24 dezembro 2008

Informe do Presidente e reacção da Renamo

O presidente da República, Armando Guebuza, considerou como bom o estado da Nação, após descrever os feitos do seu governo no informe hoje prestado na Assembleia da República. Nenhuma referência a aspectos negativos. Um porta-voz da Frelimo afirmou que o informe reflectia fielmente a realidade. Os deputados da Renamo não se levantaram quando Guebuza entrou na sala e abandonaram a sala quando o presidente começou a dizer que o combate contra a pobreza absoluta está no bom caminho. Um porta-voz da Renamo afirmou que o estado da nação é péssimo (reportagem da Rádio Moçambique).

Zimbabwe: a histeria demonizante e autista


No Zimbabwe, qualquer voz de protesto é imediatamente vista por Robert Mugabe e seus pares na ZANU-PF e no governo como estando ao serviço do inimigo ocidental, designadamente anglo-americano. Assim, ontem, após pedir aos Zimbabweanos que permaneçam vigilantes contra as "maquinações do Ocidente", Mugabe criticou severamente aqueles que querem fazer reviver a PF-ZAPU - novo alvo do regime -, afirmando que são marionetes do Ocidente e que, por tal, devem ser castigados enquanto "contra-revolucionários e oportunistas". Sobre a destruição da liderança de Joshwa Nkomo, através da operação Gukurahundi, confira aqui e aqui. O cartoon é do tanzaniano Godfrey "Gado" Mwampembwa, cartoonista frequentemente referido neste dário faz alguns dias.

As festas festarão

Anda muito mundo urbano e péri-urbano preparando-se para as festas de Natal e fim-de-ano. É uma correria às compras, é uma discussão para muitos sobre os preços.
Mas, mais para uns, menos outros, as festas festarão. Será mais um bocado da vida na qual os sentidos serão libertos por inteiro em seu ritual catárquico, em seus carris de subversão plena das rotinas, dos desgostos, da chateza da vida. A emoção desforrar-se-á da razão. E 2009 será aquela ânsia moldada pelas diferenças sociais.

O que disse o general Benedito Zinocacassa

O "Notícias" de hoje entrevistou longamento o novo comandante-geral da polícia, Jorge Khalau. Achei relevante destacar a seguinte parte (NOT=Notícias; J.K.=Jorge Khalau) do trabalho:
"NOT – E que dizer das recentes declarações do general Benedito Zinocacassa, segundo as quais alguns colegas da Polícia têm ligações com o crime?
J.K. – Do que ele disse não sei nada. Estamos num país democrático, onde cada um tem plena liberdade de expressão. Ele não é excepção. Expressou o que lhe vai na alma. E penso que é responsável pelas suas declarações.
NOT – Mas nada do que ele disse lhe preocupa?
J.K. – Não. Porquê? O que lhe posso assegurar é que ficamos todos surpreendidos. Nada do que ele disse constitui a verdade.
NOT – A não ser verdade, o que lhe vai acontecer, a avaliar pela gravidade de tais declarações?
J.K. – Vai ter que provar tudo o que disse. A nossa maior surpresa é porque nada disso acontece ou aconteceu. Não temos nenhum comandante que eventualmente teria solto presos das celas. Quando alguém se dirige à Imprensa para dizer algo, deve ter no mínimo bases, possuir dados comprovativos. E é isso que ele um dia vai ter que fazer."

23 dezembro 2008

Email xicuembozado

Continuo sem email, xicuembo não me larga, técnicos do CIUEM tentam saber o que se passa. Perdoem-me todos aqueles que me escrevem.
Adenda 1: Ricardo em Paris, por favor perdoe o que se está a passar. Se a situação se mantiver, indico um endereço alternativo para o envio da correspondência.
Adenda 2 às 00:41 de 24/12/08: ufff!, já desxicuembizei o email.

Imbróglio: como evitar a xixização urbana?


Estão a ver que terrível pergunta essa? Alguns leitores têm sugerido neste blogue uma campanha anti-xixi, dada a quantidade de urina desalmadamente vazada na cidade de Maputo (por exemplo), urina que apanha as acácias. Mas agora digam-me lá: como se pode evitar isso? Como se pode desxixizar a vida ao ar livre? Aqui fica a tosca mas complexa questão, vão sugerindo. Enquanto isso, podem passar os olhos por alguns textos sobre o tema aqui, num dossier do "Notícias".

