O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 maio 2015

46 milhões de meticais

Parte do lead de um texto de Lázaro Mabunda no boletim do Centro de Integridade Pública: "As comunidades das zonas de exploração de madeira em Sofala ainda não receberam os mais de 46 milhões de meticais dos 20% a elas destinados. Os valores foram depositados na conta da Direcção Provincial da Agricultura em Sofala entre 2010 e 2014. Ninguém sabe onde está o valor." Aqui.

Samora e o Capital (2)

Segundo número da série. Hoje os momentos são outros, a roda da história parece ter outra história, diferentes são as maneiras por que se lê e se analisa o que se passa em Moçambique e no mundo em geral. Recordemos extractos de um texto de Samora Machel e retomemos contacto com categorias analíticas que parecem perdidas, num país como o nosso onde é cada vez mais forte a presença do Capital internacional e, em particular, do Capital mineiro [amplie a imagem abaixo clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]:
Fonte: Machel, Samora Moisés, O processo da revolução democrática popular em Moçambique (1970?). Maputo: Departamento de Informação e Propaganda, 1976, in Colecção estudos e orientações, Instituto Nacional do Livro e Disco, 1980, 78 pp.
Adenda: entretato, leia dois textos da autoria de brasileiros, a saber: José Flávio Sombra Saraiva, Moçambique em retrato 3x4: Uma pequena brecha para a política africana do Brasilaqui; Beluce Belluci, Tudo e nada: aposta do Capital em Moçambiqueaqui.

Pensamento fast-food (9)

Nono número da série. Passo ao terceiro fenómeno, o maniqueísmo. Esse parece ser um dos mais sólidos princípios da cognição: a divisão do mundo numa coisa boa e numa coisa má, o daltonismo moral, a irredutibilidade das fronteiras, a religião dos antagónicos, a recusa dos hibridismos e do transfronteiço mesmo quando são evidentes e normais.

Sobre a dívida pública

De um trabalho de Armando Ginés: "A dívida pública global ascende a quase 50 bilhões de euros, enquanto o PIB de todos os países excede por pouco 70 bilhões. Dessa produção global convertida em dinheiro ou títulos financeiros, 25 por cento, cerca de 18 bilhões de dólares, está escondida em paraísos fiscais. O absurdo desses números assustadoramente desumanos é que 85 pessoas acumulam tanta riqueza quanto mais da metade da população mundial, ou seja, 3,570 milhões de pessoas." Aqui.

30 maio 2015

Humor gráfico

Confrange verificar que faz falta ao país o humor gráfico em geral e o humor gráfico político em particular. Recorde um trabalho do jovem cartunista moçambicano Leilo Albano, divulgado neste diário em 2011, aqui:
Adenda às 19:13: sugiro leia a obra com a capa abaixo [amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]:

Negócios em Moçambique

Confira os cabeçalhos das mais recentes notícias do mundo de negócios em Moçambique no Africa Intelligence, aqui. Sobre a companhia aérea Mais, confira também aqui, aqui, aqui e aqui. Se quiser ampliar a imagem em epígrafe, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Samora e o Capital (1)

Hoje os momentos são outros, a roda da história parece ter outra história, diferentes são as maneiras por que se lê e se analisa o que se passa em Moçambique e no mundo em geral. Recordemos extractos de um texto de Samora Machel e retomemos contacto com categorias analíticas que parecem perdidas, num país como o nosso onde é cada vez mais forte a presença do Capital internacional e, em particular, do Capital mineiro:
Fonte: Machel, Samora Moisés, O processo da revolução democrática popular em Moçambique (1970?). Maputo: Departamento de Informação e Propaganda, 1976, in Colecção estudos e orientações, Instituto Nacional do Livro e Disco, 1980, 78 pp.
Adenda: entretato, leia dois textos da autoria de brasileiros, a saber: José Flávio Sombra Saraiva, Moçambique em retrato 3x4: Uma pequena brecha para a política africana do Brasil, aqui; Beluce Belluci, Tudo e nada: aposta do Capital em Moçambique, aqui.

