28 outubro 2008

Mulheres cabangam a vida em Nampula


Nos 18 bairros da cidade de Nampula existem 54 mercados de venda de cabanga, bebida alcóolica de fabrico caseiro fermentada a partir de farelo de milho e de açúcar, actividade de subsistência de maior parte da população feminina desempregada.

Desempregados


Setenta desempregados figuram entre as 85 pessoas detidas e encarceradas pela polícia semana passada, indiciadas de crimes vários na cidade de Maputo.

Interceptados dois autocarros com 64 crianças

Segundo o "Notícias" de hoje, dois autocarros foram interceptados em menos de uma semana em Caia, província de Sofala, trazendo a bordo 64 crianças com idades entre os sete e os 15 anos, provenientes das províncias de Niassa e Nampula e cujo destino, segundo acompanhantes, era a cidade de Maputo, onde deveriam receber formação religiosa muçulmana.
Aqui temos mais um caso do género, aqui temos, uma vez mais, crianças arregimentadas em províncias nortenhas, aqui temos, uma vez mais, a indicação de que a formação religiosa muçulmana é o objectivo do seu destino, o de Maputo. Provavelmente, casos terá havido de autocarros ou de camiões não interceptados. Entretanto, recorde aqui uma das várias postagens deste diário sobre o mesmo fenómeno.

27 outubro 2008

Obamaizando a vida

Ontem apresentei aqui um portal no qual os Moçambicanos estavam a votar por Barack Obama. Agora a Fátima Ribeiro mandou-me outro, no qual também podemos votar e no qual os Moçambicanos estão a votar.
O mundo parece decididamente obamaizar-se.

No CEB


Diário de um sociólogo


Confira aqui a lista dos 11 seleccionados pelo júri do BOBs2008. Clique com o lado esquerdo do rato para ampliar a imagem.

Futebol: desmaputização dos ganhadores

O Atlético Muçulmano e o Chingale de Tete vão disputar a final da Taça de Moçambique. O que significa isso? Por hipótese, significa que ocorre no nosso nosso futebol uma desmaputização crescente dos ganhadores (Costa do Sol, Ferroviário de Maputo...), desmaputização iniciada, talvez, quando há três ou quatro anos (recorro à memória...) atrás o Ferroviário de Nampula ganhou o Moçambola. Equipas da periferia dos ganhadores, equipas humildes, têem subido, têem singrado. Os casos agora do Atlético (a disputar também o primeiro lugar no Moçambola) e do Chingale são, creio, exemplares.

BOBS2008: "diário de um sociólogo" é um dos onze melhores blogues do mundo em português

Pelo segundo ano consecutivo - em 2007 também o foi -, o diário de um sociólogo foi avaliado pelo júri do BOBs (Best of Blogs) como um dos onze melhores blogues em português do mundo entre 400 concorrentes. É o único sobrevivente dos concorrentes - nove brasileiros - do ano passado. Este ano, uma vez mais, os blogues brasileiros estão em destaque, são nada mais nada menos do que nove. Mas desta vez há um blogue português.
Por favor, agora, se apreciam este espaço, votem nele aqui! Muito obrigado!!!
Adenda: Em primeiro lugar, um especial agradecimento a todos os leitores que têem contribuído para que este seja o mais lido blogue moçambicano. Em segundo lugar, um abraço aos colegas concorrentes e os meus votos de êxito.

Amor ao próximo

Segundo o "Notícias" de hoje, o secretário-geral da Frelimo, Pilipe Paúnde, afirmou ter a "certeza absoluta" (sic) de que o partido vai vencer -por "retumbante vitória", assegurou - as eleições autárquicas nos quatro municípios de Sofala: Beira, Marromeu, Dondo e Gorongoza. E definiu da seguinte maneira as qualidades dos quatro candidatos do partido a presidentes: "(....) Bulha como tendo amor ao próximo, Robin de bastante experiente, Cambezo que dispensa qualquer adjectivo e Cauzande como jovem inteligente."

