Escrevi no número inaugural desta série que a vida é uma antífrase bem mais real do que pensamos, é um casamento permanente entre o Mesmo e o Outro bem mais forte do que supomos. Tomando a internet como referencial geral e as redes sociais como vasos capilares de um novo conceito do social em particular, o argumento nesta série consiste em mostrar que somos capazes de nos unir em torno de um ideal no preciso momento em que, conhecendo-nos, nos desconhecemos.
Escrevi no número anterior que era possível aprofundar o impacto das estradas e das praças virtuais explorando analiticamente quatro temas: (1) generalização do confessionalismo (do tipo cristão) público, (2) multiplicação do brejeirismo, (3) irradiação capitalista ilimitada das ADM (Armas de Distração Maciça) e (4) mobilização, propaganda e clintelismo políticos.
Vamos ao início do primeiro tema. Na verdade, a internet em geral, os canais de chat+webcam em particular, mas especialmente as redes sociais, são hoje, na minha hipótese, uma extraodinária ampliação e colectivização do rito sacrificial da confissão cristã. Não tanto para confessar pecados e pedir penitência com os joelhos no estrado do confessionário, mas - com os dedos no teclado de um computador - para fazer chegar aos conhecidos desconhecidos da nossas redes e grupos da net a imperativa confissão de que existimos, pequenos ou grandes, simples ou imodestos, alegres ou atormentados, reais ou anónimos, de palavra complexa ou descalça. Bem, prossigo mais tarde, procurando aprofundar a ideia (crédito da imagem aqui).
Escrevi no número anterior que era possível aprofundar o impacto das estradas e das praças virtuais explorando analiticamente quatro temas: (1) generalização do confessionalismo (do tipo cristão) público, (2) multiplicação do brejeirismo, (3) irradiação capitalista ilimitada das ADM (Armas de Distração Maciça) e (4) mobilização, propaganda e clintelismo políticos.
Vamos ao início do primeiro tema. Na verdade, a internet em geral, os canais de chat+webcam em particular, mas especialmente as redes sociais, são hoje, na minha hipótese, uma extraodinária ampliação e colectivização do rito sacrificial da confissão cristã. Não tanto para confessar pecados e pedir penitência com os joelhos no estrado do confessionário, mas - com os dedos no teclado de um computador - para fazer chegar aos conhecidos desconhecidos da nossas redes e grupos da net a imperativa confissão de que existimos, pequenos ou grandes, simples ou imodestos, alegres ou atormentados, reais ou anónimos, de palavra complexa ou descalça. Bem, prossigo mais tarde, procurando aprofundar a ideia (crédito da imagem aqui).
(continua)

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