Pensamento fast-food (8)

Oitavo número da série. Escrevi no número anterior que na lógica sensorial do pensamento e da comunicação de todos-os-dias, estão social e persistentemente hospedados quatro fenómenos: simplismo, essencialismo, maniqueísmo e a-historicismo. Tendo já escrito um pouco sobre o simplismo, passo agora ao essencialismo. A virtude cardeal do essencialismo - coisa de todos nós, ao mais variados níveis - consiste em tomar comportamentos, estados e identidades por fenómenos imutáveis e auto-explicáveis. A etiquetagem social é, regra geral, o produto do essencialismo. Quando dizemos que o norte do país é matriarcal, estamos simplesmente a dizer que perderíamos o norte caso algo se desmatriarcalizasse, caso sumisse essa confortante evidência irremediavelmente natural e fagocitante. Eis uma pergunta à Georg Simmel: a partir de que efectivo os desviantes seguros ou prováveis podem ser tomados como quantidade negligenciável?

Pedalando: quadros de Gemuce (16)

Décimo sexto número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe: Sem título, Dimensões: 55,5x82 cm, Técnica: Aguarela S/papel, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1116, de 29/05/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

29 maio 2015

Dhlakama, o velocista

Segundo a "Lusa", citada pelo "SapoNotícias", o presidente do Partido Renamo, Afonso Dhlakama, afirmou o seguinte: "Vou propor ao Nyusi e à Frelimo [Frente de libertação de Moçambique] que vamos legislar em 15 dias para que todas as províncias de Moçambique recebam a categoria de autarquias". [...] Aqui. [Recorde aqui]. Enquanto isso, citado pela "Rádio Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou: "Não tenciono, nenhum dia, mandar um tribunal julgar a favor ou a desfavor de alguém; por isso, temos que evitar instruir o Parlamento ou temos que tudo fazer, para não sermos instruídos pelo tribunal, como Executivo, para tomar algumas decisões. A democracia tem que prevalecer; posições políticas sim, mas essas, tem que ser dentro da balizas estabelecidas." Aqui.

Neste diário amanhã

Samora e o Capital

Pensamento fast-food (7)

Sétimo número da série. Na lógica sensorial do pensamento e da comunicação de todos-os-dias, estão social e persistentemente hospedados quatro fenómenos: simplismo, essencialismo, maniqueísmo e a-historicismo. De imediato, algumas palavras sobre o simplismo. O simplismo (mas não a simplicidade) consiste na leitura redutora de um fenómeno. Quanto mais pequena for a esfera cognitiva, maior parece ser a satisfação social e moral, plataforma obtida através de proposições do género os linchadores matam porque são mausa modernidade só traz imoralidadeas crenças tradicionais não são racionais, etc.

Pedalando: quadros de Gemuce (15)

Décimo quinto número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe: Título: Flutuantes, Dimensões: 130x100, Técnica: Óleo s/tela, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

28 maio 2015

Zapiro sobre o escândalo da FIFA

Aqui. Sobre o escândalo da FIFA, aqui

Generalizações abusivas

É frequente encontrarmos na nossa imprensa trabalhos baseados em posições do género "Juristas afirmam que...", "A população exige que...", "Cidadãos defendem que...", "A sociedade civil critica...". Quando lemos o lead e/ou quando entramos no corpo da notícia ou da reportagem, verificamos imediatamente que estão em causa apenas um jurista [no máximo dois], dois indivíduos da chamada população, dois cidadãos e duas/três organizações da chamada sociedade civil.

Alforriar-nos

À superfície dos problemas, à tona da vida, dizem-nos: olhai a violência desta gente. Sem dúvida que esta gente é violenta. Há, mesmo, quem, com afã e varapau na alma, defenda o seguinte: urge dizer que ela é violenta. Somos então conduzidos a analisar o indivíduo, em última instância um conjunto de indivíduos; somos então conduzidos a tomar em conta a circunstancialidade, as fronteiras psicológicas, as fronteiras dessocializadas da violência. Mas tentemos ir um pouco mais longe: estão as premissas do problema, as premissas da questão, bem colocadas? Um dia, faz já muitos anos, Karl Marx escreveu o seguinte a propósito de um tema que agora não interessa aqui: "Nasce aqui a questão de saber se este problema não prenuncia já a sua falta de sentido e se a impossibilidade de solução não está já contida nas premissas da questão. Frequentemente a única possível resposta é a crítica da questão e a única solução é negá-la." Neguemos a questão tal como acima está colocada - psicologizada e individualizada - e coloquemos estoutra: quais são as condições sociais que geram a violência? Então, ao queremos controlar a violência circunstancial surpreendemo-nos com o fracasso das soluções por não termos querido ou podido criar novas premissas e, por essa via, negociar com o futuro, por não termos querido, enfim, alforriar-nos da esquina cognitiva mais comezinha.

