07 maio 2018

Uma coluna semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre na página 19. Confira na edição 1269 de 04/05/2018, aqui. Sinopse do livro aqui.

06 maio 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [55]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
-"Gente idosa e residente em Chitima acredita que nas mediações daquele povoado há rios povoados por Crocodilos e que apesar deste animal ser de difícil aquisição, um experiente premeditou este acto, tendo colhido e devidamente conservado partes de bílis deste animal, com o intuito de dizimar vidas. Esta asserção vem ao de cima por experiências amargas do passado e que virou lenda naquele povoado!" Aqui.
-No "Notícias" de 21 de Outubro de 2016: "Cinco indivíduos indiciados de extracção de bílis de 24 crocodilos na albufeira de Cahora-Bassa estão a responder em juízo na província de Tete. O caso é deveras preocupante pois o veneno deste líquido é letal. Até ao momento não são conhecidas as razões da sua extracção e o paradeiro desta substância." Aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O que sucedeu em 2008 na periferia da cidade de Maputo? Sucedeu o seguinte, fazendo fé numa descrição do jornal "Notícias": "Apareceu um crocodilo com dois metros de comprimento junto ao muro de vedação do paiol das Forças Armadas na cidade de Maputo e a festa instalou-se logo entre os residentes dos quarteirões dois e três do bairro do Zimpeto e parte de Mahlazine." Se não se importam, prossigo mais tarde. 

05 maio 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1269, de 04/05/2018, disponível na íntegra com 35 páginas aqui.

04 maio 2018

Fontes

Há quem defenda que as fontes orais são mais puras do que as fontes escritas. Porém, nenhuma fonte escrita é, à partida, menos verdadeira do que uma fonte oral. Salvo se quisermos fazer finca-pé numa opção normativa, ambos os tipos de fontes são porosos ao refazer factual, à erosão do tempo, ao erro de análise, ao prejuízo, ao juízo de valor, às múltiplas opções culturais, à manipulação política deliberada na tensão das relações de poder.

03 maio 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [54]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
-"Gente idosa e residente em Chitima acredita que nas mediações daquele povoado há rios povoados por Crocodilos e que apesar deste animal ser de difícil aquisição, um experiente premeditou este acto, tendo colhido e devidamente conservado partes de bílis deste animal, com o intuito de dizimar vidas. Esta asserção vem ao de cima por experiências amargas do passado e que virou lenda naquele povoado!" Aqui.
-No "Notícias" de 21 de Outubro de 2016: "Cinco indivíduos indiciados de extracção de bílis de 24 crocodilos na albufeira de Cahora-Bassa estão a responder em juízo na província de Tete. O caso é deveras preocupante pois o veneno deste líquido é letal. Até ao momento não são conhecidas as razões da sua extracção e o paradeiro desta substância." Aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Escrevi anteriormente que se torna indispensável recuar um pouco na história para enquadrarmos melhor as crenças sobre os malefícios atribuídos a partes do corpo dos crocodilos, animais considerados repositórios do Perigo Absoluto, do Grande Mal, nas representações populares. Vamos ver, então, no próximo número, o que sucedeu em 2008 na periferia da cidade de Maputo.

02 maio 2018

Discurso publicitário

O discurso publicitário urbano actua como um liquefazedor, diluindo diferenças, fronteiras, códigos e barreiras. Vivemos na era da modernidade líquida, para dizer como Zygmunt Bauman. É a este nível que a publicidade cria necessidades novas, igualiza paixões e signos, forma colecções amorfas de indivíduos ansiosos pelo consumo. A coluna vertebral da modernidade líquida é o espectáculo, a promoção do sensorialismo gerido por combinações fantásticas operadas no tempo, no espaço e na imagem. Na verdade, o discurso publicitário urbano procura diluir estatutos, grupos, classes e desigualdades, criando o perfil de um corpo social homogéneo capaz de comportamentos previsíveis, expressão da modernidade líquida.

