O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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30 junho 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); Alice no País da Sociedade Civil (5); A cova não está em Muxúnguè (20); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (13); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (62); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Comentários: despartidarização possante

Os ataques registados no troço Save/Muxúnguè deram origem (e continuam a dar) a centenas de comentários em jornais, redes sociais e blogues. Qual a característica desses comentários? Regra geral, a equidistância. As pessoas revelaram e revelam não estar a favor de A ou B, do Governo ou da Renamo, da Frelimo ou da Renamo, mas a favor da paz, do bem-estar social, do diálogo. Os ataques, as mortes e os danos materiais têm sido atribuídos à guerra, como se ela tivesse vida própria. Mas em caso de outorga de responsabilidades, as culpas têm sido equitativamente distribuídas, não há decisores inocentes, fora da história.
Por outras palavras: estamos perante uma despartidarização possante, consciente, um apelo forte em favor do povo.

A cova não está em Muxúnguè (19)

Décimo nono número da série, tendo como guia a Paz de Aristófanes, nesta série aqui e aqui, com base neste sumário. Prossigo no segundo número: 2. Um pouco da história das géneses, terminando o terceiro nível proposto aqui, a saber: 2.2. Concepção da luta prolongada ao mesmo tempo nacional e social. Em meio a resistências internas e a bloqueios externos, atravessando percursos dramáticos, contradições de vários tipos, a ala da dupla independência - a nacional e a social - foi a vencedora e como vencedora chegou à independência nacional a 25 de Junho de 1975. Com a vossa permissão, prossigo mais tarde.
(continua)

Morte dos blogues moçambicanos? (61)

Sexagésimo primeiro número da série, com sumário proposto aqui. Prossigo no ponto 6. Razões da morte, terminando o quinto ponto do sumário proposto aqui: 5. Paroquialismo. O que entendo por paroquialismo? Mais do que dar atenção ao pequeno mundo da aldeia temática, do país que serve de referência citativa quase exclusiva, do sistemático localismo episódico da informação, o paroquialismo é a insistência nos pequenos fenómenos sem contexto e sem análise, no diz-que-diz, em textos saudosistas de certos passados, é a reprodução mecânica de informação local acriticamente aceite, tudo isso bem traduzido, por exemplo, nos blogues-caixa-de-ressonância, nos blogues do copia/cola/mexerica. Copiar informação e ideias, colar e mexericar é um possante exercício de ciberparoquialismo. Para tudo dizer: é o fascínio do habitante da aldeia diante do viajado habitante da cidade. Se não se importam, prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)
Adenda: Virtualização do quotidiano: bloguismo em Moçambique - um pequeno texto pioneiro de Teles Huo divulgado neste diário em 2006, confira aqui.
Adenda 2 às 5:56 de 17/12/2012: estude o estado da blogosfera em 2011 em trabalho da Technorati, aqui e aqui.
Adenda 3 às 7:31 de 28/04/2013: Sou blogueiro. Gero conteúdo ou faço copy/paste?, aqui.
Adenda 4 às 7:33 DE 28/04/2013RT, CTRL+C CTRL+V, EMBED, FWD ou WRITE, REC, CLICK?, aqui.

Protestos

Uso das redes sociais nos protestos do Brasil, reproduzido daqui. Blogue do autor Amorim aqui. O cartune acima foi reproduzido também no semanário "Savana" de 28/06/2013, p. 18. Sobre os indignados brasileiros, confira um trabalho do Le Monde aqui.
Comentário: talvez o trabalho de Amorim possa aplicar-se também às manifestações que ocorrem um pouco em todo o mundo.