Pedalando: quadros de Gemuce (14)

Décimo quarto número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe: Sem título, Dimensões: 100x70, Técnica: Aguarela s/papel, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

O fim do poder

De Moisés Naím, com o título em epígrafe: "Sabemos que o poder está passando daqueles que têm mais força bruta para os que têm mais conhecimentos, dos países do norte para os do sul e do Ocidente para o Oriente, dos velhos gigantes corporativos para as empresas mais jovens e ágeis, dos ditadores aferrados ao poder para o povo que protesta nas praças e nas ruas." Aqui.

27 maio 2015

Um cartaz

Cartaz afixado no campus da Universidade de  Buea, nos Camarões. Aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Purificar-se

O nosso Estado precisa purificar-se de muitos problemas, antigos uns, eventualmente novos outros, que põem em causa a sua credibilidade, nacional e internacional. A nova equipa governamental enfrenta muitos e pesados desafios.

Sobre o internetês

Confira um texto de Beatriz Smaal sobre o internetês, língua usada na internet, aqui.

Sobre a violência que se explica com a violência

Em lugar de consequência de algo ou de um conjunto de fenómenos, a violência é, frequentemente, havida como uma causa, como algo que está à cabeça de tudo. Considera-se que o ser humano tem uma dose inata de religiosidade, de piedade, de amor paternal, de ciúme sexual, de agressividade, de violência, etc. Quando queremos compreender a violência entendemo-la frequentemente no sentido em que, outrora, se explicava os efeitos do ópio pelas suas virtudes dormitivas, o vinho pelo espírito do vinho e o fogo pelas suas propriedades flogísticas. Por outras palavras: a violência explica-se com a violência, com o espírito da violência. Defende-se, então, que as pessoas são violentas porque possuem um coeficiente de violência inato, porque são violentas em si, que os homens batem nas mulheres porque são violentos, etc.

Pedalando: quadros de Gemuce (13)

Décimo terceiro número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe: Título: A noiva, Dimensões: 55,5x82 cm, Técnica: Aguarela S/papel, Ano: 2015Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.

A riqueza da pobreza segundo a Irmã Emmanuelle

Durante 22 anos, a Irmã Emmanuelle viveu num bairro de lata nos arredores do Cairo, Egipto. Regressada à Europa em 1993, Irmã Emmanuelle criou uma associação para defender os pobres e escreveu um livro com o título “Riqueza da pobreza”. Qual é o argumento desse fascinante livro? É o seguinte: enquanto na Europa a riqueza torna as pessoas inumanas, solitárias, nos países pobres, nos bairros de lata como os do Cairo, os pobres vivem felizes. Para eles o ideal não é ter, mas ser. E por isso são felizes, dão-se bem uns com os outros, tudo é motivo para contacto, inter-ajuda, fraternidade. Não há guerra porque nada há para disputar. O que mais desejam os pobres? Serem respeitados. As portas das suas pobres casas estão sempre abertas, as mulheres estão sempre nas ruas, na lufa-lufa. Na vida e na morte, estão juntos, partilham alegria e tristeza. Tão espantoso e ditirâmbico beduíno, feliz porque pobre, resgasta, evidentemente, o bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau. Mas um dia, terrível dia, a Irmã foi de férias ao Cairo. Viu, então, beduínos (termo dela) enriquecidos no comércio, com casas de alvenaria, rigorosamente fechadas. Portanto, a riqueza isola as pessoas, torna-as desconfiadas, zelosas do seu ter. E a Irmã ficou triste por não mais encontrar os seus adorados pobres beduínos.[*]
_____________________
[*] Soeur Emmanuelle, avec Asso, Philippe, Richesse de la pauvreté. Paris: Flammarion, 2001.

