27 maio 2013

Da purificação das fileiras à purificação das ideias (1)

Segundo o jornal digital "Notícias" na sua edição de hoje, antigos combatentes da luta de libertação nacional sediados na Gorongosa disseram ao governador de Sofala que é necessário purificar a polícia para que tenha maior eficiência. Aqui. Acho que este tema-linguagem, de nítida ressonância samoriana e há muito sumido da nossa imprensa, é uma boa introdução para tomar aqui em conta certos fenómenos do país, tendo como êmbolo a detenção ontem por algumas horas do presidente da Associação Médica de Moçambique (manchete com cinco colunas e uma enorme foto na primeira página da versão física do "Notícias" de hoje).
(continua)

A história repete-se duas vezes (1)

Esta é uma série muito curta, em três números. Vamos lá começar: quando da luta de libertação nacional no nosso país, círculos coloniais (aí compreendidos os militares e dos serviços secretos) difundiam sistematicamente a tese de que a Frelimo era uma mera marionete movida pelos cordéis manipulados por tenebrosas potências estrangeiras, especialmente comunistas. Por outras palavras: a Frelimo não tinha existência própria, não pensava autonomamente, apenas podia ser pensada por essas potências. Hoje ainda, certos círculos conservadores pós-coloniais defendem essa teoria.
(continua)

Luta política: a Pasárgada da Renamo (6)

Sexto número da série. Prossigo no primeiro ponto de um sumário proposto aqui(1) A polifonia da guerrilha e o boicote eleitoral. Escrevi no número anterior que a guerrilha tem um sentido militar imediato, o da luta não convencional, fora das regras clássicas. Porém, ela é poliforma e pode ser usada fora do campo de batalha estritamente considerado. Enquanto não explico o que pretendo dizer, tenham em conta as partes sublinhadas a amarelo do extracto abaixo, retirado do portal da Renamo, aquiSe não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)

Edição 1011

O que é uma casa sem comida?

Com o título em epígrafe, um relatório de 122 páginas da organização Human Rights Watch sobre a penúria alimentar (mas não só) nas comunidades na zona carbonífera de Moatize, província de Tete, gerida pelas empresas Vale e Rio Tinto, aqui. Segundo o O País, a Vale desmentiu, aqui.

26 maio 2013

Amanhã: edição 1011

A conferir

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (3)
Séries pessoais: A história repete-se duas vezes (1); Luta política: a Pasárgada da Renamo (6); O popular Facebook de pedais em Quelimane (7); Qual a cor de Cécile Kyenge Kashetu? (10); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (16); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (31); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (6); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (18); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (8); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (13); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (18); Morte dos blogues moçambicanos? (48); A carne dos outros (21); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (21); Ditos (59); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (98)

A entrar

A história repete-se duas vezes

Morte dos blogues moçambicanos? (47)

Quadragésimo sétimo número da série, com sumário proposto aqui. Prossigo no ponto 6. Razões da morte. Escrevi anteriormente que é possível considerar doze razões para compreender a morte dos blogues moçambicanos e, dessa forma, fugir à preguiça de atribuir às redes sociais a causa exclusiva do fenómeno. Ei-las: 1. Mediocridade temática, 2. Anonimato, 3. Parasitismo do copia+cola, 4. Mexeriquismo, 5. Paroquialismo, 6. Hiperegocentrismo, 7. Hipercientifismo, 8. Hermetismo, 9. Abuso do texto pastelão, 10. Design pouco atractivo, 11. Ausência de análise sistemática das visitas e seus tipos e 12. Ausência de actualização temática regular. Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)
Adenda: Virtualização do quotidiano: bloguismo em Moçambique - um pequeno texto pioneiro de Teles Huo divulgado neste diário em 2006, confira aqui.
Adenda 2 às 5:56 de 17/12/2012: estude o estado da blogosfera em 2011 em trabalho da Technorati, aqui e aqui.
Adenda 3 às 7:31 de 28/04/2013: Sou blogueiro. Gero conteúdo ou faço copy/paste?, aqui.
Adenda 4 às 7:33 DE 28/04/2013RT, CTRL+C CTRL+V, EMBED, FWD ou WRITE, REC, CLICK?, aqui.

