativa para introduzir no país um sistema multipartidário; por outro, imediatamente deu a entender, de forma vigorosa e sistemática, pela voz de Samora, quanto lhe desagradavam os regimes capitalistas e racistas da Rodésia do Sul e da África do Sul.
Portanto, três barreiras: a primeira, contra a formação de uma burguesia nacional do tipo empresarial; a segunda, contra a diversidade política e, portanto, contra a via capitalista; a terceira, contra os regimes citados, expressamente contra o racismo.
Nota: em qualquer momento posso alterar o que aqui deixo escrito. Se isso acontecer, surgirão a vermelho as partes alteradas e/ou acrescentadas. Seria muito bom que os leitores pudessem contribuir com outras leituras, criticando as que aqui são propostas.
(continua)
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Psicologia dos produtores da pátria (5)

Mais um pouco desta série, mais algumas ideias frustes.
As tentativas (frouxas e populistas que fossem) para enxertar a libertação social na terminada luta de libertação nacional não foram, certamente, produto de unanimidade. O grupo hegemónico liderado por Samora, forte da sua vitória sobre o colonialismo, teve certamente de fazer face àqueles para quem não fazia sentido fazer sacrifícios, quando tantos foram feitos na luta armada. A independência não devia ser plenamente usufruída? Não chegara a altura de, finalmente, os Moçambicanos vencedores, produtores da pátria, saborearem o gosto da riqueza, do bem-estar social pleno?
Bem, em 1974 o pensamento de Samora foi publicamente expresso. Primeiro exemplo:
"Queremos chamar atenção ainda sobre um aspecto fundamental: a necessidade de os dirigentes viverem de acordo com a política da Frelimo, a exigência de no seu comportamento representarem os sacrifícios consentidos pelas massas. O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente com o povo, não façam da tarefa recebida um privilégio e um meio de acumular bens ou distribuir favores. A corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade, e em particular dar preferência nos empregos aos seus familiares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir (....) Para que se mantenha a austeridade necessária a nossa vida de militante e assim se guarde no sentido do povo e dos seus sacrifícios, todos os militantes da Frelimo que receberam tarefas de governação do Estado tal como no passado deve renunciar as preocupações materiais, nomeadamente aos vencimentos. É evidente que por maioria de razão não se pode tolerar que um representante nosso possua meios de produção ou explore o trabalho de outrem. Combatemos durante dez anos sem qualquer preocupação de ordem financeira individual, empenhados apenas em consagrar toda a nossa energia ao serviço do povo. Esta é a característica do militante, do quadro, dos dirigentes da Frelimo."
Prosseguirei mais tarde.
(continua)
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

"Casa do Povo" cada vez mais cara


Ainda a propósito da revisão da lei orgânica da Assembleia da República - a Casa do Povo, como amam dizer os deputados - , por mim ontem aqui abordada, o "Canal de Moçambique" de hoje, edição online, tem um trabalho sobre o que ela vai custar ao Estado em termos de salários: "Enquanto o salário mínimo no aparelho do Estado está fixado em 2.082,00 MT, um assessor parlamentar aufere 95.361,20 MT por mês. Por ano, os 10 assessores que são necessários irão custar ao Estado 11.443.344,00 MT. (...) Por exemplo, um conselheiro do presidente da AR vai auferir, por mês, 191.361,20 MT (cerca de 7 mil dólares americanos por mês). O valor é uma acumulação de 25.393,00 de salário básico, bónus de mais 24.000, 00 MT/mês; subsídio de combustível de 24.000,00 MT/mês; e subsídio de comunicação de 12.000, 00 MT/mês. Para este cargo são necessárias duas pessoas."
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Eles e nós: representações sociais num bairro de Maputo (9)

Mais um pouco desta série, que apresenta testemunhos de pessoas, nacionais e estrangeiras, ouvidas num bairro da periferia da cidade de Maputo.
Uma jovem com a 10.ª classe, trabalhando numa barraca: "Eles são Zimbabweanos e Nigerianos. Eles estão aqui a fazer negócio de produtos alimentares como arroz, amendoim, bebidas alcoólicas e refrescos. Eles vieram aqui porque a terra deles está em guerra. Eles quando pedem dinheiro nos bancos moçambicanos são facilitados e o governo moçambicano confia mais nos estrangeiros. E dá tudo o que os estrangeiros necessitam. (...) Nas lojas deles é normal não apanhar Moçambicanos a trabalhar, o cidadão nacional serve apenas para carregar sacos. (...) as pessoas dizem que esses Burundeses são grandes feiticeiros e pelos vistos são, nas lojas deles nunca caem (...) "
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

14 Julho 2009

Oiça

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Zimbabwe


Cartoon reproduzido daqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Santíssima Trindade para a AR

Vamos lá, de forma docemente irónica, propor uma coisa aos partidos aspirantes a ter assentos na Assembleia da República.
Essa coisa chama-se santíssima trindade do ganha-pleitos-impressiona-estádios.
A santíssima trindade do ganha-pleitos-impressiona-estádios deve ter três tipos de deputados guerrilheiros:
1. Os bem-falantes-fala-tudo: são aqueles que são capazes de dissertar à vontade sobre não importa o quê, bastando ler as notícias do "Notícias", sintonizar a STV e ouvirem-se de meia em meia hora falando para si próprios ou olhando de frente os espelhos da AR. O mercado tem vários e respeitáveis espécimes desse tipo.
2. Os juristas: estes transformam em rápida, rigorosa e neutra linguagem do deve-ser-assim aquilo que é, muitas vezes, indigestamente político. Uma lei perigosa para um partido pode ser rejeitada com recurso a leis, preceitos, parágrafos, artigos e por aí fora. Também há no mercado especialistas desse tipo de operações.
3. Os estatísticos: estes são fundamentais para preencherem galerias votais e calafetarem zonas de perda de legitimidade ou ampliarem supostos feitos partidários. Nos últimos tempos surgiram estatísticos de todos os tipos.
Naturalmente que não abordarei os bate-palmas-soneca-sempre: esse abundam, todos os partidos os têm.
Pergunta sensata: o que vocês acham desta áulica proposta?
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

