25 setembro 2007

"Diário de um sociólogo" no "Contexto Social

Este diário figura no Contexto Social, revista electrónica brasileira de Ciências Sociais. O meu obrigado aos organizadores pela honra dada.

24 setembro 2007

Mensagem para Raide Namuali

"Boa tarde Professor Serra, meus desejos de bom trabalho e boa saúde. Raide Namuali, natural da Zambézia, estudante universitário, curso de administração de empresas, linha de formação específica (LFE), gestão de negócios (GN), pelo Complexo de Ensino Superior Faculdades Campo Real em Guarapuava no Paraná-Brasil." - assim me escreveu o Raide, enviando um texto com o título "Racionalidade-empreendedorismo".
Obrigado, Raide (leva acento, não é? E Namuáli tb, não é?)! Mas olhe lá: por que não cria um blogue, dando-nos, a todos nós, dentro e fora do país, o prazer de o ler?

Saque da madeira e ameaças de morte

Eis um despacho da BBC: "Na província de Nampula há indicações de que significativas quantidades de madeira, incluindo preciosa, estejam a ser ilegalmente exportadas (...). A acrescentar às ameaças de morte que regularmente são dirigidas a funcionários do estado há pessoas bem posicionadas que oferecem a capa de que os operadores ilegais necessitam para fazer passar a madeira por portos como o de Nacala."
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Acabo de saber desta notícia conferindo Bosses. Permitam-me recordar que este diário tem dezenas de postagens sobre o saque da madeira, incluindo uma carta para o presidente da República escrita a 30 de Janeiro.

Tchapo-tchapo

Chama-se Rogério Ferro e é estudante de jornalismo em São Paulo, Brasil. Tem um blogue com o título moçambicano em epígrafe. A referência do blogue chegou-me via email. Ó Rogério, perdoe-me a pergunta: você é moçambicano ou brasileiro?

Recenseando o recenseamento

O recenseamento começou. Começou com dificuldades. Falta material um pouco por todo o lado. Segundo o "Notícias" de hoje, a Comissão Nacional de Eleições, num exercício com o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, "estima em mais de 34 milhões de dólares o custo desta operação, contra os cerca de 45 milhões inicialmente propostos." O governo disponibilizou até agora 13 milhões. E acrescenta o "Notícias": "Decorrem, entretanto, neste momento, negociações bilaterais e multilaterais com a comunidade internacional, para a cobertura do remanescente." Continuamos sem saber quer como se baixou o custo do recenseamento (11 milhões é obra, é muito), quer como se começou o processo sem que tudo esteja disponibilizado.
Enquanto isso, a Rádio Moçambique tem o recenseamento como sua manchete. Na cobertura estão visivelmente enxertadas as visitas das brigadas da Frelimo às províncias para incentivar as pessoas a votar (no partido, claro) e as intervenções oficiais e populares sobre o dia das Forças Armadas, que foi o dia do início da luta armada de libertação nacional e que amanhã se assinala. Um festival do partido no poder e um silêncio sepulcral do único real partido da oposição no país, a Renamo.
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Imagem reproduzida daqui.

Há infiltrados na PIC – assegura o seu director

“Nós estamos a trabalhar em duas frentes. Uma é enfrentar os colegas que estão infiltrados e continuam a dar informações aos criminosos, e outra são os bandidos entanto que tal. Os honestos são os únicos que estão a tentar furar os dois lados a que estamos sujeitos.” É muito difícil ouvir algum dirigente deste país dizer que algo está mal. O tudo-está-bem é a regra. Mas, finalmente, apareceu alguém do Ministério do Interior – ainda por cima desse ministério - a dizer que algo está mal. Claramente disse o que até agora o ministro não disse: que a Polícia de Investigação Criminal (PIC) está infiltrada. Quem disse que está infiltrada? O seu director, Dias Francisco Balate, em entrevista ao “Notícias” de hoje (repare-se, entretanto, no infeliz título dado à entrevista).
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A 19 de Abril, o então procurador-geral da República, Joaquim Madeira, afirmou que havia lobos entre as ovelhas da PIC.

