26 janeiro 2013

Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (13)

Décimo terceiro número de uma série fotográfica de 2012 sobre a vila de Mpende, sede do distrito de Mágoè, província de Teteda autoria de Carlos Serra Jr, na qual, como em séries anteriores, desfilam imagens do microsocial do país. A última série do autor versou sobre Pemba-Metuge, aqui. A próxima terá a Zambézia como referência. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Descentralizar a cidade de Maputo (5)

Quinto número da série. Porém, na realidade, os distritos municipais mais não são do que uma réplica apagada dos seus congéneres distritais. Estão excessivamente reféns do Conselho Municipal em termos administrativos, financeiros, patrimoniais e humanos. Apesar de se encontrarem localizados geograficamente mais perto das populações, estão praticamente desprovidos dos necessários meios para resolver pronta e eficazmente os problemas que afectam as áreas sob sua jurisdição e as populações respectivas. (Por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) (foto reproduzida deste diário aqui)
(continua)

Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (13)

Décimo terceiro número da série. A ordem social burguesa é espalhada pelo mundo ou, melhor, é imposta a esse mundo através de guerras, mercadorias e ideias crescentemente informatizadas. Assim se formam no planeta as periferias produtoras de matérias-primas e os dumba-nengues do Capital, asseguradas por classes compradoras que gerem Estados neo-patrimoniais, privatizados, nos quais a cleptocracia e a ostentação da riqueza (mas, também, o senhorismo de guerra e a predação quando um grupo é excluído do acesso ao prebendialismo estatal) estão em interface com a miséria galopante dos deserdados para quem o informal e a criminalidade acabam por constituir, afinal, formas legítimas de protesto e de recomposição social. É nisso que consiste, afinal, a globalização. Prossigo mais tarde.
(continua)
Nota: esta série é baseada num texto que apresentei em 1998 na Faculdade de Medicina, por ocasião do Dia da Universidade Africana e com base no tema “Revitalizando Universidades em África: Estratégias para o Século XXI”.

Desemprego no mundo

"O número de desempregados no mundo aumentou em 4,2 milhões em 2012 atingindo 197 milhões de pessoas, uma taxa de desemprego de 5,9 por cento, de acordo com as Tendências Mundiais de Emprego 2013." (...) Cerca de 35 por cento dos jovens desempregados nas economias avançadas ficaram sem emprego durante seis meses ou mais. Como consequência, um número crescente deles perde a motivação e se retira do mercado laboral." Confira relatórios aqui.

Crónica de um fracasso programado no Mali

Com o título em epígrafe, um texto de Jean-François Bayart em espanhol aqui e em francês aqui.

25 janeiro 2013

Cheias e inundações

Cidade do Chócuè submersa, famílias nos tectos de casas e lojas, filas de pessoas para receber três quilos de arroz, um pouco de óleo e um pouco de açúcar, tendas insuficientes, casas e edifícios governamentais abandonados, comandante da polícia e polícias fora dos seus postos, meliantes aproveitando para pilhar lojas e casas. Na cidade de Xai-Xai, como prevenção, milhares de pessoas já abandonaram as zonas de risco na zona baixa, levando consigo os seus haveres. Um cenário global de desolação, drama e ansiedade, pessoas do Chócuè a criticar a falta de auxílio e o governador da província  de Gaza - eis a síntese de uma reportagem apresentada pela estação televisiva STV no noticiário das 20 horas.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (13); Descentralizar a cidade de Maputo (5) (por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) 
Séries pessoais: Por que os médicos venceram? (5); Teorias da conspiração (7); Três racionalidades (ainda sobre o avião de Moatize) (6); Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (13); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (5); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (7); Sobre o 15 de Novembro (15); Produção de pobreza teórica (7); O discurso da identidade nacional (4); Como suster os linchamentos? (14); O que é um intelectual? (10); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (15); Morte dos blogues moçambicanos? (39); A carne dos outros (19); A difícil fórmula da distribuição de consensos (41); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (20); Ditos (51); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (97)

