(continua)
Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
24 setembro 2012
Uma viagem a Tete (54)
Democracia formal e prescrição hipnótica (5)
Quinto número da série. Escrevi no número anterior que expressões do género "Há liberdade de pensamento porque vivemos numa democracia", "eleições são expressão de democracia", dotam a locução de um pensamento unidimensional, escamoteando a realidade e suas contradições. O pensamento unidimensional assume a democracia formal como a única, como a real. Como escreveu Marcuse, "Elementos mágicos, autoritários e rituais invadem a palavra e a linguagem". Figuras políticas de todos os azimutes, da esquerda à direita, comungam ruidosamente do mesmo ideal: a defesa da democracia formal. A defesa da democracia formal, em toda a sua plenitude retórica e ideológica, assenta num princípio tornado sacrossanto: o de não mudar as relações sociais. A linguagem tornou-se serva da manipulação na sociedade do espectáculo e dos rituais de linguagem. Se não se importam, prossigo mais tarde. Crédito da imagem aqui.
(continua)
A mesma
É cada vez mais difícil saber quais as diferenças programáticas entre os partidos políticos. Todos afirmam defender uma coisa: a mesma. E a mesma não carece de especificação. É simplesmente a mesma.
Blogue do Lucas
Eis como o Lucas se apresenta: "Sou jornalista, tenho 23 anos e atualmente moro em Chókwé, uma vila no interior de Moçambique, sudeste africano. Vim para cá fazer trabalho voluntário, mas aproveito o tempo no país para escrever sobre o que vejo, e contar histórias das pessoas que por aqui conheço e também para falar sobre uma ou outra coisa curiosa que, acredito, nem todo mundo vá saber. e assim vamos…" Aqui.
O que é um intelectual? (2)
23 setembro 2012
Postagens na forja
* Genéricos: À busca do ouro (15); Uma viagem a Tete (54)
* Séries pessoais: O que é um intelectual? (2); O que é ensino de qualidade? (6); Democracia formal e prescrição hipnótica (5); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (10); Morte dos blogues moçambicanos? (22); A carne dos outros (17); A pobreza mora na cabeça? (15); Poder de persuasão dos SMS (18); A difícil fórmula da distribuição de consensos (18); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (18); Ditos (50); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (96)
Famílias empresariais
Ligadas directa ou indirectamente ao poder político e estatal, desenvolvem-se e consolidam-se no país poderosas famílias empresariais.
O que é um intelectual? (1)
Muito provavelmente direis que se trata de uma pergunta desprepositada. Por quê? Porque toda a gente sabe o que é um intelectual. Prossigo mais tarde.
(continua)
Análise da análise (9)
Nono número da série. Escrevi sobre o que chamei princípios de Descartes e de Marx. Esses princípios remetem para a soberania do eu no primeiro caso e para a do social no segundo. São, digamos, princípios cognitivos genéricos. Mas falta ir um pouco mais longe e procurar analisar o que chamarei princípio do beldevere. Se não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)
Uma viagem a Tete (53)
(continua)
Os "selvagens"
No século XIX os proprietários da palavra oficial aplicavam o apodo de selvagens aos trabalhadores da minas de carvão quando estes entravam em greve. Hoje a situação não é diferente. Assim, num despacho da Angop, os mineiros de Marikana na África do Sul aparecem descritos como autores de uma "greve selvagem". Aqui. Num outro despacho da mesma agência, reproduzido na íntegra pelo nosso "Notícias", o porta-voz do grupo AngloGold Ashanti, proprietário naquele país de uma mina de ouro onde eclodiu uma greve, afirma o seguinte: "É uma greve selvagem".
Adenda: recorde a minha série em 20 números intitulada Apartheid não tem raça: massacre de Marikana, aqui.
Adenda: recorde a minha série em 20 números intitulada Apartheid não tem raça: massacre de Marikana, aqui.
22 setembro 2012
Postagens na forja
* Genéricos: À busca do ouro (15); Uma viagem a Tete (53)
* Séries pessoais: O que é um intelectual? (1); O que é ensino de qualidade? (6); Democracia formal e prescrição hipnótica (5); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (9); Morte dos blogues moçambicanos? (22); A carne dos outros (17); A pobreza mora na cabeça? (15); Poder de persuasão dos SMS (18); A difícil fórmula da distribuição de consensos (18); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (18); Ditos (50); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (96)
Uma viagem a Tete (52)
(continua)
O que é ensino de qualidade? (5)
Quinto número da série. Multipliquemos as possibilidades nas questões de partida no tocante ao ensino de qualidade. Por exemplo, o objectivo central do ensino pode visar uma determinada capacidade técnica ao nível das necessidades empresariais ou, como é de uso neoliberal dizer, das necessidades do mercado. Claro que também aqui os parâmetros de avaliação serão no sentido de avaliar isso e não a qualidade de ensino em si, em geral. Crédito da imagem aqui.
(continua)
Adenda: Sugiro recorde a minha série em 38 números intitulada Sobre a qualidade do ensino em Moçambique, aqui.
21 setembro 2012
Postagens na forja
* Genéricos: À busca do ouro (15); Uma viagem a Tete (52)
* Séries pessoais: O que é ensino de qualidade? (5); Democracia formal e prescrição hipnótica (5); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (9); Morte dos blogues moçambicanos? (22); A carne dos outros (17); A pobreza mora na cabeça? (15); Poder de persuasão dos SMS (18); A difícil fórmula da distribuição de consensos (18); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (18); Ditos (50); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (96)
Uma viagem a Tete (51)
(continua)
Samora Machel
"As ideias, os valores, os hábitos, os usos e costumes, o conjunto das normas inconscientes que regulam o comportamento quotidiano do indivíduo, são expressões da ideologia e cultura da sociedade existente. Acontece que todos nós nascemos e crescemos na sociedade exploradora, fomos profundamente impregnados da sua ideologia e cultura, por isso é-nos difícil e por vezes parece-nos impossível o combate interno, contra o que cremos constituir o nosso esqueleto moral. Arrancar de nós a ideologia e cultura exploradora para assumirmos e vivermos, no detalhe do quotidiano, a ideologia e cultura requeridas pela revolução, constitui a essência do combate pela criação do homem novo." - Excerto de um discurso de Samora Machel num simpósio de homenagem a Amílcar Cabral em 1973 - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, p. 176.20 setembro 2012
Postagens na forja
* Genéricos: À busca do ouro (15); Uma viagem a Tete (51)
* Séries pessoais: O que é ensino de qualidade? (5); Democracia formal e prescrição hipnótica (5); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (9); Morte dos blogues moçambicanos? (22); A carne dos outros (17); A pobreza mora na cabeça? (15); Poder de persuasão dos SMS (18); A difícil fórmula da distribuição de consensos (18); O casamento das famílias (18); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (18); Ditos (50); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (96)
Uma viagem a Tete (50)
(continua)
O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (95)
Um pouco mais da série. Escrevi no número anterior que existem muitos trabalhos sobre a luta de libertação nacional. Não poucos desses trabalhos são dedicados a saber quem disse ou não a verdade sobre este ou aquele fenómeno. A este respeito, talvez seja mais difícil profetizar o passado do que o futuro. No que aqui me concerne, gostaria de propor, como hipótese, que duas concepções de luta estiveram em conflito (e talvez ainda estejam): uma, que circunscrevia a luta a entidades homogeneamente consideradas, os colonizados e os colonizadores; outra, que introduzia nessa dualidade uma demarcação de classe a nível nacional e internacional. Prossigo mais tarde.
(continua)
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