Intelectuais orgânicos do mundo rural

Ao serviço dos Antigos, dos Velhos, dos Chefes, do Tradicional, os contra-feiticeiros, os curandeiros, os herbanários, etc., são os verdadeiros intelectuais orgânicos do mundo rural, são eles quem assegura a representação social do mundo conveniente e lhe dão, especialmente através da gestão da feitiçaria*, a consistência durável de uma ideologia ao serviço da ordem estabelecida.
__________________________
*«Falar de feitiçaria, efectivamente, é designar um conjunto de crenças estruturadas e partilhadas por uma dada população acerca da origem da infelicidade, da doença ou da morte, e o conjunto das práticas de detecção, de terapia e de sanções que correspondem a estas crenças.» - Augé, Marc, As crenças na feitiçaria, in Augé, Marc (dir), A Construção do Mundo (Religião, Representações, Ideologia). Lisboa: Edições 70, 1978, p.72;__,Théories des pouvoirs et idéologie, Étude de cas en Côte d'Ivoire. Paris: Hermann, 1975, pp.85-115.

Poder e compromissos

“Um poder não tenta compromissos senão quando já perdeu. Ele não é fraco porque cede: ele cede porque é fraco.” - Sperber, Manès, Psychologie du pouvoir. Paris: Éditions Odile Jacob, 1995, p. 95.

Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (2)

Segundo número de uma série fotográfica dedicada ao distrito de Mulevala, antigo posto administrativo do distrito do Ile, província da Zambézia, da autoria de Carlos Serra Jr, na qual, como em séries anteriores, desfilam imagens do microsocial e da paisagen local.  A última série do autor versou sobre Mágoè/Zumbo. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

A verdade é filha da discussão

"Sofremos de uma incapacidade de mobilizar o nosso pensamento. Para termos alguma garantia de termos a mesma opinião acerca de uma idéia particular, é preciso pelo menos que tenhamos tido sobre ela opiniões diferentes. Se dois homens se querem entender verdadeiramente, têm primeiro que se contradizer. A verdade é filha da discussão e não filha da simpatia." - Bachelard, Gaston, A filosofia do não, Filosofia do novo espírito científico. Lisboa: Editorial Presença, 1991, 5.ª ed.ª, p.125.

25 maio 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (2)
Séries pessoais: Luta política: a Pasárgada da Renamo (6); O popular Facebook de pedais em Quelimane (7); Qual a cor de Cécile Kyenge Kashetu? (10); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (16); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (31); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (6); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (18); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (8); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (13); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (18); Morte dos blogues moçambicanos? (47); A carne dos outros (21); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (21); Ditos (59); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (98)

O que é exclusão social?

O que é exclusão social? - eis a pergunta-título do segundo livro da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", da Escolar Editora, no prelo, com dois autores moçambicanos e um brasileiro. Entretanto, podeis adquirir o primeiro livro, com a capa logo abaixo, à venda em Maputo por 290 meticais, com os seguintes autores: Carmeliza Rosário (Moçambique), Paulo Granjo (Portugal) e Michel Cahen (França). Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Novos números da coleção estão a ser preparados, versando sobre filosofia africana, cartum, saúde mental e literatura, com contribuições de autores de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Itália e Brasil.

O popular Facebook de pedais em Quelimane (6)

Sexto número da série. Escrevi no número anterior que cada bicicleteiro é uma rede social, é um Facebook. Por quê? Ponte diária entre a cidade do macubar e a cidade do cimento, o bicicleteiro é o táxi dos mais pobres. Mais decisivo ainda: o bicicleteiro é um difusor de mensagens. Se não se importam, prossigo mais tarde. Foto reproduzida daqui.
(continua)

Ditos (58)

Quinquagésimo oitavo dito. Ninguém é mais culto do que outrem, ninguém se pode arrogar o direito de ser mais inteligente do que outrem. Não há pessoas ou grupos mais cultos do que outras pessoas ou outros grupos, mas pessoas e grupos com culturas diferentes; não há pessoas ou grupos mais inteligentes do que outras pessoas ou outros grupos, mas pessoas e grupos com inteligências diferentes.
(continua)

Um jornal

24 maio 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (2)
Séries pessoais: Luta política: a Pasárgada da Renamo (6); O popular Facebook de pedais em Quelimane (6); Qual a cor de Cécile Kyenge Kashetu? (10); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (16); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (31); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (6); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (18); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (8); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (13); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (18); Morte dos blogues moçambicanos? (47); A carne dos outros (21); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (21); Ditos (58); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (98)

A conferir

Gás, empresas e parcerias com a elite política

Uma tese de Robert Besseling: "Extremamente promissoras taxas de sucesso na exploração de gás em Moçambique têm gerado expectativas de investimento crescente nos próximos anos (...) A fim de mitigar os riscos, as empresas investidoras vão tornar-se mais dependentes de parcerias locais com a elite política." Aqui (obrigado a CS e CA pelo envio do texto).

