13 fevereiro 2017

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1205, de 10/02/2017, disponível na íntegra aqui.

No "Savana" 1205 de 10/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1205 do semanário com data de 10/02/2017. Logo que possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

12 fevereiro 2017

Verdade: filha da discussão e não da simpatia

"Para termos alguma garantia de termos a mesma opinião acerca de uma ideia particular, é preciso pelo menos que tenhamos tido sobre ela opiniões diferentes. Se dois homens se querem entender verdadeiramente, têm primeiro que se contradizer. A verdade é filha da discussão e não filha da simpatia." - Bachelard, Gaston, A filosofia do não, Filosofia do novo espírito científico. Lisboa: Editorial Presença, 1991, 5ª ed.ª, p. 125.

11 fevereiro 2017

Cadernos de Ciências Sociais: 30.º e 31.º números

Entreguei ontem à Escolar Editora o 30.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" intitulado "O que diferencia ciência da magia?", com autoria de Antonio Carlos Roque da Silva Filho do Brasil, Francisco Santos Silva de Portugal e Narciso Mahumana de Moçambique, fotos abaixo.
O 31.º número, intitulado "O que são tradições?", tem a entrega aprazada para 17 de Março deste ano, com co-autoria de Teresa Manjate e Carmeliza Rosário de Moçambique, Valda Colares do Brasil e Vicente Paulino de Timor-Leste, fotos abaixo.
Abaixo, as lombadas dos 21 números já publicados.
Abaixo, as capas de cinco livros (números 17.º a 21.º) a serem lançados.

10 fevereiro 2017

Faleceu Venâncio Massingue

Vítima de doença, faleceu hoje o Eng.º Venâncio Massingue, antigo Vice-Reitor da Universidade Eduardo Mondlane e antigo Ministro da Ciência e Tecnologia. Aqui e aqui. Biografia em inglês aqui. Paz à sua alma.

Patronagem e clientelismo

Escreveu um dia Maurice Godelier que "A força determinante não é a violência dos dominantes, mas o consentimento dos dominados à dominação". Provavelmente reside aí a chave de todos os processos sociais que hierarquizam pessoas, relações, deveres e ganhos, que habitam, das mais variadas maneiras, as complexas relações de patronagem e clientelismo, que, em seus meandros regra geral sinuosos, fazem sistematicamente frente ao que Max Weber chamou racionalidade formal.
No seu brilhante O 18 de Brumário de Louis Bonaparte, Karl Marx talvez tenha sido pioneiro na produção da antecâmara analítica do clientelismo, ao descrever uma das consequências da intrusão social em França do que chamou “Estado forte”: “[...] Finalmente, produz um excesso de desempregados para os quais não há lugar nem no campo nem nas cidades, e que tentam, portanto, obter postos governamentais como uma espécie de esmola respeitável, provocando a criação de postos do governo.”
Esmola que, a outros níveis para além do Estado, permite, afinal, o que La Boétie chamou “servidão voluntária”.
[Parte da introdução que escrevi para o 24.º número da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, no prelo, intitulado "O que são patronagem e clientelismo?"]

09 fevereiro 2017

Paixões partidárias e análises políticas

Uma hipótese a testar: quanto mais fortes são as paixões partidárias, mais pobres são as análises políticas.

Sacralização

Reparem na enorme ânsia do comum dos mortais de curto-circuitar a rudeza e a pequenez da vida conferindo-lhe, pela sacralização, uma dimensão simbólica de eternidade.

Movimento e transformação

Nada do que vemos ou ouvimos é linear no sentido de que sempre as coisas foram assim ou inocentemente assim. Tudo é movimento e transformação permanentes.

08 fevereiro 2017

Duas maneiras de analisar o social

Existem existem duas maneiras de analisar o social: a idealista, pela qual se defende que os fenómenos são exclusivamente determinados pelas ideias das pessoas; e a realista, pela qual se defende que as pessoas são inscritas na produção global da vida e em relações sociais concretas. Neste último caso, ideias e actos deixam de viver no céu e passam a operar na terra, em meio às condições sociais de produção que estruturam e condicionam o que pensamos e fazemos.

Avaliação

É admirável a capacidade de certas pessoas de avaliar outrem a partir de certos pressupostos, certos jornais, certas aparências, sem nenhum conhecimento real de quem é esse outrem e de quais são os seus círculos de história, trabalho, contacto e lazer.

07 fevereiro 2017

Essencialismos

Certos círculos de produtores de essencialismos defendem a existência de uma africanidade biologizada e a-histórica, agindo homeostaticamente em todos os Africanos, operando a modos de um tropismo ou de um reflexo pavloviano. Nas palavras de Georges Balandier, como se fixadas num eterno presente etnográfico.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1204, de 03/02/2017, disponível na íntegra aqui.

06 fevereiro 2017

Segundo "Expresso": petição para "impeachment" de Donald Trump

Segundo o jornal português "Expresso", já existe um movimento a pedir o impeachment do Presidente Donald Trump. Aqui. Portal do movimento aqui.
Adenda às 07:23 de 07/02/2017: entretanto, leia também aqui.

