22 novembro 2014

22 de Novembro de 2014

A 22 de Novembro de 2000 - faz hoje, portanto, 14 anos -, o jornalista Carlos Cardoso foi assassinado com cinco balas de AK-47 quando saía, tarde terminada, do seu jornal, o metical, na cidade de Maputo. Assim morreu, com 49 anos, um dos mais corajosos jornalistas moçambicanos na luta contra a corrupção. Ontem como hoje, a sigla de Cardoso mantém-se: é proibido pôr algemas nas palavras. Portal que lhe é dedicado, aqui. "Soluções informais" - eis o título de um texto da sua autoria, escrito em 1996 e publicado num livro saído sob minha direção em 1998 (Serra, Carlos, Estigmatizar e desqualificar/Casos, análises, encontros. Maputo: Livraria Universitária, 1998, pp. 27-44), confira aqui.
Adenda: cerimónia hoje, às 18 horas, na Avenida Mártires da Machava, junto ao Parque dos Continuadores.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (10)

João Carlos Colaço, o autor deste blogue e Rosália Diogo do Brasil.

BPI analisa economia moçambicana

O Banco Português de Investimentos analisa a economia moçambicana no seu boletim de Outubro do corrente ano, aqui. Abaixo, um extracto:

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (9)

Em epígrafe, alguns dos participantes na tradicional foto de família.
De prevenção, membros da Cruz Vermelha e dos Bombeiros.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1089, de 21/11/2014, disponível na íntegra aqui (o tema do extracto está na página 8):
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

21 novembro 2014

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (8)

Olívia Chiziane, membro da Comissão Organizadora e mestre de cerimónia.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (7)

Da esquerda para a direita: o autor deste blogue (presidente da Comissão Organizadora) de Moçambique, Almiro Lobo de Moçambique, Patrícia Gomes da Guiné-Bissau e Albie Sachs da África do Sul. 

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (6)

Cantor e guitarrista Pedro Tinga (estudante finalista da Universidade Eduardo Mondlane) actuando num dos muitos momentos culturais da conferência. Voz magnífica.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (5)

Parte da assistência na sessão inaugural de quarta-feira.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (4)

Mestres de cerimónia da conferência, Almiro Lobo e Olívia Chiziane.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (3)

Sessão inaugural na quarta-feira, da esquerda para a direita: Director do Centro de Estudos Africanos, Armindo Ngunga; esposa de Albie Sachs; conferencista Albie Sachs; Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Orlando Quilambo; conferencista Patrícia Gomes; Vice-Reitor da UEM para Administração e Recursos, Ângelo Macuácua.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (2)

Albie Sachs na conferência inaugural de quarta-feira, Patrícia Gomes na segunda conferência ontem.

Fotos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (1)

Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, entregando o certificado de participação ao Doutor Albie Sachs, conferencista no primeiro dia da conferência.
Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Prof. Doutor Orlando Quilambo, entregando o certificado de participação à doutora Patrícia Gomes, da Guiné-Bissau, conferencista no segundo dia da conferência.

20 novembro 2014

Pedido de compreensão

Estou em dificuldades para manter a regularidade temática do diário face à realização da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane. Espero retomar a regularidade na próxima sexta-feira. Perdoem-me.

19 novembro 2014

Começa hoje na cidade de Maputo

Resultados eleitorais e teses preguiçosas (8)

Oitavo número da série. Trabalhando sempre com hipóteses, permaneço no terceiro ponto dos seis pontos sugeridos aqui, a saber: 3. O mundo das teses preguiçosas nos media. Ainda que nenhuma dessas teses, em si ou associada a outras, possa de forma alguma ser excluída como instrumento compreensivo, há, no entanto, quatro fenómenos a ser considerados:
• Não foram apoiadas por uma investigação sistemática , sendo, na maior parte dos casos, um exercício de conversão da realidade às nossas ideias sobre o que julgamos ter-se passado ou que esperávamos dever passar-se. Simples enunciados foram erigidos em verdadeiras soluções.
• Foi evidente o relevo dado especialmente pelo partido no poder quer ao défice de educação cívica, quer às insuficiências técnicas, o que provocou a ira de certos comentadores em jornais. A ideia central por estes defendida foi a de que o povo sabe o que quer mesmo quando é “analfabeto” a um certo nível.
• O comportamento eleitoral foi homogeneizado e evacuado das diferenças sociais.
• Regra geral, esse comportamento foi tomado como uma reacção passiva a fenómenos "exteriores". Poucos analistas tiveram a preocupação de encontrar no comportamento e na diversidade eleitorais a autonomia, a iniciativa e a estratégia.
(reproduzido e adaptado de Serra, Carlos [dir], Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, pp. 70-71)

Brevemente à venda

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18 novembro 2014

Amanhã

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Amanhã no Cine-Teatro Scala

Estreia nacional, amanhã, 19:30, Cine-Teatro Scala, cidade de Maputo, entrada grátis, um dos momentos culturais específicos da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos. Estarão presentes Albie Sachs e a realizadora norte-americana Abby Ginzberg.