O que se faz a quem é encontrado a roubar?

Eis as respostas dadas há dias numa escola da cidade de Maputo por duas crianças de 13 anos (amplie as imagens clicando duas vezes com o lado esquerdo do rato sobre elas).

Mário e Muando

Falta ainda fazer em profundidade a história dos traumas decorrentes da guerra civil terminada em 1992 e que durou cerca de 16 anos. A história psiquiátrica, por exemplo. Em 1999, o psicólogo Bóia Júnior escreveu que se corria o risco de os traumas tornarem-se transgeracionais. Falta, afinal, fazer muita coisa. Falta avaliarmos a relação entre democracia e memória colectiva da guerra. Finalmente, deixem-me colocar aqui os testemunhos de duas ex-crianças-soldado.



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Extracto de Castanheira, Narciso, Ex-criança soldado, Não queremos voltar para o inferno. Maputo: Reconstruindo a Esperança, 1999, p. 5. Saraiva de Sousa: pode comentar este tema?

Papagaioismo

Amplia-se no país o fenómeno do papagaioismo, com muita gente (oiça-se a rádio, leiam-se os jornais) a repetir por todos os lados os slogans políticos a propósito de não importa o quê nem quando nem onde. Por exemplo, o slogan da auto-estima generalizou-se de tal forma que qualquer dia corremos o risco de ficar completamente des-auto-estimados. Veja-se este recente exemplo: "Festival Nacional de Gastronomia. (23/09/2007-16:44) - participantes ao Festival Nacional de Gastronomia que teve o seu arranque ontem em Maputo consideram que a iniciativa pode contribuir para a elevação da auto-estima dos moçambicanos."

Recenseamento e dificuldades

Começa hoje em todo o país o recenseamento de raiz para as eleições. Mas há dificuldades com a falta de material. A situação parece ser mais complicada no Centro e no Norte de acordo com o "Canal de Moçambique". Este jornal procura mesmo ir mais longe, desta maneira: "Na empresa fornecedora dos equipamentos e materiais para este processo de recenseamento e posteriores pleitos tem interesses o chefe de Estado Armando Emílio Guebuza e o facto está já a criar celeuma em certos círculos informados, principalmente por as notícias de problemas com os meios para que o censo possa correr sem preocupações estarem a registar-se em zonas onde o maior partido da oposição considera ter as suas principais bases de apoio, isto é nas províncias do Centro e Norte, se bem que presentemente defenda ter também fortes apoios no sul do país sobretudo na capital, Maputo e província com o mesmo nome." (foto do "Notícias")

23 setembro 2007

Às 22.30 basquetebolizamos com Clarisse

Às 22.30 locais, a nossa equipa de basquetebol de séniores femininos joga com a selecção do Senegal, no seu terceiro jogo para o Campeonato Africano das Nações. O enviado da Rádio Moçambique, Rui Barata, afirmou esta tarde que a equipa estava agora mais moralizada com a chegada de Clarisse, poste excelente que anulou compromissos (creio que joga na Europa) e veio juntar-se à equipa em Dakar.
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Adenda às 22.52: perdemos neste momento por 17/9. Pelas indicações que recebo da Rádio Moçambique, não me parece que venhamos a ganhar. Adenda a 24/09/07: perdemos por 59/42.

Mabote, o inquieto

Em 1994 o trabalhador presidente do Partido Trabalhista, Miguel Mabote, tinha um problema: vencer as eleições nacionais desembarcando junto do povo de BMW e chapéu protector mineiro na cabeça. Porém, tão terna dialéctica de nada serviu.
Hoje, Mabote tem outro problema, provavelmente também sem solução: o de saber por que razão se presta tão pouca atenção às datas históricas do país. Claro, contam a mudança dos currículos e a globalização - sustenta Mabote -, mas é importante saber que "enquanto um diz isto o outro diz o contrário e, assim, o cérebro dos cidadãos (civis) torna-se campo de batalha ou de confronto entre duas forças antagónicas". Na batalha política entre a Frelimo no poder e a Renamo na oposição, ex-beligerantes de AK47 em punho, essa é uma das razões, assevera o convicto presidente, por que as pessoas não prestam atenção às datas marcantes da nossa história ("domingo", 23/09/07, p. 5).

