26 maio 2011

Dois jornais a norte do Zambeze

Independência não é libertação

Com o título em epígrafe, um texto do escritor, crítico literário e professor El Hadji Amadou Ndoye, da Faculdade de Letras da Universidade Cheikh Anda Diop, Dakar, Senegal - no GuiGuinbali, aqui. Mas não só: o Professor Ndoye afirmou ainda que África é muito jovem e que os jovens estão fartos, pelo que - assegura - a primavera árabe ainda não disse a última palavra no continente. Aqui. Para traduzir, aqui.
Adenda às 10:47: ontem foi o Dia de África.

Prismas

De acordo com o "O País", o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, afirmou que não há crise no partido, que o ambiente é saudável e que a renúncia do secretário-geral, Ismael Mussá, não alterou as actividades planificadas. Aqui. Por sua vez, o porta-voz da RENAMO, Fernando Mazanga, é citado por aquele jornal dizendo que o MDM mais não é do que um grupo de insatisfeitos com um projecto que é uma réplica da Renamo. Aqui. Finalmente, segundo o "Notícias",  há realmente crise "nesta pequena formação política", originada pelo pedido de demissão de Mussá. Aqui.
Nota: sugiro a leitura de uma série minha em curso com o título Sobre crise, cujo décimo número se encontra aqui. 

463.ª foto (A menina e o sumo)

Situação Mundial das Mães 2011

Lendo o relatório de 46 páginas intitulado Situação Mundial das Mães 2011 da Save the Children, produto de um estudo em 164 países, ficamos a saber que a Noruega (esperança de vida de 83 anos para as mulheres) é o melhor país para se ser mãe e o Afeganistão (esperança de vida de 45 anos para as mulheres) o pior. Bem à frente de muitos países, o primeiro do Sul, em 12.° lugar, ficou Cuba. O nosso país foi colocado em 79.°  lugar. Oito dos dez piores países para se ser mãe encontram-se na África subsariana. O relatório apresenta ainda outros índices, como o das raparigas e das crianças. Aqui. Para traduzir, aqui.
Comentário: este é um relatório que merece, quanto a mim, ser amplamente discutido. Sem dúvida que a excelente posição de Cuba também merece discussão.

Segregação urbana em Maputo (3)

O terceiro número desta série, que tem a cidade de Maputo como contexto de reflexão.
Permitam-me, por agora, um dado técnico. Tanto quanto julgo saber, a maior parte, se não a totalidade dos condomínios, está protegida por uma cerca electrificada do tipo sul-africano encontrável aqui. O choque provocado por essa cerca não é em princípio mortal, mas provavelmente é muito incomodante. Um arquitecto disse-me que o choque accionado por contacto oscila entre 2500 e 12000 volts durante 3/1000 microsegundos.
Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)

O espírito capitalista

De um texto com data de 2005 que circula na net e é atribuído a Frei Betto: "Hoje, o capitalismo é vitorioso para as nações da União Européia e da América do Norte (excluindo o México). No resto do mundo, deixa um lastro de miséria e pobreza, conflitos e mortes, salvando-se as elites que, em seus respectivos países, gerenciam os negócios segundo o velho receituário colonial, agora prescrito pelo FMI: tudo para o benefício da metrópole. Em plena globocolonização, o capitalismo é também vitorioso em corações e mentes. (...) a tendência do espírito capitalista é aguçar o nosso egoísmo; dilatar nossas ambições de consumo; ativar nossas energias narcísicas; tornar-nos competitivos e sedentos de lucro. (...) Moldar esse estranho ser que aceita, sem dor, a desigualdade social (...)".

Negócios e riscos

Um relatório sobre riscos mundiais para os negócios elaborado pela empresa norte-americana de corretagem de seguros AON. Aqui. Para traduzir, aqui.

O bispo Martins e a origem do feiticeiro

Atribuir a culpa de uma crise ao feiticeiro externo é usual, mas atribuí-la ao feiticeiro da casa é raro. E é ainda bem mais raro quando a atribuição é feita por um bispo, D. Manuel Martins, na ocorrência falando da chamada crise portuguesa: "(...) fico muito irritado quando, por parte desses senhores, que nós escolhemos e a quem pagamos generosamente, vejo justificar que esta crise impensável por que estamos a passar, é resultante de uma crise mundial. (....) Pois se há alguém que esteja a destruir o estado social do país, é o governo, com o que se passa a nível da saúde, a nível da educação, a nível da vida das famílias, dos impostos, dos remédios, mas que tem só atingido as pessoas menos capazes, enfim as pessoas que andam no chão, as pessoas que estão cada vez com mais dificuldades em viverem o dia-a-dia, precisamente por causa destas medidas do governo."

Dossier (1) (Edição de 20/05/2011)

Queira conferir a primeira parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 20/05/2011, aqui.
(continua)

Idosos em África

África tem cerca de 48 milhões de idosos, devendo alcançar 85 milhões em 2025. No The African Executive, aqui. Para traduzir, aqui.

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (24)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

25 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (1) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (24)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (3); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (11); Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (17); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (27); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Dois jornais a norte do Zambeze

Índice Global da Paz 2011


Confira o Institute for Economics&Peace no portal da Marketwire, aqui. Para traduzir, aqui.

