Quando, há cerca de dois anos, de forma sistemática, aqui comecei a mostrar de que maneira as nossas florestas estavam a ser saqueadas, saltaram de imediato a terreiro alguns mosqueteiros tentando provar que o exagero permeava o que eu ia mostrando, que certos relatórios não tinham fundamentação científica, que tudo estava, afinal, bem, a nível do corte oficial permitido, que coisas mais importantes do que a madeira havia para discutir. Houve mesmo quem, de forma indirecta, tentasse dizer que eu e aqueles que faziam uma campanha de denúncia idêntica, estávamos a receber dólares para dizermos mal dos asiáticos.
Hoje, regularmente, os nossos jornalistas - o recorte em epígrafe é mais um testemunho -prosseguem a denúncia do saque, tal como neste diário tenho mostrado. Mas, ontem como hoje, há sempre quem surja a dizer que as coisas estão bem, como o Sr. Imede Falume, chefe dos Serviços Provinciais de Florestas e Fauna Bravia na Direcção Provincial de Agricultura de Nampula. E por que estão bem? Porque, argumenta Falume, ainda não foi atingido o plano anual de exploração (esta é uma argumentação sistemática), "de Janeiro de 2008 a esta parte, apenas 10.000 metros cúbicos foram explorados" ("Savana" desta semana, p. 23). E aqui está o dilema: onde entram os metros cúbicos não declarados e escoados pelos barcos sem que deles fique qualquer registo, onde fica todo o sinuoso processo que é escorado pela corrupção, pelo silêncio e pelo medo?
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