Observação: pode acontecer que o país se esteja a tornar um corredor para diferentes tipos de tráfico.
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
22 abril 2008
Em 15 dias: 700 imigrantes ilegais interceptados em Tete
21 abril 2008
Idalina com 13 anos, raptora de crianças?
Programa Questão de fundo, Rádio Moçambique, 20 horas, hoje. Figura do programa: Idalina (nome fictício), rapariga dada como tendo 13 anos. Foi interceptada quando supostamente se preparava para raptar uma criança no mês passado. Em vários depoimentos que fez em várias instâncias, sempre do mesmo teor, Idalina afirmou que já raptara cinco crianças do sexo masculino, com idades entre dois e quatro anos. Que o fez a mando de um tal Sr. Alves - afirmou. Esse senhor apenas queria crianças do sexo masculino com as idades referidas- asseverou. Não conhecia esse senhor e as crianças eram entregues através de intermediários - disse. Pelas cinco crianças alegadamente raptadas, Idalina recebeu no total 200 meticais (cerca de oito dólares, CS), dinheiro que serviu para se alimentar - acrescentou. Aluna da 5.ª classe numa escola dos subúrbios da cidade de Maputo, com comportamento normal segundo a directora (apenas se sabe que um dia procurou surripiar um celular numa casa alheia) e aproveitamento suficiente, Idalina escapou a um possível linchamento quando supostamente procurava raptar a sexta vítima e populares enfurecidos a perseguiam, tendo ficado à guarda protectora de uma escola. Órfã de pais, ambos falecidos de SIDA (o pai quando Idalina tinha sete anos), vive, segundo o jornalista que dirigiu o programa, em situação de extrema pobreza com a avó materna. Uma psicóloga afirmou que a vulnerabilidade social de Idalina era propícia a actos como o agora relatado. Um jurista considerou que se devia ponderar melhor na idade da rapariga.Comentário: faltam muitos dados nesta história que tentei resumir. Mas também sinto que há nela dados suficientes para reflectirmos. Se alguém ouviu o programa e acha que cometi erros no relato, corrija-me por favor. E querem os leitores comentar este caso?
Tráfico de menores
Esta noite, às 20 horas, com repetição às 13 amanhã, a Rádio Moçambique transmite em Questão de fundo um programa sobre tráfico de crianças. Julgo saber que uma traficante confessa estará presente. Estarei atento e aqui postarei a propósito. Obrigado a quem me chamou a atenção.Em pesquisa e livro editado em 2006 sob minha direcção, produto de uma pesquisa efectuada em 2005 (com o título Tatá Papá, Tatá Mamã/Tráfico de menores em Moçambique. Maputo: Centro de Estudos Africanos/Imprensa Universitária), escrevi o seguinte: "O tráfico de menores é uma realidade em Moçambique, confirmado pela imprensa, por estudos de casos e por percepções populares, dando origem a uma grande preocupação social. Tatá papá, tatá mamã é como ele é, regra geral, identificado nos bairros periféricos de Maputo. O tráfico laboral e sexual para a África do Sul e o tráfico para extracção de órgãos são as duas modalidades mais visíveis. Bem menos visível é o tráfico laboral infantil, num país onde existem quatro milhões de crianças e de adolescentes em situação de fragilidade social. O exemplo de 35 crianças traficadas em 2005 na província de Manica para serem vendidas em farmas locais a 100 mil meticais cada uma é profundamente trágico. Vulnerabilidades sociais e institucionais facilitam e ampliam o tráfico. Várias medidas são necessárias, entre as quais a actualização do Código Penal (datado de 1876) e o imperativo de prever expressa e directamente o crime de tráfico."
Blogue do angolano Feliciano Cangüe
Sugiro que visitem o blogue do angolano Feliciano Cangüe, aqui. Assim retribuo a visita que fez a este diário. Reparem que ele deixou um abraço para os Moçambicanos, leiam no mural de recados do lado direito deste blogue.Duas mulheres linchadas nas Mahotas (30 linchadamentos este ano a nível nacional)
Camponeses lincharam por espancamento duas mulheres, que se supõe serem irmãs, na madrugada da passada quarta-feira, Bairro das Mahotas, periferia da cidade de Maputo, depois que ambas foram alegadamente surpreendidas por vigilantes a retirar hortícolas de uma machamba na zona de "Dona Alice" ("Notícias" de 18/04/08, p. 27).É raro mulheres serem linchadas em zona péri-urbana. O ano passado foram linchadas duas na Matola-Rio (por motivos passionais) e, este ano, uma no Chimoio.