Coisas boas






"Safari Parque Mucapana, área conservação em regime privado localizada a pouco mais de trinta quilómetros do centro da cidade de Maputo, ideia e obra de Philippe Gagnaux. Local situado no limite entre os distritos de Marracuene e da Moamba, sendo acessível via Estrada Nacional n.° 1. Depois de passar o limite geográfico da cidade de Maputo, basta percorrer 15 quilómetros até encontrar uma tabuleta de identificação do parque, localizada no lado esquerdo do sentido Sul-Norte, que o conduz a uma estrada de terra batida, finda a qual surge uma nova tabuleta orientando o visitante para a última e curta etapa do percurso, que desagua no portão do complexo. Num lugar anteriormente destinado a um projecto de plantação de eucaliptos, Philippe Gagnaux instalou o parque numa área estimada em 180 hectares, vedados em meados do ano de 2005, com a possibilidade de ver alargados os respectivos limites à medida que as condições o permitirem, o projecto de conservação se desenvolver e vier a conquistar um lugar no roteiro turístico de Maputo. As actividades de repovoamento iniciaram-se em Novembro de 2006, tendo havido lugar à introdução de diversas espécies de fauna bravia, trazidas da vizinha África do Sul, e que hoje são facilmente avistáveis pelo visitante, assim como girafas, zebras, impalas, búfalos, bois cavalos e avestruzes. Depois da finalização do trabalho de vedação, foram avistados alguns cabritos cinzentos, verdadeiros sobreviventes em face dos perigos inerentes à pressão dos caçadores furtivos e dos cães de guarda, bem como resultantes da perda de habitats provocada pela tendência imparável de urbanização. Outro grande atractivo do parque é o restaurante Mbala Madoda, que, com a sua gastronomia zambeziana servida em buffet, lhe permite deliciar-se com uma série de pratos magnificamente confeccionados. O restaurante foi construído em material local e está estrategicamente localizado num lugar lindo, com vista para um descampado onde, dada a presença de fontes de água, os animais bravios encontram um espaço privilegiado para renovar as energias e encantar os visitantes." - Informe n.º 33.2008 dos Amigos das Florestas.

26 outubro 2008

Iraque: o genocídio naturalizado


Confiram aqui e aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências. Bloguistas amigos: colem o selo do anúncio em epígrafe nos vossos blogues. A mais importante das acções de solidariedade e pressão é a mais pequena, a mais simples, a mais modesta, como essa (vejam o canto direito deste diário)!

Quem lixa quem, linchando? (2) (fim)


O texto em epígrafe surge na p. 7 do "Domingo" de hoje. Basta agora apenas uma pequena coisa: comparar este texto com o editorial do primeiro número desta curta série (clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar).

Quem lixa quem, linchando? (1)

“Linchar não é só incendiar o criminoso. O Estado lincha a nossa vida quando não nos protege” (depoente numa pesquisa feita sobre linchamentos)
Na edição de 6 de Abril deste ano, o editorial do semanário “Domingo” continha a seguinte introdução: “Generalizou-se a ideia segundo a qual os linchamentos feitos pelos populares, amotinados, em fúria e em algazarra, são consequência directa do facto do povo não confiar na Justiça em geral e na Polícia em particular. Uma ideia perigosa, talvez sentimento antes de ser ideia, que, a propagar-se como se propagada e afirma, mesmo em instâncias consideradas responsáveis, atrasa o desenvolvimento do estado de direito que queremos construir, na medida em que desculpabiliza a responsabilidade dos autores do morticínio, narcotizando-lhes a consciência, contribuindo até para acirrar a multidão descontrolada que mata selvaticamente sem o mínimo julgamento. Mata prevaricadores e inocentes. E exalta, em frente das câmaras de televisão, para que todo o mundo veja, o episódio bárbaro que acabou de realizar”.
No número seguinte desta série, vamos ver o que o semanário "Domingo" contém na edição de hoje sobre o que residentes da Malanga, periferia da cidade de Maputo, pensam da polícia.

Moçambicanos apoiam Obama!

É verdade, uma sondagem do The Economist mostra que Moçambicanos estão a votar em Barack Obama - constantemente referido neste diário - e ainda não deram um voto sequer a McCain. Confira aqui.
Entretanto, no momento em que vos escrevo, em votos vindos de todo o mundo, há 9009 para Obama e 228 para McCain.
Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, por me fazer chegar a referência do portal.

Isto não é estatal ou diurno, desfeitiçai vós!




Certos casos, porque considerados pertencendo ao intricado foro feitiçal, são remetidos por certos órgãos do Estado e instituições privadas, por aqui e por ali, para a Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (Ametramo). Que seja esta a desfeitiçar os imbróglios. Estado é Estado, feitiço é feitiço. Diurno é diurno, nocturno é nocturno. E prontos, missão tomada, missão cumprida, como diz um dos documentos em epígrafe! (clique com o lado esquerdo do rato sobre as imagens para as ampliar).

