Somos, se permitirdes a comparação, um fac-simile daquele herói de um filme de Charlie Chaplin que, apanhado por uma tempestade de neve quando dormia na sua cabana, vê esta de repente na borda de um precipício. Ao acordar, quer sair. Mas se avança para o lado do precipício, a cabana tomba; se recua e pretende sair, a tempestade aguarda-o. O herói de Chaplin não pode nem habitar a cabana nem deixá-la.Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
24 julho 2007
O sacrifício de Tântalo: desDOADORizar as eleições (2)
Somos, se permitirdes a comparação, um fac-simile daquele herói de um filme de Charlie Chaplin que, apanhado por uma tempestade de neve quando dormia na sua cabana, vê esta de repente na borda de um precipício. Ao acordar, quer sair. Mas se avança para o lado do precipício, a cabana tomba; se recua e pretende sair, a tempestade aguarda-o. O herói de Chaplin não pode nem habitar a cabana nem deixá-la.Das mulheres de Bourdieu às mulheres de Touraine (1)
Sengulane critica festa nos funerais
"F
alando por ocasião da 58ª sessão da conferência geral do CCM, havida semana finda na capital do país, Dinis Sengulane disse que a disposição de tornar os funerais momentos de festa, através da exigência de comidas e bebidas luxuosas, concorre para a profanação daquelas cerimónias, carregadas de muita dor e seriedade."_____________________
Oiçam: tendes mais dados sobre este fenómeno? E como interpretá-lo? Ou ele, afinal, não é novo? Ou ele é, apenas, a consequência logica do que habitualmente chamamos "economia de mercado"?
Adenda, 12.26: o Bayano Valy acabou de me enviar um estudo feito pela Save the Children, "onde - escreveu o Bayano - aparece abordada a questão do "esbanjamento" dos bens da família enlutada. A questão foi levantada no contexto de crianças órfãs que vêem os familiares a consumirem os bens legados a eles pelos seus pais." Importe aqui, analise e debata connosco. Muito obrigado, Bayano.
Não gosta? Não consuma: Florêncio responde a Belmiro
Eis a resposta de Florêncio à posição do jornalista Belmiro: 23 julho 2007
O sacrifício de Tântalo: desDOADORizar as eleições (1)
Os doadores disseram-nos que chegou a hora de financiarmos as eleições com o Orçamento Geal do Estado, de resto em grande medida por eles financiado. O que é que isso pode representar para o nosso país? Essa uma pergunta potencialmente tantalesca.
Linchamentos: BBC reporta pesquisa da Unidade de Diagnóstico Social

