21 dezembro 2016

Como será a sociedade do futuro?

Em epígrafe os três co-autores do futuro livro intitulado "Como será a sociedade do futuro?", da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", a saber, da esquerda para a direita: Lurdes Macedo de Portugal, Cleide Calgaro do Brasil e António Baptista Coelho de Portugal.

20 dezembro 2016

O apelo messiânico

Uma hipótese: quanto mais recentes as nações, quanto mais jovens os Estados, quanto mais prementes os problemas, mais tendência têm as pessoas para procurar lenitivos e soluções no apelo a líderes do tipo messiânico-populista.
Na verdade, confrontados com os problemas do dia-a-dia, as pessoas apelam à intervenção de uma espécie de messias de primeiros socorros, imploram os milagres cura-tudo, as soluções decisivas, definitivas, convencidas de que os defeitos estruturais de sistema podem ser resolvidos com intervenções fortes e pessoais de ocasião.
Assim, por exemplo, em certos círculos espera-se que o Presidente da nação consiga com a varinha mágica eliminar todos os males e implantar o bem total. Ele apenas, só por si. O que se deseja nesses círculos é o papel único do demiurgo e não o das instituições do Estado, é o indivíduo e não o colectivo. E se as instituições não funcionam ou funcionam mal, a cura é suposta depender infalivelmente da generosidade e da disposição do demiurgo.
Com a alma ajoelhada no altar da esperança, as pessoas buscam, afinal, um deus pessoalizado e permanente.

19 dezembro 2016

As metas do BM para 2017

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique": "O Banco de Moçambique reafirma que continuará a tomar medidas que se mostrem adequadas e em tempo oportuno visando contribuir para a redução da inflação, cuja meta é de cerca de 14 por cento até ao final de 2017, com um crescimento económico em torno de 5,5 por cento." Aqui.

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

No "Savana" 1197 de 16/12/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.

Quíntuplo lançamento em 2017

Editora aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

18 dezembro 2016

O machismo mata

Ainda a propósito do assassinato de Valentina Guebuza [recorde neste diário aqui], um texto do escritor angolano José Eduardo Agualusa com ênfase na violência doméstica: "Espero que a morte de Valentina Guebuza possa servir pelo menos para que toda a sociedade moçambicana, e também a nossa, que tantas semelhanças tem com a moçambicana, comece a debater de forma mais séria esta questão. Não é possível continuar a discutir questões ligadas à persistência de mentalidades machistas com um leve sorriso de troça. O machismo mata." Aqui.

Sem quê nem porquê

Nesta cidade de Maputo alguém decide abrir uma parte do passeio de uma rua para fazer não sei o quê com a tubagem interior. Depois leva tempo até que procure repor (o que invariavelmente faz mal) o que abriu. Passado algum tempo aparece novo alguém afanado que parte o cimento mal reposto e procura fazer não sei o quê na tubagem interior. E etc. Esta fome bulímica e esventradora sem fim já atingiu a marginal, onde alguém decidiu abrir em certas áreas parte dos passeios e do eixo central recentemente construídos para procurar, repor ou meter não sei o quê. E assim vamos vivendo nesta cidade de passeios esburacados e recompostos sem paragem - com o desgraçado ar de palimpsestos tortuosos -, cada qual aplicando a lei caciqueira e todos nós normalizando o anormal sem quê nem porquê. 

Sobre as mechas em Maputo

Tenho, por hipótese, que as mechas são bem mais do que o sinete de um corpo modificado ao nível do couro cabeludo, do que uma janela para a alegria de um novo visual, do que o exercício de uma estética vibrante, do que um utensílio para a sedução. São, também, um termómetro do social e uma válvula de escape feminina. Termómetro do social porque, nas longas horas que dura o arranjo do cabelo, as mulheres (são regra geral várias, reunidas por causa do ritual) passam em revista a vida da família, da comunidade, do bairro, as suas alegrias e as suas tristezas; válvula de escape, porque a mechação é um canal de afirmação, de marcação identitária, frequentemente de protesto contra a dominação masculina. Em cada mecha anda uma história, em cada história habita uma alma, história e alma das nossas raparigas.