O poder de nomear desviantes e vândalos (12)


Décimo segundo número da série, permanecendo no terceiro número do sumário3. Recursos de poder e o poder de nomear desviantes e vândalos. Escrevi no número anterior que não longe do apego à verdade verdadeira dos gestores políticos estão os gestores religiosos. O que pretendo dizer com isso? Pretendo dizer que quando gestores religiosos defendem a verdade verdadeira de um deus com base em textos escritos há séculos, quando gestores religiosos dividem o mundo em puros e impuros, quando gestores religiosos anunciam uma cartilha de prémios para puros e castigos para impuros, não são, afinal, estrangeiros à mentalidade dos políticos gestores de poderes decisórios. Se não se importam, prossigo mais tarde. Imagem reproduzida com a devida vénia daqui.
(continua)

29 junho 2013

Sem ataques

Não há notícia de ataques no percurso Save/Muxúnguè, província de Sofala, Estada Nacional n.º 1. As viaturas continuam a circular, mas sob escolta naquele troço. Entretanto, recorde aqui. E confira aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); Alice no País da Sociedade Civil (5); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (61); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Confira

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Comentários: despartidarização possante

Lá no Niassa

Amplie a imagem em epígrafe clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Segundo uma colega minha, linguista, a palavra correcta desta secção do jornal "Faísca" é kucela que, em Yaawo, significa amanhecer.

A crise da democracia brasileira vista de Moçambique

No blogue do Alex Shankland, aqui.

A propósito dos blogues do copia/cola

O parasitismo digital tem muitas vertentes. O que a imagem acima mostra é, apenas, uma delas. Aqui. Já agora, sugiro acompanhe a série intitulada Morte dos blogues moçambicanos?, onde procuro mostrar a variedade de género parasitário copia/cola/mexerica, num espectro que vai da cópia de artigos jornais à cópia de ideias de outros blogues, aqui.

28 junho 2013

O mundo dos negócios em Moçambique

Cabeçalho da mais recente (data de hoje) notícia do mundo dos negócios em Moçambique, aqui.

Sobre o acordo político e as duas linhas

No portal da "Rádio Moçambique" com data de hoje: "A Renamo manifestou a disponibilidade do seu líder, Afonso Dhlakama, de manter um encontro com o Presidente Armando Guebuza para se alcançar um acordo político para pôr um ponto final da tensão política que se vive no país nas últimas semanas." Aqui.
Já agora e a propósito do acordo político pretendido pela Renamo (na linha da proposta da Igreja Católica), sugiro a leitura do texto a seguir, inserto no "Savana" 1016 com data de hoje (p. 19):
Nota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do semanário "Savana" sempre com 148 palavras.
Adenda às 20:06: os combóios continuam a circular na linha de Sena, mas escoltados. Por outro lado, fontes da Renamo asseguraram que a situação no percurso Save/Muxúnguè poderá normalizar-se em breve, tudo dependendo das negociações com o governo - informação prestada pela estação televisiva STV no seu jornal da noite das 20 horas.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); Alice no País da Sociedade Civil (5); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (61); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Proximamente

Partidos políticos e duas posições

São correntes em relação a certos partidos políticos, duas posições: a de que são homogéneos e imutáveis e a de que são produto de várias linhas de pensamento e, portanto, mutáveis.
A primeira posição é clássica, muito narcísica e consiste basicamente em eclipsar a história e a realidade em favor de uma unidade politicamente útil, destinada a manter os militantes coesos e afastados das fronteiras porosas da indecisão e, em última análise, da deserção. É a posição hostil à heterogeneidade, à contradição pública, é a posição do Mesmo que exclui o Outro.
A segunda, pelo contrário, defende que os partidos são produto de pessoas e grupos sociais diferentes e, por tal, são movimento, são mutáveis, são sensíveis às mudanças de visão e às lutas sociais. Os seus mentores defendem que dentro dos partidos podem existir várias linhas de pensamento que se confrontam, sendo a postura oficial produto de uma linha tornada hegemónica durante algum tempo. É a posição hostil à homogeneidade, franqueada à contradição pública, à posição de um Mesmo feito de Outros.

Analistas

Quando os analistas políticos desfilam nas nossas televisões é tão importante escutar o que dizem quanto ter olho no imenso esforço que alguns fazem para olhar permanentemente para o receptor (situa-se no lado esquerdo do local onde decorrem as entrevistas) cuja imagem pessoal é transmitida para os telespectadores. Análise temática e narcisismo concorrem em permanência.