A BBC reportou a divulgação dos resultados preliminares sobre os linchamentos em Maputo feita quarta-feira passada pelos investigadores da Unidade de Diagnóstico Social do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane. Confira aqui.Moçambicanos! Chegou a hora de vocês financiarem as vossas eleições - dizem doadores
"O grupo de doadores que financia Moçambique recomendou ao Governo para que passe a contemplar o dinheiro das eleições no Orçamento de Estado de forma a evitar que o processo seja comprometido por falta de vontade deste, como está a acontecer no caso das eleições provinciais.De acordo com o Boletim sobre o processo político em Moçambique publicado pela AWEPA “os doadores dizem que é tempo de deixar de assumir que eles vão pagar as eleições, especialmente quando Moçambique não cria condições aceitáveis de observação”, diz ainda que “depois de cinco eleições financiadas por doadores, Moçambique devia ter incluído as eleições no seu orçamento geral – que aliás é substancialmente financiado pelos doadores”.
Comunicado de imprensa do MISA a propósito do roubo de computadores ontem no "Magazine Independente"
O MISA-Moçambique emitiu hoje um comunicado de imprensa na sequência do roubo de computadores ocorrido ontem no semanário "Magazine Independente", que aqui divulgo em primeira mão:Roubo de computadores do “Magazine Independente”
pode visar silenciar a publicação
O capítulo moçambicano do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA-Moçambique) lamenta o roubo de computadores do semanário “Magazine Independente” ocorrido ontem, domingo, dia 22 de Julho de 2007, na sede daquela publicação, sita na Avenida Eduardo Mondlane, Nº1113, na Cidade de Maputo, acto que foi perpetrado, à luz do dia, por seis homens fortemente armados.
Logo que tomou conhecimento do sucedido, o MISA-Moçambique fez deslocar ao local o seu oficial de Informação e Pesquisa, que pôde observar o carácter violento em que a ocorrência se deu, que era caracterizado por sangue humano resultante das agressões físicas ao guarda e por vestígios de equipamento informático e peças de mobiliário espalhados em quase toda a sede daquele semanário moçambicano.
Na ocasião, o Director daquela publicação, o jornalista Salomão Moyana, afirmou que tinham sido roubados 12 computadores PC na redacção do “Magazine Independente”, incluindo outros dois computadores portáteis, que foram retirados do seu gabinete e do do Editor daquele jornal.
“Duvido que tenha se tratado de um roubo igual a tantos outros que acontecem no país. Isto pode se tratar de algo visando silenciar o nosso jornal”, disse Salomão Moyana ao MISA-Moçambique.
O MISA-Moçambique desconfia que aquele acto violento, que se assemelha a um roubo, vise silenciar aquela publicação independente, o que, a ser verdade, significará um claro atentado à Liberdade de Imprensa e de Expressão, bem como ao Direito à Informação.
A desconfiança desta organização resulta do facto de os indivíduos que irromperam pelas instalações adentro daquele semanário terem somente se preocupado com a parte dos computadores onde se encontra o disco duro, que é a peça que guarda informação, deixando outros componentes, como é o caso de monitores.
Na manhã de hoje, segunda-feira, dia 23 de Julho, o MISA-Moçambique manteve um encontro com o superintendente Abílio Quive, porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) ao nível da Cidade de Maputo, com o objectivo de dele saber o que as autoridades policiais estão a fazer no sentido de esclarecer o caso.
Abílio Quive disse que o roubo violento ao “Magazine Independente” como tantos outros constitui preocupação para a Polícia, “que sempre faz de tudo no sentido de descobrir os seus autores e responsabilizá-los criminalmente. Estamos a trabalhar neste caso e, neste momento, não há nenhum detido”.
Explicou ainda que, tendo aquele caso se registado durante o último fim de semana, o mesmo foi abordado durante a reunião que os oficiais da Polícia em serviço no Comando da Cidade de Maputo tiveram esta manhã, não tendo, contudo, avançado o que terá sido efectivamente dito a respeito do roubo violento ao “Magazine Independente”.
Questionado pelo MISA-Moçambique sobre se a Polícia não acha que aquela ocorrência pode visar silenciar aquele semanário, que nos últimos dias publicou várias peças jornalísticas não abonatórias a alguns quadrantes, de entre os quais se destacam a própria PRM e a famigerada gang de Agostinho Chaúque, Abílio Quive afirmou que “não achamos que seja isso, dado que eles são livres de escrever o que quiserem”.
O MISA-Moçambique apela às autoridades policiais no sentido de esclarecerem, o mais rápido possível, o roubo violento ao “Magazine Independente”, o que, para esta organização, não é normal, dado se tratar do primeiro caso do género em 32 anos de Moçambique independente.
Maputo, aos 23 de Julho de 2007"
Cartas de amor: blogue da semana em "Links&Sites"

José Belmiro critica Dama do Bling

"Magazine": o problema do problema

Na Beira: Cremilda adverte Deviz
Foram recentemente nomeados adminstradores para certos municípios do país. Esta medida causou estranheza e polémica, pois que sentido faria e faz, por exemplo, haver um adminstrador na Beira quando já lá há um presidente de município?O pós-português hip-pop ou a língua de Kmoes (2)
Vamos lá ler isto, se não se importam, para prosseguirmos o número anterior:22 julho 2007
Última hora: "Magazine" foi hoje assaltado
Homens armados assaltaram hoje na cidade de Maputo a redacção do semanário "Magazine" (cujo director é o prestigiado jornalista Salomão Moyana), roubando dez computadores e outro material informático. Os guardas do jornal foram amarrados, espancados e colocados numa banheira. A polícia prometeu investigar o caso (Rádio Moçambique, noticiário das 21 horas). Mando para Ilser

