
Mais um pouco da série.
Escrevi no número anterior que os cientistas sociais foram buscar às ciências naturais a maior parte dos seus pressupostos, a pretensão do seu rigor, a convicção das leis para uns, da simples verdade para outros. E, para pareceremos ainda mais rigorosos, criámos regras de estruturação de artigos e teses, estipulámos severas normas para a quantidade de palavras desejável para uma tese ou para uma publicação, procurámos esvaziar a escrita das suas pulsões emotivas.
A esse respeito ninguém melhor do que Auguste Comte - verdadeiro pai fundador do positivismo -, tentou castrar a sensibilidade, o sentimento, na análise do social.
Com efeito, a sua atracção pelas ciências naturais era tão profunda, que chegou à conclusão de que as questões estilísticas eram secundárias na ciência, que o que importava era a clareza das ideias, não a beleza do estilo. O modelo de escrita dos cientistas sociais devia ser o dos naturalistas: Berthollet, Bichat e Cuvier. Chegou mesmo a escrever uma espécie de guia de escrita, muito rigoroso e árido, propondo, por exemplo, duas linhas por frase, sete frases por parágrafo, etc.
(continua)
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