Maria

"Natural de Maxilua, em Inhassunge, Maria não sabe a idade. Teve 9 filhos, mas todos morreram. Segundo ela, os primeiros 6 filhos foram enfeitiçados pelas tias da parte do pai. Fizeram as cerimónias do matchululu mas mesmo assim os restantes acabaram por morrer. Depois da morte do último filho ela decidiu fugir das cunhadas porque passaram a acusar-lhe de feiticeira e ameaçavam-na de morte. Ficou algum tempo nas ruas de Quelimane como mendiga, depois foi recolhida pelo Ministério da Mulher e Acção Social e foi encaminhada ao Centro. Ela sente-se bem no Centro porque tratam-na como família e deixam-na desenvolver algumas actividades agrícolas." - relato de uma assistente minha, após trabalho de campo em Inhassunge, província da Zambézia.

O "assassinato" do português em Moçambique (3) (continua)

Vamos lá a mais um número desta série, que, infelizmente, andava pendurada à minha trás.
Bem, na verdade a vida parece ser sempre um à minha trás: o que sempre foi, sempre terá de ser. Não parece ser esta a lógica simples, substantiva, imutável, da vida?
Então, se ontem dizíamos algo como O João vem à minha retaguarda e hoje tem gente que diz O João vem à minha trás, não devemos ficar preocupados com as metásteses que se infiltram nas rotinas e as transfiguram, as pervertem, as tornam impuras, as conflitam?
Não deve a língua portuguesa ser talhada de vez em suas puras e imutáveis regras, tal como os domadores de regras acabaram de fazer com o acordo ortográfico?
Mas, senhoras e senhores, o próprio de uma língua é o de ser subversiva, o de fazer amor com a quebra das regras. O próprio das língua é o de ser humana em sua ressocializacão permanente.
O nosso problema, senhoras e senhores, é, sempre, a essência, o imutável.

A cruz do Vera Cruz (5) (continua)

E entro no penúltimo número desta série dedicada a um estudo feito pelo psicólogo Vera Cruz, da Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlanes, sobre percepções de crianças de três escolas primárias da província de Maputo em relação à beleza feminina.
Quinhentas crianças dessas escolas foram convidadas a responder à seguinte pergunta: "qual destas meninas achas que é a mais bonita?" Quais meninas? Uma mesma menina, vestida e penteada da mesma maneira, mas desdobrada em três cores: branca, negra e mista. Uma parte significativa das crianças considerou que as mulheres claras são as mais bonitas.
Como referi em números anteriores, esse estudo deu origem a protestos de leitores deste diário. O alvo da indignação - uma profunda indignação moral, creio - tornou-se literalmente o psicólogo. De que forma operou a descredibilização de Vera Cruz? No geral, da seguinte maneira:
1. PREPOSIÇÃO EXPLÍCITA: a foto apresentada pode ter induzido as crianças em erro.
2. PREPOSIÇÃO IMPLÍCITA: as mulheres de cor escura são mais bonitas do que as mulheres claras.
3. CONCLUSÃO: Vera Cruz não é pessoa idónea, ele gosta das mulheres claras e por isso levou as crianças a dizer o que ele queria que elas dissessem: que as mulheres claras são mais bonitas. Assim, o seu trabalho nada tem de científico, não pode ser replicado, é um mero trabalho ideológico.
Nada do que Vera Cruz disse em relação à preferência das crianças foi tido em conta. O que parece, é: ele gosta das mulheres claras. E também nenhum dos trabalhos que aqui fui colocando sobre o branqueamento da pele um pouco por todo o mundo foi tido em conta.

O que "é" o lobolo? (5) (continua)


Aqui vai mais um número desta série.
O antropólogo Paulo Granjo ancorou o lobolo num campo importante: o da gestão dos espíritos e do seu papel homologador do quadro reprodutivo da prática. Escreveu, por exemplo: "No caso de Moçambique, os estudos mais recentes enfatizam um aspecto anteriormente deixado na penumbra: o papel central não apenas dos parentes vivos, mas também dos espíritos dos antepassados." E acrescenta: "(...) esse putativo envolvimento dos antepassados legitima ideologicamente a descendência e, no quadro das visões locais de domesticação da incerteza, é um instrumento de protecção do casal contra os perigos e infortúnios (aqui, aqui e aqui)."

25 outubro 2008

Ultrapassada chapa 5000

Este diário ultrapassou ontem a chapa 5000, sendo esta a 5009.ª postagem desde a sua criação a 18 de Abril de 2006.

