Blogue seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
30 Junho 2010
Uma foto minha da lua, filtrada pela ramagem de uma acácia, na cidade de Maputo às 17:35 de hoje, próximo do Oceano Índico. Se quiserem ampliá-la, basta apenas clicar sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Adenda às 21:08: reparem como a lua pode ser criada a partir de um certo prisma. E vocês sabem que há quem, no planeta, pretenda que a lua é apenas uma - única e neutral - e a todos pertence em igualdade de circunstâncias e de oportunidades.
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Diversos
* Séries: Termos úteis: geração e viragem (4); Vuvuzela (7); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
Termos úteis: geração e viragem (3)

Mais um pouco da série.
No número anterior propus quatro razões por que os termos geração e viragem são politicamente úteis.
A primeira razão é porque quem produziu a expressão geração da viragem tem conseguido que seguidores e críticos operem rigorosamente, fatalmente, no interior do seu molde analítico. Respondendo, intervindo, seja a favor, seja contra, é no coração desse molde analítico (nas suas premissas) que as mentes se movem, mesmo quando dele pensam estar livres, mesmo quando dele julgam ser independentes. Se contrapusermos que preferimos dizer geração da pureza, por exemplo, é no molde proposto que reflectimos, estamos definitivamente enredados nele, pertencemos-lhe, somos-lhe. A árvore analítica que orgulhosamente plantamos convencidos de que é independente, é, apenas, afinal, uma filial da primeira, uma sua funcionária, um seu clone menor. No desacordo das formas, mostramos acordo na matriz proposta. O termo geração federa-nos. E assim vamos propagando a ideia original. Na realidade, estamos perante uma teia de aranha, perante um molde imperial, fagocitante.
(continua)
Vuvuzela (6)

Mais um pouco desta série, que tem como tema não o futebol em si, mas a prosaica vuvuzela, ruidoso aparelho que emite um som que pode atingir 125 decibéis, mais potente do que o de uma motoserra (100 decibéis).
Uma terceira hipótese a ter em conta, uma terceira via de análise consiste em enquadrar a vuvuzela numa busca de tipo sexual, colectivamente posta em acto apelativo urgente, em ruptura com as cadeias normativas do dia-a-dia; numa líbido barulhenta, libertadora, exercitada no ritual ruidoso dos templos relvados sul-africanos.
(continua)
29 Junho 2010
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Diversos
* Séries: Termos úteis: geração e viragem (3); Vuvuzela (6); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
Termos úteis: geração e viragem (2)

Mais um pouco da série.
Escrevi no número inaugural que os termos geração e viragem são úteis. Acrescento agora: são politicamente úteis.
São politicamente úteis por quatro razões fundamentais:
1. Primeiro porque conseguem pôr muita gente a racionar e a escrever exactamente onde os seus criadores desejam: no interior de um molde político do tipo teia de aranha;
2. Segundo porque são portadores de uma crença do tipo milenarista no sentido de que é possível vencer a pobreza do interior de um sistema social - o capitalista - seminalmente seu produtor diário.
3. Terceiro porque, se associados - geração da viragem -, criam a macia atmosfera de mudança possível no interior de um mesmo interesse colectivo, inteligentemente esvaziado das contradições e dos conflitos veiculados por conceitos como classe, grupo social, etc.
4. Quarto porque a liga na qual estão inseridos é leve e volitiva, fácil de memorizar como se fosse um anúncio publicitário atraente.
(continua)
Imbróglio

Adenda às 11:57: extracto de um email que me foi enviado há momentos por pessoa devidamente identificada: "Eu penso que é inadmissível este tipo de retrocesso. O excesso de zelo que pauta pela intolerância e grassa ignorância devia ser combatido severamente. Esta medida afecta não apenas o patronato, mas seguramente os potenciais utentes. Pela devida compensação eu penso que não é exploração quando se trabalha nos feriados. Inclusive porque existem dias de descanso, como sejam os sábados e domingos que também têm estabelecimentos e que servem o interesse público. Lá porque os funcionários públicos são obrigados a participarem das festividades dos feriados, essa medida não deveria punir a todos."
Linchado em Chimoio
Segundo o “Canal de Moçambique” online de hoje, um suposto ladrão foi linchado por espancamento na madrugada de ontem no bairro Nhamaonha, arredores da cidade de Chimoio. Aqui. Se quiser ampliar as imagens abaixo, clique sobre elas com o lado esquerdo do rato.
Adenda às 9:24: a última notícia neste blogue sobre linchamentos em Chimoio data de Março, com dois jovens linchados. Aqui. Recorde aqui e aqui.


