Queira consultar um dossier com peças do semanário "Savana" de 25/04/2010, aqui.Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
25 abril 2010
24 abril 2010
Piripiri
Restaurante Piripiri, cruzamento das avenidas 24 de Julho e Julius Nyerere na cidade de Maputo, em fim de tarde, dia chuvoso, fresco-frio. Quatro rissóis de camarão mesmo, nada de falsificação, uma bela imperial 2m (cerveja a copo de uma das marcas de cerveja local), amendoim com piripiri (recente introdução, bem torrado); duas senhoras comem amêijoas e pão com o molho, bebendo imperiais. Postagens na forja
Hoje: tráfico em debate na RM
Hoje, na Rádio Moçambique, entre as 9 e as 11 horas (hora local), debate sobre tráfico de seres humanos no país. Aqui.A "hora do fecho" no "Savana"
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:Google e liberdade de expressão

"Face aos condicionamentos de liberdade que vêm sendo apontados à "rede", a Google acaba de disponibilizar aos utilizadores uma ferramenta que permite recolher informação sobre os pedidos que a empresa recebe dos governos para censurar informação ou fornecer dados de utilizadores." A ferramenta está disponível aqui. Se quer ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
23 abril 2010
A nódoa
Contei 25 jovens, 18 rapazes e sete raparigas. Todos de pé, formando uma espécie de círculo, algures nesta cidade de Maputo algo fria hoje, há momentos. Faziam seus jogos de novidade e enredo, eles mostrando suas habilidades de rapazes viris, elas suas prendas de raparigas doces em seus mistérios. Foi quando passou um guarda da segurança privada, olhou por três vezes os botins negros abaixo das calças demasiado largas, à quarta vez baixou-se e com o dedo polegar da mão esquerda, gesto decidido, tentou tirar algo que talvez tenha sido uma nódoa importuna nesta sexta-feira, margem de mais um repouso motriz.Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Tráfico de seres humanos em debate na Rádio Moçambique das 9 às 11, a conferir aqui; A "hora do fecho" no "Savana"; Mariza canta Barco negro e menino do bairro negro
"Savana"
22 abril 2010
Postagens na forja
Fugaz
Impossível
Estou sentado num café buliçoso desta anoitecida cidade de Maputo. Observo 56 pessoas, contei-as duas vezes, acho que não me enganei. Observo-as longamente, em toda a sua espantosa variabilidade individual, na esforçada tentativa de obter uma média comportamental, mas desconsigo. Claro que poderia ensaiar isso por variáveis como riso, movimento, atenção, etc. Mas quanta complicação! Conclusão: impossível dotar de leis o comportamento humano.Antropologia da AR
Urge fazer a antropologia da Assembleia da República, dos seus rituais, do seu vocabulário, dos seus trajes, do calor dos debates, dos elogios e dos anátemas, das inclusões e das exclusões, das compreensões e dos ataques, dos tempos realmente a trabalhar, a dormir, a ler o jornal e a usar o celular.Adenda: é simplesmente fantástico o uso galopante do termo “Excelência”. Não menos fantástica é a potência acrescentada do elogiosismo fácil.
Relatório dos direitos humanos 2008
A Liga dos Direitos Humanos lançou ontem o seu Relatório Anual dos Direitos Humanos 2008, consultável no seu portal, aqui.Santos de casa não fazem milagres? (6)

Avancemos mais um pouco nesta série.
Então, o que temos é uma forte crença na qualidade dos treinadores estrangeiros, na sua capacidade de dotar a nossa selecção com préstimos ganhadores e prestígio internacional.
Isso significa que quem selecciona os treinadores da selecção entende que (1) os treinadores nacionais não são capazes de obter os referidos préstimos e (2) não têm qualidade para auferir salários de 15 mil dólares.
Tal como há quem acredite que os curandeiros estrangeiros, operando à formiga no país, resolvem bem melhor os múltiplos e intricados problemas do mundo do invisível e de seus buliçosos espíritos, também há quem acredite que os treinadores estrangeiros resolvem bem melhor os múltiplos e intricados problemas do mundo visível da bola e de seus buliçosos gestores.
Somos grandes idólatras de pressas ganhadoras, de resultados fulminantes.
Prosseguirei oportunamente, num percurso pelo qual chegarei à Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica. Imagem reproduzida daqui.
Então, o que temos é uma forte crença na qualidade dos treinadores estrangeiros, na sua capacidade de dotar a nossa selecção com préstimos ganhadores e prestígio internacional.
Isso significa que quem selecciona os treinadores da selecção entende que (1) os treinadores nacionais não são capazes de obter os referidos préstimos e (2) não têm qualidade para auferir salários de 15 mil dólares.
Tal como há quem acredite que os curandeiros estrangeiros, operando à formiga no país, resolvem bem melhor os múltiplos e intricados problemas do mundo do invisível e de seus buliçosos espíritos, também há quem acredite que os treinadores estrangeiros resolvem bem melhor os múltiplos e intricados problemas do mundo visível da bola e de seus buliçosos gestores.
Somos grandes idólatras de pressas ganhadoras, de resultados fulminantes.
Prosseguirei oportunamente, num percurso pelo qual chegarei à Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica. Imagem reproduzida daqui.
(continua)
Técnica
Nas antigas cortes do Mwenemutapwa e de Gaza, respectivamente séculos XVII e XIX do antigo Moçambique, as aristocracias reinantes tinham por costume tomar a seu cargo a educação dos filhos dos príncipes inimigos vencidos. Assim procuravam tornar fácil pelo verbo o que pelas armas é sempre mais aventuroso: a lealdade política. Talvez essa fosse uma forma de obter uma acomodante "cultura de Estado", para usar uma expressão frequente hoje em certos círculos políticos do país. Hoje: Dia Internacional da Terra
De Carlos Serra Jr: "Comemora-se a 22 de Abril o Dia Internacional da Terra, na perspectiva de casa de todos nós, cada vez mais ameaçada pelos impactos das mais diversas e nefastas actividades humanas, justificando-se, mais do que nunca, uma mudança radical na forma de conceber a relação que os homens estabeleceram com o respectivo meio, incluindo todos os seres vivos e demais componentes da natureza."21 abril 2010
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Hoje: Dia Internacional da Terra - um trabalho de Carlos Serra Jr; de novo problemas com a escola Malimusse na cidade de Nampula - no "Wamphula Fax"; Nhamacurra - no "Diário da Zambézia"; Técnica nas cortes do Mwenemutapwa e de Gaza
Os silenciadores

Na corte dos imperadores bizantinos existiam silenciadores oficiais, cuja função consistia em fazer calar os perturbadores de todo o tipo, a fim de que reinasse apenas o pensamento oficial - isso consta de um livrinho chamado "Apocalipse", escrito pelo sociólogo francês Michel Maffesoli e que hoje recebi graças à gentileza postal do Ricardo de Paris. Cartun reproduzido daqui.
AR
Foi-me possível ouvir um pouco esta manhã a transmissão feita pela Rádio Moçambique da sessão da Assembleia da República. Enquanto a FRELIMO defendeu que foi graças ao seu respeito pela democracia e pela "inclusão e respeito das minorias" que surgiu a bancada parlamentar do MDM, um porta-vez deste partido afirmou que o surgimento da bancada apenas representa o cumprimento do regimento e da razão. Por outro lado, reparei que é forte e sagrada (talvez mais forte e sagrada do que nunca) a ênfase posta por muitos deputados no reverencialismo, no espírito de grupo e na repetição até à exaustão de palavras e de expressões da moda político-vocabular actual.
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