462.ª foto (Um rosto)

Segregação urbana em Maputo (2)

O segundo número desta nova série, que tem a cidade de Maputo como contexto de reflexão.
Especialmente a partir da Embaixada da China na Avenida Julius Nyerere, descendo até ao Mercado do Peixe e percorrendo a Marginal, o Bairro do Triunfo, quase até ao restaurante Costa do Sol, apercebemo-nos de quanto o rosto da cidade mudou, de quanto ela se povoou de condomínios, de enclaves fortificados. Já não é mais uma questão de construir uma moradia de luxo, mas de a ter num enclave protegido. E também já não é apenas uma mera questão da divisão espacial centro-periferia.
Prossigo mais tarde.
Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (23)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Palavras domesticadoras (4)

O penúltimo número desta curta série.
Se a palavra população (o plural populações introduz apenas a variedade regional) é um indicador para quem vive geralmente no campo, a palavra massa (massa laboral, massa trabalhadora) situa-nos nas cidades.
Massa é, também, um desconflituador, um nivelador possante.
Prossigo mais tarde.
(continua)

Dossier (7) (Edição de 13/05/2011)

Queira conferir a sétima e última parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 13/05/2011, aqui.
(fim)
Nota: amanhã inicio o dossier de 20/05/2011.

África e a história

"Quem controla o passado controla o futuro e quem controla o presente controla o passado" (Georg Orwell, 1984)
Com o título em epígrafe e recurso à citação de Orwell, um trabalho datado de 2007 de Luis César Bou (director do Observatório de Conflitos, Universidade do Rosario, Argentina), em espanhol aqui (o epílogo do livro é uma crítica ao academicismo). Para traduzir, aqui.

24 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (7) (Edição de 13/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (23)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (2); Palavras domesticadoras (4); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (11); Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (17); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (27); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Comentários

Por email um leitor disse-me que quando quer colocar um comentário surge uma mensagem de erro. Espero que seja um problema temporário.

Cancelas em Nampula+Politécnica em Quelimane

Segundo o Wamphula fax, moradores da cidade de Nampula protestam contra as restrições para circular nas imediações da residência do governador. Aqui.
Segundo o Diário da Zambézia, a delegação da Politécnica em Quelimane mudou de director. Aqui.

O invasor asiático e o imaginário mediático

Atacando das maçãs ao feijão, um insecto tido como possuindo um apetite voraz está a causar estragos graves nas culturas dos Estados Unidos. Mas não é esta triste notícia que me interessa aqui, é antes a maneira como está a ser veiculada: o invasor é asiático, o território atacado é americano. Pragas insectívoras asiáticas invadem os Estados Unidos desde 1997 - sustenta-se. Comentaristas há que vão à Bíblia para explicar a origem e o perigo da praga. Aqui, aqui, aqui e aqui. Um bloguista chega mesmo a defender a teoria da conspiração por parte da "elite" para reduzir a população americana. Aqui. Para traduzir, aqui.

461.ª foto (Velas no Índico)

Sobre crise (10)

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses desta vez sobre o quinto ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento de propaganda.
A crise é uma arma apetecida no combate político. Qual crise? A crise dos outros. A este propósito, é possível transformar a crise num triplo momento: (1) falsa preocupação com o mal que é suposto apoquentar os outros, (2) imensa alegria com esse mal e (3) receituário piedoso.
Prossigo mais tarde.
(continua)

Palavras domesticadoras (3)

Um pouquinho mais desta curta série.
Desconflitualizadas, as palavras tomam, então, um rumo pacífico.
A palavra população, de uso sistemático nos gestores do poder político, remete-nos para uma coleção neutra, passiva, despolitizada, evacuada "da pluralidade dos grupos e das minorias", como escreveu um dia Roland Barthes. O campo é a população, uma massa zoológica.
Com semelhante palavra à mão, verdadeiro antídoto, autêntico biombo da realidade, evacuamos a perigosidade de palavras como classe ou classes. Podemos, então - citando de novo Barthes -, gerir "um sentimento eufórico de multidões pacificamente subjugadas".
Prossigo mais tarde.
(continua)

Segregação urbana em Maputo (1)

A cidade de Maputo tem cada vez mais condomínios, cada vez mais enclaves fortificados, um fenómeno creio que iniciado nos anos 90. Os grupos sociais estão ao mesmo tempo próximos e distantes. O que significa isso?
Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Onde moram os pobres? (7)

Um provérbio na língua Tumbuka no Malawi diz o seguinte: "Não há funeral para o cadáver da galinha" (significado: a morte do pobre passa despercebida).
Neste sexto e último número da série, escreverei um pouco sobre o quinto e também último do sumário proposto, refiro-me à pobreza como problema de relações de produção.
Invariavelmente a pobreza aparece como um problema tecnicamente abordável e tratável. Essa pobreza é suposta ser vencida com coisas, com programas, independentemente das relações sociais nas quais tem curso. A crença reenvia para o portentoso método do Barão de Münchhausen. Um dia, num dos seus passeios a cavalo, caiu num pântano. Afundando-se cada vez mais e não havendo ninguém para o socorrer, o barão teve a genial ideia de se puxar a si mesmo pelos cabelos, até conseguir sair do lodaçal, juntamente com o cavalo.
Imagem: Desocupados, quadro de 1934 do pintor argentino Antonio Berni
(fim)