Com estas duas vítimas, eleva-se para 30 o número de linchados este ano no país em zona urbana e péri-urbana, nos casos publicamente reportados, a saber: onze em Chimoio, nove na Beira, dois no Dondo, sete em Maputo e um em Vandúzi.
Barco com armas para Zimbábuè: editorial do "mediafax" critica China, SADC e regime de Mugabe
A propósito do barco que transporta material de guerra para o Zimbábuè, o editorial de hoje do mediafax (o mais antigo jornal-fax do país) é muito severo para com a China, a SADC e o regime de Robert Mugabe: "A República Popular da China confirma o que se diz em surdina, a sua paixão em ajudar e defender regimes brutais, ditatoriais, anti-democráticos e sanguinários em África. Uma realidade inquestionável. Se os africanos lutaram contra os regimes coloniais, em muitos casos, com a ajuda da China, isso não dá direito à China, para, por quaisquer motivos económicos ou políticos de querer ser a superpotência mundial, armar, apoiar e viabilizar regimes que querem matar o povo. O carregamento de armas da China para o Zimbabwe é uma afronta ao direito internacional, um desprezo aos povos africanos. Basta a legião de reclusos que inundam África a ocuparem os mais precários empregos dos africanos. A África deve se unir e dizer não à China. África não é o continente das execuções sumárias, não é , de novo, da escravatura. África se mostra ao mundo como um continente do pluralismo democrático e da harmonia social. (...) É necessário que os Chefes de Estado da SADC tenham um pouco de vergonha e pressionem para que Mugabe não mate o seu povo, não crie uma guerra injusta pela região onde todos vamos perder."Nota: entretanto e segundo o mesmo jornal, parece que as nossas autoridades não aceitarão que o nosso país receba as armas e as encaminhe depois para o Zimbábuè. Foto reproduzida daqui.
E agora o cão virou curandeira
Por razões que ignoro, sempre há alguém que me vem contar histórias. Logo cedo, esta manhã e ainda a propósito do fantástico cão de Khongolote (município da Matola, a poucos quilómetros da cidade de Maputo), uma senhora veio ter comigo e perguntou. "Professor, como vai a história do cão?" Respondi-lhe que não sabia. E a senhora, solícita: "Apanharam o cão anteontem e puseram numa gaiola e depois o cão ficou uma senhora curandeira!" E eu: "Viu o cão?" Resposta: "Não, mas outras pessoas viram". E eu: "Você acredita?" E ela, imediata: "Como não acreditar?"Pois é: que pode a minha pobre razão fazer perante tão veemente e soberbo exercício de emoção e crença?
1.ª adenda às 9:49: desta vez fui eu ter com duas senhoras, uma morando no Bairro Polana Caniço, outra no Bairro Ferroviário. "Como está o cão?", perguntei. A senhora do Polana: "Aquele cão tem magia, não viu aquela novela brasileira da Miramar aquela senhora que pode ficar rato ou outra coisa? Mesma coisa!" A senhora do Ferroviário: "Aquele cão é curandeira toda a gente sabe morde as pessoas nas mãos e depois as pessoas morrem". Por outras palavras: a história de Khongolote já não tem fronteiras.
2.ª adenda às 10:01: na definição de Jean-Bruno Renard, lenda urbana (também podeis dizer boato ou rumor) é um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações (in Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
3.ª adenda às 10:08: em Agosto de 2006, residentes dos bairro T3 na Matola chamaram curandeiros para descobrirem os assassinos que supostamente aterrorizavam o bairro, face à crença na ineficiência da polícia. Aos curandeiros foi dado um prazo de 15 dias para encontrarem uma solução e revelaram a identidade dos criminosos. O dedo acusador foi apontado aos estrangeiros do Zimbabwe e dos Grandes Lagos localmente residentes, capazes, segundo depoentes do T3, de se transformarem em gatos, ratos e cobras para violarem mulheres na calada da noite e matarem cidadãos com o fito de lhes extraírem o sangue para operações mágicas.
4.ª adenda às 10:12: recordo a história do crocodilo com dois metros de comprimento que apareceu há dias junto ao muro de vedação do paiol das Forças Armadas na cidade de Maputo. Segundo o "Notícias", o animal foi abatido e a carne distribuída, mas tudo misturado com uma grossa inquietação, pois o Sr. Bernardo Mabote apoderou-se da cabeça do animal," cuja massa cerebral é tida como um veneno mortífero para as pessoas." Depois, o chefe do quarteirão 2 do bairro de Zimpeto, o Sr. Gaspar, "tentou, sem sucesso, proteger a parte da cabeça do animal para evitar que ficasse com indivíduos de conduta duvidosa, que eventualmente podem usar o cérebro para envenenamentos". O homem foi agredido e impedido de tirar a cabeça do crocodilo. Um criador de crocodilos próximo da área, Sr. José Ferreira, garantiu que o animal não lhe pertencia.