Guiné Conacri: morto Conté, militares em golpe


Segundo a BBC, algumas horas após a morte aos 74 anos de Lansana Conté (foto à esquerda), general presidente da Guiné Conacri durante 24 anos no seguimento de um golpe de Estado, os militares tentaram, eles também, um golpe, anunciado por um capitão, chefe da secção de carburantes do exército do pequeno país oeste-africano rico em minérios, que se queixou do sofrimento do povo e da responsabilidade do governo. O primeiro-ministro afirma, porém, estar em funções. Leia aqui e aqui. Mas também aqui.
Nota: obrigado aos dois leitores amigos que me fizeram chegar a notícia.
Adenda: sobre focos de tensão em África, aí compreendidos os que já existiam na Guiné Gonacri, confira aqui.

"Porque" são porcas

Como todos os anos, temos aí a cólera, felizmente que em pequena escala. O problema da cólera remete para a higiene.
Regra geral, os limpos atribuem aos não-limpos uma substância considerada inata: a porcaria. Por que razão defecam as pessoas ao ar livre? Por que razão as pessoas não lavam as mãos? Porque são porcas, respondem os limpos. Mais eufemisticamente: porque não têem hábitos de higiene. Bem mais difícil é encontrar a razão do fecalismo a céu aberto ou da falta de hábitos de higiene nas condições sociais que fazem e refazem com que uns tenham sanitários e uma educação precoce sobre hábitos de higiene e saúde, e outros não.

Cartões de boas-festas: também poder e potlatch

Esta é sempre uma época na qual muitas horas, muitas expectativas e muito prazer antecipado são investidos na compra, no preenchimento e no envio de cartões de boas-festas.
Por aí caminham a amizade, o amor, a recordação, a promessa, a dedicação, o respeito, a veneração, a espera de retribuição.
Mas acontece, também, que esses espaços rectangulares são exercícios de exposição de poder, de ostentação, de sinalização rigorosa de hierarquias, de fronteiras estabelecidas e a reproduzir.
Quanto mais luxuosos, mais rococó, mesmo se com neve em nosso duro calor, maior o pendor para exibir a riqueza, seja ela de que tipo for.
É, afinal, em certos círculos hegemónicos, um ritual muito rigoroso, uma espécie de potlatch.

Um chapa


Imagem reproduzida daqui.

Mcel não cumpriu

Apesar dos sucessivos anúncios colocados na RM, prometendo repôr a comunicação ontem ainda, a Mcel não cumpriu: ainda não se pode telefonar, mensagemar e internetar. Esta madrugada e por cerca de uma hora apenas, podia-se saber o saldo pelo *132#
Adenda 2 às 06:23: agora a poder-se obter o saldo e a poder-se telefonar de vez em quando.
Adenda 3 às 7:15: prontos, tornei-me mestiço, agora também uso a Vodacon. Melhor assim, ficar como um pêndulo entre amarelos e azuis,as úlceras gástricas diminuem nesta celdependência.
Adenda 4 às 11:07: situação aparentemente normalizada, ainda que ligeiras interrupções permaneçam.

22 dezembro 2008

Os embondeiros de Tete

Numa parte significativa da minha vida o embondeiro e o malembe (seu fruto acredoce) vivem como âncoras irremediáveis, lá, na minha terra natal, Tete. Eis um poema:
I

As folhas que vês deprenderem-se
são lágrimas vertidas pelas árvores
sempre que o vento, em sua inconstância,
lhes é diariamente infiel no imenso gineceu da vida

II
essa a razão por que os embondeiros
se converteram um dia à androginia
em cima folhas solidárias com as colegas
em baixo enormes troncos viris fiéis à savana

III
essa a razão também por que eles
na sua imensa e bendita complexidade
em lugar de chorarem folhas de dor
as guardam no interior como recordação
oferecendo ao calor viúvo da frescura
e aos humanos ressequidos de piedade
o préstimo seguro da água pura e redentora
e o carinho acredoce do malembe
Carlos Serra

Espantar-me na rua (10)

