O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 maio 2011

Omoyele Sowore

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (6) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (30)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (6); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (14); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (29); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Edição de hoje

Manchete sobre o que se passou na VII Sessão do Observatório de Desenvolvimento da Província da Zambézia, aqui.

Mussa Bin Bique

O jornalista Borges Nhamirre tem na edição digital de hoje do "Canal de Moçambique" um texto interessante intitulado "Milhares de estudantes podem perder ano lectivo ao meio". O texto é interessante por mostrar (1) a luta de duas linhas pela hegemonia de uma instituição considerada universitária, (2) a batalha legal decorrente e (3) o que o Borges chama "dilema dos diplomas". Pode acontecer que uma pesquisa na Mussa Bin Bique (assente em pontos como estrutura curricular, perfil e qualificação dos docentes e sistemas de avaliação) talvez permita saber se há um problema mais profundo do que aquele que consiste em decidir sobre quem tem autoridade legal para assinar diplomas em meio à luta de preeminência em curso.

466.ª foto (A comida não vem?)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (29)

Fotos de Carlos Serra Jr - a penúltima da série. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Interrogo-me

Nas últimas semanas interrogo-me sobre certos percursos políticos no país, sobre o silenciamento estratégico de certas indocilidades, sobre a eventual cooptação de líderes perturbadores, sobre o assistencialismo de repente tornado urgência para anestesiar os protestos sociais. Mas por agora não vou alterar a linha de análise da série Sobre crise.

Segregação urbana em Maputo (5)

O quinto número desta série, que tem a cidade de Maputo como contexto de reflexão.
Os espaços urbanos não são organizados por geração espontânea, mas por grupos sociais. Os grupos dominantes delimitam quem deve viver onde e como. No caso da cidade de Maputo, vou permitir-me considerar a hipótese de três períodos de segregação espacial*:
*Período colonial, assentando numa clara divisão centro (classes alta e média coloniais)/periferia (colonizados), com uma zona intermediária destinada aos colonizados integrados/amanuenses;
*Período nacional I, alargando bastante a base intermediária agora com nacionais, mas mantendo a estrutura global colonial centro/periferia;
*Período nacional II, dissolvendo parcialmente a estrutura global centro/periferia em função de enclaves fortificados - condomínios fechados -, separados dos habitantes periféricos não horizontalmente pela distância, mas verticalmente pelas tecnologias de segurança.
Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)
*Referência teórica em Rio Caldeira, Teresa Pires do, Cidade de muros, Crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, pp. 211-300.

Sobre crise (13)

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, iniciando o sexto ponto do sumário que vos propus, a saber: três exemplos de imputação críseca em Moçambique.
O primeiro exemplo diz respeito ao partido Frelimo. Membros séniores desse partido têm surgido a fazer uma crítica pública ao estado do país e ao sistema de governação. Esse tipo de atitude tem provocado dois tipos de reacções: a reacção exterior ao partido que, directa ou indirectamente, julga intuir uma crise em gestação e a reacção interior que, directa ou indirectamente também, critica os críticos, por vezes severamente, entendendo que a crítica deve ser exclusivamente feita no interior do partido. Uns e outros vivem acantonados num mesmo princípio.
Prossigo mais tarde.
(continua)

Um relatório

Inclusiva

Generaliza-se a nova aquisição do vocabulário político oficial: inclusiva. Daqui a mais algum tempo creio que tudo será aproveitado para inclusivar, não importa o quê, nem como e quando.

Um prato de lentilha

Texto de Gilvan Rocha com o título em epígrafe, aqui.

Dossier (5) (Edição de 20/05/2011)

Queira conferir a quinta parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 20/05/2011, aqui.
(continua)
Adenda: logo que oportuno, inicio o dossier com peças de 27/05/2011.

Edição de hoje

A primavera árabe

Um texto do economista egípcio Samir Amin com o título em epígrafe, em espanhol aqui. Para traduzir, aqui.

30 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (5) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (29)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (5); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (13); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (29); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Revisão constitucional

Saiba o que, segundo o Diário da Zambézia, se passou na cidade de Quelimane num debate promovido pela Organização da Juventude Moçambicana sobre a revisão constitucional. Aqui.
Adenda: recorde uma posição do Parlamento Juvenil aqui.