Sobre as cheias do Rio Limpopo

27 junho 2013

Obama na África do Sul em cartune de Zapiro

Aqui. Sobre Zapiro, aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); Alice no País da Sociedade Civil (5); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (61); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Um exemplo do poder do rumor

Recorde neste diário uma postagem minha intitulada Produção de rumores, com esta introdução: "Vive-se uma situação de intranquilidade no país. Os ataques na zona centro e a rápida irradiação das notícias alusivas, a isso leva. Mas, especialmente, a isso leva o efeito retroactivo. Os ataques agem sobre vivências do passado e criam nas pessoas um quadro de contaminação sensorial imediata, instintiva, ligado à guerra de 1976/1992. A matriz dedutiva passa a processar-se assim: se no passado houve guerra, agora também haverá." Aqui. Amplie a imagem em epígrafe clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Cartune+Saúde mental: novos números

O que é cartune?, quase no prelo, terceiro número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da Escolar Editora, tendo como autores Osvaldo de Sousa (Portugal), Lailson Cavalcanti (Brasil) e Camilo Riani (Brasil). O que é saúde mental? - é o quarto número, com textos de Boia Efraime (Moçambique), Narciso Mahumana (Moçambique) e Jaqueline Jesus (Brasil). Enquanto isso, está no prelo o segundo volume, com a pergunta-tema O que é exclusão social?, trabalhos de Alexandre Baia (Moçambique), Carlos Colaço (Moçambique) e Ricardo Arruda (Brasil). Finalmente, podeis adquirir o primeiro livro da coleção, com a capa logo abaixo, à venda em Maputo por 290 meticais, com os seguintes autores: Carmeliza Rosário (Moçambique), Paulo Granjo (Portugal) e Michel Cahen (França). O livro está também à venda em Portugal e Angola e, brevemente, estará também no Brasil. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Alice no País da Sociedade Civil (4)

Quarto número da série. Escrevi, já, que a Alice do País das Maravilhas de Lewis Carroll também visitou o País da Sociedade Civil em Moçambique. Depois de empurrar a porta única de montes de jornais, de blogues do copia/cola/mexerica e de viu-se manietada por montes de expressões do género: a sociedade civil pensa que o desempenho económico...A sociedade civil pede explicação...A sociedade civil moçambicana, os académicos e a comunicação social...A sociedade civil defende que...Candidatos da sociedade civil...Tentou peneirar em que consistia tão interessante expressão a todo-o-terreno, tentou saber quem efectivamente pertencia à sociedade civil. Após algum esforço, chegou a uma conclusão. Qual? Se não se im portam, prossigo mais tarde.
(continua)
Adenda: sobre a tão magnética e acrítica expressão que é a sociedade civil, confira várias entradas neste portal aqui.

O popular Facebook de pedais em Quelimane (17)

Décimo sétimo e último número da série. Ponte diária entre a cidade do macubar e a cidade do cimento, o bicicleteiro de Quelimane é o táxi dos mais pobres, é um difusor de mensagens em quatro sentidos. Termino o quarto e último sentido, de acordo com o sumário proposto aqui. 4. Como veículo político. Escrevi no número anterior que, atravessado por múltiplas redes de contactos - tal como procurei mostrar -, ele é fundamental para quem queira ganhar eleições em Quelimane. Na verdade, quem amigamente os  convence, quem deles faz a rádio de pedais, o facebook de pedais, ganha qualquer tipo de eleições na cidade de Quelimane sem necessidade da habitual panóplia de propaganda com cartazes e comícios. Finalmente, recordem uma série minha de 2011 em 20 números intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui. Foto reproduzida daqui.
(fim)

26 junho 2013

Revista a viaturas

A polícia iniciou uma campanha de revista às viaturas que, na província de Sofala, circulam entre o Rio Save e Muxúnguè, na Estrada Nacional n.º 1 - informe do jornalista Jorge Marcos no jornal da noite das 20 horas da estação televisiva STV. Recorde aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); O popular Facebook de pedais em Quelimane (17); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (61); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

A propósito de um anúncio

A propósito do anúncio em epígrafe, um texto do sociólogo angolano Paulo de Carvalho,  publicado no Semanário Angolenseaqui.

