No "Notícias" de 21 de Outubro: "Cinco indivíduos indiciados de extracção de bílis de 24 crocodilos na albufeira de Cahora-Bassa estão a responder em juízo na província de Tete. O caso é deveras preocupante pois o veneno deste líquido é letal. Até ao momento não são conhecidas as razões da sua extracção e o paradeiro desta substância." Aqui.
Número inaugural aqui. Torna-se indispensável recuar um pouco na história para enquadrarmos melhor as crenças sobre os malefícios atribuídos a partes do corpo dos crocodilos, animais considerados repositórios do Perigo Absoluto, do Grande Mal, nas representações populares. Eis o que sucedeu em 2008 na periferia da cidade de Maputo: "Apareceu um crocodilo com dois metros de comprimento junto ao muro de vedação do paiol das Forças Armadas na cidade de Maputo e a festa instalou-se logo entre os residentes dos quarteirões dois e três do bairro do Zimpeto e parte de Mahlazine. Segundo o "Notícias", o animal foi abatido e a carne distribuída, mas tudo misturado com uma grossa inquietação, pois o Sr. Bernardo Mabote apoderou-se da cabeça do animal, "cuja massa cerebral é tida como um veneno mortífero para as pessoas." Depois, o chefe do quarteirão 2 do bairro de Zimpeto, o Sr. Gaspar, "tentou, sem sucesso, proteger a parte da cabeça do animal para evitar que ficasse com indivíduos de conduta duvidosa, que eventualmente podem usar o cérebro para envenenamentos". O homem foi agredido e impedido de tirar a cabeça do crocodilo. Um criador de crocodilos próximo da área, Sr. José Ferreira, garantiu que o animal não lhe pertencia." Aqui e aqui. Ora, não há comprovação científica de que a "massa cerebral" do crocodilo seja um "veneno mortífero".
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
23 outubro 2016
Bancos falhando em África
22 outubro 2016
Negócios em Moçambique
Comunicado do CPMO do BM
Uma coluna semanal
21 outubro 2016
De novo na imprensa a falsa letalidade da bílis do crocodilo [1]
Os dois juízos
20 outubro 2016
Situação das cadeias moçambicanas
Zandamela em conferência de imprensa amanhã
Generalização abusiva e omissão de alternativas [6]
Adenda às 11:40: série completa disponível aqui.
19 outubro 2016
Tragédia de Mbuzini há 30 anos
As fotos aqui reproduzidas, de um livro de Iain Christie cuja referência coloco mais abaixo, mostram : (1) Uma fotografia de Samora, na capa do livro; (2) os destroços do avião, (3) o transporte dos restos mortais do presidente, (4) o funeral de Samora, vendo-se à frente, da esquerda para a direita, Marcelino dos Santos e o ex-presidente Joaquim Chissano e (5), finalmente, soldados chorando. [clique sobre as imagens com o lado esquerdo do rato para as ampliar]
Christie, Iain, Samora Machel, A biography. London/New Jersey: Zed Press/Panaf, 1989.
"Não é o Lula que pretendem condenar"
18 outubro 2016
Saiba sobre Moçambique
Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.Generalização abusiva e omissão de alternativas [5]
1) A > B
2) Se A
3) Logo B
Ou se preferirem, para o caso da "tese fraca":
1) Quando bebo água gelada(A) > dói-me a cabeça(B)
2) Bebo água gelada(A)
3) Dói-me a cabeça(B)
17 outubro 2016
Observação de Joseph Hanlon
No "Savana" 1188 de 14/10/2016, p.19
Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.16 outubro 2016
O imenso lixo que nos lixa
Generalização abusiva e omissão de alternativas [4]
África: guerra e recursos minerais
15 outubro 2016
A esperança moçambicana
Reparar e concluir a barragem de Corumana
Uma coluna semanal
14 outubro 2016
Maleiane desmentiu existência de nova dívida "oculta"
Adenda às 20:25: parece que a notícia original sobre a suposta dívida partiu daqui.
Adenda 2 às 07:40 de 15/10/2016: este tipo de desmentido deixa infelizes os autores de certos portais do copia/cola/mexerica e de certos jornais digitais amantes de sensacionalismos prontos-a-consumir, uns e outros regra geral hostis à governação do país.
Adenda 3 às 17:54 de 17/10/2014: recebi de Joseph Hanlon uma observação em inglês que publico na íntegra, com a sua autorização: "I do not write for Africa Confidential, but I did track down the story, and the $900 mn are not additional loans. Confusingly, they are relending the same money. The Africa Confidential (AC) article was badly edited to say "another US$900 million of secret" loans and had a misleading headline claiming "more secret debts", but on close reading does not claim this is new debt. Instead it is an explanation of part of the $2.2 bn in secret loans which had not previously been identified. What AC claims is that the three SISE and Ematum companies took almost half of the money they borrowed and then lent it on to companies linked to the Frelimo elite who used it to buy weapons and pay commissions. So these are “new” loans but not new money, instead relending money already included in the $2.2 bn."
Proposta do Orçamento do Estado 2017
Inscrições terminam a 01 de Novembro próximo
Moçambiques de Moçambique
13 outubro 2016
Generalização abusiva e omissão de alternativas [3]
1. Até aqui os dois corvos que vi são negros
2. [É muito natural que todos os corvos tenham a mesma cor]
3. Os corvos que vi têm a mesma cor
4. Todos os corvos são negros
Outro exemplo: um membro do Partido X afirma o seguinte: "Não há qualquer dúvida de que este é o caminho!". De imediato, o jornal Y publica uma reportagem com o seguinte título: "O Partido X afirma que este é o caminho!" Por outras palavras: a posição de um só membro é assumida como sendo a de todo o partido. Estamos perante a criação do que Georg Simmel chamou, um dia, "unidade psicológica de grupo". Em que consiste essa unidade? Consiste na produção de uma totalidade unitária da qual são eliminadas as diferenças entre os indivíduos. Eis, a propósito, os problemas que Simmel levantou: é a unidade de grupo construída a partir de processos psíquicos dos dirigentes? A partir de um tipo médio? A partir da maioria dos membros do grupo? A partir de que efectivo os desviantes seguros ou prováveis podem ser tomados como quantidade negligenciável? Em que medida o carácter mais ou menos rigoroso da "interdependência funcional" (sic) ligando os membros do grupo autoriza ou interdita tratar a informação lacunar de que dispomos como caução da unidade psíquica do conjunto?
12 outubro 2016
Discursos de Samora
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