O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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30 novembro 2015

Maleiane sobre o orçamento de Moçambique

Segundo o Ministro das Finanças, Adriano Maleiane, em conferência de imprensa hoje a respeito do orçamento do país, "as receitas correntes cobrem as despesas e ainda sobram, em média, cerca de 40 biliões de meticais, valor que serve para pagar o serviço da dívida e financiar uma parte do orçamento de investimento", pelo que "o pagamento dos salários nunca será problema." Aqui.

Atenção

Pobreza=instabilidade

Lá onde houver pobreza em seus múltiplos sentidos, lá haverá instabilidade política - recordando uma posição do Eng.º Filipe Nyusi aqui.

No "Savana" 1142 de 27/11/2015, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

Sobre a economia moçambicana

Parágrafo final do mais recente editorial do semanário "Savana": "A grande lição que se pode tirar da actual situação é que uma gestão prudente da economia desaconselha gastar hoje o que não se tem, simplesmente porque se tem uma vaga ideia de receitas futuras. A receita só se torna válida quando está seguramente guardada nos cofres." Aqui.

29 novembro 2015

As cadeiras são masculinas [3]

Terceiro e último número da série. Nas sessões de tribunais comunitários, não poucas vezes as mulheres sentam-se no chão e os homens em cadeiras.
Mais: os homens sentam-se em espaços abertos e as mulheres em espaços fechados, no interior das casas ou em locais de pouca visibilidade.
A cadeira tem, afinal, duas histórias: uma horizontal (no sentido da sua origem) e outra vertical (no sentido das relações de poder e género).

Os neo-jihadistas ou a “islamização da radicalidade”

Com o título em epígrafe, um texto de Michel Moutot conferível neste jornal aqui.

28 novembro 2015

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1142, de 27/11/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

As cadeiras são masculinas [2]

Segundo número da série. Existem diferentes tipos de perguntas que podemos colocar às coisas modestas. No caso das cadeiras, eis uma pergunta: Por que razão a cadeira continua a ser em Moçambique um atributo generalizadamente masculino?
Devo confessar que ainda não investiguei isso, mas se cada um de nós estiver atento, verá que, especialmente em zonas rurais, a cadeira é ainda um quase exclusivo dos homens, sentando-se as mulheres no chão, em esteiras.

27 novembro 2015

Segundo Banco de Moçambique

Amanhã neste diário

As cadeiras são masculinas [1]

Dificilmente nos interrogamos sobre as cadeiras. Sentamo-nos nelas e é tudo. Mas é justamente sobre as coisas mais banalizadas pelo uso, mais aparentemente estrangeiras aos mitos e às relações de poder, que devemos interrogar-nos.
Existem diferentes tipos de perguntas que podemos colocar às coisas modestas.

Duplo constrangimento

Tenho, por hipótese, que as sociedades são como que pessoas em ponto grande, são exercícios diários de um duplo constrangimento. Por um lado são a prática de hábitos, de normas de comportamento (aí incluídos os prejuízos) interiorizadas e sedimentadas nos processos de socialização por que se passa ao longo da vida (família, escola, grupos de pertença, de referência, etc.); por outro, são a desconstrução (ou a sua pretensão) das diferentes sedimentações, são a busca da inovação, do desvio, da marginalidade, são o questionamento das coisas imutáveis.

26 novembro 2015

Pensamento circular

O pensamento circular faz a história do nosso dia-a-dia cognitivo. A sua estrutura é basicamente a seguinte:
- O Ferroviário perdeu.- E por que perdeu o Ferroviário?- Porque o seu treinador não presta.- E que provas tem de que o treinador não presta?- Não vê que o Ferroviário perdeu?
Por outras palavras, a ideia confortante é a de que o fenómeno xis remete para si próprio a explicação causal.