Muxúnguè/Save: teses do suppuku político

Os acontecimentos do Centro do País - espécie de pequeno pesadelo escapado do baú da guerra de 1976/1992, como escrevi aqui ontem - têm dado origem a várias teses.
Uma dessas teses, corrente em certos blogues do copia/cola e em comentários nas redes sociais, pode ser enunciada assim: os assaltos no troço Save/Muxúnguè são obra da Frelimo destinada a culpar a Renamo e a adiar as eleições.
Por outras palavras: um partido fortemente apostado em manter certa e permanente a presença do Capital nacional e internacional como é a Frelimo, um partido gestor do Estado que montou a máquina eleitoral, está a ferir-se a si mesmo, está a pôr em causa os interesses ligados à presença do Capital, está, finalmente, a fazer o que faziam os antigos samurais: comete seppuku, esventra a sua própria barriga. Mas, coisa estranha, neste caso, sem culpa formada, sem honra envolvida, como se refém da síndrome da mão alheia.
Uma outra tese, também surgida em certos blogues e redes sociais, pode ser enunciada assim: os assaltos no troço Save/Muxúnguè são obra de meros bandidos armados, não da Renamo.
Por outras palavras: um partido com larga experiência de guerra no passado como é a Renamo, autor sistemático de promessas de regresso à guerra e com um perímetro de segurança publicamente dado a conhecer não há muito tempo, está a ferir-se a si mesmo, está a pôr em causa os seus créditos castrenses, está a mostrar que meros predadores de estrada podem actuar no seu perímetro sem que ele descubra e actue, está, finalmente, a fazer o que faziam os antigos samurais: comete seppuku, esventra a sua própria barriga. Também neste caso sem culpa formada, sem honra envolvida, como se refém da síndrome da mão alheia.

Madiba

Fernando Lima no CEA

O jornalista Fernando Lima, presidente do conselho de administração da Mediacoop (proprietária do semanário Savana),  intervém na próxima sexta-feira no Departamento de Estudos Históricos e Políticos do Centro de Estudos Africanos - campus principal da Universidade Eduardo Mondlane, entrada pela Rua de França - com uma palestra subordinada ao tema "Actual situação política em Moçambique", a iniciar-se às 9 horas na Sala 47.

Morte dos blogues moçambicanos? (60)

Sexagésimo número da série, com sumário proposto aqui. Prossigo no ponto 6. Razões da morte, entrando, agora, no quinto ponto do sumário proposto aqui: 5. Paroquialismo. Este é um outro campo que contribui para a morte dos blogues moçambicanos, para a sua confinação às pequenas aldeias digitais. Num país como o nosso, onde apenas cerca de quatro por cento das pessoas tem acesso à internet e face a um mundo de milhões de blogues concorrenciados por outros milhões de utenses das redes sociais de consumo e facilismo instantâneos, o paroquialismo é mortal. Se não se importam, prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)
Adenda: Virtualização do quotidiano: bloguismo em Moçambique - um pequeno texto pioneiro de Teles Huo divulgado neste diário em 2006, confira aqui.
Adenda 2 às 5:56 de 17/12/2012: estude o estado da blogosfera em 2011 em trabalho da Technorati, aqui e aqui.
Adenda 3 às 7:31 de 28/04/2013: Sou blogueiro. Gero conteúdo ou faço copy/paste?, aqui.
Adenda 4 às 7:33 DE 28/04/2013RT, CTRL+C CTRL+V, EMBED, FWD ou WRITE, REC, CLICK?, aqui.