5.ª adenda às 10:26: disse-me uma moradora do Khongolote que o fantástico cão foi morto no sábado, que era o cão de um vizinho que "não tomava bem conta dele e depois o cão andava a morder".
Segundo DI: transportadoras agravaram preços dos transportes interprovinciais
De acordo com o Diário Independente de hoje, "Desde o princípio da tarde de ontem, a tarifa de passagem dos transportes interprovinciais, foi agravada em 25 por cento, apurou o DI. A título ilustrativo, da cidade de Maputo, para Chókwè e Xai-Xai, a tarifa passou de 120 Meticais para 150 Meticais. Contactado ontem pelo DI, Rogério Manuel, Presidente da Federação dos Transportadores Rodoviários, disse que tal deriva do facto de o executivo moçambicano, ter decidido não dar compensação aos transportadores interprovinciais. Recorde-se que o Governo, aquando do susto de 05 de Fevereiro, prometeu compensar todos os transportadores devidamente licenciados. Na altura, não foi apontada a exclusão dos transportadores de âmbito inter provincial." Este é um aumento que deve ser imediatamente motivo de estudo.
Onde estão os Africanos? Perguntou Annan a propósito do Zimbábuè
Quando os resultados das eleições de 29 de Março no Zimbábuè ainda não saíram e na SADC parece vigorar o deixa-andar: “Onde estão os africanos? Onde estão os líderes e os países da região? O que estão a fazer? Como podemos ajudar a resolver a situação?”, perguntou o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi AnnanAnnan, que na sexta-feira esteve reunido com o secretário-geral do principal partido da oposição zimbabweana, Tendai Biti. “É uma crise séria que vai ter impacto para além do Zimbabwe e temos a responsabilidade de trabalhar com eles para encontrar uma solução viável”, adiantou Annan.De novo o cão mágico
E o problema do cão não-cão que se quer seja, afinal, cão mágico, continua a agitar o Bairro de Khongolote, no Município da Matola, a poucos quilómetros da cidade de Maputo, com grande comoção e fúria popular registadas no sábado. Confira aqui. Vital nestes casos, é estudar as infra-estruturas sociais que permitem gerar semelhante pânico e encher o boato e o medo de veemência.
20 abril 2008
Onde pára o barco com armas para o Zimbábuè?
Os trabalhadores portuários sul-africanos recusaram descarregar as 77 toneladas de material bélico destinadas ao Zimbábuè e que são transportadas num barco chinês. Onde estará agora o barco? Confira aqui. Estará ela a caminho de Luanda? Confira aqui.
Se quer ler em português, faça uso deste tradutor.
Entretanto, o MDC diz que há as autoridades governamentais do Zimbábuè têm em curso uma "guerra" que já matou dez pessoas e feriu 500 desde as eleições de 29 de Março. Confira aqui.
Espíritos, curandeiros e mercado (5) (continua)
Vamos supor que a tipologia apresentada no último número se manteve constante, se manteve digamos que tradicional até à independência nacional (coisa de que duvido, mas fiquemos por agora assim).
Na era colonial, se por um lado os administradores portugueses não viam com bons olhos médicos sociais e adivinhos (muitos relatórios deram conta de que eles contribuíam para despovoar as comunidades com as suas terapias), por outro procuravam que eles se algum modo contribuíssem para manter estáveis os padrões de vida camponeses, estáveis e não subversivos.
Depois da independência a situação mudou. Com a revolução, a sua actividade foi combatida, pelo menos indirectamente. Não creio que esse período tenha ainda sido estudado.
Mas a partir de 1887, melhor, a partir de 1990/1992 médicos sociais e adivinhos regressam em força, as cidades tornam-se um alvo preferencial, cidades que estão apinhadas de gente fugida do campo e da guerra civil, gente insegura. Mas não apenas regressam: trazem consigo ementas de cura-tudo aliciantes, fantásticas.
É em 1992 - ano dos acordos de paz assinados em Roma entre a Frelimo e a Renamo - que chegam a Moçambique os primeiros pastores da Igreja Universal do Reino de Deus. Em 1995, um pastor metododista citado pelo "Notícias" definia assim o programa da IURD: exorcizar os demónios, curar as enfermidades e oferecer prosperidade financeira.