17 novembro 2014

Resultados eleitorais e teses preguiçosas (7)

Sétimo número da série. Trabalhando sempre com hipóteses, entro no terceiro ponto dos seis pontos sugeridos aqui, a saber: 3. O mundo das teses preguiçosas nos media. Para explicar a abstenção verificada nas eleições autárquicas de 30 de Junho de 1998, quinze grandes teses, geralmente de tipo monofactorial, a cargo dos mais diferentes tipos de actores, fizeram a sua aparição na imprensa, a saber: crítica às forças políticas, especialmente partidárias; punição da incapacidade governamental de melhorar a vida das pessoas; "cartão vermelho" para a Frelimo e para o seu "futuro melhor", preferindo as pessoas o "presente melhor"; obediência ao pedido de abstenção feito pela oposição; falta de competição; recusa dos "filhos" de tomar partido numa luta entre "pais"; medo de nova guerra; regresso ao campo de pessoas urbanizadas durante a guerra; deficiente campanha de educação cívica; ausência de cultura democrática e/ou eleitoral; falta de cultura política; deficiente trabalho da CNE e do STAE; influência dissuasória das Igrejas; natureza importada da democracia multipartidária baseada na conflitualidade; inadequação das eleições à tradição africana do unanimismo e da chefia tradicional (in Serra, Carlos [dir], Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, pp. 69-70)

No "Savana" 1088 de 14/11/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

A rua africana guardiã das Constituições

"Congo, República Democrática do Congo, Togo, Ruanda, Burundi, Benin: como no Burkina Faso, os chefes de Estado locais são tentados por uma emenda constitucional para se manterem no poder em 2015. Mas agora nada será como antes." (tradução minha, CS) - cabeçalho de um texto intitulado "A rua africana guardiã das Constituições", inserto no Courrier Internationale do Le Monde, aqui.
"Os acontecimentos de Burkina Faso mostraram que a rua está prestes a tornar-se, em África, no verdadeiro baluarte contra a revisão constitucional "por motivos pessoais"".(tradução minha, CS) - um trabalho de Abdoulaye Dièye intitulado "A rua como único baluarte?", extraído do Le Populaireaqui.

16 novembro 2014

Sobre os livros na era cibernética

"Hoje lemos um post que não poderíamos deixar de partilhar: "Crianças descobrem, com surpresa e uma certa apreensão, dois objectos estranhos e sem uma utilidade óbvia! (Vitor Santos)". Aqui.

Fungulamaso (abre o olho, está atento)!

Nenhum Moçambicano deve ficar alheio aos graves riscos sociais (com a saúde em primeiro lugar) e ambientais da acção de certas multinacionais no país, mesmo que  - perversidade histórica! - ostentem um verniz socialista. Nenhum. Seres humanos, animais, natureza, florestas, etc.: nada escapa à voracidade do grande Capital. Fixai: ele não olha para a moral, mas para o lucro. Por isso tudo fará para colocar no terreno várias forças poderosas de ataque, da filantropia à pistolagem passando pelos ditirambos proclamados pelos aliados internos, tendentes a desmoralizar os críticos e, em última análise, a magoá-los seriamente. Fungulamaso, Moçambicanos. Que em cada um de nós habite o trajecto de um futuro nacional digno e próspero, construído com a nossa vigilância e com a nossa idoneidade.

Coleção a apresentar na próxima quarta-feira

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15 novembro 2014

A propósito do "Estatuto de líder da oposição"

Um dos pontos que a Assembleia da República vai debater em sessão extraordinária é o Estatuto de Líder de Oposição, ao que parece uma promessa do presidente da República, Armando Guebuza. Isto pode significar que o partido no poder não vai enveredar pela atribuição de uma vice-presidência explícita ao presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, mas por uma fórmula inofensiva, suave, neutra, implícita, desse estatuto, com bom proveito financeiro e prestígio politicamente controlado. Quanto mais denso em termos de prestígio (ainda que não efectivo em termos decisionais no Estado) for esse estatuto, maior deverá ser a esperança da Frelimo de que a Renamo e o seu presidente abandonem a ideia de um "governo de gestão" (uma maneira diferente de dizer governo de unidade nacional), especialmente se for bem sucedida a integração da elite militar daquele partido nas forças de defesa e segurança do país. Por outras palavras: quanto mais a elite da Renamo, militar e civil, se sentir participante na partilha de recursos de poder e prestígio, mais ela é suposta esquecer a mata espartana da guerrilha.
Adenda: repare-se bem na fascinante e perversa simbologia da foto em epígrafe (dir-se-ia algo como "Nyusi iluminando Dhlakama"), extraída do portal da "Rádio Moçambique", aqui.

A fractura política pode começar assim

No partido X em ascensão a fractura política pode começar assim: os resultados eleitorais não agradam a certos pretendentes à presidência, que, de imediato, criam uma plataforma discursiva destinada a desvalorizá-los e a regionalizá-los. Mesmo se os resultados eleitorais permitiram uma evidente ascensão do partido X, os pretendentes à presidência - ostentando beatificamente a bandeira do desinteresse a esse respeito -, dirão, em tom dramático, mediático, que a derrota aconteceu, visando estrategicamente o presidente em exercício (dirão algo como: ele é um monarca intolerante, não um democrata humilde). Mas não só eles, afinal: também os fracassados na corrida aos bem remunerados cargos da Assembleia da República. Quando isto sucede, pressagiando a luta interna no partido X e o risco útil de desagregação política, o partido no poder, experiente nestas andanças, tendo já passado por situações parecidas (como disse um dia Oscar Wilde, a experiência é a coleção dos nossos erros), com os seus estrategas e os seus ideólogos de plantão, ri-se e esfrega as mãos de contente. Porque, afinal, a ambição organiza-se, a ambição prepara-se.

É já na próxima quarta-feira

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Adenda: os mestres de cerimónia serão Almiro Lobo e Olívia Chiziane. O porta-voz da conferência será Ernesto Dimande.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1088, de 14/11/2014, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.