Histeria colectiva por causa de uma mezinha cura-tudo

Um velho pastor fez saber que tinha descoberto uma planta capaz de curar SIDA e outras doenças. O homem vive em Leliondo, a cerca de 400 quilómetros da capital tanzaniana, Arusha. Agora saiba o que sucedeu, aqui, aqui e aqui. Para traduzir, aqui. Agradeço ao Ricardo o envio da referência (creio já ter abordado o fenómeno neste diário, mas não me ocorre quando nem como).

Parlamento Juvenil

Documento com data de 28 deste mês e que ainda não foi apresentado à Assembleia da República, aqui.
Adenda às 10:55: recorde uma posição do filósofo Severino Ngwenha e aspectos da Conferência Nacional do Parlamento Juvenil aqui.

Posição do PA

Dois trabalhos

Filósofo Severino Ngwenha sobre desigualdades sociais no "O País" aqui e aspectos da Conferência Nacional do Parlamento Juvenil no "Canal de Moçambique" aqui.
Adenda às 15:42: sobre a conferência, confira o "mediaFAX" aqui.

Dossier (4) (Edição de 20/05/2011)

Queira conferir a quarta parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 20/05/2011, aqui.
(continua)
Adenda: logo que oportuno, inicio o dossier com peças de 27/05/2011.

África enquanto produção cognitiva (28)

Mais um pouco da série, dedicada a mostrar como, através das ideias de Hegel no seu livro oitocentista A razão na história, operou e continua a operar um certo tipo de produção ideologizada sobre África, encaixando os Africanos num molde comportamental generalizado, rígido, imutável e absolutamente desqualificante.
Entre os muitos exemplos do neo-hegelianismo africanizado, permito-me citar o do maliano Fodé Diawara que, anos 70 do século passado, escreveu um livro muito interessante com o título "Manifesto do homem primitivo", no qual tentou provar que a "raça branca" (por ele situada no "estado protozoário da espécie humana") tinha enveredado pela construção de uma civilização material, com prédios, para compensar o seu permanente nervosismo, a sua solidão e a sua insatisfação sexual, enquanto a "raça negra", raça avançada, se desenvolvera harmoniosamente, feliz em seus impulsos naturais, em suas danças, em sua actividade puramente muscular, em sua liberdade anímica e sexual. Isto, claro, até ao dia em que, asseverou Diawara, os colonizadores chegaram e estragaram tudo com os seus vícios.
Prossigo mais tarde.
(continua)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (28)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

29 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (4) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (28)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (5); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (13); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (28); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

465.ª foto (O vaidoso)

O desafio de uma medicina bernardiana em Moçambique

(...) se eu, enfim, vos desafiar a retroalimentar o que dignamente sois, quer dizer duplos seres humanos (duplos seres humanos porque sois ao mesmo tempo vós e os outros que prevenis e curais, os outros que mantendes em vida, que nutris de esperança), quero acreditar que tomareis isso por um método bernardiano onde o espírito vos não esmaga e de vós recolhe, enfim, a inspiração e o sentido desta oração." (1996)
Em jornadas científicas, o corpo médico do Hospital Central de Maputo discute humanização, ética e deontologia hospitalar. Confira aqui.
A esse propósito, achei bem disponibilizar aqui o texto de uma "oração de sapiência" que em 1996 proferi na Faculdade de Medicina na Universidade Eduardo Mondlane com o título O desafio de uma medicina bernardiana em Moçambique. Aqui (a Faculdade de Medicina editou uma brochura com o texto).

