O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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24 fevereiro 2017

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais [1]

O júri apurou três dos 21 trabalhos concorrentes à primeira edição do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais. Seguem-se dados referentes ao terceiro classificado.
TítuloA Influência da Educação para a Cidadania na Projecção da Imagem de Moçambique
Número de páginas: 176
Autora: Maura Gonçalves Couto
Classificação: terceiro lugar
Alguma informação sobre a autora: licenciatura em Ciências da Comunicação, na área de Marketing e Publicidade, obtida no Instituto Superior Politécnico e Universitário (actual Universidade Politécnica) de Moçambique. Trabalha actualmente como especialista de comunicação e marketing social e deseja tirar um mestrado e cursos técnicos na área das ciências sociais e comunicação para a mudança de comportamento.
Prémio: 10 livros da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da Escolar Editora.
Amanhã será a vez de apresentar o segundo classificado.

23 fevereiro 2017

Crítica aos críticos

Um editorial do jornal "Magazine Independente" em sua versão digital que critica os críticos do "Sustenta", aqui.

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais

A partir de amanhã darei a conhecer os três vencedores do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais - ao qual foram propostos 21 trabalhos -, cuja primeira edição (2016) foi dedicada a Moçambique mas que a partir deste ano será internacionalizado para todo o mundo académico falante de português. Recorde o regulamento da 1.ª edição aqui.

Um prisma sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através do mais recente número de um boletim editado por Joseph Hanlon, com informação e análise aqui. Número anterior aqui.

22 fevereiro 2017

Água: tranquilidade por dois meses

No "O País" digital de hoje sobre o nível de água no Umbeluzi que fornece água para Maputo, Matola e Boane: "Segundo a ARA-Sul, o nível das águas subiu cerca de 40%, sendo que a bacia regista uma margem de 8 milhões de metros cúbicos, quantidade suficiente para abastecer durante dois meses, pois, mensalmente, gastam-se cerca 4 milhões metros cúbicos, tendo em conta o actual regime de restrições." Aqui.
Adenda às 15:53: confira também aqui.

Se

Se a meta for um futuro solidário, o grande desafio da humanidade talvez consista em fazer da verdade a quantidade máxima de consenso partilhável.

Sobre o capital mágico

Vamos na rua, um carro fere-nos subitamente: quantos recusariam ver nisso não o produto de uma causa ou de um conjunto de causas fortuitas (ou, como escreveu um dia alguém, “o reencontro de séries causais diferentes”), mas a expressão do azar, a sombra de uma intenção subreptícia que nos teria escolhido precisamente a nós e não a outros? Existe uma espécie de capital mágico em todos nós, sempre pronto a vir à superfície à mais pequena oportunidade, despedaçando o verniz da racionalidade escolarizada.

21 fevereiro 2017

Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais

Já são conhecidos os vencedores do Prémio Escolar Editora de Ciências Sociais, cuja 1.ª edição foi dedicada ao nosso país. Recorde o regulamento no portal da editora aqui. Informação adicional será fornecida proximamente.

Feiticismo das multidões políticas

Há políticos que amam as multidões políticas, que as tomam por testemunho popular de adesão e de doação de legitimidade. Esquecem que os amantes populares de espectáculos sinestésicos são profundamente transversais e não perdem qualquer comício, seja de que político e tonalidade for. O espectáculo com políticos fazendo de messias profanos e, em meio a uma chuva de oferendas e de espectáculos musicais, prometendo transformar a terra no céu e a pobreza na riqueza, naturalmente que atrai gente sequiosa tal como a limalha atrai o ferro. 

À hora do fecho

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1206, de 17/02/2017, disponível na íntegra aqui.

20 fevereiro 2017

No "Savana" 1206 de 17/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1206 do semanário "Savana" com data de 17/02/2017. Se for possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

A lâmpada política de Aladim

De pacato cidadão, o candidato a presidente transforrma-se em pessoa excitada, o seu discurso torna-se messiânico, a motricidade corporal não tem perímetro. Acredita que não é ele, mas outro, um outro fora do comum, ele-mesmo afinal. É em meio a essa atmosfera de sobreexcitação que o candidato gere a sua lâmpada política de Aladim, prometendo transformar para melhor a vida da terra e das pessoas. Por sobreexcitação, por contágio, o candidato a presidente - não importa de que partido - tudo faz para criar o estado de crença nas multidões, hipnotizando-as - e hipnotizando-se - com promessas sem fim de parusia terrena.