Vamos lá a mais um pouco desta série regular.
1. É sempre delicioso circular nas ruas de Maputo sem termos de encostar os nervos aos chapas. Que coisa deliciosa este deschapamento à noite, calmamente.
2. Maputo está sem movimento nas artérias da Polana, salvo alguns fângios a caminho da marginal.
3. No cruzamento da Julius Nyerere com a Eduardo Mondlane lá está
o jovem, com o bebé pendurado às costas, preso por uma capulana.
4. Muitas latas de lixo a transbordar, os catadores derramam tudo pelo chão, Maputo está lixada.
5. A embaixada dos Estados Unidos parece um país estranho e bunkerizado dentro do nosso, ali na Kenneth Kaunda.

Sem email

Por razões que ignoro, está inoperacional desde o meio-dia local o serviço de emails do CIUEM da Universidade Eduardo Mondlane. As minhas desculpas para todos aqueles que me escrevem diariamente e a quem não posso responder. Imagem reproduzida daqui.

Zimbabwe: Jestina continua desaparecida


Quase três semanas após o seu desaparecimento, reportado neste diário, continua a ignorar-se o paradeiro de Jestina Mukoko, jornalista e defensora dos direitos humanos do Zimbabwe. Leia aqui no ZimOnline.

Sociologia pela imagem

A propósito do título em epígrafe, consultem o The Global Sociology Blog, aqui.
Observação: tenciono, nos próximos tempos, trabalhar um pouco teoricamente sobre o excelente tema proposto no blogue referenciado.

Maputo desmcelizada

Calmante, soporífero, o "Notícias" de hoje escreve que a Mcel já resolveu um problema técnico que criou problemas aos utentes dessa provedora de telefonia móvel, no momento em que meia Maputo anda desmcelizada, sem poder quer telefonar, quer mensagemar. No que me concerne, tenho tentado que alguém me atenda no único fixo da empresa disponível na lista telefónica, o 21351100, para saber o que se passa, mas debalde, ninguém atende em meio a uma música decididamente calma e propícia a combater as úlceras gástricas. Um anúncio da Mcel diz que a vida é melhor quando estamos juntos. Pois é, mas estamos disjuntos. Melhor os seus gestores consultarem também um curandeiro de Homoíne, pois pode acontecer que haja maus espíritos azuis da Vodacon infiltrados na rede amarela.
Adenda 1 às 15:46: sei que muitos continuam sem conexão. Alguém tem alguma novidade? O portal da Mcel nada diz.
Adenda 2 às 16:01: nenhuma referência no noticiário das 16 horas da Rádio Moçambique. Não é a Mcel empresa pública?
Adenda 3 às 16:07: prontos, um anúncio da Mcel na RM a dizer que há uma avaria e que tudo fará para normalizar a situação hoje ainda. "Pelos danos causados a Mcel apresenta as suas sinceras desculpas". Pois é.
Adenda 4 às 21:06: a Mcel anunciou na RM ter regularizado a situação em algumas cidades do país. Mas Maputo continua desmcelizada.
Adenda 5 às 23:20: Maputo continua desmcelizada apesar dos sucessivos anúncios da Mcel na RM dizendo que hoje ainda normalizará a situação.

Noé: deixa-andar continua firme

No "Canal de Moçambique" de hoje o engº Noé Nhantumbo defende a tese de que o deixa-andar continua firme. Leia a argumentação aqui.

Megaprojectos: apenas 3% da receita fiscal mas 65% das exportações de Moçambique

Segundo o "Notícias" de hoje, os megaprojectos na extracção mineira e petrolífera - recursos naturais não renováveis - não contribuem com mais de três por cento da receita fiscal do país, com a agravante de, em alguns casos, os contractos atingirem os 50 anos. De acordo com o o macauhub de há tempos, MOZAL e SASOL - os dois maiores projectos em Moçambique - representam apenas 1.6 por cento do PIB moçambicano, sendo limitado o seu impacto no emprego local. Em Agosto, o economista moçambicano Carlos Castel-Branco defendeu a abolição das zonas francas em Moçambique, criticando a concessão excessiva de incentivos fiscais. Criticou igualmente a aposta excessiva em mão-de-obra intensiva e qualificada. De acordo com Castel-Branco, "essa postura tem tido efeitos perniciosos para a economia moçambicana, pois os mega-projectos contribuem apenas em sete por cento para o Produto Interno Bruto (como reparam, a percentagem indicada anteriormente é bem menor, CS) e em 65 por cento das exportações."

