18 junho 2017

Ensino: qualidade e assiduidade [7]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número anterior aqui, número inaugural aquiEntão, definir qualidade é uma tarefa complexa. A propósito, vou permitir-me reproduzir uma passagem de um texto que li: "De acordo com o Banco Mundial são duas as tarefas relevantes ao capital que estão colocadas para a educação: a) ampliar o mercado consumidor, apostando na educação como geradora de trabalho, consumo e cidadania (incluir mais pessoas como consumidoras); b) gerar estabilidade política nos países com a subordinação dos processos educativos aos interesses da reprodução das relações sociais capitalistas (garantir governabilidade)[*].” [foto reproduzida com a devida vénia daqui]
________________________________________
[*]http://www.espacoacademico.com.br/013/13andrioli.htm

17 junho 2017

Um lançamento

Foi ontem lançado o livro "Como se produz a cultura do medo?", da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, com uma intervenção do co-autor Bóia Júnior. Aguarde a série fotográfica.

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1223, de 16/06/2017, disponível na íntegra aqui.

16 junho 2017

Lançamento hoje com Bóia Júnior

Sinopse: "O homem nasceu livre, escreveu um dia Jean-Jacques Rousseau. Muito certamente estava e está errado. Nascer é nascer para a sujeição. O homem não nasce livre, mas pode tornar-se livre. Em seus múltiplos sentidos, a liberdade não é um dado natural, mas social. Ter consciência disso é um primeiro indicador de liberdade e, talvez, a primeira porta aberta da democracia e de sociedades que se emancipam do medo.
A conquista da liberdade é, fundamentalmente, a conquista da vitória sobre o medo.
Três Colegas aceitaram o desafio de responder à pergunta deste número: Sergio F. C. Graziano Sobrinho do Brasil, Bóia Efraime Júnior de Moçambique e Ricardo Henrique Arruda de Paula do Brasil.
Com brilho e profundidade, os três dão-nos a conhecer as múltiplas, e quantas vezes trágicas (tenha-se em conta, por exemplo, o texto de Bóia Efraime Júnior), facetas do medo e da sua produção social.
Conhecer e disseminar as facetas do medo e da sua produção social é contribuir para termos sociedades mais livres, mais emancipadas, mais sadias, mais firmes, mais descolonizadas do medo. Quanto mais conscientes estivermos de como se produz o medo mais livres poderemos ser. O presente livro é uma contribuição admirável nesse sentido." Aqui. [Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

15 junho 2017

A síndrome do mylove [3]

Entre escárnio e resignação, passantes largam frases compensatórias: "Ali vão os bois! (em Xangaan: A ti homo!)". Há quem acrescente: "Para o matadouro! (A thomo tiya kudlayiwene)"
Número anterior aqui, número inaugural aqui. Em múltiplos círculos é corrente a crença de que os ourloves e, claro, os chapas em geral, cumprem uma função social importante, que sem eles muitos Moçambicanos passariam dificuldades de ordem vária. Há dois tipos de pessoas portadoras dessa crença: as que não usam os loves e as que deles fazem uso diário. [foto reproduzida daqui]

14 junho 2017

Universidades e neoliberalismno

"Sob a educação neoliberal, as universidades estão a tornar-se escolas vocacionais baratas. O foco vocacional do ensino superior implica a expansão centralizada de programas comercializáveis e a eliminação ou redução radical de campos teóricos como clássicos, história da ciência e filosofia. As disciplinas não comercializáveis e as subdisciplinas impopulares que têm taxas mais baixas de graduação, principalmente as artes, as humanidades e as ciências sociais, estão sob pressão para serem eliminadas das universidades." - confira aqui. [o meu agradecimento ao LV pelo envio da referência]

Ensino: qualidade e assiduidade [6]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número anterior aqui, número inaugural aquiNo meu entender, o ensino é bem mais do que a transmissão de conhecimento, visando instruir e educar pessoas nas escolas. Por outras palavras, o ensino é bem mais do que um conteúdo técnico tecnicamente analisável. O ensino é, em primeiro lugar, das escolas às universidades, um instrumento destinado a produzir e a reproduzir determinadas relações sociais. A este nível estamos confrontados com o problema de Platão[*].  [foto reproduzida com a devida vénia daqui]
_______________________
[*]De acordo com uma história dita fenícia citada por Platão, haveria que ensinar nas escolas a “nobre mentira” (sic) de que os seres humanos vieram ao mundo todos irmãos mas feitos de metais diferentes, a saber: o ouro para os que deviam comandar, uma mistura de ouro e de prata para os auxiliares e uma mistura de ferro e de bronze para os trabalhadores. Como a vida se poderia encarregar de misturar os metais, haveria, então, que vigiar todo o processo de montante a jusante e pôr rapidamente cobro a qualquer tipo de alteração da ordem social. - Platon, La République. Paris: GF-Flammarion, 1966, pp. 166-167.

