O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [6]

Sexto número da série. É o Eng.º Filipe Nyusi livre de fazer a sua própria história, no sentido unívoco, exclusivo, absoluto, independente da história do país e da multiplicidade e da complexidade de relações sociais que a impregnam? Um dia Karl Marx escreveu o seguinte: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente, nas condições por eles escolhidas, mas nas condições directamente dadas e herdadas do passado. No cérebro dos vivos pesa com força a tradição de todas as gerações mortas." [Le 18 Brummaire de Louis Bonaparte. Paris: Éditions Sociales, 1969, p.15]. Prossigo mais tarde.

Insegurança alimentar no país

Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades e o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, citados pela Agência de Informação de Moçambique, mais de 175.930 pessoas vivem em insegurança alimentar aguda devido à falta de chuva, especialmente nas províncias de Gaza e Inhambane, estando ainda 575.455 em situação de risco. Aqui.

30 dezembro 2015

Prismas sobre a inviabilização da marcha da Renamo

Sobre a inviabilização ontem por parte da polícia de uma marcha da Renamo na cidade de Maputo, estude-se a forma como isso foi noticiado pela "Lusa" aqui e pela "Agência de Informação de Moçambique" aqui.
Adenda às 06:12: Uma precaução: se alguém nos diz que viu um leão na cidade de Maputo, a nossa atitude não deve ser de aceitar isso só porque alguém diz ter visto o leão (uma, duas, três pessoas, uma multidão a dizê-lo), devemos esforçar-nos para saber se isso efectivamente aconteceu, analisando fontes, tipo de fontes, credibilidade do (s) informador (s), frequência do fenómeno, etc. Desconfiemos dos consensos de fácil digestão e façamos do não às evidências primeiras o princípio para chegarmos ao sim da pesquisa e da credibilidade processual.

Sul: a pior seca dos últimos 20 anos

"A zona sul do país enfrenta a pior estiagem dos últimos 20 anos, facto que já está a condicionar a disponibilidade de água para os diferentes fins." Aqui.

Notas sobre nomofobia em Maputo [5]

Quinto número da série. Escrevi no número anterior que o celular tornou-se parte integrante do corpo, um órgão vital dos sentidos. E - acrescentei - a sua privação é tão penosa quanto a sede e a fome. Mas o que torna o celular um gémeo poderoso do diálogo humano, cada vez mais invasor e colonizador, cada vez mais magnético? É a instantaneidade volátil da salada recreativa, tema que abordarei proximamente. 

Sobre o herói

O que é um herói? Um herói é a conjunção de dois fenómenos: os seus feitos reais ou imaginários e a nossa necessidade de feitos. Frequentemente o peso da nossa necessidade (popular, religiosa ou política) de feitos suplanta os feitos reais ou imaginários do herói e consegue dar-lhes uma dimensão mais marcante, mais sonante ainda, quase divina ou integralmente divina.
Quando queremos reconstituir a unidade psíquico-comportamental de um herói, confrontamo-nos com inúmeros espelhos com ângulos de refracção diferentes. O herói foi, evidentemente, várias coisas na sua vida, mas as nossas necessidades (da gente comum, dos povos em luta, dos historiadores, dos políticos, dos chefes religiosos) podem sobrevalorizar - e frequentemente fazem-no - esta ou aquela característica, característica seleccionada que acaba por eclipsar as outras facetas do herói.
Isso é especialmente marcante na ocorrência da morte. Com efeito, a morte de alguém concorre para a criação ou para a ampliação das características do herói ou da característica central do herói. As representações sociais que as produzem ou a produzem acabam por diluir, por atenuar, por disfarçar e, até, por apagar as facetas normais do homem comum, os seus defeitos, a aspereza do seu comportamento, etc. O herói surge, então, furtado à comezinha trajectória humana na sua qualidade mítica, sobre-humana, definitiva, eterna.

29 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [5]

Quinto número da série. Escrevi no número anterior que o Presidente Filipe Nyusi é suposto possuir unicamente nele a extraordinária, faraónica capacidade de mudar não importa o quê, como e quando, como sucede ler-se frequentemente em certo tipo de jornais sensacionalistas, cartas de leitores e portais de copia/cola/mexerica. Ora, o messianismo político é tão mais possante quão mais aguda e persistente é a percepção popular de que há problemas sociais graves. No caso do nosso país, essa percepção parece contemplar dois aspectos principais: o medo do retorno à guerra e a desespero com o custo de vida.