Proximamente

Dois novos questionários

Proximamente

Descentralizar a cidade de Maputo (4)

Quarto número da série. Paradoxalmente, no caso do Município de Maputo, o actual modelo de descentralização peca precisamente pelo excessivo centralismo com que o Conselho Municipal e respectivo Presidente dirigem e administram a Autarquia Local. Isto é, trata-se de uma dimensão centralista inserida no quadro de um processo de descentralização de poderes. Conforme veremos, esta dimensão acaba “apagando” os benefícios atribuídos à criação de Autarquias Locais. Esta dimensão é uma realidade ainda que se tenha atribuído a Maputo um Estatuto específico e se tenham inclusivamente criado Distritos Municipais, em número de sete ao todo, designadamente Kapfumo, Nlhamankulu, KaMaxaquene, KaMavota, KaMubukwana, KaTembe e KaNyaka. (Por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) (foto reproduzida deste diário aqui)
(continua)

Por que os médicos venceram? (4)

Quarto número da série. Permaneço no primeiro número do sumário proposto aqui. 1. A construção institucional do conflito. Escrevi no número anterior que um dos ângulos de visão - aquele que algumas correntes de opinião quiseram fosse o único - teve a ver com a construção institucional do conflito. O que pretendo dizer com isso? Pretendo dizer que o conflito nasceu no interior do Estado, entre os médicos como funcionários públicos e o Estado como empregador (o maior do país). O que estava em jogo nesta primeira confrontação pública desde a independência nacional? Se não se importam, prossigo mais tarde.
(continua)

717ª foto (Operários heterodoxos)

"Diário de um fotógrafo", aqui

As almas da Nádia

Acalmar as almas, assim se chama o blogue (encimado por uma fotografia de Ismael Miquidade) da Nádia Issufo, ex-jornalista da STV e hoje jornalista do programa em português da Deutsche Welle. Confira aqui.

A difícil fórmula da distribuição de consensos (40)

Quadragésimo número da série, baseada neste trabalho de "O País" aqui. Prossigo no primeiro ponto do sumário que vos propus aqui1. História da ciência, cientistas sociais e algumas ambições Por trás dos dispositivos carcerais e preventivos, esconde-se, como escreveu Michel Foucault, o medo dos contágio, da peste, das revoltas, dos crimes, da vagabundagem, das deserções, das pessoas que aparecem e desaparecem, vivem e moram na desordem. O poder disciplinar encontra na prisão o seu centro por excelência para, tal como no caso dos hospitais psiquiátricos, dar origem ao estudo do desviante social enquanto objecto de investigação científica. Assim nasce a psicologia.
Permitam-me prosseguir mais tarde. Problema que deu origem a esta série aqui.
(continua)

24 janeiro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (13); Descentralizar a cidade de Maputo (4) (por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) 
Séries pessoais: Por que os médicos venceram? (4); Teorias da conspiração (7); Três racionalidades (ainda sobre o avião de Moatize) (6); Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (13); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (5); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (7); Sobre o 15 de Novembro (15); Produção de pobreza teórica (7); O discurso da identidade nacional (4); Como suster os linchamentos? (14); O que é um intelectual? (10); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (15); Morte dos blogues moçambicanos? (39); A carne dos outros (19); A difícil fórmula da distribuição de consensos (40); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (20); Ditos (51); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (97)

Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (12)

Décimo segundo número de uma série fotográfica de 2012 sobre a vila de Mpende, sede do distrito de Mágoè, província de Teteda autoria de Carlos Serra Jr, na qual, como em séries anteriores, desfilam imagens do microsocial do país. A última série do autor versou sobre Pemba-Metuge, aqui. A próxima terá a Zambézia como referência. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Inundações e pergunta

