O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 março 2016

Novo ataque da Renamo

Despacho da "Agência de Informação de Moçambique": "Uma pessoa contraiu ferimentos ligeiros num ataque perpetrado na manhã de hoje por homens armados da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, contra uma viatura de passageiros pertencente a empresa Etrago, na zona de Nhamatema, posto administrativo de Honde, distrito de Báruè, província de Manica, centro de Moçambique." Aqui.
Adenda às 20:44: recorde neste diário aqui.
Adenda 2 às 20:55: sugiro leia neste diário uma série minha intitulada "A tripla guerrilha da Renamo", em 15 números, terminada aqui.

Eva Moreno: PGR ordena inquérito

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique": "A Procuradoria-Geral da República (PGR) acaba de ordenar a realização de um inquérito, na sequência da expulsão, de Moçambique, da cidadã de nacionalidade espanhola, Eva Anadon Moreno, pelo Serviço Nacional de Migração, em conexão com o seu envolvimento numa manifestação ilegal na cidade de Maputo." Aqui.

Atenção à água

"[...] o rio Umbelúzi, onde foi construída a barragem que abastece a cidade de Maputo, tem vindo a receber pouca água porque não chove a montante desde a época chuvosa 2014/2015. Neste momento está-se com um nível de 39 por cento da capacidade de armazenamento, portanto, muito abaixo da metade." Aqui.

Saiba sobre Moçambique


Saiba sobre Moçambique através deste boletim com data de hoje, aqui.

Poder político motorizado

Há dias, numa rua apertada fazendo cruzamento com a Julius Nyerere, cidade de Maputo, cerca das 08:30, dois polícias-abre-trânsito impuseram com grande aparato e ruído, em meio a muita gente, a pé e de carro, a passagem de alguém dentro de um mercedes último modelo, seguido de 4x4 apressados e imponentes com as luzes de aviso ligadas. Este é um dos grandes pulmões do poder político, o poder políico motorizado, parte integrante do espectáculo do poder expondo-se através da viatura último modelo, do ruído marcante, do aparato policial, da absoluta e intolerante necessidade de vincar quem está socialmente em cima e quem está em baixo.

30 março 2016

Uma posição de Hildizina Dias

Duas posições: caos e saudade colonial

Os ataques da Renamo e as dificuldades de ordem vária por que passa o país, têm provocado ondas de textos e de comentários na internet, designadamente em jornais digitais, em blogues e nas redes sociais, especialmente no facebook. Destaco duas posições, explícitas ou implícitas:
1. Produção da imagem do caos social generalizado. Neste caso, a ideia que se faz passar é a de que o caos é provocado pela Frelimo a todos os níveis, sendo a Renamo apenas uma vítima do processo e da intolerância do partido no poder. A nível militar, a Renamo tem razão em defender-se. A nível político, as suas exigências são legítimas - defendem os produtores desta posição.
2. Produção da imagem dos bons tempos do colonialismo. Neste caso, a ideia que se faz passar é de que, perante o havido caos sem perímetro reinante em Moçambique, é salutar pensar nos bons tempos do colonialismo civilizador e na boa ordem para todos que nesses tempos reinava, estado de graça que  - sustentam os defensores de posição - se perdeu com a Frelimo.

29 março 2016

Chegaram a Maputo

Números 15 e 16 da coleção. [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

"É perto mas não é perto"

Sempre me fascinou uma coisa, desde a minha meninice, lá na minha terra, vasta, que é Tete: o oxímoro. Em várias ocasiões, por motivos diversos, em vários dos distritos da província, por vezes em sítios recôndidos, perdido muitas vezes, sem qualquer sentido de orientação geográfica, tive de perguntar a camponeses onde ficava o sítio xis. E a resposta era, invariavelmente, a mesma: um dedo apontando a estrada e um breve "Ali, siô". E, não menos invariavelmente, eu perguntava: "É longe?" Uma vez mais, invariavelmente, a resposta era: "É perto mas não é perto" (ni pafupi koma pafupi). E, aqui e acolá, o acréscimo: "Não precisa pressa, há-de de chegar ao destino. Obrigado" (Bzinfunika lini kankulumize uti ufike ulendo bwako. Ndatenda). O que representa o oxímoro "É perto mas não é perto"? Uma contradição? A falta de um relógio? Uma contabilidade temporal distinta? É possível dar uma resposta pronta-a-vestir a cada uma dessas perguntas. Mas, ao fim destes anos todos, cheguei a uma conclusão por via da alma: "É perto mas não é perto" é uma forma de nos cumprimentar, de nos saudar, de nos suavizar as agruras das viagens, de trazer o longe para perto e o tornar familiar. Mesmo que não aceitem a minha conclusão, nada podereis fazer contra a minha alma, porque ela é a minha emoção contra a vossa razão, a emoção que os embondeiros de Tete ensinam.

