Um prisma sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon com 07 páginas, a conferir aqui.
Saiba do Niassa através do Faísca, jornal editado em Lichinga, capital daquela província, aqui e aqui.

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1252, de 05/1/2018, disponível na íntegra com 27 páginas aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Mas é em 1978/1979 que a crença se vai desenvolver plenamente nas comunidades rurais zambezianas, numa altura em que a Frelimo procurava criar o "homem novo", em que eram correntes as campanhas de vacinação e de doação de sangue, a hostilidade rodesiana tinha curso e uma rádio anti-Frelimo actuava no Malawi. As pessoas acreditavam que, à noite, seres estranhos penetravam nas palhotas e lhes chupavam o sangue com seringas, pela cabeça, enquanto dormiam.
A condição social dos habitantes da sociedade civil precarizada torna-os prisioneiros de um duplo constrangimento: por um lado, a vulnerabilidade perante os fenómenos da natureza e a insegurança do modo de vida catapulta-os para a interpretação emocional e antropomórfica da vida; por outro, esta visão reforça a vulnerabilidade e a insegurança. É isso que permite o extraordinário florescimento de certo tipo de organizações milagreiras e de consultórios cura-tudo.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. É possível que a primeira notícia pós-colonial de crença no chupa-sangue date, na Zambézia, onde parece ter nascido, do fim de 1974 ou do princípio de 1975, quando os Grupos Dinamizadores (GDs) se formavam. Terá, então, corrido o boato de que os GDs iriam «chupar» o sangue às pessoas.
Um prisma sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon com 06 páginas, a conferir aqui.
Não importa onde, não importa quando, quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Permitam-me cumprimentar cada uma e cada um de vós neste primeiro dia de 2018, com votos de que ele e os restantes dias sejam habitados pela saúde.
Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1251 de 29/12/2017, aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Tendo terminado a trágica história dos leões de Muidumbe, segue-se uma segunda história, a do chupa-sangue, a do vampirismo, um fenómeno também trágico que ressurge periodicamente no país. Aguardem pelo início no próximo número.

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1251, de 29/12/2017, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.
Acontece, muitas vezes, que quanto mais viajados e mais permeados pelo mundo e pelo bem-estar somos, mais tendência temos para defender a aldeia que já não habitamos (se é que algum dia a habitámos mesmo) e para tentarmos convencer os outros de que existem tradições rígidas, com fronteiras nítidas, impermeáveis às mediações.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Finalizo a trágica história dos leões de Muidumbe. Assim, as figuras do Estado, a figura do comerciante (acusado de usar a magia para enriquecer), figuras do bem-estar, surgiram aos olhos dos camponeses empobrecidos, em meio à sua privação, como intrusos perigosos, como a substância plena de uma alteridade subversiva, desestabilizadora.
Uma linguagem errada e criminosa para traduzir um problema real, o da privação.
Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Prossigo na trágica história dos leões de Muidumbe. Estamos perante uma crença irracional? De um certo ponto de vista, sim. Irracional e criminosa. Mas do ponto de vista dos empobrecidos habitantes de Muidumbe, não. O fundamental a reter aqui é que os principais acusados de comandar os leões à distância eram figuras do Estado ou a ele associadas ou associadas ao “bem-estar” acima da média local (o comerciante, por exemplo).
Numa situação de crise, de eclipse do social, os pobres chacinaram outros pobres mas culparam os "ricos" pelo mal-estar e pelas privações. Através desse dramático paroxismo contraditório quiseram mostrar que o Estado se afastara deles, que não atalhou o mal a tempo.

Existe no Faísca [jornal editado em Lichinga, capital provincial do Niassa] uma página de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "Kucela" [em Yaawo, kucela significa amanhecer]. Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Jornal na íntegra aqui. [amplie a imagem abaixo clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato].
Para cada uma e cada um de vós, os meus votos de um excelente Dia da Família habitado pela saúde.
Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1250 de 22/12/2017, aqui.
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Prossigo na trágica história dos leões de Muidumbe. Foram chamados os curandeiros para aplacar o mal. Mas as mortes aumentaram de número. Entretanto, dois caçadores vieram muito tempo depois, meses depois, após montes de burocracia de permeio finalmente vencida (a sede da administração distrital não possuía uma única espingarda): os leões foram abatidos, pânico e chacina terminaram.

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1250, de 22/12/2017, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.
Contracapa não definitiva, número anterior aqui. [há um espaço em branco no resumo temático da contracapa que será eliminado]. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Pertenci a um tempo no qual, em certas zonas rurais do país, se fazia uso do telefone das cavilhas e da manivela: colocava-se a cavilha num número do quadro, dava-se à manivela e aguardava-se pacientemente que do outro lado da linha o destinatário atendesse. Por vezes, aqui e acolá, o tronco de árvore que sustentava o fio mágico do telefone ardia com alguma queimada feita pelos camponeses. Então, de nada valia dar à manivela. Hoje, como é mágico este pequeno aparelho sem fio, sem cavilhas, sem manivela, sem o problema do tronco queimado, cheio de coisas e funções fantásticas, havido por natural, instantâneo, ao qual chamamos celular e em cuja órbita nascemos e vivemos, sem nos apercebermos de quão longa é a história física, química e matemática que está à sua retaguarda, de quão social é o seu natural!
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Prossigo na trágica história dos leões de Muidumbe. Todavia, os principais acusados de comandarem os leões à distância eram pessoas bem distintas: o administrador distrital, os régulos, membros do partido no poder, um comerciante, etc. O administrador foi acusado de ter sacos de dinheiro, de possuir um helicóptero silencioso e invisível, de fazer negócios estranhos com os “brancos”. Um doente mental foi também acusado, coisa anómala. Todavia, essa figura pertencia igualmente à família perturbadora da alteridade da crise.
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