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Bachir, o magnânimo

Sim senhor: o grande capitalista Momad Bachir Sulemane, presidente do Conselho de Administração do grupo MBS, ofereceu 51 motos, capacetes e telefones celulares ao Ministério do Interior para reforço da acção policial. Um gesto cuja magnanimidade só encontra paralelo nos ditirambos do semanário "domingo" de hoje, que lhe dedica quatro colunas destacadas na p. 6, uma grossa caixa a quatro colunas na última página e lhe dá o primeiro lugar na coluna do "sobedesce" da p. 31 (claro que a subir). O "domingo" escreveu mesmo que Bachir já nos habituou a "gestos largos e bonitos". Apenas faltou ao "domingo" recordar o gesto largo e bonito de Bachir quando um dia - faz já algum tempo -comprou um cachimbo e uma caneta do presidente Guebuza por um bilião de meticais (moeda antiga) cada um para, em seguida, magnânimo, os oferecer à primeira dama. Já agora, nada custa recordar o moçambicano, largo e bonito mundo de negócios da nossa terra amada aqui.

A cultura acústica dos Moçambicanos (8) (continua)

"Por minha fé ! Há mais de quarenta anos que digo prosa sem o saber e estou-vos imensamente grato por me terdes mostrado isso" (Monsieur Jourdain em "Le Bourgeois Gentilhomme")
A cultura acústica dos Moçambicanos foi violentada quer pelo colonialismo quer pela Frelimo no pós-independência. O Sr. Miguel Lopes faz verdades com tanta naturalidade como o Sr. Jourdain fazia prosa: sem se aperceber.
Qual o fio condutor da análise de Lopes? Este: estrangeiros ao tempo e às transformações sociais, do agricultor pré-colonial ao presidente Guebuza, os Moçambicanos são uma por natureza iguais, impermeáveis às diferenças sociais, acústicos, esféricos, metafóricos, inclinados a montes de coisas graças ao dom do ouvido, exímios na dança, nas pausas, nas repetições, nas metáforas, nas brincadeiras, enfim, os Moçambicanos amam ouvir e contar histórias. Vivem no cultural, na língua, no doce enlevo rousseauista, pela diástole expelem especificidade, pela sístole recusam o que, porque não acústico, os magoa, os desacusticiza (esta tese do magma cultural torna-se cada vez mais corrente no país, à medida que as desigualdades sociais se ampliam. Na verdade, fará cada vez mais falta aos gestores dos destinos apresentar interesses particulares como interesses universais, como interesses de todos).
Eles, os acústicos, viviam num céu de pureza edílica que, lamentavelmente, Portugueses e Frelimos vieram estragar (mas, pelo conceito lopesiano, dele guardam a alma, uma vez que são, hoje ainda, habitados em permanência pelo presente do indicativo de Lopes, presente ele-também acústico).
Qual o grande inimigo da acusticidade, qual o ariete dos estragadores? A língua portuguesa. Se não fosse a língua portuguesa, se a acusticidade tivesse sido respeitada, teríamos evitado muitos problemas, entre eles o analfabetismo. Mais: se acusticidade não for respeitada, corremos dois riscos severos: primeiro, as culturas acústicas podem desaparecer por desaparecerem as suas línguas densamente acústicas, tal - salientou Lopes - como têm desaparecido espécies animais e vegetais; segundo, porque podem um dia surgir conflitos étnicos de consequências nefastas (pena que o Museu de História Natural na cidade de Maputo tenha em exposição um ainda muito modesto acervo de cultura acústica congelada para visitantes).
A cultura acústica de Lopes tem o mesmo valor anestesiante que tinham a "substância", a "consciência de si", o "género", o "único" e o "homem" que Marx e Engels (que fósseis, que fósseis!) tanto criticaram na ideologia alemã oitocentista.
Mas, afinal, qual foi a lógica do sistema colonial em relação à acusticidade lopesiana? Prosseguirei, claro.