01 maio 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [53]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
-"Gente idosa e residente em Chitima acredita que nas mediações daquele povoado há rios povoados por Crocodilos e que apesar deste animal ser de difícil aquisição, um experiente premeditou este acto, tendo colhido e devidamente conservado partes de bílis deste animal, com o intuito de dizimar vidas. Esta asserção vem ao de cima por experiências amargas do passado e que virou lenda naquele povoado!" Aqui.
-No "Notícias" de 21 de Outubro de 2016: "Cinco indivíduos indiciados de extracção de bílis de 24 crocodilos na albufeira de Cahora-Bassa estão a responder em juízo na província de Tete. O caso é deveras preocupante pois o veneno deste líquido é letal. Até ao momento não são conhecidas as razões da sua extracção e o paradeiro desta substância." Aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Escrevi anteriormente que em Janeiro de 2015 dezenas de pessoas morreram intoxicadas em Chitima, distrito de Cabora-Bassa, província de Tete. Qual a causa da tragédia? A internet apareceu recheada de uma terrível causa - uma causa pujantemente réptil -, assumida ou havida como possível por cautos e incautos: a bílis de crocodilo.
Ora, acrescento agora, torna-se indispensável recuar um pouco na história para enquadrarmos melhor as crenças sobre os malefícios atribuídos a partes do corpo dos crocodilos, animais considerados repositórios do Perigo Absoluto, do Grande Mal, nas representações populares.

30 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1268 de 27/04/2018, aqui.

29 abril 2018

Amor pela simetria

Acho que muitos de nós não gostam nem da corda nem do arco, pois ambos representam sistemas em tensão perpétua. A tensão aborrece-nos, amamos decididamente a uniformidade, a antífrase é um problema. Se acontece surgir um fenómeno que se afaste do nosso imenso amor pela simetria, pela obediência, logo emitimos a perturbada sentença de que estamos perante uma crise.

28 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1268, de 27/04/2018, disponível na íntegra com 52 páginas aqui.

27 abril 2018

Muros

Muros sociais, historicamente construídos e reproduzidos (jamais muros naturais), mapeiam o nosso relacionamento com outrem. Quem estiver para além dos muros familiares, de amizade e laborais, quem estiver fora dos nossos muros culturais é encarado como estranho e, eventualmente, como irredutível e perigoso, especialmente se o contacto for com estrangeiros.

26 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [52]

-Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
-"Gente idosa e residente em Chitima acredita que nas mediações daquele povoado há rios povoados por Crocodilos e que apesar deste animal ser de difícil aquisição, um experiente premeditou este acto, tendo colhido e devidamente conservado partes de bílis deste animal, com o intuito de dizimar vidas. Esta asserção vem ao de cima por experiências amargas do passado e que virou lenda naquele povoado!" Aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Depois de ter exposto e analisado os rumores dos leões de Muidumbe, do vampirismo e do bicho-papão-nigeriano, vou agora entrar no quarto rumor, o da bílis letal do crocodilo.
Em Janeiro de 2015 dezenas de pessoas morreram intoxicadas em Chitima, distrito de Cabora-Bassa, província de Tete. Qual a causa da tragédia? A internet apareceu recheada de uma terrível causa - uma causa pujantemente réptil -, assumida ou havida como possível por cautos e incautos: a bílis de crocodilo, como as imagens abaixo documentam (pode ampliá-las clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato).

25 abril 2018

Economizar na força

Todos os regimes políticos procuram sempre economizar na força e investir em sectores capazes de produzir e de reproduzir a obediência e, por essa via, diminuir o risco do protesto social.

24 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [51]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Depois de ter exposto e analisado os rumores dos leões de Muidumbe, do vampirismo e do bicho-papão-nigeriano, vou agora entrar no quarto rumor, o da bílis letal do crocodilo, um rumor relativamente recente, datando de 2015 [atenção, não estou a seguir a ordem cronológica do surgimento dos rumores].

23 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1267 de 20/04/2018, aqui.

22 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [50]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor aqui em análise não proliferou em meio rural, foi eminentemente urbano, gerando uma rápida difusão pelos mais variados meios de comunicação numa cidade - a de Maputo - inquieta, em especial femininamente inquieta, fazendo coabitar em tensão um passado que sempre se supõe mais seguro e um futuro de contornos inquietantes, uma tradicionalidade que se re-ansiava e uma modernidade definitivamente instalada com os seus riscos, os seus medos e as suas aspirações.