A arte de imbecilizar crianças

De um texto de Christian Ingo Lenz Dunker com o título em epígrafe: "Na arte de imbecilizar crianças, os currículos autocráticos, as seleções baseadas em exercícios mnemotécnicos e as rotinas escolares pouco significativas concorrem fortemente com o receituário oligofrênico dos pais. Nesse sentido, a primeira tática para imbecilizar crianças consiste em protegê-las discursivamente de problemas." Aqui.

17 dezembro 2016

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1197, de 16/12/2016, disponível na íntegra aqui:

A delinquência académica segundo Maurício Tragtenberg

De um texto de Maurício Tragtenberg apresentado em 1978 no Brasil num seminário sobre educação com o título "A delinquência académica": "A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais." Aqui.

16 dezembro 2016

Uma foto

No semanário "Savana" com data de hoje, edição disponível na íntegra amanhã neste diário. Autor anónimo, segundo uma fonte do jornal.

Cadernos de Ciências Sociais: ponto de situação

1. Entreguei à Escolar Editora o 28.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", intitulado "O que é e para serve o Estado?", com autoria de Maria Cristina Soares Paniago do Brasil, José Óscar Monteiro de Moçambique e, novamente do Brasil, Eneida Desiree Salgado e Jailane Pereira da Silva, fotos abaixo:
2. O 29.º número da coleção, intitulado "O que é colonialismo?", tem a data de entrega à editora aprazada para o dia 13 de Janeiro de 2017, com autoria de Heloisa Toller Gomes do Brasil, Pedro Pombo e Rosa Maria Perez de Portugal e Jorge Márcio Andrade do Brasil, segundo a sequência de fotos abaixo:
3. Recebi ontem da editora as primeiras provas tipográficas (foto abaixo) dos números 22 (O que é democracia?), 23 (O que é masculinidade?) e 24 (O que são patronagem e clientelismo?) e entrego as correções na segunda-feira, dia 19.

15 dezembro 2016

A propósito do assassinato de Valentina Guebuza

A propósito do assassinato de Valentina Guebuza, é impressionante o tipo de comentários feitos em algumas páginas das redes sociais digitais, especialmente no Facebook, comentários marcados pelo boçalismo, pelo ódio, pelo insulto, pela leviandade, pela ironia mais torpe e pela desumanidade. 
Paz à sua alma.
Adenda às 11:49 de 16/12/2016: um ou outro jornal digital, bem como um ou outro blogue do copia/cola/mexerica, tentam transformar a especulação em realidade.

Sociedades mais descolonizadas do medo

O homem nasceu livre, escreveu um dia Jean-Jacques Rousseau. Muito certamente estava e está errado. Nascer é nascer para a sujeição. O homem não nasce livre, mas pode tornar-se livre. Em seus múltiplos sentidos, a liberdade não é um dado natural, mas social. Ter consciência disso é um primeiro indicador de liberdade e, talvez, a primeira porta aberta da democracia e de sociedades que se emancipam do medo.
A conquista da liberdade é, fundamentalmente, a conquista da vitória sobre o medo.
Três Colegas aceitaram o desafio de responder à pergunta deste número: Sergio F. C. Graziano Sobrinho do Brasil, Bóia Efraime Júnior de Moçambique e Ricardo Henrique Arruda de Paula do Brasil.
Com brilho e profundidade, os três dão-nos a conhecer as múltiplas, e quantas vezes trágicas (tenha-se em conta, por exemplo, o texto de Bóia Efraime Júnior), facetas do medo e da sua produção social.
Conhecer e disseminar as facetas do medo e da sua produção social é contribuir para termos sociedades mais livres, mais emancipadas, mais sadias, mais firmes, mais descolonizadas do medo. Quanto mais conscientes estivermos de como se produz o medo mais livres poderemos ser. O presente livro é uma contribuição admirável nesse sentido. Reproduzido daqui.

Acções-aspirina

O que são acções-aspirina? Nas palavras de Paulo Freire, são aquelas acções “cujo pressuposto fundamental é a ilusão de que é possível transformar o coração dos homens e das mulheres deixando intactas as estruturas sociais dentro das quais o coração não pode ter “saúde" - INODEP, El message de Paulo Freire y práctica de la libéración. Madrid: Marsiega [1973?], p.131.