O pós-português hip-pop ou a língua de Kmoes (1)
Regra geral chego sempre atrasado à porta dos fenómenos. Melhor dito, daquilo que entendo serem fenómenos, coisas que se destacam na minha paisagem de rotinas.Ni Dzivaleli
Dou-te tudo o que quiseres, até um avião - diz o homem. E ela diz: Não! O que eu quero é amor! Neste domingo, oiçamos este belo "ni dzivaleli", um admirável casamento moçambicano entre a marrabenta e o hip-pop.
Ivânia perdeu o filho
A cantora Ivânia Mudanisse, conhecida por Dama do Bling, perdeu ontem o filho, em gestação no quinto mês. De acordo com familiares, ela vivia sob stress devido às críticas que estava a sofrer nas últimas semanas, as quais lhe provocaram hipertensão arterial, constrição e diminuição do fluxo sanguíneo. A artista está internada num hospital sul-africano.Tal como o semanário "domingo" faz hoje (p. 15), endereço à Ivânia os meus sinceros pêsames.
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E felicito o semanário por, numa das manchetes da sua edição de hoje, apresentar Ivânia - que é licenciada em Direito - como artista e ser humano e não como alguém a estigmatizar na esteira dos mandarins da moral. Foto extraída daqui.
21 julho 2007
Onde pára o "meianoite"?
Os mandarins da moral

Os mandarins da moral, de todos os azimutes, procedem, faz dias, a um linchamento mediático de Ivânia, a Dama do Bling.
Ela é linchada sob acusação de que fere gravemente a moral.
As duas Maputos

Erotismo bloguista em Moçambique (2) (continua)
Vamos lá então prosseguir esta cruzada ícara, neste tema tão hot.Privatização da violência e da justiça: a criminalização do social em Moçambique (4) (continua)

"A moderna sociedade burguesa, uma sociedade que desenvolveu gigantescos meios de troca e de produção, é como o feiticeiro incapaz de controlar os poderes ocultos que desencadeou com as suas fórmulas mágicas" (Manifesto do Partido Comunista)
Naturalmente que são muitos os factores que estão à retaguarda da privatização da violência e da justiça.
Regra geral e no movimento instintivo que nos é peculiar de procurarmos as causas mais locais, mais à mão, recorremos a situações que nos parecem sensatamente lógicas e que, afinal, são mesmo sensatamente lógicas.
Por exemplo, em Moçambique, diremos que as fissuras no nosso judicial e no nosso sistema policial - morosidade processual, corrupção - são as causas da privatização da justiça e da crispação social, da violência que salta da alma para a adrenalina pistoleira, do desespero para as gangs de AK47 que parecem inundar Maputo.
Na mesma ordem de ideias, diremos que o futuro hospital privado a construir em Maputo e orçado em 18 milhões de dólares é fruto natural dos bloqueios de todos os tipos que encontramos nos hospitais estatais.
Tudo isso é sensatamente sensato. Tão sensato como dizermos que a intemperança da linguagem é produto da intemperança da alma.
Mais difícil, porém, é irmos à lógica de um sistema social que - por inteiro - produz, segrega naturalmente, logicamente, inexoravelmente, a visão privada de resolver as coisas da vida, o salve-se quem puder, o darwinismo social.
A privatização da violência e da justiça não tem nada a ver com o inatismo, com o guarda-roupa dos instintos. Não somos inatamente violentos e justiceiros. Não é naturalmente que segregamos os Filemos e as Báucias do Fausto de Goethe ou os pedintes e as crianças de rua das nossas cidades. É socialmente, deixe-me enunciar tão bárbara redundância.
A privatização da violência e da justiça tem, sim, a ver com o sistema social que produz a segregação, o racismo sem raça e as representações sociais atinentes.
O conflito na produção de heróis em Moçambique (7) (continua)
Dama do Bling na pena do Sr. Mamudo Razack

Hospital privado na luta contra a pobreza absoluta
"Um hospital privado com capacidade para 120 camas será construído brevemente na cidade de Maputo, um projecto de capitais moçambicanos e sul-africanos, orçado em 16 milhões de dólares norte-americanos. O empreendimento será erguido numa área aproximada de 8500 metros quadrados a ser indicada pelo Conselho Municipal, devendo compreender três blocos operatórios, medicina, maternidade, obstetrícia, pediatria, ginecologia, ortopedia, cirurgia, radiologia e patologia, cuidados intensivos, blocos de consultas médicas, farmácia, morgue, serviços auxiliares e um parque de estacionamento com capacidade para 100 viaturas." 20 julho 2007
Lura
Vamos lá, vamos estar com a linda, linda voz caboverdeana de Lura neste admirável "na ri na". E eu que estive recentemente em Cabo Verde, pois é, deu-me a "sodade"...Oiê, vamos lá dançar, na ri na!
Waldemar Bastos
Deixem a bela voz do angolano Waldemar Bastos entrar na alma do nosso fim-de-semana com estas duas belas canções: a viva "Georgina" e a nostálgica "Muxima". Trata-se do registo de um espectáculo realizado em Amesterdão em 2004, em post de GigiBrasil.