26 maio 2015

Berdymoukhamedov, o presidente narcísico

"Uma imponente estátua dourada do Presidente do Turquemenistão, Gourbangouly Berdymoukhamedov, foi inaugurada esta segunda-feira em Ashkhabad, capital do país, retomando a tradição de culto de personalidade de que já era alvo o seu antecessor na Presidência desta república ex-soviética." Aqui. [agradeço ao RC o envio da referência, CS]
Observação: não é apenas uma questão de narcisismo à Berdymoukhamedov, mas, também, uma enorme sede de divinidade profana a nível popular e governamental.

Dhlakama, o confiante

Segundo a "Lusa", citada pelo "SapoNotícias", o presidente do partido Renamo, Afonso Dhlakama, afirmou em Nampula que em menos de 45 dias assinará um acordo com o Presidente da República, Filipe Nyusi, do qual fará parte o anteprojecto das autarquias provinciais (que tem boa qualidade governativa, assegurou) reprovado pela maioria parlamentar da Frelimo. Aqui.
Observação: o Sr. Dhlakama é hábil a tentar mostrar que sabe tirar coelhos da cartola, povoando dessa maneira as parangonas dos jornais ávidos de sensacionalismo. A presente promessa pública de pontapé nas leis e nas regras institucionais - remetendo para um acordo privado a solução política da sua enorme apetência pela gestão governamental - mostra bem a têmpera cesarista e populista que o habita.

Xenofobia e shangaanfobia: história e estereótipos na África do Sul e em Moçambique (14)

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. " [Bertolt Brecht]
Décimo quarto número da série. Permaneço no quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5. Moçambique 2006, 2007 e 2010, entrando nos pontos 5.2./5.5. Escrevi no número anterior que entre 2006 e 2010 viveram-se alguns momentos difíceis, em particular nas cidades de Maputo e Matola, com  picos de revolta popular em 2008 (lembre aqui e aqui) e 2010 (aqui e aqui). Havia inquietação com os preços dos produtos, com a vida em geral, o futuro surgia sombrio. Em meio a uma multiplidade de fenómenos, sucedeu que em Agosto de 2006 residentes do Bairro T3 na Matola chamaram curandeiros para descobrir os assassinos que aterrorizavam o bairro, considerados serem estrangeiros dos Grandes Lagos e do Zimbabwe; em Março de 2007, foram reportados ataques a bens de cidadãos burundeses e congoleses em Nampula; em 2010, na sequência de uma má actuação da polícia, vendedores moçambicanos assaltaram as cantinas dos estrangeiros possuindo lojas no bairro do Xiquelene, cidade de Maputo. Misturando-se com a crítica à acção governamental traduzida nas revoltas de 2008 e 2010, juntou-se a busca de bodes expiatórios estrangeiros.
Adenda às 09:32: leia um trabalho de Xolela Mangcu, no Rand Daily Mail, aqui.
Adenda às 09:58: confira também uma intervenção de Graça Machel, aqui.

Pedalando: quadros de Gemuce (12)

Décimo segundo número da série. Identificação atribuída pelo pintor ao quadro em epígrafe: Sem título; Dimensões:70x100 Cm, Técnica: Aguarela s/papel, Ano: 2015. Recorde neste blogue uma série de 2008 sobre Gemuce, aí compreendidas uma biografia e uma entrevista, aqui.
Adenda: de uma postagem de 2006 neste diário: "Tenho para mim que existem duas linhas de força fundamentais na pintura moçambicana: a linha de Malangatana Ngwenha e a linha de Pompílio Gemuce, dois excepcionais pintores (esqueço aqui matizes, escolas intermediárias, bifurcações; e sei que não concordarão comigo, o que é salutar). No primeiro caso, penetro nas tradições densas: a figura sem anatomia precisa, o traço cheio, a máscara, a magia, o esgar, o medo, o terror do passado, a cor quente, grudante, como se o sonho fosse um pesadelo. No segundo caso, penetro nas tradições estilizadas, modernizadas, no traço aprendido na academia, leve como uma folha, nas cores frescas, nas figuras esguias, na expectativa de um sonho calmo que necessariamente acontecerá." Aqui.