21 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1267, de 20/04/2018, disponível na íntegra com 46 páginas aqui.

20 abril 2018

Presente e ausente são um

A ausência de algo é, ao mesmo tempo, a sua presença através de uma certa forma; o não querer receber alguém é ao mesmo tempo receber de uma certa maneira; o que é dito ao mesmo tempo esconde algo; as palavras e as atitudes são ao mesmo tempo a máscara ou o rosto de outras, sempre reveladoras de algo; falas, discursos e práticas formais contêm - embutidas em si - falas, discursos e práticas informais; afinal, o que importa ter em conta não é a ausência ou a presença de algo, mas a liga ausência-presença ou vice-versa. O estudo dialéctico dos fenómenos sociais - da sua estrutura, da sua linguagem, dos seus símbolos, das suas formas, dos seus hibridismos, dos seus jogos - é, para mim, uma importante área metodológica. A propósito desse Jano da vida, é possível criar um aforismo à Heráclito do género: "Presente e ausente são um".

19 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [49]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor do bicho-papão-nigeriano – que acabou por se extinguir - era um envelope para exprimir vários problemas sociais, era um fusível social, era uma linguagem errada que traduzia, porém, um agregado de problemas verdadeiros, de problemas sentidos pelas pessoas.
À misteriosa personagem rumoral aqui em estudo foi dada uma cara que parecia real, uma cara que até sugeria estar doente. A esse propósito, um leitor escreveu o seguinte em comentário neste blogue: "Vi as fotos da doença que o dito Nigeriano, outras vezes Somali, transmite. Condilomas, verrugas ou coisa similar. Simplesmente estão num estado bastante desenvolvido. Não precisa ser Nigeriano ou Somali para tê-las e transmiti-las." [aqui]

18 abril 2018

Este diário faz hoje 12 anos de vida ininterrupta

Este diário faz hoje doze anos de vida ininterrupta, tendo nascido às 13:26 de 18 de Abril de 2006, através desta postagem aqui. Esta é a 25.748.ª postagem. Muito obrigado a todas aquelas e a todos aqueles que, um bocado por todo o mundo, fizeram e fazem do "Diário de um sociólogo" o mais visitado blogue moçambicano e uma referência nacional e internacional. Daqui têm saído (e continuarão a sair) ideias e textos para livros, para as introduções aos números da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora" que dirijo, para a minha crónica semanal no semanário "Savana" e para as minhas páginas no Facebook, no Twitter, na Academia.edu e no Google+. O Diário de um sociólogo é (1) diariamente actualizado, (2) não se esconde no anonimato, (3) não pratica o panfletarismo e o diz-que-diz e (4) não vive da mediocridade parasitária do copia/cola/mexerica. Face à hegemonia de redes sociais como Facebook e Twitter, é o único blogue moçambicano [sustento que a blogosfera moçambicana morreu há muito] que se mantém vivo com base nas quatro características apontadas. Finalmente, dizer que foi finalista em 2007 e 2008 na modalidade Melhor Weblog em Português no concurso The Bobs da Deutsche Welle - para 2008, recorde aqui. A imagem aniversariante desta postagem foi reproduzida com a devida vénia daqui.

17 abril 2018

Mais três futuros livros

Entreguei ontem à Escolar Editora as correções das provas tipográficas de mais três futuros livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais, designadamente os números 37.º, 38.º e 39.º, constantes da imagem abaixo [amplie-a clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]. Agora só falta receber proximamente as provas do 40.º, cujos textos foram recentemente entregues à editora tal como reportei em postagem anterior aqui.

16 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1266 de 13/04/2018, aqui.

15 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [48]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor do bicho-papão-nigeriano – que acabou por se extinguir - era um envelope para exprimir vários problemas sociais, era um fusível social, era uma linguagem errada que traduzia, porém, um agregado de problemas verdadeiros, de problemas sentidos pelas pessoas.