21 dezembro 2008

Mugabe tem de ser isolado (bispos católicos da África Austral)

Bispos católicos da África Austral (África do Sul, Botswana e Suazilândia) fizeram uma dura crítica ao regime de Robert Mugabe do Zimbabwe. A única hipótese de solução para os problemas do país consiste na saída de Mugabe - disseram -, ele tem de ser isolado para se evitar que o povo continue a sofrer e a morrer. Apesar de ter perdido as eleições de Março, continua, como um faraó (sic), a governar e a liquidar quem se lhe opõe. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
Observação: vamos a ver se os bispos não vão ser acusados de estar ao serviço de imperialismo anglo-americano e de serem estrangeiros à "análise científica" do que se passa no Zimbabwe.

Ali no Pinóquio

Sim, ali no Pinóquio, um dos dois restaurantes do Jardim dos Namorados, cidade de Maputo, esta noite, estava lá o Garrido cantando. Na bela noite maputense, até soube bem ouvir uma canção de que muitos Moçambicanos estão - acredito - recordados. Perdoem dar-vos apenas um pouquinho dela.

Linchamentos e Tatá Papá Tatá Mamã (mensagem para Luiz de Paula)

De Luiz de Paula, delegado da Polícia Judiciária do Brasil, acabei de receber o seguinte email: "Sou Bel. em Direito e exerço a função de Delegado de Polícia Judiciária no Estado da Bahia, Brasil. Realizo estudos (independentes) sobre violência e criminalidade violenta, relações entre o Poder Estatal e as Comunidades Pobres, Segurança Pública, Social, Criminologia e Polícia. Procurei dois títulos de sua autoria no Brasil e não os encontrei (Linchamentos em Moçambique: Uma Desordem que apela à Ordem e Adeus papá. Adeus mamã: Tráfico de Menores em Moçambique). Gostaria de saber se existe algum representante no Brasil para a comercializalção das obras, caso não exista, como posso importá-las de Moçambique. Obrigado pela atenção.
Luiz Henrique Machado de Paula
Delegado de Polícia Judiciária/BA - Brasil"
Resposta: passarei a sua mensagem à nossa Imprensa Universitária. Não é a primeira vez que a pergunta me é feita em relação a esses e outros livros. Creio que, por agora, a Imprensa não tem um circuito de comercialização extra-fronteiras. Em última análise poderei levá-los para si quando voltar, próximo ano, a São Paulo. Acresce que deverei participar em Agosto de 2009 em mais um seminário internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. Nos dois livros há importantes contributos jurídicos. Abraço.

Quem não é mulato? (10) (a propósito de Barack Obama)

Mais um pouco da série.

A raça não existe. As diferenças somáticas entre as pessoas não correspondem a diferenças genéticas substanciais.
Mas a raça é uma realidade social no sentido de que preenche o imaginário social e afecta o comportamento de muitas pessoas na interacção social. É realidade social não enquanto produto genético, mas enquanto produto de crenças sociais regra geral geradas na luta por recursos de poder.
Mais tarde entrarei no campo da mestiçagem cultural.
(continua)

Quem é Godofrey "Gado" Mwampembwa?


O cartoon político é sempre um excelente utensílio de crítica social. E nisso Godfrey "Gado" Mwampembwa - de quem menciono trabalhos faz dois dias - é excepcional. Saiba um pouco dele aqui.

Zimbabwe e Mugabe





Confira a colecção de trabalhos sobre o Zimbabwe do cartoonista tanzaniano Godfrey "Gado" Mwampembwa, aqui.

Mswati III da Swazilândia


Esse mais um trabalho do cartoonista político tanzaniano Godfrey (Gado) Mwampembwa - desde há dois dias frequentemente referido por mim -, desta vez sobre o rei Mswati III da Swazilândia, uma personagem habitual neste diário pelas suas muitas mulheres.

