24 dezembro 2013

Documento com 18 páginas

Estamos nós dispostos?

Ditos (73)

Septuagésimo terceiro dito. Quanto mais protestas contra os teus críticos, mais visível, irremediável e criticável tornas a tua intolerância.
(continua)

Que sabemos nós?

Questão

Suponhamos que no Bairro da Incógnita, algures numa cidade, habitam um mercador de escravos e um escravo. Têm ambos a mesma concepção de história?

23 dezembro 2013

Diálogo sem diálogo

Hoje estava previsto que governo e Renamo se encontrassem uma vez mais. Mas isso não aconteceu. Ponto de vista oficial segundo a "Agência de Informação de Moçambique", aqui; ponto de vista da Renamo segundo o seu portal, aqui. Recorde esta minha postagem aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (10); Propaganda eleitoral pelo vestuário (7); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (73); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

Balanço das eleições autárquicas 2013

Propaganda eleitoral pelo vestuário (6)

Sexto número da série. Escrevi no número anterior que importa ter em conta dois tipos de candidatos partidários: aqueles que são a linguagem textual do partido e aqueles que a inventam. No primeiro caso estamos perante seguidismo doutrinário, perante a reprodução mecânica e sem criatividade dos programas partidários, perante a cautela metodológica, perante a aplicação cuidadosa da cartilha herdada da história; no segundo, estamos perante a inovação, perante a invenção permanente, perante a subversão metodológica, perante a ausência de uma experiência assente na história e na rotina. É a este nível que desejo colocar o problema do vestuário de campanha, é a este nível que desejo mostrar quanto uma certa fotogenia de propaganda diferente tende a restaurar, a resgastar a contiguidade calórica entre eleitores e candidatos, a criar uma cumplicidade descontraída entre jovens. Se não se importam prossigo mais tarde (na imagem, aqueles que foram candidatos à presidência do município de Quelimane, respectivamente Abel Henriques da Frelimo e Manuel de Araújo do MDM, arranjo meu a partir de fotos do jornalista António Zefanias).
(continua)

Ungulani excepcional

O último romance de Ungulani Ba Ka Khosa, Entre as memórias silenciadas, é simplesmente excepcional. Entrem na e sintam a tessitura das personagens. É como se elas quisessem desesperadamente passar da criação simbólica à realidade corpórea. Um livro absolutamente merecedor de prémios em qualquer parte do mundo. Em Agosto, o romancista escreveu para este diário as seguintes palavras: "Mais do que retratar as pequenas e grandes misérias da primeira república, o livro, no meu entender, revela os desencontros de uma geração que já não se exalta com os feitos de uma revolução que não consegue renovar o seu discurso. Uma pátria é feita de identidades, de discursos múltiplos. Os meus personagens procuram um chão sólido." 

No prelo

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

No "Savana" 1041 de 20/12/2013, p. 19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do semanário "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também agora na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

22 dezembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (10); Propaganda eleitoral pelo vestuário (6); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (73); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

Faz doer

Faz doer a conclusão preliminar do relatório sobre a causa da queda, a 29 de Novembro, na Namíbia, do avião TM 470 das LAM. Aqui e aqui.
Adenda às 06:56: se se confirmar a conclusão preliminar, um enorme esforço deverá ser feito para evitar a estigmatização.
Adenda 2 às 06:59: mas as dúvidas subsistem. Por exemplo, eis o comentário de Tomás Queface: "Um suicídio implicaria um embate frontal, o que não coincide com a imagem, que dá a entender a intenção de uma aterragem forçada. Porque a LAM não divulga o teor da conversa com o comandante antes da queda?"
Adenda 3 às 08:10: a conclusão preliminar do relatório (caso esteja certa) e a dúvida do Tomás (caso seja lícita) podem não excluir-se. Na verdade, a "clara intenção" mencionada pelo "@Verdade" pode ter sido anulada quando o avião estava já próximo do solo, tentando o piloto retomar desesperadamente a altitude perdida, daí a hipótese da "aterragem forçada".
Adenda 4 às 08:14: várias perguntas podem e devem ser feitas. Por exemplo: (1) Qual a prova ou quais as provas de que era o comandante que estava dentro do cockpit?; (2) Qual a prova ou quais as provas de que o comandante se encontrava sozinho no cockpit?; (3) Qual a prova ou quais as provas de que o comandante teve a clara intenção de dirigir o avião contra o solo?; (4) Qual a prova ou quais as provas de que o comandante não se encontrava em boas condições psíquicas, a ponto de tomar uma decisão tão trágica?
Adenda 5 às 08:24: confira aqui e aqui.
Adenda 6 às 19:36: "A razão para todas estas operações é desconhecida, a investigação prossegue" - comandante João Abreu das LAM, a propósito da "clara intenção" de fazer o aparelho cair, registo há momentos no jornal das 19:30 da "Rádio Moçambique".
Adenda 7 às 19:39: "A pessoa é um mistério", "No desespero a pessoa pode não querer morrer sozinha" - padre Agostinho, psicólogo de serviço no Hospital Central de Maputo, ouvido pela "Rádio Moçambique" a propósito do possível "suicídio" provocado pelo comandante da aeronave. Minha observação: este psicólogo devia ser mais psicologicamente cauteloso.
Adenda 8 às 20:07: ouvido pela estação televisiva "STV" no jornal da noite das 20 horas, o advogado Abdul Gani afirmou que pode ter havido negligência na escala do comandante do avião, pois corria à boca cheia na cidade [sic] que lhe tinha morrido um filho.  Minha observação: confira aqui.

