Último parágrafo de um texto do economista António Mosca, inserto no "Savana" desta semana: "Porque não se faz um estudo sobre a percepção dos moçambicanos em relação a um conjunto de aspectos relacionados com a pobreza (fazem-se alguns) e a riqueza, com a política e os políticos, com a vida dos cidadãos comuns, etc.? Não é difícil nem muito caro e há pessoas capazes de o fazer com rigor técnico, de forma transparente e independente. Seria bom para os cidadãos, para a política, o país e mesmo para o poder."Sonhadores, os sociólogos sempre procuraram duas coisas: as leis do social e a reforma das sociedades. Cá por mim busco bem pouco: tirar a casca dos fenómenos e tentar perceber a alma dos gomos sociais sem esquecer que o mais difícil é compreender a casca. Aqui encontrareis um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.
Outros elos pessoais
16 janeiro 2009
Acabar com a pobreza acabando com a riqueza?
Último parágrafo de um texto do economista António Mosca, inserto no "Savana" desta semana: "Porque não se faz um estudo sobre a percepção dos moçambicanos em relação a um conjunto de aspectos relacionados com a pobreza (fazem-se alguns) e a riqueza, com a política e os políticos, com a vida dos cidadãos comuns, etc.? Não é difícil nem muito caro e há pessoas capazes de o fazer com rigor técnico, de forma transparente e independente. Seria bom para os cidadãos, para a política, o país e mesmo para o poder."5 comentários:
Seja bem-vinda (o) ao blogue "Diário de um sociólogo"! Por favor, sugira outras maneiras de analisar os fenómenos, corrija, dê pistas, indique portais, fontes, autores, etc. Não ofenda, não insulte, não ameace, não seja obsceno, não seja grosseiro, não seja arrogante, abdique dos ataques pessoais, de atentados ao bom nome, do diz-que-diz, de acusações não provadas e de generalizações abusivas, evite a propaganda, a frivolidade e a linguagem panfletária, não se desdobre em pseudónimos, no anonimato protector e provocador, não se apoie nos "perfis indisponíveis", nas perguntas mal-intencionadas, procure absolutamente identificar-se. Recuse o "ouvi dizer que..." ou "consta-me que..."Não serão tolerados comentários do tipo "A roubou o município", "B é corrupto", "O partido A está cheio de malandros", "Esta gente só sabe roubar". Serão rejeitados comentários e textos racistas, sexistas, xenófobos, etnicistas, homófobos e de intolerância religiosa. Será absolutamente recusado todo o tipo de apelos à violência. Quem quiser respostas a comentários ou quem quiser um esclarecimento, deve identificar-se plenamente, caso contrário não responderei nem esclarecerei. Fixe as regras do jogo: se você é livre de escrever o que quiser e quando quiser, eu sou livre de recusar a publicação; e se o comentário for publicado, não significa que estou de acordo com ele. Se estiver insatisfeito, boa ideia é você criar o seu blogue. Democraticamente: muito obrigado pela compreensão.
Seria muito interessante, mas quem iria fazer isso?!
ResponderEliminarSoube eu através do Dr Castel-Branco que o IESE, por ele dirigido, tem algum estudo em curso sobre "Padroes de Acumulacao da Riquez" (cito de memória). Talvez nao seja nos termos em que o Dr Joao Mosca coloca na sua crónica do SAVANA. Mas parece-me ser algo com os mesmos objectivos gerais.
ResponderEliminarAbracos
Por perguiça,por acomodação à mediocridade e à superficialidade,por puro parasitismo "institucional".Mais de 50% da investigação que se faz pelo mundo em ciências sociais não tem financiamento nenhum,muita dela é feita fora de quadros institucionais por conta e esforço de intelectuais.O "retorno" está nos dividendos da publicação,nas conferências (se tem qualidade)ou em contrados para outros estudos afins.O que preciso sim,é assegurar um Editor e,naturalmente,um público alvo.
ResponderEliminarPobreza...essa pobreza.
ResponderEliminarOs que nos ensinaram a usar o termo pobreza absoluta ou combate a ela nao a usavam nos de 1950-1970. Pelo menos as agencias de desenvolvimento nao a usavam nos seus emprestimos (loans). Para ja nao existem doacoes como muitos entendem. Foi Robert McNamara, presidente do Banco Mundial, que usa o termo absolute poverty com seriedade, em 1973 no encontro com governantes do kenia.
Precisamos de recuperar o pensamento de Karl Marx, o meu filosofo muito amado e mal compreendido, talvez odiado em Mocambique. Aprendemo-lo mal e poucos quiseram-no estudar a serio para entender o que ele quis dizer com controlo de poder e riqueza, estruturas sociais injustas e a necessidade de mudancas sociais radicais. Havemos de lamentar por mais estudos, consultorias. Nosso problema em Mocambique e que todos falamos uns para com os outros mas ninguem estuta a ninguem. O que o legado institucional e a estrutura social em Mocambique nos ensina? Como e que tem sido o nosso comportamento economico, pelo menos em termos de poupanca? Pobres ou ricos me parecem que exibem comportamento similar. Podera ocorrer novo fenomeno, talvez nao: preferir nao ter bens para evitar atrair ladroes nas nossas casas.
O Povo já fez o estudo e a síntese foi: CABRITO COME ONDE ESTÁ AMARRADO!
ResponderEliminarQuer queiramos, quer não, o problema é cultural.EM REGRA, temos uma tremenda falta de cultura de exigência, somos demasiado conformistas, fatalistas, temos uma enorme capacidade de prescindir do essencial para consumirmos o superfluo (ou menos prioritário).
Temos um enorme défice de preparação para resistir á sociedade de hiperconsumo em que vivemos. Olhemos para o que nos entra pela casa dentro através das nossas televisões.
Os estudos como os sugeridos por JM são úteis, MAS há casos em que o resultado será "mais do mesmo".
AM