22 setembro 2015

Marikana, um massacre "acidental"

Com o título em epígrafe, um texto de David Ramos e Helena Santos divulgado no "DiagonalGlobal", a conferir aqui.
Adenda: em 2012 escrevi uma série em 20 números intitulada "Apartheid não tem raça: massacre de Marikana", recorde aqui e aqui.

Generalização

A generalização é um dos mais fascinantes campos da cognição humana. A partir de traços, de atributos, de características de alguns indivíduos de um determinado grupo, criamos totalidades, unidades identitárias, sem que tivessemos podido verificar se todos os indivíduos do grupo possuem esses traços, esses atributos ou essas características.

21 setembro 2015

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [16]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Décimo sexto número da série. Sempre com hipóteses, inicio o quarto ponto sugerido aqui, a saber: 4. Desafios políticos do heteropensamento. Entro, agora, num dos mais delicados campos da gestão política, a saber: o exercício do pensamento distinto do pensamento dos gestores do poder político e estatal, especialmente o exercício do pensamento crítico.
Nota: como tem sido meu hábito neste diário desde 2006, a qualquer momento posso modificar partes da série.

No "Savana" 1132 de 18/09/2015, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

Convite

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

20 setembro 2015

Ministro Celso Correia também limpou a Mafalala

Centenas de pessoas dos mais variados tipos sociais e dezenas de organizações e de instituições e de escolas estiveram ontem a limpar o histórico bairro da Mafalala na periferia da cidade de Maputo e, de forma múltipla, a consciencializar os moradores sobre as virtudes da higiene social, em mais uma operação caco promovida pela Cooperativa Ntumbuluku. Entre as pessoas que trabalharam no bairro esteve o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia [duas primeiras fotos]. Descer às bases populares em permanência devia ser o emblema dos ministros nyusianos. Parabéns, Ministro. [fotos reproduzidas daqui, CS]

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [15]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Décimo quinto número da série. Sempre com hipóteses, termino o terceiro ponto sugerido aqui, a saber: 3. Universidades e busca de ascensão social. Tal como antigos combatentes da luta de libertação nacional costumam afirmar que não fizeram a luta para serem pobres - dessa maneira legitimando a posse de riqueza -, as pessoas com cursos superiores, à cabeça das quais se encontram os mestres e os doutores formados no país e no estrangeiro, poderão igualmente dizer que não estudaram para serem pobres. Na verdade, nada mostra que essas pessoas ou que muitas dessas pessoas estejam dispostas aos sacrifícios da era samoriana ou a serem líderes de forças proletárias com a intenção de alterarem o actual modo de produção e distribuição de riqueza. É nesse contexto que, por hipótese, recordando um pouco Charles Wright Mills, as pessoas formadas aspiram a fazer parte das elites do poder, nas esferas política, económica e militar, substituindo as velhas elites da luta de libertação e os seus círculos parental-clientelistas. Essas pessoas constituem uma força de pressão poderosa, directa e indirecta, na luta política. No próximo número iniciarei o ponto intitulado Desafios políticos do heteropensamento.
Nota: como tem sido meu hábito neste diário desde 2006, a qualquer momento posso modificar partes da série.

Gramsci e a fidelidade de tipo militar das "massas"

Escrevendo sobre os partidos de massas e sobre estas, eis uma posição de António Gramsci: "(....) massas que, como massas, não têm outra função política senão a de uma fidelidade genérica, de tipo militar, a um centro político visível ou invisível (...). A massa é simplesmente uma massa de "manobra" e é ocupada com prédicas morais, com tiradas sentimentais, com mitos messiânicos de espera de idades fabulosas, em que todas as presentes contradições e misérias serão automaticamente resolvidas e sanadas." [Gramsci, António, Obras escolhidas. Lisboa: Editorial Estampa, 1974, vol. I, pp. 286-287, 290-291].