13 junho 2017

Já disponíveis em Maputo

Três novos livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora já se encontram disponíveis na cidade de Maputo, sinopses aqui, aqui e aqui.

Próxima sexta-feira com Bóia Júnior

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Ensino: qualidade e assiduidade [5]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número anterior aqui, número inaugural aquiFaçamos de conta que a definição de qualidade, fornecida no número anterior, é aceitável. Agora, o que se deve entender por ensino? A Wikipédia possui uma definição muito simples e agradável, a saber: O ensino é uma forma sistemática de transmissão de conhecimentos utilizada pelos humanos para instruir e educar seus semelhantes, geralmente em locais conhecidos como escolas [aqui]. Será essa definição suficiente? São suficientes termos como conhecimento, humanos e semelhantes?  [foto reproduzida com a devida vénia daqui]

12 junho 2017

A síndrome do mylove [2]

Entre escárnio e resignação, passantes largam frases compensatórias: "Ali vão os bois! (em Xangaan: A ti homo!)". Há quem acrescente: "Para o matadouro! (A thomo tiya kudlayiwene)"
Número inaugural aqui. Todos os dias, na feérica cidade de Maputo, os ourloves, que são chapas sem tejadilho, transportam pessoas de todas as idades como se gado fossem, tal como o cartune em epígrafe documenta.

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1222 de 10/06/2017, aqui.

Concurso mundial em língua portuguesa

Regulamento neste portal aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

11 junho 2017

"Barbárie contra bens públicos"

"O que assusta no meio disto tudo é a tendência generalizada de desrespeito ao bem comum." - no editorial do semanário "domingo" de hoje com o título em epígrafe, aqui.

Ensino: qualidade e assiduidade [4]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número anterior aqui, número inaugural aquiSuponhamos que apago a multidão de sentidos que o termo qualidade pode englobar segundo grupos, épocas e necessidades e que, para efeitos do tema aqui em causa, estabeleço uma definição instrumental, neutra, mas extremamente pobre, como a seguinte: qualidade é a característica distintiva de algo que assegura satisfação no uso.  [foto reproduzida com a devida vénia daqui]

10 junho 2017

A síndrome do mylove [1]

Entre escárnio e resignação, passantes largam frases compensatórias: "Ali vão os bois! (em Xangaan: A ti homo!)". Há quem acrescente: "Para o matadouro! (A thomo tiya kudlayiwene)"
O mylove é um mero chapa de caixa aberta. Abunda na cidade de Maputo e tem a morfologia que a imagem em epígrafe documenta. [foto reproduzida daqui]

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1222, de 09/06/2017, disponível na íntegra aqui.

09 junho 2017

Ensino: qualidade e assiduidade [3]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número anterior aqui, número inaugural aquiSejam quais forem as decisões que tomemos, qualidade e ensino não podem furtar-se ao facto de ambos serem termos sociais e liça de combates definitórios consoante os grupos que os manuseiam. Por outras palavras, qualidade e ensino são bem mais do que problemas técnicos tecnicamente tratáveis. [foto reproduzida com a devida vénia daqui]

08 junho 2017

A síndrome do mylove

Foto reproduzida daqui.

Ensino: qualidade e assiduidade [2]

-"[...] a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar. [...] Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos." Aqui.
-"[...] o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações." Aqui.
Número inaugural aqui. Sem dúvida que estamos confrontados com um grande problema, o problema de definir qualidade e ensino. Por um lado, não existe algo de naturalmente natural como a qualidade. A qualidade é produto de interacção social, de competição, de luta pela propriedade das definições e das suas aplicações. Por outro lado, o ensino é bem mais do que - vou permitir-me citar - "[...] uma forma sistemática de transmissão de conhecimentos utilizada por humanos para instruir e educar seus semelhantes, geralmente em locais conhecidos como escolas" [aqui]. Com que variáveis podemos definir o termo qualidade? E com que variáveis podemos definir o termo ensino [aqui]?  [foto reproduzida com a devida vénia daqui]