Qual a cor de Cécile Kyenge Kashetu? (9)

Nono número da série, com a foto em epígrafe reproduzida daqui. Permaneço no segundo ponto do sumário proposto aqui. 2. Os quatro andamentos da racialização do social. Escrevi no número anterior que o segundo andamento é mais complexo, mais delicado e consiste em atribuir ao Outro - indivíduo ou grupo - uma identidade negativa, motivo de escárnio ou de ameaça. Temos, a seguir, o terceiro andamento, no qual se passa da desqualificação à ameaça e à agressão. Se não se importam, prossigo mais tarde.
Em epígrafe, a médica Cécile Kashetu ajudando um doente, foto reproduzida com a devida vénia da sua página no facebook, aqui. Abaixo, uma curta mensagem deixada nessa página a 05/05/2013.
Adenda: tenho escrito bastante sobre racismo neste diário. Sugiro recordem, por exemplo,  a série com o título A raça das raças, ainda em curso, aqui; e estoutra, já terminada, com o título De que raça é a tua cor?, aqui.
(continua)

Luta política: a Pasárgada da Renamo (5)

Quinto número da série. Propus-vos no número anterior o seguinte sumário: (1) A polifonia da guerrilha e o boicote eleitoral, (2) A privatização do diálogo político e (3) O objectivo de um Governo de Unidade Nacional. Vou entrar no primeiro ponto. (1) A polifonia da guerrilha e o boicote eleitoral. A guerrilha tem um sentido militar imediato, o da luta não convencional, fora das regras clássicas. Se não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)

Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (1)

Primeiro número de uma série fotográfica dedicada ao distrito de Mulevala, antigo posto administrativo do distrito do Ile, província da Zambézia, da autoria de Carlos Serra Jr, na qual, como em séries anteriores, desfilam imagens do microsocial e da paisagen local.  A última série do autor versou sobre Mágoè/Zumbo. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Edição 1011: proximamente

23 maio 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (1)
Séries pessoais: Luta política: a Pasárgada da Renamo (5); O popular Facebook de pedais em Quelimane (6); Qual a cor de Cécile Kyenge Kashetu? (9); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (16); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (31); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (6); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (18); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (8); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (13); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (18); Morte dos blogues moçambicanos? (47); A carne dos outros (21); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (21); Ditos (58); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (98)

O popular Facebook de pedais em Quelimane (5)

Quinto número da série. Deixei no número anterior duas perguntas, a saber:  (1) Por que razão entendo que os bicicleteiros são o Facebook de pedais de Quelimane?; (2) Pode esse Facebook ser politizado? Vou começar a resposta à primeira pergunta: cada bicicleteiro tem uma família vivendo na cidade do macubar, lá onde cada dia é um ponto de interrogação na sobrevivência. Permitam-se avançar uma hipótese a desenvolver mais tarde: cada bicicleteiro é uma rede social, é um Facebook. Por quê? Se não se importam, prossigo mais tarde. Foto reproduzida daqui.
(continua)

O poder de nomear desviantes e vândalos (11)


Décimo primeiro número da série, permanecendo no terceiro número do sumário3. Recursos de poder e o poder de nomear desviantes e vândalos. Escrevi no número anterior que os políticos no poder são produtores da palavra oficial e da verdade a todo o momento. Que tipo de verdade? A verdade em si, considerada definitiva, indiscutível, absoluta, a verdade do poder de poder. Estamos perante a adaptação profana da verdade religiosa. Porém, não longe do apego à verdade verdadeira dos gestores políticos estão os gestores religiosos. O que pretendo dizer com isso? Se não se importam, prossigo mais tarde. Imagem reproduzida com a devida vénia daqui.
(continua)