Maputo acácia-se e manga-se




Ainda não começaram as chuvas regulares na cidade de Maputo, mas belas andam as acácias com suas flores lindas e acariciantes e as mangueiras, com as mangas já na mira das toutinegras. Tirei as fotos esta manhã, almando o Jardim dos Namorados, com o Índico ao fundo, sereno e calorado. E já que falo no Índico, prove um pouco destes meus poemas:
I
algemei as sombras
para que o sol se pudesse vestir
semeei os instantes no futuro
para que o tempo pudesse nascer
colei o rio no horizonte
para que as margens pudessem repousar
inventei o Índico
para que as acácias pudessem florir
fiz-me habitar este poema
para que soubesses que existo
II
vejo esta gente a correr cedo
como se o coração pudesse voltar atrás
mas eu que tenho o coração sempre atrás
ponho-me, vê tu que poligonal ânsia,
a desabotoar as blusas das acácias
(militante dos sentidos que sou)
para que saibas que até aí te reencontro
subitamente retesada
ao tacto do Índico que acordo
nesta manhã fresca de Maputo
III
quando as manhãs são jovens
o seu sangue tem a frescura das gazelas
e as acácias encostam a alma ao Índico
no fresco afago de Junho
tenho por hábito transformar o sopé da espera
na cumeeira dos sonhos que culimo em ti
(por isso nunca preciso saber das sortes
enxertadas nas perguntas que faço à vida
quando as faço rolar nas conchas que não tenho)
IV
algum dia viste uma gaivota
beber água no Índico?
não, não viste nunca!
explico-te: ela não bebe
como pensas
não bebe bebendo
mas simplesmente afaga
roça amando a água para a sorver
docemente em momentos sucessivos
com a beleza fantástica com que
uma folha beija o ar que a ama
(assim te faço
em permanência
assim te gaivoto)
V
vem comigo ver nascer o dia
vem comigo acordar o sol
vem comigo inaugurar as acácias
vem comigo beijar o Índico
vem comigo desenhar as andorinhas
vem comigo soltar a âncora dos sonhos
vem vem comigo comigar este futuro
A conferir num dos meus blogues de poesia, aqui.

Cartas de Madrid (3)

E termino esta série, estando já em Maputo.
1. Já disso falei aqui, mas permito-me retomar o tema: trata-se do hola. Não importa onde, não importa a idade e a condição social de quem cumprimenta ou é cumprimentado, o hola surge. Por vezes acompanhado de um buenos dias, em caso de formalismo. Devo ser franco: é belo receber um vigoroso hola antes de pedir um café solo.
2. Vezes várias me sugeriram que visitasse Madrid, que penetrasse nos seus meandros históricos, que fosse ver um espectáculo de flamengo. Porém, tenho um grave defeito: os meus monumentos são as pessoas, basta-me ficar minutos, por vezes horas, sentindo as pessoas que passam em seus misteriosos percursos, interrogando-me, sem resposta, sobre quem são. Sempre defendi que a história não está nos monumentos, mas nos actos que acontecem e virão a acontecer.
3. O casario madrileno é sólido, sugere que foi construído para durar, sinto isso fortemente.
4. São frequentes os restaurantes e as cafeterias onde se pode fumar e se afixa um aviso a dar conta disso. Por outro lado, no aeroporto de Barajas existem muitos locais para fumadores. Naturalmente que, sendo eu fumador de cachimbo, me agradou semelhante respeito.
5. Diz-me a empregada da cafeteria: temos dificuldades em entender o português. Digo-lhe eu: quem fala português entende bem o espanhol.
6. E prontos: hasta pronto!
(fim)

20 dezembro 2008

Obrigado de novo Pai Natal

Estará disponível até ao dia 25 o "Obrigado de novo Pai Natal", do rapper moçambicano Azagaia (Edson da Luz de seu real nome), resumo do ano social em Moçambique. Espero poder colocar aqui a canção e a letra logo que as tenha.
Recorde, entretanto, o último trabalho do cantor, aqui.

Jesus não é surdo!


Foto tirada no Bairro da Munhava, periferia da cidade da Beira, mesmo em frente à Igreja Universal do Reino de Deus. Imagino a barulheira que deve ser, eu que já dirigi uma pesquisa sobre essa instituição em cinco cidades do nosso país. Obrigado à Fátima pelo envio.