O grande golpe

Através do antigo sistema de pagamento via folha salarial, militares de alta patente, familiares e amigos roubaram ao Estado 33 milhões de meticais, de acordo com esta fonte aqui.
Adenda às 08:45 de 27/11/2015: mais dados aqui. Há também um editorial alusivo, mas que não figura ainda na versão digital.
Adenda 2 às 09:17 de 28/11/2015: o editoral está finalmente consultável aqui.

Peso da burocracia

Quanto mais jovem for a experiência estatal num país, mais robusto e visível será o peso da burocracia enquanto teia de relações de poder, de gestão de recursos necessários e de clientelismo plural.

Saber simbólico

O saber simbólico, em suas diversas manifestações no interior de relações sociais concretas, é, ao mesmo tempo, uma crença, um diagnóstico e uma terapia. Crer em espíritos não é diferente de crer em deuses. Os seus postulados não são verificáveis experimentalmente, mas a fé dispensa provas físicas. O acaso e o fortuito não existem nessa fé: tudo tem uma explicação e essa explicação parte da crença de que entidades poderosas, vivas ainda que invisíveis, em simultâneo iguais e superiores aos seres humanos, governam os nossos actos e os nossos desejos.

Sobre Moçambique

Confira dez páginas de notícias e análise sobre Moçambique neste boletim aqui.

25 novembro 2015

Sobre a neutralidade dos noticiários

Os noticiários surgem regra geral como produto neutro, como a fotografia real, imediata, exacta, do que acontece no país e no mundo. Porém, se quisermos sair da sedução em que nos envolve o ar sério do (a) locutor (a), teremos que ter em conta dois fenómenos imbricados: 1) o noticiário não existe em si, é produto de uma seleção socialmente determinada, de um prisma, de um ângulo político e politizado [frequentemente tão mais politizado quanto mais neutro pretende ser] de visão; (2) no preciso momento em que é notícia, evento, comezinho ou fantástico, alegre ou triste, o noticiário cria a distância, dá-nos, domesticado, triturado, como que pronto-a-servir, o mundo em toda a sua dramaticidade e complexidade, distrai-nos, aproxima-nos afastando, transforma o social em espectáculo, em soporífero. O fait divers, tão frequente na nossa televisão, faz parecer geral o particular, corrente o singular. Sentimos sem sentir, choramos sem chorar, pensamos sem pensar.

24 novembro 2015

Fotos do lançamento na AR

Fotos do lançamento esta manhã na Assembleia da República, cidade de Maputo, da 2.ª edição do livro "Linchamentos em Moçambique". Na primeira foto, entre deputados e convidados, figura no canto no canto esquerdo o antropólogo Paulo Granjo, neste momento de visita a Moçambique. Tive muito prazer em dialogar com pessoas de vários partidos políticos e de várias sensibilidades. Recorde aqui.

Hoje [Professores e Estudantes são convidados especiais]

No novo edifício da Assembleia da República, à retaguarda do actual, Rua da Tanzania. O lançamento será precedido de uma intervenção minha para a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República, intitulada "Fenómenos, rumores, acusações e crime" [amplie a imagem abaixo clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato].

23 novembro 2015

No "Savana" 1141 de 20/11/2015, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.

22 novembro 2015

22 de Novembro de 2000

A 22 de Novembro de 2000 - faz hoje, portanto, 15 anos -, o jornalista Carlos Cardoso foi assassinado com cinco balas de AK-47 quando saía, tarde terminada, do seu jornal, o "metical", na cidade de Maputo. Assim morreu, com 49 anos, um dos mais corajosos jornalistas moçambicanos na luta contra a corrupção. Portal que lhe é dedicado, aqui.
Adenda: "Soluções informais" - esse o título de um trabalho de Carlos Cardoso, escrito em 1996 a meu pedido e publicado num livro saído sob minha direção em 1998 (Serra, Carlos, Estigmatizar e desqualificar/Casos, análises, encontros. Maputo: Livraria Universitária, 1998, pp. 27-44), confira aqui.
Adenda 2: Logo abaixo, o rosto da edição 1073 de 2001 do "metical":
Adenda 3 às 06:45: recordar também que "A de 11 de Agosto de 2001, António Siba Siba Macuácua, um jovem economista do Banco de Moçambique, foi atirado fatalmente pelo vão das escadas do 10º andar do seu gabinete. Siba Siba estava ao serviço do Estado numa missão espinhosa: sanear as contas do Banco Austral, um dos maiores bancos estatais moçambicanos que havia sido privatizado em 1997 para interesses malaios e locais. Foi assassinado a sangue frio. Deixou mulher e dois filhos menores." Aqui.