A parte nocturna das boas vontades

Ante a síndrome de Muxúnguè, perante o soar das metralhadoras, multiplicam-se os apelos ao diálogo (ao diálogo político, acrescentam alguns), sucedem-se os discursos sobre a inclusão, implicitamente há quem apele ao pacto social. A ideia central consiste em substituir o estado natural do conflito pelo estado social do acordo. Por outras palavras, a ideia central consiste em evacuar o tribunal da emoção a favor do tribunal da razão.
Quem faz tais apelos? Muitos, dos políticos gestores do Estado e a ele aspirantes aos académicos e outros intervenientes da chamada sociedade "civil", passando pelos porta-vozes de confissões religiosas.
No fim, é como se estivessemos perante ume enorme missa humanista. Esta é a parte diurna do conjunto de boas-vontades.
Porém, poucos parecem dispostos a enunciar quais devem ser as regras e os conteúdos do diálogo, para além das piedosas e nefelibatas fórmulas do género "vamos sentar e conversar" e da festa dos seminários de reflexão em locais de luxo. A dificuldade para colocar de frente - na medula do diálogo - o problema da redistribuição de recursos de vida, poder e prestígio é a parte nocturna das boas vontades.

Ar profundo

Um sério problema normativo que evacua a análise e a compreensão dos fenómenos sociais consiste em atribuir ao social um fundo imutável de bondade e de maldade. Aquilo que frequentemente passa na praça por análise mais não é do que um exercício pleno de normatividade posto em acto com ar profundo pelos intelectuais da rotina costumeira.

21 dezembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (10); Propaganda eleitoral pelo vestuário (6); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (73); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

Já à venda em Maputo

Já está à venda na cidade de Maputo o livro com a capa abaixo, segundo número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais":
Recorde abaixo a capa do primeiro número, à venda faz algum tempo:
A coleção "Cadernos de Ciências Sociais" pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português. Nela apresentarei alguns dos grandes cientistas e intelectuais de ramos diversos que escrevem nessa língua no planeta, inscritos num fórum da coleção que cresce dia após dia.

Ditos (72)

Edição 1041

20 dezembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (10); Propaganda eleitoral pelo vestuário (6); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (72); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

Amanhã na íntegra neste diário

Sobre o estado analítico do estado da nação

Como sucede anualmente, o informe do chefe de Estado ontem na Assembleia da República suscitou a polarização habitual: o estado da nação é mau para uns, é bom para outros, a saúde da nação é má ou péssima para uns, a saúde é boa ou óptima para outros. A posição de cada trincheira produtora de opinião pública é transformada em opinião de todas as trincheiras, em opinião uniforme, independente de grupos sociais e dos seus antagonismos. Mas nunca no país foi feita uma pesquisa sobre o que e como os grupos sociais (porque, na verdade, não existem Moçambicanos em geral, ideal tão do agrado de certos círculos e dos seus intelectuais de serviço) avaliam a saúde social do país.

Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (9)

Nono número da série. Permaneço no segundo ponto do sumário proposto aqui. 2. Dois paradigmas de propaganda eleitoral. Deixei no número anterior duas perguntas, a saber: como se explica a grande aceitação que teve e tem um partido cujo nascimento data de 2009? A grande aceitação tem a ver com erros da campanha eleitoral da Frelimo? Confrontados com essas perguntas, nada custa fazermos uso de explicações generalizadoras e imediatas do género o povo está cansado e o povo quer mudança. Se não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)

Ditos (71)

Septuagésimo primeiro dito. Quanto mais efemérides se comemoram, menos as pessoas se recordam da história.
(continua)

19 dezembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (9); Propaganda eleitoral pelo vestuário (6); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (71); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

No prelo

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Ontem: festa do CEA da UEM

O Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, a mais antiga instituição de pesquisa do país, criada em 1976 (há 37 anos), promoveu ontem a sua festa de fim-de ano. Seguem-se algumas imagens alusivas:
Quatro reformados do centro foram homenageados. Na foto abaixo, três deles (o dr. Calisto Pacheleque não pôde estar presente), enquadrados à esquerda pelo Prof. Carlos Arnaldo (director-adjunto para a investigação) e à direita pela Prof.ª Ana Monteiro (directora-adjunta para a Administação): Professora Teresa Cruz e Silva (Catedrática), Hilário Diuty (documentalista) e eu (no que me concerne, continuo a trabalhar normalmente).

18 dezembro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
Séries pessoais: Politizar cientificando: autárquicas Moçambique 2013 (9); Propaganda eleitoral pelo vestuário (6); Discursos presidenciais e escritores-fantasmas em Moçambique (3); Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (21); A cova não está em Muxúnguè (28); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (15); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (12); Como suster os linchamentos? (17); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (9); A carne dos outros (23); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Modos de navegação social (22); Ditos (71); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (102)

Cibermilitantismo e ciberpropaganda

Já vos dei a conhecer que prováveis militantes da Frelimo sob anonimato criaram páginas no Facebook de apoio às candidaturas à presidência da República de Eneas Comiche, Eduardo Mulémbwè e Luísa Diogo (aqui), procurando fazer face aos pré-candidatos apresentados pela Comissão Política do partido, designamente José Pacheco, Alberto Vaquina e Filipe Nyussi (aqui). Há momentos verifiquei que destes três últimos apenas Alberto Vaquina exibe uma página no Facebook, criada o ano passado, mas sem entradas. Ora, hoje, em qualquer parte do mundo, descurar o cibermilitantismo e a ciberpropaganda política é um erro que pode ser fatal. A história está bem mais à frente do que pensamos. A este respeito, Armando Guebuza (aqui), Afonso Dhlakama (aqui; há mais páginas sobre ele no Facebook) e Daviz Simango (aqui) aprenderam depressa. Imagem reproduzida daqui.