Renamo volta a atacar

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique", homens armados da Renamo atacaram ontem na província de Manica uma comitiva governamental, provocando feridos. Leia aqui.
Adenda às 08:24: último parágrafo de um texto da "Folha de Maputo" de hoje: "De recordar que a Renamo e o seu líder Afonso Dhlakama vem prometendo que será infalível a governação de 6 províncias das zonas centro e Norte do País, ainda este mês de Março, pelo que a pergunta que fica no ar é: será que os ataques que tem vindo a ser protagonizadas pela Renamo, partido com assento parlamentar, é a tal governação?" Aqui.

Sobre a Caixa de Pandora

É sempre muito difícil entendermos e aceitarmos a expressão do pensamento simbólico, especialmente quando nasce no interior da situações sociais de crise múltipla, situações cujos medos e cujos anseios reais aparecem traduzidos e ampliados em crenças, em rumores, boatos, lendas, etc. O quadro torna-se dramático quando histórias consideradas objectiva e subjectivamente falsas a nível oficial são, porém, sentidas como objectiva e subjectivamente verdadeiras a nível popular. São diferentes, afinal, os prismas pelos quais se avalia a identidade dos males guardados na Caixa de Pandora.

28 março 2016

Um médico em cada distrito de Tete

Segundo a "Agência de Informação de Moçambique": "Cada distrito de Tete já conta com pelo menos um médico, segundo disse a Secretária Permanente (SP) daquela província do Centro de Moçambique, Lina Portugal. Ela avançou que presentemente Tete possui 71 médicos, 21 dos quais de nacionalidade estrangeira." Aqui.
Nota: a província de Tete tem 15 distritos.

Apreensão de armas da Renamo e prismas

Uma operação policial realizada na sede da Renamo e na casa do seu presidente permitiu no domingo a apreensão de várias armas entre metralhadoras e pistolas. Sobre o que e como se passou, o "Notícias" digital de hoje apresenta apenas a versão da polícia, aqui. A "Rádio Moçambique" apresenta no seu portal as versões da polícia e da Renamo, aqui. O "Canal de Moçambique" apresenta na sua página do facebook apenas a versão da Renamo, aqui e aqui. Sobre o estado das armas, o "O País" digital dá conta aqui.
Adenda às 10:35: o ponto de vista da "Voz da América" é parecido com o da "Rádio Moçambique" apresentado mais acima, leia aqui.
Adenda 2 às 10:27: a "Lusa" não tem até este momento uma versão, estando o seu bloco de notícias parado no dia 24, aqui.
Adenda 3 às 10:40: idem no que refere à Deutsche Welle, aqui.
Adenda 4 às 10:42: a "Rádio França Internacional" privilegia o ponto de vista da Renamo, aqui.
Adenda 5 às 10:48: a "Agência de Informação de Moçambique" também ainda não reportou o evento, confira aqui.
Adenda 6 às 11:11: o "Verdade" digital apresenta-se pró-Renamo por completo, aqui.
Adenda 7 às 14:11: já há um relato da "Lusa", o qual começa com a posição da Renamo, aqui.
Adenda 8 às 14:38: aqui e acolá [mesmo ao nível de certas páginas das redes sociais e em blogues do copia/cola/mexerica], uma parte dos relatos e dos comentários é dedicada a trabalhar a imagem do lobo mau [a Frelimo] que atemoriza o frágil capuchinho [a Renamo]. Em certos quadrantes não se escreve Estado, mas Frelimo. E, nesses quadrantes, a polícia surge como invasora e delinquente.
Adenda 9 às 18:51: segundo a "Agência de Informação de Moçambique" a polícia refutou a Renamo sobre uma acusação de roubo, confira aqui.

No "Savana" 1159 de 25/03/2016, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

27 março 2016

Uma obra de 1998

 
Dos co-autores, apenas não está vivo o jornalista Carlos Cardoso, assassinado a 22 de Novembro de 2000A foto da imagem foi tirada pelo falecido fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel em 1971 na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo. A matrícula de um carro na costas do trabalhador destinava-se ao seu controlo. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.