19 fevereiro 2017

Rasgões e sujidade

Tempo houve em que um rasgão numa calça levava ao concerto à mão ou com uma máquina de costura do tipo Singer. Era indecoroso usar uma calça com rasgões. Hoje, a mentalidade punk é diferente: as calças, as jeans, são compradas rasgadas e, aqui e acolá, com sinais intencionais de sujidade. Ou rasgamo-las. Ou sujamo-las. Calças e calções. Rasgão e sujidade são moda. Na internet há montes de portais a ensinar como rasgar calças ou calções. É a moda do descuidado, do à-vontade, do destroyed, do atractivo sexy no caso das jovens de calções (o rasgão é uma porta de entrada, uma chamada sexualizada para a possibilidade da nudez, uma fenda deliberada na defesa corporal). Cada tempo cada sentença. [imagem reproduzida com a devida vénia daqui]

Literatura à Émile Zola

Faz falta no país uma literatura sistemática que vá para além do fantástico, dos roteiros à García Marquéz, dos enredos mágicos, dos percursos pelo passado, da fuga permanente ao real e, de frente, com visibilidade total, nos traga enredos à Émile Zola, nos mostre os caminhos dos extraordinários desencontros sociais do país, o quadro vivo e doloroso das desigualdades sociais entorpecido por certo tipo de discursos e de glosas ao desenvolvimento.

18 fevereiro 2017

Sede da saúde

Vestidos à desportista, embrulhados em calor feroz, caras de sofrimento indizível, correm e suam desalmadamente, convencidos de que assim são a sede da saúde.

A luta de duas linhas

As concepções de estética e sobrevivência na luta de duas linhas, a do Conselho Municipal da Beira e a dos vendedores informais, num texto do "Diário de Moçambique", aqui.
Adenda: recorde neste diário uma série minha em 16 números aqui.
Adenda 2 às 11:05: sobre a Beira recorde neste diário dois textos meus de 2006 e 2007 aqui e aqui.

17 fevereiro 2017

O drama da água

Manuel Alvarinho citado pelo "O País" digital: "Se o cenário prevalecer, nós vamos ficar na situação em que estamos por mais um ano. No pior cenário, daqui a um ano não temos água nenhuma. Não vou dizer que é no dia um de Janeiro, depende, por exemplo, se começarmos a poupar água (...) Depende de medidas de criação de mais furos neste período, que vão evitar que as pessoas estejam só dependentes da água do Umbeluzi. Depende, em última análise, se se consegue viabilizar uma central de dessalinização." Aqui.

Lusa e acidentes de percurso jornalístico

A agência portuguesa "Lusa" deu um exemplo de como podem ocorrer certos acidentes de percurso jornalístico. Assim, usou um mesmo texto para, com um dia de intervalo, querer mostrar que em Moçambique e na Guiné-Bissau existem mais celulares do que latrinas. Confira aqui e aqui. O caso foi apresentado aqui.
Adenda às 08:57 de 18/02/2017: é muito interessante verificar como certos jornais digitais e blogues do copia/cola/mexerica ficaram entusiasmados como tão portentosa descoberta "científica" e mandaram às urtigas a ideia camuflada na peça jornalística de que, afinal, África é toda igual.

Pensamento simbólico

É sempre muito difícil entendermos e aceitarmos a expressão do pensamento simbólico, especialmente quando nasce no interior da situações sociais de crise múltipla, situações cujos medos e cujos anseios reais aparecem traduzidos e ampliados em crenças, em rumores, boatos, lendas.

Cientistas

Os cientistas vivem em múltiplos e ciosos castelos feudais temáticos, cada castelo com sua vigiada ponte levadiça institucional consoante ramos, escolas, saberes e temperamentos pessoais.

16 fevereiro 2017

Proposta

Quando quiser estudar uma sociedade, não comece por aquilo que ela diz dos outros e dela-mesmo, mas por aquilo que faz e pelo como faz.

15 fevereiro 2017

Um director

Preocupado com a falta de energia no meu quarteirão havia cerca de 20 horas, fui hoje com um vizinho à EDM tentar saber a causa. Um director atencioso, paciente e profissional, engenheiro Alberto Banze, explicou-nos a causa do problema e, após um telefonema, deu-nos a previsão da reparação. A previsão cumpriu-se. Precisamos no país de mais directores do tipo Alberto Banze.

A ti homo a thomo tiya kudlayiwene, mylove

O problema fundamental não é que os proprietários de chapas e myloves deixem transportar pessoas em condições desumanas, mas que as pessoas aceitem ser transportadas nessas condições. Hipótese a testar: são os passageiros daqueles veículos com a ajuda da nossa indiferença quem produz e reproduz essas condições desumanas.
Nota: Entre escárnio e resignação, passantes largam frases compensatórias: "Ali vão os bois! (em Xangaan: A ti homo!)". Há quem acrescente: "Para o matadouro! (A thomo tiya kudlayiwene)"

14 fevereiro 2017

Saiba sobre Moçambique

Saiba sobre Moçambique através de um boletim editado por Joseph Hanlon, em dois números com datas de ontem e hoje, aqui e aqui.

Confessionários digitais

Se estivermos algum tempo a estudar o tipo de mensagens colocadas, por exemplo, no Facebook ou no Twitter, apercebemo-nos da enorme ansiedade que o geral das pessoas tem de dizer a outrem coisas como "existo", "hoje fui ver um filme", "tenho sono", "vejam este vídeo", "estou aqui", "gosto de chocolate", "hoje faço anos", etc. A bulímica necessidade de acrescentar centenas, milhares de amigos, joga no sentido confessional de busca de um público permanentemente receptivo, regra geral constituído por conhecidos desconhecidos que rodeiam um pequeno círculo de reais amigos dialogantes. Salas de chat, redes sociais, etc., são enormes confessionários digitais.
Adenda: "Estudo revela que as pessoas mais solitárias são aquelas que partilham mais pormenores sobre si mesmas nas redes sociais" - aqui.

13 fevereiro 2017

Comunicado do CPMO do BM

Leia, com data de hoje, um comunicado do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, aqui.

Solidão » facebook

Hipótese a testar: quanto mais solidão, mais facebook.

Uma coluna semanal

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1205, de 10/02/2017, disponível na íntegra aqui.

No "Savana" 1205 de 10/02/2017, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser feito tal como grafei.
Nota: o presente fungula pertence à edição física n.º 1205 do semanário com data de 10/02/2017. Logo que possível disponibilizarei a versão digital dessa edição.

12 fevereiro 2017

Verdade: filha da discussão e não da simpatia

"Para termos alguma garantia de termos a mesma opinião acerca de uma ideia particular, é preciso pelo menos que tenhamos tido sobre ela opiniões diferentes. Se dois homens se querem entender verdadeiramente, têm primeiro que se contradizer. A verdade é filha da discussão e não filha da simpatia." - Bachelard, Gaston, A filosofia do não, Filosofia do novo espírito científico. Lisboa: Editorial Presença, 1991, 5ª ed.ª, p. 125.

11 fevereiro 2017

Cadernos de Ciências Sociais: 30.º e 31.º números

Entreguei ontem à Escolar Editora o 30.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" intitulado "O que diferencia ciência da magia?", com autoria de Antonio Carlos Roque da Silva Filho do Brasil, Francisco Santos Silva de Portugal e Narciso Mahumana de Moçambique, fotos abaixo.
O 31.º número, intitulado "O que são tradições?", tem a entrega aprazada para 17 de Março deste ano, com co-autoria de Teresa Manjate e Carmeliza Rosário de Moçambique, Valda Colares do Brasil e Vicente Paulino de Timor-Leste, fotos abaixo.
Abaixo, as lombadas dos 21 números já publicados.
Abaixo, as capas de cinco livros (números 17.º a 21.º) a serem lançados.

10 fevereiro 2017

Faleceu Venâncio Massingue

Vítima de doença, faleceu hoje o Eng.º Venâncio Massingue, antigo Vice-Reitor da Universidade Eduardo Mondlane e antigo Ministro da Ciência e Tecnologia. Aqui e aqui. Biografia em inglês aqui. Paz à sua alma.

Patronagem e clientelismo

Escreveu um dia Maurice Godelier que "A força determinante não é a violência dos dominantes, mas o consentimento dos dominados à dominação". Provavelmente reside aí a chave de todos os processos sociais que hierarquizam pessoas, relações, deveres e ganhos, que habitam, das mais variadas maneiras, as complexas relações de patronagem e clientelismo, que, em seus meandros regra geral sinuosos, fazem sistematicamente frente ao que Max Weber chamou racionalidade formal.
No seu brilhante O 18 de Brumário de Louis Bonaparte, Karl Marx talvez tenha sido pioneiro na produção da antecâmara analítica do clientelismo, ao descrever uma das consequências da intrusão social em França do que chamou “Estado forte”: “[...] Finalmente, produz um excesso de desempregados para os quais não há lugar nem no campo nem nas cidades, e que tentam, portanto, obter postos governamentais como uma espécie de esmola respeitável, provocando a criação de postos do governo.”
Esmola que, a outros níveis para além do Estado, permite, afinal, o que La Boétie chamou “servidão voluntária”.
[Parte da introdução que escrevi para o 24.º número da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, no prelo, intitulado "O que são patronagem e clientelismo?"]