Televisões do país mostraram ontem à noite cenas preocupantes sobre as inundações, há mortes, há alarme. A cidade do Chócuè, por exemplo, está inundada. A água invasora surge como a grande causa de tudo. Talvez não seja ociosa esta pergunta: os diques foram reparados ou criados e vigiados no Chócuè desde 2000?
Adenda às 6:53: não só é urgente prestar assistência aos atingidos pelas inundações quanto interrogar-nos sobre por que atribuímos ciclicamente às intempéries a razão de ser exclusiva do que se passa. É tempo de arredarmos as carpideiras habituais e corrermos a cortina do natural do tempo para interrogarmos seriamente o social. Recorde aqui.
Adenda 2 às 15:47: "Na sequência, o cenário ao longo de todo o troço que liga a cidade do Chókwè à vila da Macia, era simplesmente desolador com várias dezenas de viaturas especialmente camiões e camionetas transportando gente e seus haveres. A referida rodovia foi transformada num verdadeiro corredor de manadas de bois, caprinos e ovinos em busca de refúgio em Chihaquelane, uma zona relativamente mais segura a sensivelmente 30 quilómetros da cidade do Chókwè." Aqui.
Adenda 3 às 20:45: citado pelo Wamphula fax de amanhã, o primeiro-ministro Alberto Vaquina afirmou que se tem gasto dinheiro todos os anos em emergência sem resultados palpáveis, que é necessário haver soluções definitivas e não emergenciais, que é preciso construir coisas que durem vidas "mesmo que chova torrencialmente" (sic).
Adenda 4 às 20:49: confira a situação dramática em Chócuè e Guijá, aqui.

Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (12)

Décimo segundo número da série. A democracia representativa expressa pelo voto é um produto político iminente da ordem social burguesa. A ordem social burguesa, individualista e dessacralizada, é periodicamente avaliada e robustecida pelo voto individual secreto, tão neutro e naturalizado quanto a mercadoria que, como uma mão invisível, une por todo o mundo indivíduos e solidariedades que se ignoram.
Prossigo mais tarde.
(continua)
Nota: esta série é baseada num texto que apresentei em 1998 na Faculdade de Medicina, por ocasião do Dia da Universidade Africana e com base no tema “Revitalizando Universidades em África: Estratégias para o Século XXI”.

Descentralizar a cidade de Maputo (3)

Terceiro número da série. Ora, este modelo não foi acompanhado pela junção das necessárias condições regulamentares, administrativas, patrimoniais, financeiras e humanas, o que torna os Municípios no geral e o Município de Maputo em especial, estruturas de decisão e gestão demasiado limitadas para providenciar os serviços mais básicos aos cidadãos, incluindo o saneamento (integrando as componentes de gestão de resíduos sólidos e líquidos urbanos), o ordenamento, a gestão do solo urbano, o licenciamento de obras, a valorização de espaços verdes, o transporte público de passageiros, etc. (Por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) (foto reproduzida deste diário aqui)
(continua)

Moçambique 52

23 janeiro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (12); Descentralizar a cidade de Maputo (3) (por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) 
Séries pessoais: Por que os médicos venceram? (4); Teorias da conspiração (7); Três racionalidades (ainda sobre o avião de Moatize) (6); Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (12); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (5); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (7); Sobre o 15 de Novembro (15); Produção de pobreza teórica (7); O discurso da identidade nacional (4); Como suster os linchamentos? (14); O que é um intelectual? (10); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (15); Morte dos blogues moçambicanos? (39); A carne dos outros (19); A difícil fórmula da distribuição de consensos (40); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (20); Ditos (51); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (97)

Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (11)

Décimo primeiro número de uma série fotográfica de 2012 sobre a vila de Mpende, sede do distrito de Mágoè, província de Teteda autoria de Carlos Serra Jr, na qual, como em séries anteriores, desfilam imagens do microsocial do país. A última série do autor versou sobre Pemba-Metuge, aqui. A próxima terá a Zambézia como referência. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Descentralizar a cidade de Maputo (2)