Bilharziose em Moçambique

Num texto da APO de Março deste ano: "A Bilharziose é muito comum em Moçambique: De acordo com a OMS, estima-se que mais de 18 milhões de pessoas – cerca de 80 por cento da população total – tenham necessidade de tratamento." Aqui.

Livro inaugural da coleção "Cadernos de Ciências Sociais"

28 dezembro 2015

Notas sobre nomofobia em Maputo [4]

Quarto número da série. Deixei no último número a seguinte imagem: um grupo de jovens junta-se, cada um é portador de um celular na mão esquerda, vão dialogando e sorrindo em simultâneo com a consulta do celular [chat, jogos, fotos, vídeos]. O celular aqui é bem mais do que um exercício de estatuto social, ainda que a exposição do mais recente modelo possa ser relevante a esse nível. Na verdade, o celular tornou-se parte integrante do corpo, um órgão vital dos sentidos. A sua privação é tão penosa quanto a sede e a fome.

No "Savana" 1146 de 25/12/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

27 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [4]

Quarto número da série. A produção em certos círculos de um Nyusi demiurgo revela-se em inúmeras crenças e enunciações do género "Nyusi ainda não tem poder", "Nyusi vai tentar controlar o partido", "Nyusi não foi ainda capaz de vencer a herança dos antecessores", "Nyusi ainda não conhece o país", "Nyusi ainda não controla o Estado", etc. Por outras palavras, o Presidente é suposto possuir unicamente nele a extraordinária, faraónica capacidade de mudar não importa o quê, como e quando, como sucede ler-se frequentemente em certo tipo de jornais sensacionalistas, cartas de leitores e portais de copia/cola/mexerica.

Ideologia

Nunca como agora a ideologia foi tão implacavelmente produzida no sentido de naturalizar e eternizar a ordem social e as categorias nas quais a pensamos.

26 dezembro 2015

Segundo a SABC: vindos de Moçambique com 76 milhões de randes a caminho de Joanesburgo

Segundo a SABC, a polícia sul-africana prendeu na fronteira dos Libombos dois homens, oriundos de Moçambique a caminho de Joanesburgo, na posse de dinheiro cash equivalente a  76 milhões de randes. O dinheiro inclui dólares, euros e randes. A polícia sul-africana trabalha com a congénere moçambicana para determinar se os dois homens pertencem a um sindicato criminoso. Aqui.
Adenda às 10:47 de 28/12/2015: o jornal "O País" revela as identidades dos dois homens aqui.

Notas sobre nomofobia em Maputo [3]

Terceiro número da série. A cidade de Maputo possui muitos locais de observação do comportamento nomófobo. A mais clássica e generalizada talvez seja esta: um grupo de jovens junta-se, cada um é portador de um celular na mão esquerda, vão dialogando e sorrindo em simultâneo com a consulta do celular [chat, jogos, fotos, vídeos]. Se não se importam, prossigo mais tarde.

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [3]

Terceiro número da série. Tentei no número anterior definir  messianismo político, como segue: crença na capacidade considerada excepcional de certos indivíduos para resolver problemas sociais de forma imediata e irrreversível. Essa capacidade considerada excepcional faz com que alguém seja encarado como possuindo capacidades demiúrgicas, como capaz de produzir uma parusia, como portador de uma varinha mágica capaz de produzir riqueza e felicidade imediatas. Essa concepção faraónica dos grandes homens é, invariavelmente, prisioneira de um padrão de análise: a das pessoas em si, individualmente consideradas, independentes do sistema ou dos sistemas sociais que produzem e pelos quais são, por sua vez, produzidas e reproduzidas.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1146, de 25/12/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

25 dezembro 2015

Moçambique: posição da Moody´s

A notação de risco B2 de Moçambique foi colocada pela agência Moody´s em revisão para possível rebaixamento, saiba porquê aqui.

Ciências sociais: estética e transformação

As ciências sociais podem ser vistas a dois níveis: o nível da estética, no qual elas existem enquanto meio de realização académica; o nível da transformação, no qual elas existem para mudar as relações sociais. O segundo nível é claramente minoritário.