O que "é" o lobolo? (4) (continua)


Depois do recuo temporal feito no número anterior deste série, avance-se de novo no tempo e vamos ver o que escreveu o jurista Gonçalves Cota nos anos 40 do século passado.
O lobolo não é um acordo entre um homem e uma mulher, mas entre duas famílias patriarcais. O amor entre esse homem e essa mulher não conta no lobolo, o que conta são os interesses das famílias. A perda de uma filha numa família deve corresponder a uma compensação em dinheiro ou em outros valores para aquisição de uma mulher para um filho que ficará sob a autoridade do pai. Em caso de divórcio, a mulher perde os filhos e o lobolo deve ser restituído. Antigamente o lobolo podeia ser ajustado com crianças. O costume impedia o que acontecia no Norte de Moçambique, onde os acordos eram entre homem e mulher: a fragilidade dos laços matrimonais. Finalmente, o jurista defendeu que a compensação assumia a natureza de uma "lei sociológica" - Mitologia e Direito Consuetudinário dos Indígenas de Moçambique. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique, 1944, pp. 219-227.

O que "é" o lobolo? (3) (continua)


Vamos lá prosseguir a série, recuando ainda mais no tempo.
Para Henri Junod e independentemente das variações que foram ocorrendo com a generalização da economia monetária no que ele chamou tribo Tonga, o lobolo é uma troca entre as unidades colectivas que compõem um clã. Uma unidade adquire novo membro (mulher) e a unidade doadora exige a recomposição através de uma compensação que lhe permita adquirir outra mulher. Ainda que conserve o seu chibongo (nome do clã, termo de Junod), a mulher adquirida torna-se, porém, propriedade do grupo aquisidor. É agregada através de "cerimónias complicadas" do casamento, passando a pertencer à família aquisidora tanto ela quanto os filhos que tiver. Não é uma escrava, mas é uma propriedade (sic), não propriedade individual de um homem, mas propriedade colectiva de um grupo. Por isso:
* Toda a família da unidade aquisidora participa nas cerimónias do casamento. Todos os membros masculinos do grupo têm o direito de opinar sobre os bois oferecidos ou sobre o montante monetário versado.
* A mulher adquirida é "esposa presuntiva deles, embora lhes não seja permitido ter relações sexuais com ela (matlulana). Recebê-la-ão em herança se o marido dela morrer (..)"
* Os filhos pertencem ao pai. O direito patriarcal apoia-se no lobolo. Toda a criança de uma mulher "que não foi paga" pertence à família desta e vive na aldeia do tio materno.
O lobolo "nunca é uma compra feita pelo marido, e ainda menos um presente oferecido aos pais da mulher" - Junod, Henrique A., Usos e Costumes dos Bantos. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique, 1974, vol. 1, pp. 268-269 (a edição anterior data de 1913; os primeiros materiais do livro foram publicados em 1898).

O que "é" o lobolo? (2) (continua)


Vamos lá prosseguir um pouco esta série.
O que designa o lobolo? De acorco com o Paulo Granjo, "A palavra lobolo designa, simultaneamente, uma instituição matrimonial, a cerimónia de casamento que lhe corresponde e os bens que, nela, são entregues pela família do noivo à família da noiva." Confira o desenvolvimento aqui.
Quais a funções do lobolo? Eis a resposta de Francisco Miguel, natural de Inhambane: "Em qualquer situação, o lobolo tem entre outras as seguintes funções: Unir os antepassados das duas famílias (a da noiva com a do noivo); rezar aos antepassados que dêem sorte ao novo lar e sobretudo a fertilidade da noiva; Garantir protecção da mulher na família do seu marido, passando a pertencê-la mesmo depois da morte do seu marido; Garantir o direito a noiva de continuar na casa do marido a cuidar de seus filhos, caso este morra, bem como continuar a ter filhos com irmão do marido. O mesmo permite com se a esposa morrer ainda jovem (sobretudo se deixar filhos menores), a família dela ofereça ao seu genro uma menina para cuidar de seus sobrinhos que serão agora seus filhos e ela passará a ocupar o lugar da sua falecida irmã no lar." Confira o desemvolvimento aqui.

O que "é o lobolo? (1)


Reparem como a pergunta em epígrafe está formulado, com um forte apelo à imutabilidade do fenómeno, no caso vertente do lobolo, através da terceira pessoa do presente do indicativo: é. Nada de foi ou de será: simplesmente é.
Mas vamos lá ao tema: duas postagens minhas sobre o lobolo têm provocado debate, aqui e especialmente aqui.
Então decidi que não seria má ideia regressar ao tema e, através da pergunta, resituá-lo, lançando algumas ideias provocadoras. Aguardem, então. A imagem pertence ao blogue do antropólogo Paulo Granjo.