O Estado é do DP? Do PSD? Do 中国ad共产党? Da Еди́ная Росси́я? Da Frelimo? [9]

"Toda e qualquer luta entre partidos visa não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo sobre a distribuição de cargos." [Max Weber, aqui]
"O Estado é uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território".[Max Weberaqui]
"To the victor belong the spoils" [William L. Marcy, aqui]
"Os nossos homens têm armas em todo o país", Rahil Khan da Renamo [Aqui]
 Nono e último número da série. O exército privado da Renamo é o exemplo mais claro da defesa feita em certos círculos - aí compreendido o desse partido - de um Estado bicéfalo, de um Estado regido por dois centros de poder que Sadjundjira chegou a exemplificar. Na verdade, Dhlakama fez nascer aí uma base político-militar, muito mediatizada em 2013, espécie visível de contrapoder, na qual o presidente da Renamo era regularmente entrevistado. A base de Sadjundjira tornou-se uma verdadeira "Ponta Vermelha" concorrente da residência oficial com esse nome do Chefe de Estado na cidade de Maputo, até ser desactivada pelas forças governamentais em Outobro de 2013. A apologia da governação das províncias autónomas mais não é do que uma variedade da tese do Estado bicéfalo, habitado por dois exércitos. A defesa do Estado bicéfalo, do Estado à Jano, é implicitamente feita por certos círculos de opinião que colocam ao mesmo nível de legitimidade história o exército governamentral e o exército privado da Renamo. Mais: os confrontos militares que surgem aqui e acolá são encarados por esses círculos como produto da irredutível malignidade castrense do exército governamental contra a bondade pacifista do exército da Renamo. A terminar: um dos grandes desafios do país consistirá em desaprender a caudilhagem.

21 novembro 2015

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1141, de 20/11/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

20 novembro 2015

Desarmamento da Renamo e prismas

Segundo Jeremias Chemane da "Agência de Informação de Moçambique", o Presidente da República, Filipe Nyusi, pediu maior ponderação no desarmamento compulsivo dos "homens residuais" [sic] da Renamo, ao mesmo tempo que afirmou ser tarefa das Forças de Defesa e Segurança não permitir o uso indevido de armas no país. Aqui.
Mas segundo o "O País" digital em título, o Chefe de Estado "trava" [sic] o desarmamento coercivo. Aqui.
Adenda: o Chefe de Estado em parte alguma da sua intervenção - em função do que está a ser divulgado - deu ordens para se suspender o desarmamento dos guerrilheiros da Renamo. Entretanto, se o leitor estudar um pouco os habituais blogues do copia/copa/mexerica, logo verá que já foi construída a ideia de que Nyusi impediu o "golpe de Estado" dos seus generais, supostos promotores do desarmamento à revelia do Chefe de Estado.
Adenda 2 às 10:44: correctamente, a "Folha de Maputo" digital não fez dizer ao Chefe de Estado o que ele não disse, confira aqui.
Adenda 3 às 11:08: o prisma da "Rádio Moçambique", aqui.
Adenda 4 às 11:12: a versão do "Notícias" digital, aqui.
Adenda 5 às 11:17: "Se alguém nos diz que viu um leão na cidade de Maputo, a nossa atitude não deve ser de aceitar isso só porque alguém o disse (uma, duas, três pessoas, uma multidão a dizê-lo), devemos esforçar-nos para saber se isso efectivamente aconteceu, analisando e confrontando as fontes, estudando a credibilidade do (s) informador (s), a frequência do fenómeno, etc. Desconfiemos dos consensos de fácil digestão e façamos do não às evidências primeiras o princípio para chegarmos ao sim da pesquisa e da credibilidade processual." Aqui.
Adenda 6 às 17:23: versão da "Televisão de Moçambique", aqui.
Adenda 7 às 09:19 de 21/11/2015: "O ministro do Interior vincou que a qualquer momento o Governo poderá chegar à conclusão de que não se justifica a recolha coerciva das armas, porque as pessoas estão a entregá-las voluntariamente." Aqui.