Précapitalismo e capitalismo

O précapitalismo era, digamos, indecomponível no seu tempo cíclico, sendo este intimamente fecundado e limitado pelo espaço familiar, pela solidariedade social e pela ética sagrada de um social que recusava o indivíduo enquanto - na acepção de Louis Dumont - ser moral, independente e autónomo.
O modo capitalista de produção, pelo contrário, distende o tempo, fragmenta-o, divide-o, lança-o para frente com o relógio mecânico, subverte o território familiar diariamente revisto, multiplica o espaço da produção, quebra as solidariedades tradicionais, subverte e dessacraliza as velhas ordens patriarcais e os velhos mitos, dando origem ao indivíduo, essa figura histórica que vive e trabalha com uma outra que não conhece ou que produz para uma outra que não conhece.
A subversão do velho social cria uma “desordem” que é fruto da colisão entre a lógica do Capital e a lógica da solidariedade.
O Capital produz indivíduos para a frente - ele é futuro, incerteza, selecção, anarquia; mas os indivíduos guardam, ainda, afinal, tenaz, a memória e o apelo da sociedade solidária - eles ainda são passado, certeza, um certo tipo de ordem e de ontologia campesinas.

Empresas agrícolas chinesas em Moçambique

De acordo com uma fonte, existem em Moçambique 12 empresas agrícolas de capitais chineses. Aqui.

Amanhã neste diário

24 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [2]

Segundo número da série. Escrevi no número inaugural que se gerou em torno do Presidente Filipe Nyusi um conjunto de múltiplas expectativas que têm especialmente a ver com o messianismo político. O que é messianismo político? É a crença na capacidade considerada excepcional de certos indivíduos para resolver problemas sociais de forma imediata e irrreversível. De alguma maneira, o messianismo político é uma modalidade profana de uma crença religiosa. Em que meio social medra o messianismo político? O messianismo político parece ser um fenómeno universal, independente de épocas e contextos históricos. Mas é especialmente forte em meios sociais nos quais se conjugam três fenómenos: (1) Grande peso das tradições e das regras costumeiras; (2) Percepção da erosão dessas tradições e dessas regras; (3) Níveis de pobreza multidimensional elevados.

8/9 de Março de 2016

23 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político [1]

Gerou-se em torno do Presidente Filipe Nyusi um conjunto de múltiplas expectativas que têm especialmente a ver com o messianismo político. O que é messianismo político? Se não se importam, prossigo mais tarde.

Notas sobre nomofobia em Maputo [2]

Segundo número da série. Eis uma hipótese forte, que é a coluna vertebral da série: a cidade de Maputo está cheia de nomófobos [sobre nomofobia leia aqui] de todas as idades, mas especialmente jovens. Em que sentido? Se não se importam, prossigo mais tarde.

Produção de definições

A produção regular, oficial e pública de definições e de etiquetas não é usufruto de qualquer um. Assim, certos grupos hegemónicos controlam ciosamente os seus meios de produção, estabelecendo, mesmo, a sua propriedade. É a partir dos meios de produção de definições e etiquetas que os grupos e seus intelectuais definem politicamente os comportamentos como bons e maus, normais e anormais, justos e injustos, permitidos e interditos.

Faz falta no país

Faz falta no país uma pesquisa sobre os estereótipos políticos, sobre a produção política de crises partidárias, sobre a ilusão de transparência de afirmações e de fenómenos, sobre o imenso amor ao Único e ao Mesmo, sobre a propaganda, o proselitismo, o profetismo caseiro. Faz falta - para dizer como Pierre Bourdieu - "politizar as coisas cientificando-as" e "pensar a política sem pensar politicamente".

22 dezembro 2015

Filipe Nyusi, expectativas e messianismo político

BM aponta para o fim do ciclo de aperto monetário

Segundo o Zitamar News, o Banco de Moçambique aponta para o fim do ciclo de aperto monetário. Aqui.
Entretanto, tenha em conta o boletim de câmbios de hoje:
Confira aqui, aqui e aqui.
Adenda às 10:43: segundo Salimo Abdula, presidente da Intelec Holdings, o metical irá estabilizar no primeiro trimestre do próximo ano, aqui.

Já disponíveis no portal da editora

Confira aqui e aqui

Fontes

Nenhuma fonte escrita é, à partida, menos verdadeira do que uma fonte oral. Salvo se quisermos fazer finca-pé numa opção normativa, ambos os tipos de fontes são porosos ao refazer factual, à erosão do tempo, ao erro de análise, ao prejuízo, ao juízo de valor, às múltiplas opções culturais, à manipulação política deliberada na tensão das relações de poder.

Militantes do igual

Os militantes do igual gostam de ver o social passado a ferro à sua maneira, sem questionamentos, sem dissabores cognitivos, especialmente sem novas latitudes políticas. Por isso lhes é inerente o faro policialesco, a desconfiança permanente ante a novidade da história.

21 dezembro 2015

Quando árvores abraçam prédios em Maputo

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

No "Savana" 1145 de 18/12/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.