Contra a descriminação dos albinos

Recebi de Benvinda Tsurre um email no qual, a propósito da regularidade com que os ataques aos albinos são abordados neste diário (recorde as últimas postagens aqui e aqui), ela me fala da Associação dos Albinos do Brasil e de um apelo da organização Under The Same Sun no sentido de nos solidariarmos com a comunidade albina tanzaniana. Eis o portal da organização, no qual podemos assinar a petição. Eu já o fiz.
Adenda: entretanto, leia aqui em inglês o "Human rights africa". Se quer ler em português, use o tradutor google situado no lado esquerdo deste diário.

E o simangocídio prossegue na Renamo

A Renamo não ficou nada satisfeita com a posição assumida pelo Ministério da Administração Estatal na pessoa do ministro Lucas Chomera, no tocante ao pedido de impugnação da candidatura independente do eng.° Deviz Simango à presidência do município da Beira. Agora, a fazer fé nas palavras transcritas pelo "Notícias" de hoje, o Sr. Francisco Machambisse entende que deve ser o Conselho de Ministros a resolver o imbróglio, que o MAE deve encaminhar o processo de impugnação para o Conselho de Ministros.
Observação: a sanha é tanta, o receio e o ódio tão descomunais, que, se falhar o Conselho de Ministros, só faltará à Renamo fazer intervir o presidente da República. E se aqui também falhar, melhor mesmo fazer um pedido especial para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. E, finalmente, se também aí não passar o pedido de impugnação, resta a solução milagrosa: a pata de macaco do Xipamanine, como suggeriu, com uma saborosa ironia sabadeira, o V.I. aqui.
Que simangocídio circense, que deligências quixotescas!

24 outubro 2008

Eugenija

Chama-se Eugenija (de que nacionalidade?), na foto tem uma amiga a arranjar-lhe o cabelo à nossa bela maneira africana, escreve em inglês e tem um blogue habitado por uma espécie de alma nos textos e no fascínio com que lê a nossa terra - humanos, bichos e coisas. Espreitem aqui
Obrigado ao Maximianio pelo envio da referência através do mural de recados situado no lado direito deste diário.

A vassati wa lomo

Falei-vos há dias, aqui, da Mingas. Deixem-me precisar melhor a minha busca. A canção tem o título em epígrafe (= As mulheres da minha terra), conheço-a em interpretação apenas da Mingas, mas eu quero a versão em que ela canta com o falecido João Paulo. Se eu tivesse que eleger a melhor canção de todos os tempos da nossa terra, elegeria A vassati wa lomo no ático dueto Mingas/Paulo, ela com aquela espantosa voz vinda da alma sem excesso, ele com aquela voz rouca de uma tristeza calma. Por favor, se alguém sabe como posso obter uma cópia para aqui colocar, diga-me. Muito obrigado.
Adenda a 25/10/08: graças a Yulunga (kanimambo!), localizei a canção, mas apenas em solo de Mingas. Oiçam-na aqui em mp3 e depois digam-me algo. Mais: a canção está agora disponível no meu perfil, abram-no e vejam no clip audio. Estou feliz.
Adenda 2: estive com Mingas em Paris creio que em 1993. Ela fazia lá um curso de solfejo.

Justiça selectiva?

Do editorial do semanário "Savana" desta semana, com o título em epígrafe: "As recentes detenções de actuais e antigos dirigentes do Estado, por alegada má conduta na gestão dos recursos públicos, pode significar que finalmente o governo decidiu desembaraçar-se do seu comportamento de fazer ouvidos de mercador no passado, para passar a demonstrar a sua implacabilidade em relação a comportamentos criminosos nas instituições públicas. Mas o que parece nem sempre é, e a recente onda de detenções, a última das quais a atingir a cúpula da empresa dos Aeroportos de Moçambique, pode tratar-se apenas de um exercício político que não irá mais para além do movimento eleitoral que caracterizará a vida política deste país durante o próximo ano."

McCain e a Renamo

Há um trabalho no qual o actual candidato republicano às eleições norte-americanas, John McCain, aparece referenciado numa ligação com a Renamo nos anos 80, ele, que tem acusado Obama de ter estado ligado a Bill Ayers. Confira aqui. Se quer ler em português, faça uso do tradutor google situado no lado direito deste diário. Obrigado ao V.I. pelo envio da referência.