Poder e representação: teatrocracia em Moçambique (17)

O décimo sétimo e último número da série, que no seu título usa um termo de Georges Balandier, teatrocracia.
Procurei sugerir-vos várias modalidades da gestão do poder, essa coisa que parece viver dela mas que, afinal, vive intimamente de relações, destas é produto permanente.
Poder que é a gestão do aparato, do Estado-espectáculo (para usar, uma vez mais, uma expressão de Balandier), poder que é manipulação de ambiguidade e aparência, poder que vai muito para além da racionalidade económica. O novo estádio de futebol do Zimpeto ou os enormes edifícios do judiciário na cidade de Maputo são exercícios de ritualização do imaginário e do espectáculo, de afirmação de grandiosidade, de "busca de adesão por efeito do espectáculo" (uma vez mais Balandier).
Imagem: el poder, quadro do pintor e ceramista argentino Raúl Pietranera).
(fim)

Sobre crise (12)

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, terminando o quinto ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento de propaganda.
O triplo momento referido no número anterior é a retaguarda de um programa de propaganda permanente, através do qual as múltiplas instâncias do gestor do poder político exaltam as suas virtudes e os seus feitos, atribuindo aos adversários políticos incapacidades e defeitos irremediáveis.
Falta, agora, tal como prometido no sexto ponto do sumário, apresentar três exemplos de imputação críseca no nosso país.
O primeiro exemplo diz respeito ao partido Frelimo.
Prossigo mais tarde.
(continua)

África enquanto produção cognitiva (27)

Mais um pouco da série, dedicada a mostrar como, através das ideias de Hegel no seu livro oitocentista A razão na história, operou e continua a operar um certo tipo de produção ideologizada sobre África, encaixando os Africanos num molde comportamental generalizado, rígido, imutável e absolutamente desqualificante.
Ora, uma das coisas que sucedeu e continua a suceder na África independente tem a ver com um neo-hegelianismo africanizado, de alguma maneira radicando na famosa frase de Léopold Senghor: a emoção é negra como a razão é helénica*. A coluna vertebral nesse neo-hegelianismo africanizado consiste em dotar de sinal positivo algumas posições que em Hegel tinham sinal negativo.
Prossigo mais tarde.
*Liberté 1, Négritude et humanisme. Paris: Éditions do Seuil, 1964, p. 102.
(continua)

"À hora do fecho" no "Savana" (Edição de 27/05/2011)

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:
*Com ou sem encostos políticos, esta semana foi um fartar vilanagem os “prémios de excelência” distribuídos a várias instituições moçambicanas. E como o “business” está na ordem do dia até prémios são negócio. No caso vertente, felizmente, não foi preciso pagar à organização bilhete de avião e hospedagem. Dos vídeos encarregou-se um conhecido canal de televisão...

É nas cidades do país (9)

O fim desta atrasada série.
Estamos, verdadeiramente, perante um mundo urbano e periurbano precário, contraditório e mestiço (culturalmente falando), entre o desemprego e o subemprego biscateiro, mundo surgido da interacção e do conflito com outros mundos, mundo "em cima da lâmina" como na canção do falecido cantor Jeremias Ngwenha.
(fim)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (27)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

28 maio 2011

O desafio de uma medicina bernardiana em Moçambique

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (4) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (27); A "hora do fecho" no "Savana" (Edição de 27/05/2011)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (5); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (12); Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (17); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (27); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

A "hora do fecho" no "Savana" (Edição de 27/05/2011)

Proximamente

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (26)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Machado da Graça

Dossier (3) (Edição de 20/05/2011)

Queira conferir a terceira parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 20/05/2011, aqui.
(continua)

Noam Chomsky

Perguntas formuladas a Noam Chomsky, com respostas em inglês aqui e em espanhol aqui. Para traduzir, aqui.

27 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (3) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (26); Machado da Graça
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (5); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (12); Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (17); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (27); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Machado da Graça

464.ª foto (Perspectiva)

Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (25)

Fotos de Carlos Serra Jr. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
(continua)

Segregação urbana em Maputo (4)

O quarto número desta série, que tem a cidade de Maputo como contexto de reflexão.
Permito-me agora afastar a cortina das coisas técnicas e entrar um pouco no quarto das coisas sociais.
Um dia, Karl Marx escreveu que, no feiticismo da mercadoria, as relações sociais tomavam a forma de relações entre coisas.
Adaptando isso ao tema desta série, digamos que no feiticismo das diferenças na cidade de Maputo as relações parecem ser entre situações naturalmente diferentes e não entre grupos socialmente diferentes. O modo de produção e de reprodução no qual vivemos e sobre o qual não falamos ou não queremos falar, faz-nos aceitar sem dor não apenas a desigualdade social, mas a sua irremediabilidade naturalizada.
Mas o que a proliferação de condomínios representa? Prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Sobre crise (11)