No "Magazine Independente"


Essa, uma das manchetes "Magazine Independente" desta semana. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

O sonho de Monteiro

No quadro de um projecto de melhoria das condições de trabalho da Assembleia da República mediante a revisão da lei orgânica da instituição, discutiu-se hoje a introdução de assessores e assistentes para presidente e vices da Casa do Povo (como amam dizer os deputados). Um deputado da Renamo, José Monteiro, interveio para dizer que o seu sonho era ter um assessor para cada deputado, o que, porém, reconheceu ser apenas um sonho. Até cerca das 10 horas desta manhã, os deputados de ambas as bancadas estavam de acordo sobre a necessidade de aprovar a revisão da lei.
Adenda 1: em tudo o que for melhoria das condições de vida e de trabalho dos deputados, as bancadas da Frelimo e da Renamo estão invariavelmente de acordo. E caso o sonho de Monteiro fosse realizado, imagine-se o potencial acrescido de sono e comunicação celulárica da AR.
Adenda 2 às 12:47: de acordo com a Rádio Moçambique, a proposta da revisão foi aprovada na generalidade. As alterações custarão 30 milhões de meticais ao orçamento do Estado (noticiário das 12:30).
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Zimbabwe: armas e corrupção

Com data deste mês, acaba de ser divulgado um relatório da International Peace Information Service (IPIS) sobre o tema em epígrafe. A conferir aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

KPMG e ministro Fernando

Segundo o "Canal de Moçambique" de hoje: depois de inquirir 938 empresas, a KPMG concluiu em relatório que os empresários estão preocupados, por exemplo, com a criminalidade e a corrupção em Moçambique. Mas o ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, não gostou e disse que o relatório não reflecte as acções e os esforços do governo. Confira aqui.
Adenda 1 às 13:30: de teor diferente é a descrição do "Notícias": deste lado temos "Empresários cada vez mais confiantes".
Adenda 2 a 15/7/09, 17:07:a Rádio Moçambique tme uma leitura não distinta da do "Canal", a conferir aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Pedido de compreensão

Não consigo acessar aos meus emails pelo centro provedor da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM, que está, uma vez mais, inoperacional), razão pela qual não posso editar os comentários. As minhas desculpas.
Adenda 1 às 8:09: aqui na UEM a situação perdura, acabo de comunicar ao CIUEM o que se passa.
Adenda 2 às 8:28: situação resolvida.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

ZANU-PF boicota debate sobre nova constituição

Militantes da ZANU-PF, partido no poder no Zimbabwe, parecem não estar interessados numa nova constituição. Confira aqui.
Adenda: neste como em outros casos, a ZANU-PF e o seu presidente Robert Mugabe jamais aceitarão que alguém lhes dispute a partilha da história.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

13 Julho 2009

Atenção aos detritus!

Esta é uma época propícia a infiltrar cavalos de tróia em certas formações políticas, cavalos que surgem escondidos em filiações súbitas, em aderências entusiásticas. Olhem lá esta máxima que brincalhonamente vos ofereço: quando a cidade é forte, não a ataques com um exército, mas com detritus!
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Frases de Obama para os Africanos

Regresso a Barack Obama, com mais extractos da sua intervenção recente no Gana:
I

"É fácil apontar culpados e colocar a culpa dos problemas nos outros. Sim, uma mapa colonial que fazia pouco sentido criou conflitos e o ocidente muitas vezes tratou a África com paternalismo, em vez de parceria. Mas o ocidente não é responsável pela destruição da economia do Zimbábue na última década ou pelas guerras em que crianças são alistadas como combatentes. Na vida do meu pai, foi em parte o tribalismo e o paternalismo no Quênia já independente que atrapalhou sua carreira. E nós sabemos que esse tipo de corrupção é um fato diário na vida de muitas pessoas."
II
"Não se enganem: a história está com os africanos corajosos (que lutam pela democracia) e não daqueles que usam golpes ou mudam a constituição para se manter no poder. A África não precisa de homens fortes, precisa de instituições fortes."
Extractos reproduzidos daqui. Para o discurso na íntegra, confira aqui. Para uma análise do que foi dito, veja aqui.
Adenda: saiba, a propósito de Obama, de uma posição do escritor e Nobel da literatura em 1986, Wole Soyinka, aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, por me ter feito chegar a referência do portal.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Thai e as mãos estrangeiras

"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

No MASC

Tenho muito prazer em saber que este blogue consta da lista de páginas sugeridas para consulta pelo MASC (Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil), aqui.
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)

Atenção, PDD!

O Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), cujo símbolo é o pangolim, voltou à vida do seu portal, mas com um problema aparentemente severo: quem lá queira entrar arrisca-se a ver o seu computador infectado, por esta razão apontada pelo meu motor de busca:
"Aviso: visitar este site poderá danificar o seu computador!
O website em http://www.pdd.org.mz/ contém elementos do site ntkrnlpa.cn, o qual parece alojar software maligno - ou seja, software que pode danificar o seu computador (...) "
"(...) não é real somente a realidade que conhecemos, mas também a de que necessitamos" (Eduardo Galeano)