Segundo número da série. Na realidade, entendo que insistir na abordagem da eventual incompetência, relaxamento ou alheamento da Edilidade em face dos imensos e complexos problemas registados na cidade de Maputo, de nada serve para a sua solução.
Isto porque o maior problema actual que o Município enfrenta decorre precisamente do modelo de descentralização concebido para a cidade de Maputo e, de certa forma, para as principais cidades de Moçambique. Basicamente, este modelo está hoje demasiado centralizado, assente na equiparação dos conceitos de cidade e de município, ou seja, entende-se que cada cidade deve corresponder a um único município, não se tendo prosseguido os esforços da descentralização para um nível subsequente, abaixo do municipal. (Por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) (foto reproduzida deste diário aqui)
(continua)

A difícil fórmula da distribuição de consensos (39)

Trigésimo nono número da série, baseada neste trabalho de "O País" aqui. Prossigo no primeiro ponto do sumário que vos propus aqui1. História da ciência, cientistas sociais e algumas ambições Vejamos, agora, a psicologia. Podem ser considerados dois momentos interligados na disciplinarização social que tem o seu auge no século XIX europeu: o classificatório e o organizador. O classificatório, baseado na Razão e na lógica binária (lei/caos, objectivo/subjectivo, espírito/matéria, corpo/alma, bem/mal, racional/irracional, são/doente, normal/anormal, perigoso/inofensivo, interior/exterior, civilizado/atrasado, história/sem-história, etc.); o organizador panóptico, que dota os hospitais, as escolas, as prisões, os diferentes aparelhos do Estado enfim, de princípios espaciais de assepsia política: ordem, norma e vigilância permanente. O desenvolvimento rápido da estatística e da polícia é, a esse respeito, sintomático.
Permitam-me prosseguir mais tarde. Problema que deu origem a esta série aqui.
(continua)

22 janeiro 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem a Mágoè/Zumbo (Tete) (11); Descentralizar a cidade de Maputo (2) (por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) 
Séries pessoais: Por que os médicos venceram? (4); Teorias da conspiração (7); Três racionalidades (ainda sobre o avião de Moatize) (6); Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (12); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (5); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (7); Sobre o 15 de Novembro (15); Produção de pobreza teórica (7); O discurso da identidade nacional (4); Como suster os linchamentos? (14); O que é um intelectual? (10); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Semiologia das ameaças políticas em Moçambique (11); Análise da análise (15); Morte dos blogues moçambicanos? (39); A carne dos outros (19); A difícil fórmula da distribuição de consensos (39); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (14); Modos de navegação social (20); Ditos (51); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (97)

Descentralizar a cidade de Maputo (1)

O mais recente período de precipitação que afectou o Município de Maputo, cuja real dimensão dos danos causados a pessoas e bens ainda está por contabilizar, trouxe mais uma vez ao de cima a fragilidade que o Conselho Municipal de Maputo enfrenta para poder cumprir, com êxito e na íntegra, o mandato definido por lei, bem como para satisfazer as expectativas dos munícipes. (Por Carlos Manuel Serra, jurista ambiental) (foto reproduzida deste diário aqui)
(continua)

716

716 fotos no "Diário de um fotógrafo", aqui

Macilau: exposição em Fevereiro

O fotógrafo moçambicano Mário Macilau exporá trabalhos seus em Fevereiro no Franco-Moçambicano, cidade de Maputo. Darei mais pormenores futuramente. Foto reproduzida daqui.

Por uma Idade da Democracia Real (texto de 1998) (11)

Décimo primeiro número da série. Nunca como agora o homem foi tão profunda e universalmente apresentado como egoísta e jogador estratégico preocupado com os seus interesses, homem esse que Adam Smith pré-anunciou em 1776: “Não é da benevolência do carniceiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da preocupação que eles têm com o seu próprio interesse. Nós não nos dirigimos à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nós nunca falamos das nossas próprias necessidades, mas das suas vantagens”.
Prossigo mais tarde.
(continua)
Nota: esta série é baseada num texto que apresentei em 1998 na Faculdade de Medicina, por ocasião do Dia da Universidade Africana e com base no tema “Revitalizando Universidades em África: Estratégias para o Século XXI”.