É nos anos 90 que começam a surgir na imprensa escrita os anúncios dos cura-tudo.
28/30: 5ª Conferência Regional Sobre a Violência na África Austral

Confira aqui o programa. Clique duas vezes com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
Roubados e destruídos sete quilómetros de cabo submarino
Noticia o semanário "Domingo" de hoje que quatro indivíduos foram condenados em Inhambane a 14 anos de prisão por se ter provado terem participado no roubo e na destruição de sete quilómetros de cabo submarino, destinado a interligar Inhambane e Maxixe no caso de avaria da linha aérea comum da Electricidade de Moçambique (p. 7).Roubar e destruir sete quilómetros de cabo já é é muito. Sendo o cabo submarino, não há qualificativo que chegue. Não nos surpreendamos se qualquer dia for roubado o próprio oxigénio que respiramos.
19 abril 2008
Grito negro (José Craveirinha, Moçambique)
Recordem um dos mais belos e combativos poemas do poeta-mor de Moçambique, falecido a 3 de Fevereiro de 2003.
Cerca de 5.500 zimbábuèanos já entraram em Moçambique desde 29 de Março
HRW denuncia existência de "campos de tortura" no Zimbábuè
Do cão assassino que parece um não-cão mas que deve ser cão mutante
Andam reboliço e pânico em Khongolote, município da Matola, a poucos quilómetros da cidade de Maputo, segundo o "Notícias" de hoje em reportagem a cinco colunas e com duas fotos, dado o "estranho fenómeno da presença de um cão assassino que até aqui é apontado como tendo causado a morte de quatro pessoas e provocado ainda ferimentos de diversos graus a outras cinco." De onde vem o "tão feroz canino" (sic)? Ninguém parece saber. De quando data o fenómeno? De Fevereiro. Por que não se soube disso antes? O jornal nada diz a esse respeito, apenas refere que o caso veio à baila quando uma brigada do partido no poder, a Frelimo, visitou esta semana o bairro residencial de Khongolote. Quais as características do animal? Ninguém parece saber e muito menos o jornal: fala-se num caso em que o animal era de estatura média e cor castanha e num segundo em que não se sabe que características tinha. Onde morde? Dizem alguns que nas mãos. Onde está o bicho assassino? Ninguém sabe. Qual a causa das afirmadas mortes? Há quem diga que tudo tem origem na feitiçaria, mas o director de Saúde do bairro - que deu conta de três casos de pessoas feridas, mas de nenhum morto - aventa a hipótese da raiva. Foram os feridos e os mortos autopsiados? O jornal é omisso a esse respeito. Que medidas foram tomadas? Para já, duas: (1) os moradores do bairrro foram advertidos de que deviam amarrar os cães nas casas para evitar que fossem abatidos pelas autoridades; (2) fez-se uma reunião com a presença de vários tipos de pessoas, entre as quais membros da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique.Observação: aqui temos um caso emblemático com material suficiente para estudarmos a génese e o desenvolvimento de um boato, de uma lenda, a partir da eventual presença na área de um ou mais animais animais eventualmente padecendo de raiva. Por outro lado, nenhum esforço foi feito pelo jornal para ir mais fundo no fenómeno. A propósito de ambas as coisas, leia e/ou recorde duas postagens aqui e aqui.
18 abril 2008
Armas para o Zimbábuè?

Setenta e sete toneladas de armas chinesas para o Zimbábuè? Confira aqui e aqui. Se quer ler em português, faça uso deste tradutor.