Nenhum tem

Nenhum dos três partidos com portais no país tem, até ao momento em que escrevo esta postagem, qualquer referência aos ataques no Centro do país e ao processo negocial em curso entre governo e RENAMO. Confira FRELIMO, RENAMO e MDM.

25 junho 2013

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); O popular Facebook de pedais em Quelimane (17); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (60); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Muxúnguè/Save: teses do suppuku político

Moçambicanizemos a moçambicanidade

Hoje, 25 de Junho de 2013, assinala-se o 38.º aniversário da independência nacional. Neste nosso país tão jovem, se a moçambicanidade remete para o bilhete de identidade, a moçambicanização remete para o processo permanente, o processo histórico de formação do orgulho de sermos moçambicanos. Eis o hino nacional, aqui.
Adenda às 612: caso possa, leia o livro com a capa abaixo, editado em 1998 (amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato):

A luta das duas linhas

O que se está a passar no Centro do país - espécie de pequeno pesadelo escapado do baú da guerra de 1976/1992 - coloca frente a frente duas linhas.
De um lado, temos a linha que defende a solução estatal pura, fazendo-a passar pela defesa intransigente das leis e das regras vigentes nos órgãos de soberania do país. Aqui estão em jogo instituições.
De outro lado, temos a linha que defende a solução política pura, fazendo-a passar por cima das leis e das regras vigentes. Aqui estão em jogo pessoas.
Se a situação militar no Centro se mantiver (poderá mesmo agravar-se, inclusive sair fora do perímetro estreito Muxúnguè/Save), provavelmente a segunda linha vai prevalecer, com alguma adaptação elegante e jurídica da linha estatal para não parecer que o reinado institucional se perdeu.
Nesse sentido e no que concerne às delegações negociais, Pacheco do lado governamental e Macuiane do lado da Renamo poderão ser brevemente substituídos por personalidades de muito maior peso político.
Finalmente, tenho por hipótese que a solução do problema não passa pela via militar. Declarações e práticas musculadas nessa via não vão resultar.
Adenda às 5:49: situação na Estrada Nacional n.º 1 em termos de segurança, segundo a "RTP": "(...) viaturas que seguem para o centro e norte são perfiladas no rio Save e para o sul em Muxúnguè, escoltadas em coluna por blindados e um contingente militar fortemente armado, numa distância de 100 quilómetros, o raio que a Renamo anunciou interditar a circulação desde a semana passada."
Adenda 2 às 6:01: confira o que escreveu um jornal sul-africano quando se estava apenas na ameaça da Renamo e ainda não havia ataques na Estrada Nacional n.º 1, aqui.
Adenda 3 às 9:49: "A polícia tem tido dificuldades de encontrar os homens da Renamo porque, depois dos ataques, normalmente, trocam a farda e se vestem a civis e, por vezes, até passam perante a força que está à sua procura."
Adenda 4 às 9:51: "A empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou, ontem, a suspensão da venda de bilhetes na província de Tete e consequente paralisação da circulação de comboios, devido à insegurança que se vive na região, decorrente dos ataques registados no centro do país."
Adenda 5 às 11:09: nenhuma referência no "Africa Xinhuanet", aqui.