"Onde a diferença falta, é a violência que ameaça" (René Girard, A violência e o sagrado)
Avanço um pouco mais nesta série, sugerindo mais algumas ideias, mais algumas hipóteses ainda sobre o quinto ponto do sumário que vos propus, a saber: crise como instrumento de propaganda.
Permito-me recordar o que escrevi no número anterior: a crise é uma arma apetecida no combate político. Qual crise? A crise dos outros. A este propósito, é possível transformar a crise num triplo momento: (1) falsa preocupação com o mal que é suposto apoquentar os outros, (2) imensa alegria com esse mal e (3) receituário piedoso.
Quando surge o que se entendemos ser uma crise política na casa do Outro, damos imediata conta pública do quanto estamos preocupados, na superfície das preocupações navega o que parece ser um genuíno pesar, um sincero anseio pela alteridade opinativa ou comportamental. No bojo das coisas, porém, viaja uma imensa alegria com o que entendemos estar a passar-se. E entre a falsa preocupação da superfície e a nua realidade do interior - ser perversamente dúplice no cenário de uma hipócrita conversão na estrada de Damasco -, irrompe um receituário piedoso, cheio de peregrinas mezinhas do género "portem-se bem, tenham cultura digna, procedam como nós". O centro do poder despreza e/ou odeia a periferia política, canibaliza-a analiticamente em permanência através de eufemismos sem fim.
Prossigo mais tarde.
(continua)

Viver com as respostas

"Axle...as tuas perguntas eram apenas perguntas...sabes, podemos viver com perguntas...mas nem sempre podemos viver com as respostas...tenho medo" - Musky para Axle Munshine, nos Lobos de Kohm da série O vagabundos dos Limbos.

Dossier (2) (Edição de 20/05/2011)

Queira conferir a segunda parte de um dossier com peças do semanário "Savana" datado de 20/05/2011, aqui.
(continua)

O poder da ideologia

Um texto de Vânia Noeli Ferreira da Assunção sobre o livro de István Mészáros com o título em epígrafe, aqui. As primeiras páginas do livro conferíveis aqui.

Do divórcio ao choque de legitimidades?

26 maio 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local: 
* Genéricos: Dossier "Savana" (2) (Edição de 20/05/2011); Série Primeiro de Maio em Maputo 2011 (25)
* Séries pessoais: Segregação urbana em Maputo (4); Palavras domesticadoras (5); O limpo e o sujo: a propósito do caso Kahn (4); Sobre crise (11); Poder e representação: teatrocracia política em Moçambique (17); Ditos (9); Dos megaprojectos às mega-ideias (12); À mão a comida tem melhor gosto (11); Da cólera nosológica à cólera social (10); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (56); África enquanto produção cognitiva (27); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (9); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (12); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Dois jornais a norte do Zambeze

Independência não é libertação

Com o título em epígrafe, um texto do escritor, crítico literário e professor El Hadji Amadou Ndoye, da Faculdade de Letras da Universidade Cheikh Anda Diop, Dakar, Senegal - no GuiGuinbali, aqui. Mas não só: o Professor Ndoye afirmou ainda que África é muito jovem e que os jovens estão fartos, pelo que - assegura - a primavera árabe ainda não disse a última palavra no continente. Aqui. Para traduzir, aqui.
Adenda às 10:47: ontem foi o Dia de África.

Prismas

De acordo com o "O País", o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, afirmou que não há crise no partido, que o ambiente é saudável e que a renúncia do secretário-geral, Ismael Mussá, não alterou as actividades planificadas. Aqui. Por sua vez, o porta-voz da RENAMO, Fernando Mazanga, é citado por aquele jornal dizendo que o MDM mais não é do que um grupo de insatisfeitos com um projecto que é uma réplica da Renamo. Aqui. Finalmente, segundo o "Notícias",  há realmente crise "nesta pequena formação política", originada pelo pedido de demissão de Mussá. Aqui.
Nota: sugiro a leitura de uma série minha em curso com o título Sobre crise, cujo décimo número se encontra aqui