Visitem o blogue do Emídio Nhantumbo
Amigos, especialmente Moçambicanos na diáspora: o meu colega Emídio Nhantumbo, geógrafo, docente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo da Universidade Eduardo Mondlane, tem um blogue dedicado ao turismo (mas não só) lá por terras da bela cidade de Inhambane, creio que deve ser o único a ter um blogue lá. Visitem-no.Luanda de luxo
"Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana que, entre festas e champanhe, vive do petróleo, dos diamantes e de negócios multimilionários. (...) Esta Luanda encerra toda a Angola, encerrando-se da Angola que resta. A assimetria entre a capital e as províncias é enorme. E parece menor se comparada com as paralelas assimétricas que dividem os ricos inacreditavelmente ricos, os inacreditavelmente-novos-ricos e os pobres, ainda inacreditavelmente mais pobres, de Luanda."Hoje: "Diário de um sociólogo" faz dois anos
Hoje é o segundo aniversário do "Diário de um sociólogo", pois nasceu a 18 de Abril de 2006.Com bem mais leitores do que tinha quando aqui assinalei o primeiro aniversário, este diário teve o seu mais importante momento em 2007 ao colocar-se entre os dez melhores blogues em língua portuguesa do concurso BOBs2007 e ao classificar-se em terceiro lugar na votação público em confronto com nove blogues brasileiros. Eis a avaliação do júri: "Os relatos sobre Moçambique reunidos neste blog pelo sociólogo Carlos Serra, da Universidade Eduardo Mondlane em Maputo, aplicam os conhecimentos da Sociologia no cotidiano, juntando jornalismo cidadão e conhecimento científico em uma única plataforma e resultando em uma excelente fonte de informações sobre Moçambique."
Este ano, o diário está em segundo lugar entre 562 blogues escritos em várias línguas na avaliação regular da rubrica "sociedade".
Este ano, o diário está em segundo lugar entre 562 blogues escritos em várias línguas na avaliação regular da rubrica "sociedade".
Obrigado a todos os que têm contribuído para que este blogue seja, neste momento, o mais visitado de Moçambique.
17 abril 2008
Amigos da Floresta: deconstrução de uma falsa ideia
Os Amigos da Floresta escreveram no seu último informe o seguinte: "Uma das teses mais propaladas em determinados sectores é aquela que assenta na falsa ideia de que quem defende a causa ambiental está forçosamente contra o desenvolvimento. O movimento ambientalista é apontado como um entrave ao progresso, à criação da riqueza e ao combate à pobreza. Por seu turno, os ambientalistas são rotulados de fundamentalistas, fanáticos e anti-patriotas."Morreu Aimé Césaire
Morreu esta manhã, com 94 anos, o grande político e poeta Aimé Césaire, figura emblemática da negritude. Confira aqui. Se quer ler em português, use este tradutor. Obrigado ao Ricardo, correspondente em Paris, pelo envio da referência.Zimbábuè e duas linhas na SADC
Os resultados eleitorais oficiais continuam a não ser conhecidos no Zimbábuè. Enquanto isso, a recente cimeira da SADC parece ter mostrado duas linhas de pensamento na SADC: de um lado, num pró-mugabaísmo recusando alinhar pelas críticas do Ocidente e de Tsvangirai, um bloco encabeçado por Tabo Mbeki da África do Sul, Bingu wa Mutharika do Malawi, Hifikepunye Pohamba da Namíbia, Armando Guebuza de Moçambique, Joseph Kabila do Congo e José Eduardo dos Santos de Angola: do outro, numa posição crítica em relação a Mugabe, estiveram Levy Mwanawasa da Zâmbia e Ian Khama do Botswana. Se quer ler em português, use este tradutor aqui.Urânio, Teal e Chissano
A TEAL Exploration & Mining Incorporated está satisfeita: um portal canadiano anunciou ontem que a empresa obteve a concessão de várias licenças para explorar minerais em Moçambique, com especial incidência para o urânio. Um dos directores da empresa é o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. Se quer ler em português, sirva-se deste tradutor. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências.Espíritos, curandeiros e mercado (4) (continua)
Naturalmente que devemos ter em conta que o mundo da gestão das forças do invisível sofreu alterações e que o tempo contribuiu para a acomodação de novas representações sociais, de novas técnicas de cura e persuasão, de novos forças maléficas e, até, de novos espíritos, ainda que tenha para mim que esse é um campo não estudado no país (tentarei tocar um pouco nisso mais à frente).
Todavia, creio ser possível estruturar uma classificação base dos médicos sociais e dos adivinhos, a saber:
1. Adivinhos: necromantes (tipo tingoma, nhacombeze) e osteomantes (tipo tinhlolo)
2. Adivinhos psicanalistas: nevropatas (tipo nhamessoro)
3. Médicos sociais: herbanários (tipo nhanga)
Pergunta: o que acham os leitores desta tipologia? Intuo que o Paulo terá muito sobre o que dizer.
Dia Internacional da Luta Camponesa: camponeses marcham hoje na Manhiça
Nota: neste diário também estive atento ao que se passou no dia 24 de Janeiro deste ano. Recorde aqui e aqui.
Agradecimento: o meu obrigado à equipa do Salomão Moyana pelo envio atempado do jornal, cuja versão online pertence à empresa do semanário "Magazine Independente", de que Moyana é director.
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