24 junho 2013

Novo ataque na EN n.º 1

Segundo a "Rádio Moçambique", no seu noticiário das 16 horas, homens armados atacaram cerca das 7 horas de hoje uma coluna viajando sob escolta militar na Estrada Nacional n.º 1, zona de Muxúnguè, província de Sofala, tendo alvejado várias viaturas. Não houve vítimas. Leia também a versão do "@Verdade", aqui. Recorde neste diário aqui.
Adenda às 16:11: enquanto isso e segundo a rádio acima referida, terminou sem avanços a sétima reunião entre governo e Renamo, hoje realizada. O porta-voz da Renamo afirmou que a Frelimo é renitente, não tendo aceite uma proposta da Renamo para alterar a lei eleitoral. Por sua vez, o porta-voz governamental afirmou que a Renamo pretende decisões a nível de um comando único à revelia das normas do país e da independência dos órgãos de governação.
Adenda 2 às 16:21: para acontecimentos anteriores, confira o "O País" aqui.
Adenda 3 às 17:25: sobre o ataque de hoje, confira o portal da "RTP", aqui.
Adenda 4 às 17:29: um trabalho da "Voz da América", aqui.
Adenda 5 às 18:23Zygmunt Bauman: "Houve tempo em que acreditava que o problema era a falta de acesso à informação. Mas agora o que preocupa é o excesso de informação, porque estamos sobrecarregados dela. Durante os últimos 30 anos surgiu mais informação do que durante os últimos 5000 anos. "(...) uma habilidade crucial na sociedade da informação é sabermos proteger-nos de 99,9% da informação que nos bombardeia (...)​​".
Adenda 6 às 18:25: sugiro recorde esta minha postagem sobre produção de rumores, aqui.
Adenda 7 às 19:39: multiplicam-se os apelos à paz, o que é muito digno. Só que falta saber como é que ela pode ser obtida, o que implica ter em conta os recursos de poder em jogo. Este é um tema que poucos estão dispostos a discutir.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Uma viagem ao distrito de Mulevala (Zambézia) (12)
Séries pessoais: Da purificação das fileiras à purificação das ideias (4); Luta política: a Pasárgada da Renamo (11); O popular Facebook de pedais em Quelimane (17); Alice no País da Sociedade Civil (4); A cova não está em Muxúnguè (19); O aguilhão da história (sobre o assassinato do taxista moçambicano) (34); Por que os médicos venceram? (21); Vídeosocial de Maputo (4); A raça das raças (7); Desunidos e unidos (5); O poder de nomear desviantes e vândalos (12); Sobre o 15 de Novembro (19); Produção de pobreza teórica (8); O discurso da identidade nacional (11); Como suster os linchamentos? (16); O que é um intelectual? (14); Democracia formal e prescrição hipnótica (8); Análise da análise (19); Morte dos blogues moçambicanos? (60); A carne dos outros (22); A difícil fórmula da distribuição de consensos (49); Sobre os guerrilheiros do informal em Moçambique (16); Modos de navegação social (22); Ditos (62); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (101)

Nelson Mandela

Produção de rumores

"Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Vive-se uma situação de intranquilidade no país. Os ataques na zona centro e a rápida irradiação das notícias alusivas, a isso leva. Mas, especialmente, a isso leva o efeito retroactivo. Os ataques agem sobre vivências do passado e criam nas pessoas um quadro de contaminação sensorial imediata, instintiva, ligado à guerra de 1976/1992. A matriz dedutiva passa a processar-se assim: se no passado houve guerra, agora também haverá.
No nosso caso, o rumor é, sem dúvida, ao mesmo tempo, expressão de medo do passado e aspiração ao fim desse medo. Mas pode resultar, também, da falta de informação credível e permanente. Quanto mais esta escassear, mais rapidamente o rumor ganhará mentes e comportamentos.
Todavia, não podemos esquecer que, além dos rumores populares, existem os rumores intencionalmente provocados por certos grupos, com o objetivo de criar desorientação social.
Adenda às 8:47: rumores podem surgir facilmente. Eis dois exemplos: a propósito de uma evasão de 60 reclusos na cadeia provincial de Inhambane e do tiroteio que se seguiu, em relato do "Canal de Moçambique": "(...) Sem saber ao certo o que se passava, grande parte dos moradores da pequena cidade deduziu que se tratava de um ataque “da Renamo” e a falsa informação rapidamente se propagou pela cidade durante toda a manhã." Segundo exemplo: dez cadetes chegaram tarde a uma zona militar da cidade de Nampula e a sua entrada foi recusada pela sentinelas, seguindo-se um tiroteio, extracto de um relato do "Wamphula fax" de hoje: "Durante cerca de 10 minutos os gritos, movimento de carros e pessoas com disparos à mistura chegaram a fazer entender que algo não estava bem e muitos foram que de imediato associaram o caso a eventual guerra."