Mathendja prossegue

O Sr. Mini Macatai Mathendja prossegue a caminhada pelo mundo dos curandeiros e dos feitiços "tradicionais" e a cruzada contra o desgastante poder da ciência. Depois de no último domingo ter escrito que os cientistas tentam impingir supostas verdades (que, por exemplo, crocodilos e leões podem comer seres humanos devido à alteração do seu habitat) "para nos calar para sempre" ("domingo" de 16/09/07, p. 8), volta hoje à carga no mesmo semanário para mostrar que antes da independência nacional régulos e colaboradores procuravam garantir a colecta de impostos e "assegurar uma total submissão do seu povo" recorrendo aos serviços dos curandeiros (aqui, Mathendja sabia de Marx tal como o Sr. Jourdain sabia de prosa: sem o saber). O sistema era tão perfeito, tão perfeito que - assegura Mathendja - "naquelas alturas, as fomes, secas, pragas, doenças, etc., tinham solução local, sendo a fonte o curandeiro ou o feiticeiro". Mas depois a Frelimo estragou tudo com o seu ataque às "estruturas tradicionais". Mas mesmo tudo? Não: se os régulos foram atacados, os "feiticeiros" (sic), esses emanciparam-se e afluíram às cidades ("domingo", 23/09/07, p. 9; infelizmente o semanário esqueceu-se de colocar o nome do autor). Um mundo delicioso o do pré-Frelimo, a real Utopia africana de Morus, um paraíso verdadeiramente acústico. Aguardo a continuidade do texto de Mathendja no próximo domingo.

22 setembro 2007

Caloricídio

Está previsto que amanhã a minha terra natal, Tete (nasci mesmo junto ao rio, por isso herdei a sua alma), registe a temperatura máxima de 40.º Celsius.

Segunda vitória


A selecção nacional feminina de basquetebol sénior averbou hoje, em Dakar, no Senegal, a segunda vitória consecutiva no Campeonato Africano das Nações, vencendo a Costa do Marfim por 67/46. Amanhã joga com o Senegal.

Altamente

A vice-ministra da Educação e Cultura, Antónia Xavier, afirmou ao "Notícias"(edição de hoje, p.7), que o ensino técnico deve formar quadros "altamente qualificados". Longe de mim o herético pensamento de admitir que essa é uma exigência desnecessária. O meu problema é diferente: tem a ver com o fascínio que sempre sinto perante advérbios de modo do tipo "altamente".

Moisés Mabunda diz de frente

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ameaça boicotar a próxima Cimeira União Europeia/África se o Presidente do Zimbábuè, Robert Mugabe, nela participar. Entretanto, a rádio governamental da Zâmbia anunciou quinta-feira que o presidente Levy Mwanawasa boicotará a cimeira caso Mugabe não seja convidado. E Mwanawasa advertiu que outros líderes africanos poderiam seguir-lhe o exemplo.
No programa "Esta semana aconteceu" da Rádio Moçambique (13 horas de hoje), perguntaram ao jornalista Moisés Mabunda, do semanário "domingo", que opinião tinha sobre o problema. Ora, frontalmente, Mabunda disse que Mugabe tinha tido várias oportunidades para mudar e evitar a derrocada social no Zimbábuè. Por isso, ele, Mabunda, não entendia o que pretendiam os líderes africanos defendendo Mugabe.
Ora aí está alguém que não alinhou pelos discursos nefelibatas de muito bem-pensante da terra e da África Austral. Recorde entretanto a posição de um outro Mabunda, o também jornalista Lázaro Mabunda, que explica racial e conspiratoriamente o problema.
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Cartoon reproduzido daqui.

Combatentes abandonados

Há 32 anos (a nossa independência data de 1975) que não se sabe quantos antigos combatentes da libertação nacional existem. Há 32 anos que os seus chefes, antigos e novos - que nunca tiveram nem terão problemas de pensões -, passam a vida a "auscultar os principais problemas que afectam aquela camada social da nossa população, como sejam a crónica falta ou atraso no pagamento das suas pensões de reforma e financiamento de microprojectos de geração de rendimentos para a sua auto-suficiência alimentar e financeira."