Fagocitose cognitiva

O que significa compreender outrem? Compreender outrem significa que somos capazes de procurar conhecer o sistema de referências de alguém, quer dizer, o quadro social que o informa, que o dirige. Uma tarefa muito difícil e frequentemente fracassada. Mas compreender outrem não significa aceitar o seu sistema de referências. Por outro lado, uma grande parte dos problemas de conflito social nasce quando em lugar de procurarmos conhecer o sistema de referências de outrem, simplesmente submetemos esse outrem ao nosso sistema de referências. Chamo a isso fagocitose cognitiva.

Importa

Importa começar a analisar os que dizem analisar e afirmam fazê-lo com rigor e isenção.

Palavras

Aprendemos a usar as palavras como se tivessem vida por elas-mesmas ou como se efectivamente nomeassem fenómenos contendo neles-próprios a sua identidade e a sua razão de ser. Quer dizer, com as palavras aprendemos que o bom e o mau existem em si-mesmos, aprendemos que há coisas boas e coisas más independentemente das relações sociais, da conflitualidade dessas relações e da produção de pontos de vista e de etiquetas produzidos no interior dos conflitos sociais.

26 março 2016

Produção de sociedade civil para "workshops"

Mágica expressão esta, a sociedade civil, ambígua, todo-o-terreno: ambígua porque sem consistência analítica, todo-o-terreno porque suposto tê-la. Tudo e nada, afinal, nela podem caber. Por outro lado, guarda um profundo sentido normativo, pois constrói-se eticamente por oposição ao havido Estado-Leviatão, mesmo quando usada por dirigentes estatais. E assim vão passando os dias, reuniões decorrendo, lá está a sociedade civil sempre pontual, meia dúzia de pessoas que dizem sempre as mesmas coisas em todos os seminários (palavra definitivamente substituída por workshops), naquele ambiente fatalmente igual povoado pelos temas da moda neoliberal, pelo sumário executivo, pela água mineral, pelas propostas solenes e pelas grandiosas declarações de imprensa. Parece ser evidente que somos um produtor copioso de sociedade civil para consumo de workshops.

O luxuoso saque da madeira no Gilé

No matutino "Notícias" de ontem: "Vários camiões a cavalo transportando umbila e pau-ferro [...] são vistos todos os dias a saírem da Reserva Nacional do Gilé, na província da Zambézia. [...] "[...] esses carros têm gente grande por detrás." [...] os trabalhadores desses furtivos circulam por aquela zona com viaturas de luxo para controlar os camiões enquanto transportam madeira." Aqui.
Adendaeste diário tem desde 2007 centenas de entradas sobre o desalmado saque da nossa madeira. Tempos houve em que abordar no país a desflorestação era considerado, por alguns cavaleiros andantes do tudo está bem, acto de lesa-pátria, exercício de macomunação com a estranja maquiavélica. Mas faz já alguns anos - especialmente desde 2011 - que se multiplicam os relatos pungentes e frontais sobre o desalmado saque florestal do país.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Seguem-se dois extractos reproduzidos da edição 1159, de 25/03/2016, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

25 março 2016

Ansiedade e credulidade

Preocupação e angústia face aos confrontos militares no centro do país são ampliadas na internet por produtores de portais alarmistas que transformam um morto em mil mortos, dois feridos em 500 feridos e dois confrontos em 2000 confrontos. Leitores ansiosos e crédulos confiam acriticamente em portais de ciberguerrilheiros panfletários e em descarados blogues de copia/cola/mexerica, que se apresentam como respeitáveis fontes de informação. Fungulamaso iué (abre o olho, fica atento)!

Negócios em Moçambique

Em epígrafe os cabeçalhos das três mais recentes notícias do mundo de negócios em Moçambique a conferir aqui.

Fazer espécie

Três coisas que sempre me farão espécie quando ocorrem em hotéis de luxo: [1] seminários sobre democracia e paz, [2] lançamento de livros e [3] divulgação de resultados de pesquisa.

Um texto de Colin Darch

Sugestão: adquira e leia

24 março 2016

Saias

As saias curtas foram proibidas nas escolas moçambicanas e a polícia abortou um protesto contra a proibição. Aqui. Sobre a proibição, um comentário de Boaventura Monjane, aqui.
Adenda às 19:22: "Regiões de alta saturação sexual e controlo político da sexualidade" [Um texto meu de 2007 publicado em livro em 2012] - confira aqui.

SB revê em baixa crescimento do PIB de Moçambique

Segundo o Standard Bank, na pessoa do economista Fáusio Mussá, no boletim económico deste mês, diversos factores negativos nacionais e internacionais concorrem para uma "expansão mais lenta do PIB, em termos reais, este ano, com a nossa expectativa inicial em torno dos 5.5%, que muito provavelmente será revista em baixa, mas com o Governo a manter ainda um objectivo de 7%." Confira aqui.