Amanhã neste diário

O início samoriano de Magufuli

O novo presidente da TanzaniaJohn Magufuli, iniciou a sua governação com um vincado estilo samoriano, confira aqui.
Adenda: as linhas finais do último parágrafo do texto acima indicado revelam descrença. Na verdade, não é nunca fácil lidar com certas elites sedentas, desejosas umas de manter os seus privilégios, desejosas outras de a eles chegar sem olhar a meios.

Pesquisa

19 novembro 2015

CTA preocupada com o aumento das taxas de juro

Em conferência de imprensa ontem da Confederação das Associações Económicas de Moçambique: "Na ocasião, Rogério Samo Gudo frisou ainda que o recente incremento das taxas de juro de referência pelo Banco de Moçambique terão um impacto negativo no sector privado, agravando o seu endividamento no sistema bancário que, no primeiro semestre, se situou em 203.087,4 milhões de meticais." Aqui.
Adenda às 09:54: posição do FMI sobre a depreciação do metical, aqui.
Adenda 2 às 09:56: um regresso à posição da CTA nesta versão aqui.

Sinistralidade rodoviária e situação causal

Podemos inventariar múltiplas causas para explicar a sinistralidade rodoviária, causas singulares e causas em conglomerado, causas que aparecem frequentemente integradas em situações causais, situações que propiciam ou que ampliam a acção das causas em si.
De múltiplas maneiras, do estado técnico das viaturas à condução irresponsável, os chapas e os my love, por exemplo, que circulam nas nossas estradas, constituem um flagrante exemplo de uma situação causal permitida, de um ilícito culposo.
Quando falamos de ilícito culposo, regra geral procuramo-lo nos condutores em si, no excesso de velocidade, no consumo de álcool, na juventude irreverente, na condução sem carta de condução, nas deficiências mecânicas, na falta de atenção e conhecimento dos peões, etc. Porém, esse tipo de imputação deixa na penumbra a situação causal e o papel central do Estado a esse nível.
Então, a questão central consiste menos nos condutores em si do que em quem tem por missão controlar regras, estradas (sector regra geral marginalizado nos debates e nas críticas), condutores e estado técnico das viaturas.

18 novembro 2015

O Estado é do DP? Do PSD? Do 中国ad共产党? Da Еди́ная Росси́я? Da Frelimo? [8]

"Toda e qualquer luta entre partidos visa não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo sobre a distribuição de cargos." [Max Weber, aqui]
"O Estado é uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território".[Max Weberaqui]
"To the victor belong the spoils" [William L. Marcy, aqui]
"Os nossos homens têm armas em todo o país", Rahil Khan da Renamo [Aqui]
 Oitavo e penúltimo número da série. Tudo passa pela reescrita da história, pela sua intemporalização e pela busca de comparações politicamente úteis. Assim, defendem certos círculos, se a Frelimo conduziu a luta de libertação nacional, a Renamo conduziu a luta pela democracia. O solo juncado de cadáveres é colocado no caixote de lixo da história e coberto por mantos morais do género "os nossos guerrilheiros servem para proteger as populações das ataques da Frelimo". Por outras palavras, ao exército privado da Renamo é atribuído o duplo valor histórico da legitimidade e da necessidade, assessorado pelo recurso permanente ao Acordo Geral de Paz de 1992.