Machirica preocupado com o canibalismo no Chimoio

O canibalismo inquieta o jornalista Victor Machirica, a propósito do que chama, de forma singular, "fragrância do caso Jaime Gemusse". E interroga-se angustiado sobre Jaime (necrófago declarado e reincidente): Será pobreza? Será magia?

Blogue de Moçambicano na diáspora

Confira aqui este blogue - cujo endereço acabou de me ser enviado pelo autor - de um moçambicano na diáspora: En la orilla del Zambeze (na margem do Zambeze). Creio que é feito em Espanha. Estamos juntos!

21 setembro 2007

Doenças mentais em Moçambique são mais frequentes nas áreas rurais

Um estudo revelou que os atrasos mentais, as psicoses e as desordens geradoras de ataques (epilépticos, por exemplo) são mais frequentes nas áreas rurais do que nas urbanas. Quando interrogados sobre as causas das psicoses, inquiridos disseram que eram devidas a causas sobrenaturais. Confira aqui.
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Saraiva de Sousa: creio que esta é uma área do seu foro. Quer avaliar o trabalho e os resultados? Ignoro quais os critérios que presidiram à selecção da amostra, mas creio que falta um termo intermédio, algo como a Beira.

Feminismo em Moçambique

Quer saber do feminismo em Moçambique? Pois então consulte o portal da WSLA aqui.

Mandiocar o país

O jornalista Raul Senda apresenta na edição de hoje do semanário "Savana" um trabalho ("Governo lança mais uma iniciativa utópica") mostrando a controvérsia que nasceu em torno do uso da farinha de mandioca no pão. Investigadores da Universidade Eduardo Mondlane dizem que o amido da mandioca é uma boa alternativa para a redução dos custos envolvidos na importação de trigo. Algumas padarias na cidade de Maputo já vendem pão contendo farinha de trigo misturada com a de mandioca. Mas observadores externos e proprietários de moageiras e panificadores locais consideram que a melhor solução é investir na produção local de trigo. Acresce - sustentam vários - que a mandioca apenas é plantada em quatro províncias e que está afectada por doenças parasitárias. Importa, ainda - dizem - avaliar a aceitação do produto pelas pessoas (Suplemento económico, p. 24).
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A ideia não é nova e a experiência foi tentada na era colonial. E não vingou. Tenho para mim que esta seria uma excelente oportunidade para interrogar os cidadãos, para referendar a mandioca. A minha experiência de investigador mostra-me que em vários pontos do país a mandioca sempre foi recusada na alimentação. Não é uma questão de obstinação gustativa: é simplesmente uma questão a não esquecer. Mandiocar a vida pode trazer problemas.

Leia a Fátima

Eis um texto escrito em 1993 por Fátima Ribeiro a propósito da língua portuguesa.

Textículos

Uma leitora assídua deste diário, a Esfinge, usou uma palavra deliciosamente omnívora: textículos. Isso, com "x". Criada, creio, a partir de "texto". Cada um tem os textículos que merece, eis a ideia no seu português peculiar. Certamente farei doravante uso de tão singular palavra.

Yolanda

Yolanda Aguiar, são-tomense, leitora da blogosfera moçambicana, também tem um blog, chama-se Elites. Ela quer pensar e teorizar as elites. Em frente, Yolanda!

Tiyissela Mamã tiyissela imaganu ya siwana!


Tradução: "Aguenta Mamã, aguenta, a pobreza absoluta está a chegar ao fim!" - frase minha, grafada para Shangaan pelo Cremildo Behula, a quem muito agradeço. A foto, de C. Bila, está na p. 5 do "Notícias" de hoje.
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Adenda às 11.25: alguém me e-mailou dizendo que o Shangaan colocado no título está temperado pelo Matswa e que este que vou colocar a seguir é que é puro: Mamana tiyissela akulua ni usweti kuku suhi ni ku hela. Bem: apenas lamento a minha profunda ignorância!