No "Savana" 1204 de 03/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1204 do semanário com data de 03/02/2017. Logo que possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

05 fevereiro 2017

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

Em nome de uma pretensa verdade divina

Em nome de uma pretensa verdade divina, havida por unívoca, gente há que, diariamente, sob o percutor do ódio, mata e faz matar inocentes, aí compreendidas as crianças.

Chaves sociais

As ciências sociais têm por função criar em permanência “chaves sociais”, destinadas a abrir as portas da compreensão das sociedades. Existem chaves únicas? Não. Existem, sim, processos de experimentação diferentes, em permanente confronto.

04 fevereiro 2017

Em nome da democracia

Em nome da democracia ocupam territórios, imperializam vontades, bombardeiam e matam povos, espezinham liberdades, queimam direitos.

Atrás dos actos

Atrás dos actos, sejam eles quais forem, existe todo um espólio de arquétipos, de inconscientes colectivos e pessoais que importa trazer à superfície.

03 fevereiro 2017

Gás

Três empresas estrangeiras vão transformar gás natural no país, confira no "macauhub" aqui.

Dia dos Heróis Moçambicanos

Assinala-se hoje no país o Dia dos Heróis Moçambicanos. A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane foi assassinado. Permitam recordá-lo como segue: "Porque as condições de vida em Moçambique, o tipo de inimigo que nós temos, não admite qualquer outra alternativa. É impossível criar-se um Moçambique capitalista, seria ridículo lutar para destruir a estrutura económica do inimigo e reconstruí-la a favor do inimigo. Seria ridículo, já o dissemos várias vezes. Ora nós não vamos fazer isso. Nós vamos criar um sistema económico socialista e há agora uma riqueza de experiências de vários países socialistas que nós vamos estudar e aprofundar." - Eduardo Mondlane entrevistado por Aquino de Bragança, logo a seguir ao II Congresso em 1968 da Frente de Libertação de Moçambique - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, pp. 200-201.
Adenda: Eduardo Mondlane foi, provavelmente, o primeiro Moçambicano a doutorar-se, com tese defendida em 1960, confira neste diário aqui e neste portal aqui.

01 fevereiro 2017

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

Tsunami social tsunami mundial

Um pouco por todo o mundo e das mais variadas formas multiplicam-se os caminhos ásperos e trágicos da intolerância e do confronto. Os complexos laços da configuração política mundial vão-se juntando em novelos progressivos, actualizando-se sem cessar, aumentando de volume, de espessura, muito rapidamente. A teia do risco total amplia-se, ameaçadora, visível. Será necessária muita coragem e muita firmeza para evitar que, a partir dos elos mais fracos, dos pontos mais insignificantes - lá onde a atenção está distraída e confiante ainda -, o todo da configuração descambe num tsunami social impossível de travar. Tsunami social tsunami mundial.

Gasto mensal em combustíveis

Mensalmente Moçambique gasta entre 100 e 150 milhões de dólares em combustíveis, afirmou o director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Moisés Paulino, em entrevista ao "O País", aqui.

31 janeiro 2017

Mais-valia

Política e Capital não têm nem tribo nem raça. Política e Capital dão-se normalmente as mãos, não importa onde, quando estão em causa a única tribo e a única raça que, afinal, definitivamente, lhes interessa: a mais-valia.

Curandeiros e poder político

Chegar ao poder, chegar lá acima, manter esse poder, permanecer lá em cima, exige para certos oficiantes políticos a gestão criteriosa das forças do invisível, o beneplácito dos curandeiros, por forma a contornar a influência dos pares antecessores e a concorrência actual. Ser portador na ascensão de uma cesta de facilitadores mágicos; purificar gabinetes, blindá-los contra maus espíritos e tenebrosos ataques mágicos à distância; consultar regularmente o curandeiro para reforço das protecções globais, tudo isso são tarefas a nunca esquecer. Quanto mais precavido se é, mais poder se tem na gestão das forças do invisível - assim se crê. A este nível, o curandeiro é bem mais do que um gestor das crenças e das expectativas populares, é um elemento político fundamental nos corredores do poder.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1203, de 27/01/2017, disponível na íntegra aqui.

30 janeiro 2017

A força de um boato

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6)
Gestores de bombas de combustível na cidade de Maputo contaram hoje à "Rádio Moçambique" que devido a uma notícia que circulou no whatsapp anunciando haver ruptura de estoques e que o preço dos combustíveis iria subir, fez com que os automobilistas acorressem em massa às bombas esgotando rapidamente os estoques existentes. Entretanto, o fornecimento de gasolina e de gasóleo está normalizado desde hoje nas bombas servidas pela Petromoc, segundo afirmou um porta-voz da empresa. - "Rádio Moçambique", jornal da noite, 19:30.
Adenda às 19:52: o boato é regularmente abordado e analisado neste diário, confira, por exemplo, aquiaqui.