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

14 dezembro 2016

Comunicado do CPMO do BM

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique emitiu hoje um comunicado a conferir aqui.

Capital e futebol

Cada jogador tem valor de uso e valor de troca como um carro, um computador ou um celular. Cada jogador é uma peça no mundo bolsista e segurador. O objectivo do Capital não é o de produzir um Messi em dez jogadores-mercadoria, mas digamos cinco em cinco, de vários modelos e cores - Messis-Drogba, Messis-Ronaldo, Messis-Kaká, Messis-Forlán, etc. -, bem ao nível do moderno sistema Toyota de produção, mantendo como pano de fundo o anterior sistema Ford para os níveis mais genéricos, ainda remanescentes. Vários modelos de boa qualidade, isentos de defeitos de fabrico, com certificado de garantia para xis anos.

A única coisa eterna no social é a mudança

Os "pensamentos sociais", os pensamentos colectivamente produzidos, estruturados e reproduzidos, não são diferentes em si, não são diferentes porque à partida uns são mais inteligentes ou eficazes do que outros, mas são diferentes porque são diferentes as condições sociais nas quais se vive. E estas condições não são eternas, mudam. Culturas também mudam. A única coisa eterna no social é a mudança.

13 dezembro 2016

Comissão de Inquérito da AR sobre as dívidas

Um despacho da "Agência de Informação de Moçambique" dando conta da posição da Comissão de Inquérito criada pela Assembleia da República sobre as dívidas contraídas em 2013 e 2014, aqui.

O que é colonialismo?

O 29.º número da coleção Cadernos de Ciências Sociais, intitulado "O que é colonialismo?", tem a data de entrega à Escolar Editora aprazada para o dia 13 de Janeiro de 2017, com autoria de Heloisa Toller Gomes do Brasil, Pedro Pombo e Rosa Maria Perez de Portugal e Jorge Márcio Andrade do Brasil, segundo a sequência de fotos abaixo:
Entretanto, entreguei à editora o 28.º número, com autoria de Maria Cristina Soares Paniago do Brasil, José Óscar Monteiro de Moçambique e, novamente do Brasil, Eneida Desiree Salgado e Jailane Pereira da Silva, segundo a sequência das fotos abaixo:

Conjuntura económica segundo o INE

Saiba da conjuntura económica de Moçambique, terceiro trimestre do corrente ano, em trabalho da autoria do Instituto Nacional de Estatística, aqui.

12 dezembro 2016

No "Savana" 1196 de 09/12/2016, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.

11 dezembro 2016

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com data de hoje, aqui.

África subsariana: por que aumenta a inquietação

Em epígrafe o título de um texto em francês da autoria do banco PNB Paribas, a conferir aqui. [agradeço ao RC o envio da referência]

Mentalidade de mata-borrão [9]

Oitavo número da série aqui. Escrevi um pouco sobre dois fenómenos: [1] generalização abusiva de uma posição individual ["VLO diz que..."] e [2] generalização abusiva retroactiva ["...mais sete sapos estão em apuros"]. Falta agora considerar um terceiro fenómeno, a generalização abusiva por informação incompleta [o Sr Piquote não tem provas de que mais sapos estão em situação crítica]. Na verdade, é corrente generalizar sem se estar na posse de informação múltipla e cuidadosamente recolhida. Por consequência, é falsa a afirmação "Os sintomas são claros: há uma bolha batraquial em curso e mais sete sapos estão em apuros." 

Os duros e os moles na luta política [4]

Terceiro número aqui. O que está em jogo para os proponentes da partilha política tem a ver com a rotação da gestão estatal. Não são poucos os proponentes da partilha política que entendem ser o Estado uma espécie de restaurante que não pode ser exclusivo de um determinado partido. A argumentação é invariavelmente do tipo moralista, com o verbo "dever" fazendo as honras éticas das opiniões. Por outras palavras: mais do que um despique com regras duras, a política é encarada como um problema moral. Porém, "Um poder não faz compromissos senão no momento onde tudo está perdido. Ele não é fraco porque cede: cede porque é fraco." [Sperber, Manès, Psychologie du pouvoir. Paris: Éditions Odile Jacob, 1995, p.95]

10 dezembro 2016

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1196, de 09/12/2016, disponível na íntegra aqui: