O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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23 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [25]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a quarta parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Os autores do relatório escreveram, então, que estamos perante a assumpção de “valores de delinquência como estratégia de sobrevivência”. E fizeram a seguinte advertência: “Detenção emocional de presumíveis linchadores pode resultar em revolta popular contra a Polícia e aumentar os índices de fúria e descambar em desordem generalizada da população contra a Polícia ou contra instituições”. [resposta a prosseguir

22 maio 2017

Fantasmas e chefes

Sobre fantasmas e chefes na Electricidade de Moçambique, confira esta notícia aqui, aqui e aqui.

Mentalidade produtora

Conforta chegar a um mercado e encontrar frango nacional à venda, em lugar de frango importado da África do Sul e do Brasil. Urge substituir a mentalidade importadora pela mentalidade produtora.

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1219 de 19/05/2017, aqui.

21 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [24]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a terceira parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato] 
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos? 
Eu: Permita-me ir mais ao fundo do problema. Em Março de 2008, o comando geral da polícia decidiu investigar factores e causas dos linchamentos nas províncias de Manica e Sofala, escutando dezenas de actores, em entrevistas individuais e colectivas. A investigação, levada a cabo por uma equipa que incluía uma psicóloga e um antropólogo, revela uma polícia desejosa de ir para além da condenação e de conhecer as infra-estruturas do fenómeno. Fazendo-o, a equipa pôde inventariar vários problemas complexos, entre os quais os seguintes: criminalidade, pobreza e falta de empregos nos bairros periféricos; desconfiança generalizada nos órgãos da Justiça; adesão e participação de polícias nos linchamentos; perda do papel socializador das famílias. [resposta a prosseguir]

20 maio 2017

Confira

Confira estas páginas no academia.edu [está neste momento no top máximo com 0,5% do rank entre mais de 16 milhões de académicos filiados no portal] e no google+, respectivamente aqui e aqui.

Notas sobre linchamentos em Moçambique [23]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Prossigo na sétima pergunta, agora com a segunda parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Peguemos apenas nos linchamentos periurbanos, nos bairros confrontados com a criminalidade, aquela pequena criminalidade que é considerada grande pelos moradores. O roubo e a violação de mulheres preocupam os moradores. O desemprego, a insegurança e a frustração provocadas pela criminalidade geram outra criminalidade, a dos linchamentos. Permita-me ir mais ao fundo do problema. [resposta a prosseguir]. 

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1219, de 19/05/2017, disponível na íntegra aqui.

19 maio 2017

Próximo lançamento em dia, hora e local a indicar

O homem nasceu livre, escreveu um dia Jean-Jacques Rousseau. Muito certamente estava e está errado. Nascer é nascer para a sujeição. O homem não nasce livre, mas pode tornar-se livre. Em seus múltiplos sentidos, a liberdade não é um dado natural, mas social. Ter consciência disso é um primeiro indicador de liberdade e, talvez, a primeira porta aberta da democracia e de sociedades que se emancipam do medo. A conquista da liberdade é, fundamentalmente, a conquista da vitória sobre o medo. Três Colegas aceitaram o desafio de responder à pergunta deste número: Sergio F. C. Graziano Sobrinho do Brasil, Bóia Efraime Júnior de Moçambique e Ricardo Henrique Arruda de Paula do Brasil. Com brilho e profundidade, os três dão-nos a conhecer as múltiplas, e quantas vezes trágicas (tenha-se em conta, por exemplo, o texto de Bóia Efraime Júnior), facetas do medo e da sua produção social. Conhecer e disseminar as facetas do medo e da sua produção social é contribuir para termos sociedades mais livres, mais emancipadas, mais sadias, mais firmes, mais descolonizadas do medo. Quanto mais conscientes estivermos de como se produz o medo mais livres poderemos ser. O presente livro é uma contribuição admirável nesse sentido. Aqui. [Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.]

Um concurso mundial

No portal da Escolar Editora aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

18 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [22]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
[na imagem: vítima de um linchamento na periferia da cidade da Beira]
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui.  Inicio a sétima pergunta, com a primeira parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Aliás, o que tem falhado na sensibilização visando estancar a onda de linchamentos?
Eu: Esta é uma pergunta cuja resposta é difícil. Não creio que haja uma falha em si, uma falha em si tecnicamente falando. O problema é que o problema é complicado e tem várias arestas, engloba vários tipos de linchamentos, com formas e causalidades diferentes, com períodos e locais diferentes. [resposta a prosseguir]. 

A única tradição tradicional

A mudança social é a única tradição tradicional. Toda a história da humanidade é a história da mudança social. A mudança social pode levar dezenas, centenas de anos a efectuar-se, mas efectua-se. E, na mudança social, tempos, ritmos e fenómenos não são necessariamente os mesmos. Até nisso a mudança social muda. Sucede que na mudança social as velocidades de mudança diferem: há quem seja a locomotiva e há quem seja a carruagem ou uma carruagem entre as carruagens. E talvez seja devido à angústia provocada pelo movimento social que o comum das pessoas cria tradições mentais para que a mudança social se sente e repouse.

17 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [21]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Número inaugural aqui. Termino a sexta pergunta e a últimas parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Em alguns pontos do país, como Maputo e Beira, consolidou-se uma forma alternativa de controlo social, em que o povo toma a dianteira na perseguição de supostos meliantes, o que resulta em linchamentos. Será que estamos perante uma falha dos trabalhos de sensibilização destinados a fazer com que suspeitos de crimes sejam encaminhados para os órgãos formais de justiça?
Eu: [continuidade da respostaComo, quando e porquê: é o que devemos estudar. Porque, imperativamente, temos de aprender a desarmar as nossas mentes linchatórias, porque devemos ter consciência de que em cada um de nós existe um potencial linchatório, de que na nossa cultura é, por exemplo, legítimo aniquilar supostos feiticeiros. Devemos absolutamente aprender a recusar linchar pessoas, a termos vergonha de figurar internacionalmente como país linchatório. [resposta a prosseguir]. 

Entregue 33.º livro + 34.º na forja + eventos

Entreguei os materiais do 33.º livro da coleção internacional "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora" intitulado "O que é opinião pública'", com autoria de Susana Borges de Portugal e, do Brasil, Rudimar Baldissera, Emerson Cervi e Gabriel Moura, fotos abaixo.
Os materiais do 34.º livro, intitulado "O que é cidadania?", com autoria de Amelia Cazalma de Angola, Teresa Manjate de Moçambique e Mary Castro do Brasil, têm entrega à editora aprazada para 23 de Junho do corrente ano, fotos das autoras abaixo.
Entretanto, a Escolar Editora criou mais um espaço no seu portal, intitulado "Eventos". A inauguração foi feita com imagens do recente lançamento em Maputo do livro da coleção intitulado "O que é intolerância religiosa?", confira aqui.

16 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [20]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
Confira o número anterior aqui. Prossigo na sexta pergunta, agora com a sétima parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Em alguns pontos do país, como Maputo e Beira, consolidou-se uma forma alternativa de controlo social, em que o povo toma a dianteira na perseguição de supostos meliantes, o que resulta em linchamentos. Será que estamos perante uma falha dos trabalhos de sensibilização destinados a fazer com que suspeitos de crimes sejam encaminhados para os órgãos formais de justiça?
Eu: [continuidade da respostaPodemos e devemos punir os criminosos que lincham pessoas, mas devemos estar conscientes de que o conteúdo e a forma como educamos os filhos pode um dia dar origem aos membros dos grupos ou das multidões linchatórias, a culturas delinquentes e danosas permanentes, por mais que nos esforcemos em preleçcões nas reuniões de sensibilização nos bairros. Em meu entender, é a montante que devemos incidir o principal e o sistemático dos nossos esforços. Como, quando e porquê: é o que devemos estudar. [resposta a prosseguir]. 

15 maio 2017

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1218 de 12/05/2017, aqui.

14 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [19]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
[foto acima: mulheres acusadas de feitiçaria e expulsas pelas famílias]
Confira o número anterior aqui. Prossigo na sexta pergunta, agora com a sexta parte da resposta. [amplie a imagem acima clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Em alguns pontos do país, como Maputo e Beira, consolidou-se uma forma alternativa de controlo social, em que o povo toma a dianteira na perseguição de supostos meliantes, o que resulta em linchamentos. Será que estamos perante uma falha dos trabalhos de sensibilização destinados a fazer com que suspeitos de crimes sejam encaminhados para os órgãos formais de justiça?
Eu: [continuidade da respostaEntão, toda essa preocupante situação requer um amplo debate, um amplo trabalho nas escolas, especialmente nas escolas (com os professores, especialmente os de Biologia, História e Educação Cívica e Moral, mas também com os alunos) e nas comunidades. Debate nacional que deve igualmente ter em conta a imputação que faz parte do nosso dia-a-dia, aquela atribuição de causas que faz do feitiço um agente vector, aquela atribuição de causas que tantas mortes e tantas lesões morais causam, aquela imputação que nos torna clientes permanentes dos chamados “médicos tradicionais”. [resposta a prosseguir]. 

13 maio 2017

Três novos livros dos "Cadernos de Ciências Sociais"

Mais três livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais constam do portal da Escolar Editora, com sinopses a consultar aqui, aqui e aqui. Já são 24 os livros publicados desde 2013. Recorde aqui. E recorde este lançamento de 2015 aqui.

Uma coluna de humor

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia -  suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1218, de 12/05/2017, disponível na íntegra aqui.

12 maio 2017

Notas sobre linchamentos em Moçambique [18]

"Segundo dados estatísticos coligidos, o país registou, no ano de 2016, em média, dois linchamentos por semana. Os números demonstram, infelizmente, que os linchamentos tornaram-se uma prática da realidade moçambicana [...]. [...] o linchamento é um problema social que não pode ser solucionado, primariamente, por acções repressivas, devendo dar-se primazia às acções de prevenção como a promoção de debates [...] - Informação Anual do Procurador-Geral da República à Assembleia da República [2017], pp. 37-38.
[Acusada de feitiçaria, cortaram-lhe uma mão]
[Acusada de feitiçaria, cortaram-lhe uma orelha]
Confira o número anterior aqui. Prossigo na sexta pergunta, agora com a quinta parte da resposta. [amplie as imagens acima clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato]
Celso Ricardo: Em alguns pontos do país, como Maputo e Beira, consolidou-se uma forma alternativa de controlo social, em que o povo toma a dianteira na perseguição de supostos meliantes, o que resulta em linchamentos. Será que estamos perante uma falha dos trabalhos de sensibilização destinados a fazer com que suspeitos de crimes sejam encaminhados para os órgãos formais de justiça?
Eu: [continuidade da respostaMostra isso que as crianças são más, que nascem más? Nada disso. Mostra, em primeiro lugar, que as crianças são educadas, que são socializadas de uma certa maneira; mostra, em segundo lugar, que a disciplina de Educação Cívica e Moral não surte qualquer efeito dissuasor no tocante à violência, à crença na feitiçaria e à punição. [resposta a prosseguir].