19 setembro 2015

A crise do Burkina Faso analisada por Jean-Louis Sagot-Duvauroux

O filósofo e dramaturgo francês Jean-Louis Sagot-Duvauroux analisa a crise do Burkina Faso na sequência do golpe de Estado ocorrido anteontem. Aqui.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1132, de 18/09/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

18 setembro 2015

Duas notícias politicamente inquietantes

Segundo o "MozMassoko" a 31/08/2015, aqui:
Segundo a "Rádio Moçambique" hoje, 18/09/2015, aqui:
Adenda às 03:17 de 19/09/2015: uma outra versão aqui.

Amanhã neste diário

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [14]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Décimo quarto número da série. Permaneço no terceiro ponto sugerido aqui, a saber: 3. Universidades e busca de ascensão social. Escrevi no número anterior sermos um país cada vez mais povoado por instituições de ensino superior dos mais variados tipos, oferecendo os mais variados tipos de cursos e títulos. Talvez já sejam 50, entre universidades, institutos e politécnicas, na sua maioria privados. O que significa isso? Significa que temos uma crescente população de pessoas formadas, ansiosas de ascensão social, de reconhecimento e de privilégios. Ministérios, universidades e Assembleia da República são eixos imediatos de atracção, especialmente quando próximos dos centros políticos de decisão e do néon urbano. Partidos políticos com assento parlamentar são alguns dos mais atractivos veículos de acesso. 
Nota: como tem sido meu hábito neste diário desde 2006, a qualquer momento posso modificar partes da série.

01 de Outubro: lançamento de quatro livros

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

17 setembro 2015

Ponto de situação

1. Entreguei hoje à editora, às 08 horas locais, o 17.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" intitulado "O que é sociologia?", da autoria de Paulo de Carvalho de Angola, Vicente Paulino de Timor-Leste e Ricardo Arruda do Brasil.
2. No dia 30 de Outubro, sexta-feira, às 08 horas locais, entrego à editora o 18.º número intitulado "O que é intolerância religiosa?", da autoria de Fátima Viegas de Angola, Patrícia Jerónimo de Portugal, Antonio Ozaí da Silva do Brasil e Danny Zahreddine também do Brasil.
3. Ficou formada a equipa que vai trabalhar no número intitulado "O que é colonialismo?": Rosa Perez e Pedro Pombo de Portugal, Heloisa Toller Gomes e Jorge Márcio de Andrade do Brasil.
4. Recordo-vos que no dia 01 de Outubro serão lançados na cidade de Maputo, Faculdade de Arquitectura da Universidade Eduardo Mondlane, 17:30, os mais recentes quatro livros da coleção. Toda a coleção estará exposta.

Últimas de Moçambique com Joseph Hanlon

Confira as últimas notícias sobre Moçambique num boletim editado por Joseph Hanlon, aqui.

Um documento

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

16 setembro 2015

Metical continua a depreciar-se

O metical continua a depreciar-se de forma preocupante. Datado de Julho, um estudo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique expõe causas e consequências, aqui.

Quando a memória dos tiros não dorme

No "Wamphula fax" digital com data de hoje. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

O que passa por análise

O nosso país é rico de trabalhos fortemente impregnados de eticidade, de moral, de casuística. O que passa por análise em público – estudem os nossos jornais - é, não raramente, mesmo a nível científico, um exercício de moral, uma apologia do que “deve ser”, uma predicação para consumo colectivo imediato. Por outras palavras, tendemos muitas vezes a substituir a investigação paciente pela moral e pela predicação pronta-a-vestir.

Sobre o ónus

Do editorial do semanário "Savana" de 11/09/2015: "Ao nível da esfera pública, e no que diz respeito ao debate sobre a paz em Moçambique, parece haver uma forte corrente de opinião que tende a colocar o ónus sobre o governo, defendendo que a prevalência do actual clima de paz relativa depende da sua capacidade de acomodar todas as reivindicações da Renamo. Nessa lógica, a Renamo torna-se isenta de qualquer responsabilidade, sendo vista como uma mera vítima da intolerância do governo. Esta posição é consentânea com uma tendência discursiva em Moçambique, em que se torna politicamente incorrecto exigir responsabilidades à oposição. Mas, como se diz na velha metáfora, leva dois para se dançar o tango." Aqui.