Atenção aos ciberboatos

Vivemos - e iremos viver mais intensamente - certas turbulências políticas, em Moçambique e no mundo. Nas turbulências políticas surgem boatos, expressos das mais variadas maneiras e pelos mais variados canais. Há boatos espontâneos e boatos intencional e politicamente criados. Estes últimos visam causar indecisão, desorientação, pânico e hostilidade. Prestem especial atenção aos ciberboatos oriundos de ciberfontes havidas por confiáveis mas que mais não são do que exercícios panfletários de guerrilha cibernética, boatos fantásticos do género "O Oceano Índico foi hoje roubado" ou "100 autocarros da empresa Avança Depressa carregados de militares foram ontem emboscados e metralhados na região de Toma Cuidado, tendo sido mortos os seus cinco mil ocupantes" ou "O mais famoso terrorista da Antártida esteve em Inhambane uma semana a comer camarões", ciberboatos de imediato replicados pelos blogues do copia/cola/mexerica. Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações." (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p.6).

Um mês num hospital psiquiátrico

Entre 1996 e 2001 dirigi vários tipos de pesquisa no país, com alguns resultados divulgados na revista "Estudos Moçambicanos" do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane. Numa dessas pesquisas, realizada em 2000, a jovem Helena Monteiro, uma das minhas assistentes, esteve um mês a viver e a trabalhar no Hospital Psiquiátrico de Nampula, uma experiência pioneira, difícil e delicada. Uma das questões da pesquisa consistia em saber se os doentes mentais eram efectivamente doentes mentais. Helena enfrentou o desafio e escreveu um diário de campo:
Precedido de uma introdução minha, aqui.

Um texto

23 março 2016

Sugestão de leitura

Sinopse aqui.

Entorpecimento

Existem múltiplas formas de politizar a recreação, a ludicidade, de colonizar o império dos sentidos, de entorpecer a nossa capacidade crítica, formas destinadas a produzir o consenso em permanência, a osmose de interesses privados e colectivos, formas que procuram colocar na penumbra as clivagens e as contradições sociais. Essas formas são hoje cada vez mais refinadas. O capitalismo produz as infra-estruturas desse múltiplo processo de entorpecimento, as elites políticas e seus intelectuais orgânicos apanham a boleia e dele fazem uso abundante.

22 março 2016

A tragédia dos linchamentos

Sugestão de leitura [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

Doença e terapia

Como é o doente encarado do ponto de vista biomédico? Como uma entidade unívoca, individual, individualizável, como a única sede da doença, como um problema que, com algum tempo e paciência, pode ser resolvido nas fronteiras de uma enfermaria. De que sofre o doente A? Sofre de uma nevrose sem lesão orgânica. Quais os percursos da possível cura? Psicoterapia e farmacoterapia. Este, o universo de sentido único [socorro-me de uma expressão de Tobie Nathan].
Coloquemos agora o doente A na perspectiva da epistemologia popular. Qual é o problema? O problema é que um espírito incomodado o perturba. É o problema individual? Não, o problema não tem a ver com o doente em si, mas com uma família, pode mesmo ter a ver com uma comunidade. Estamos, então, num universo de universos múltiplos [socorro-me de novo de Tobie Nathan]. Fazendo uso de uma formulação de Norbert Elias, a pergunta não é: o que é que provoca o problema? Mas, antes, esta: quem é que provoca o problema? A etiologia muda, o fenómeno tem a ver com a intencionalidade das forças do invisível (invisíveis, sim, mas supostas vivas), o mestre chamado não é o psicólogo ou o psiquiatra, mas o gestor dessas forças. Surge, então , a espíritoterapia.

21 março 2016

Renamo volta a atacar

Segundo a "Rádio Moçambique", citando a polícia, homens armados da Renamo voltaram a atacar hoje um autocarro na região de Honde, distrito do Báruè, província de Manica, havendo três feridos. - jornal da noite, 19:30.
Adenda às 19:41: recorde neste diário uma série em 15 números intitulada "A tripla guerrilha da Renamo", cujo último número está aqui.
Adenda 2 às 05:37 de 22/03/2016: confira aqui.
Adenda 3 às 11:12 de 22/03/2016: há duas pessoas com ferimentos graves segundo o "Diário de Moçambique", aqui.

No "Savana" 1158 de 18/03/2016, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

Saiba sobre Moçambique


Saiba sobre Moçambique através deste boletim com data de ontem, aqui.