Investigar

Urge investigar tal como um dia Emil Ludwig disse que o sociólogo alemão Georg Simmel fazia com os fenómenos sociais: como dentistas, penetrando com uma sonda na cavidade das coisas, separando o nervo da raíz.

15 setembro 2015

Inédito em Moçambique

Segundo o "@Verdade" digital, o ex-presidente Joaquim Chissano afirmou estar disponível para mediar um encontro entre o actual Chefe de Estado, Filipe Nyusi, e o Sr. Afonso Dhlakama, presidente da Renamo. Aqui.
Observação: é inédito na história do país surgir um ex-presidente a oferecer-se para mediar um encontro no qual o presidente em exercício apareceria como um dos pólos do conflito político. Parece, porém, pouco crível que o Presidente Nyusi aceite semelhante proposta, por mais respeito que tenha por um dos pais fundadores da Frelimo e por mais pressão que a Comissão Política desse partido exerça sobre ele. Seria como promover Dhlakama e rebaixar Nyusi. Por outro lado, na sua apologia, igualmente inédita na história analítica de Moçambique, do conflito como fenómeno benéfico, como força socializadora e "dínamo do desenvolvimento" - posição que muito deve escandalizar certos defensores do modelo nefelibata "tomar chá para haver paz" -, Chissano faz lembrar o pensamento de Georg Simmel no seu livro "O Conflito".

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [13]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Décimo terceiro número da série. Entro no terceiro ponto sugerido aqui, a saber: 3. Universidades e busca de ascensão social. Somos um país cada vez mais povoado por instituições de ensino superior dos mais variados tipos, oferecendo os mais variados tipos de cursos e títulos. Talvez já sejam 50, entre universidades, institutos e politécnicas, na sua maioria privados.
Nota: como tem sido meu hábito neste diário desde 2006, a qualquer momento posso modificar partes da série.

14 setembro 2015

Fungulamaso perante mísseis ideológicos

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6)
Os boatos ganham terreno quando duas condições estão reunidas: incerteza e medo. Há dois tipos de boatos: os espontâneos e os intencionalmente provocados. Neste último caso - regra geral de natureza política -, podem assumir o papel de mísseis ideológicos devastadores, gerando uma atmosfera porosa de intimidação, medo e discrédito, histericamente ampliada pelos blogues do copia/cola/mexerica, pelos jornais e pelas agências noticiosas do frufru e por certas páginas das redes sociais digitais. Portanto, fungulamaso=abre o olho=está atento.

Nyusizar Nyusi

Em blogues, jornais e redes sociais digitais é frequente desejar-se que o presidente da República, Eng.º Filipe Nyusi, faça mais do que faz ou pode fazer. Pretende-se que ele tenha um superpoder, um sacropoder capaz de resolver tudo o que há a resolver no país. É a ele que se apela e não às instituições, faz-se dele um ser providencial, um messias, um deus que deve governar por inteiro a terra pecaminosa. Isto é isolar Nyusi, isso é individualizá-lo por inteiro, isso é nyusizar Nyusi, homem que, repetidamente, tem afirmado que respeita a constituição, não lhe competindo por isso imiscuir-se nas instituições. Sem dúvida que os presidentes da républica fazem história, mas não são livres de a fazer nas condições por eles escolhidas, arbitrariamente, estrangeiros à história, às determinações e a quem os apoia e escolheu - para adaptar uma famosa posição de Karl Marx.
Adenda: há sempre quem surja a defender que o Presidente Nyusi e o Sr. Dhlakama, presidente da Renamo, devem reunir-se para que a paz surja. Mais: o padre Filipe Couto afirmou há tempos que ambos deviam reunir-se em segredo. Assim se atribui a pessoas individualmente consideradas o poder milagreiro de resolver e de contornar, se necessário for, regras, instituições e leis.

No "Savana" 1131 de 11/09/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.