Termos úteis: geração e viragem (1)

É impressionante a quantidade de textos escritos nos jornais sobre a viragem, designadamente sobre a geração da viragem - laudatórios a maioria, cépticos alguns. A minha ideia é a de que geração e viragem são dois termos úteis. Em que sentido? Por quê? Aguardem a continuidade desta nova série. Imagem reproduzida daqui.
Adenda: torna-se cada vez mais indispensável os cientistas políticos pesquisarem a produção de vocabulário político do país, analisando-o, classificando-o e periodizando-o.
(continua)
Pensar

O "Diário da Zambézia" foi à província de Nampula e reporta que hoje e amanhã realiza-se na capital da província do mesmo nome um seminário regional sobre o Diálogo Social Tripartido. O penúltimo parágrafo do texto do jornal está em epígrafe, a edição está aqui.
Pergunta: em lugar de ser pensado pelos temas propostos, pode o leitor pensar no papel que Estado e Capital desejam que os sindicatos desempenhem?
28 Junho 2010
WF
1. Aumento de pedidos de asilo político em Nampula
2. Banca congela contas da Universidade Mussa Bin Bique
3. Governador, porta-vozes institucionais e jornalistas "mensageiros íntegros das grandes realizações da província"
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Os novos senhores do mundo
* Séries: Vuvuzela (6); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
BIM também fecha agência no MSC
O Millenium BIM vai esta semana encerrar a sua dependência no Maputo Shopping Center situado na baixa da cidade de Maputo, tornando-se no terceiro banco a tomar essa decisão depois que Bachir Sulemane foi considerado pelo Tesouro americano como narcotraficante. Isto contraria uma notícia do Africa Intelligence, aqui. O Barclays Bank e o Banco Comercial de Investimento já fecharam as suas dependências naquele local (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30 de ontem).Xitizap chegou ao fim
Em mensagem lacónica, o Eng.° Lopes anunciou que o seu blogue intitulado Xitizap chegou ao fim, após sete anos de vida. Aqui.27 Junho 2010
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Diversos
* Séries: Vuvuzela (6); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
"Desenvolvimento"

A empresa mineira australiana Riversdale tem agora um acordo com uma empresa chinesa para o "desenvolvimento" do projecto do carvão do Vale do Zambeze. Desenvolvimento é uma palavra linda, um tonificante eufemismo para disfarçar os interesses capitalistas em jogo no Vale. O que a empresa está a fazer é desenvolver sem parar os seus negócios e ampliar os seus lucros, agora com parceria chinesa. Recorde aqui, aqui, aqui.
Nota: daqui a 30/50 anos, o carvão terá eventualmente acabado e nós ficaremos com a gloriosa tarefa de escrever sobre o desenvolvido esgotamento carvoeiro e de outras coisas mais. Acresce que os Bismarcks não são moçambicanos.
Uma ilha de Moçambique à venda por 900 mil dólares em anúncio da internet


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Tudo isso - trata-se da Ilha do Congo em Cabo Delgado - está exposto desde o dia 1 deste mês neste portal aqui.
O título IV (Organização Económica, Social, Financeira e Fiscal) no capítulo II, Artigo 109 sobre a Terra, da Constituição da República, diz:
1 - A Terra é Propriedade do Estado.
2 - A Terra não pode ser vendida, ou por qualquer outra forma alienada, nem hipotecada ou penhorada.
3 - Como meio universal de criação da riqueza e do bem-estar social, o uso e o aproveitamento da Terra é direito de todo o povo moçambicano.
Obrigado ao NDA pelo alerta e pela referência à Constituição. Adenda às 8:08: acabo de alertar vários jornalistas.
Adenda 2 às 8:44: talvez mais importante do que o anúncio possa ser uma possível prática que agora encontra uma formulação à luz do dia, com toda a desfaçatez.
Adenda 4 às 0:08 de 29/06/2010: acho muito interessante o aparente pouco interesse que este tema despertou em termos de comentários.
Adenda 5 às 17:07 de o1/07/2010: uma lamentável distração minha só hoje me permitiu verificar que, através de um trabalho de Armando Nenane, o semanário "Savana" referira na edição de 25 de Junho o anúncio na internet de venda da ilha (p. 4). Recorde o texto neste dossier aqui.
Os jornais e os operários
Um texto de Antonio Gramsci datado de 1916 com o título em epígrafe: "Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores."26 Junho 2010
A crítica de José Norberto
Entrevistado por Celso Domingos da estação televisiva STV (captei ocasionalmente o programa quando eram 19:15 de hoje), o pintor José Norberto (foto minha a partir do programa), nascido em Quelimane, insistiu fortemente sobre a necessidade de um investimento sério na estética e criticou com severidade os pintores que - disse - só pintam criaturas fantásticas e fantasmas, sem qualquer cultura estética e preocupação com as formas reais dos seres e das coisas. Uma circunferência não é um triângulo - defendeu, afirmando que isso é, infelizmente, transmitido às crianças. Ora, os autores desse tipo de pintura recebem doutoramentos, Honoris Causa - sustentou. Instado a revelar nomes, negou dizendo que, como africano, era obrigado a respeitar outrem. Disse ainda que, lamentavelmente, eram os europeus quem mais prezava a arte africana. Citou o caso de Malangatana, tornado famoso pelos Portugueses - afirmou. Uma exposição de 20 quadros seus com o título Ineditum Inventabilis está presente na Mediteca do BCI Fomento, Espaço Joaquim Chissano (antiga casa Pfaff), Rua Joaquim Lapa 22, cidade de Maputo.
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: Os jornais e os operários
* Séries: Vuvuzela (6); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
Os indiferentes
De Antonio Gramsci: Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso.Danos da malária em Moçambique
A malária é não só a doença que mais mortes causa em Mocambique segundo um relatório com dados de 2007 do Instituto Nacional de Estatística, quanto a maior responsável pelo absentismo nas empresas segundo um relatório da Malaria Consortium.Nota: tenho para mim que não é tanto sobre a malária em si que devemos reflectir, quanto nas condições sociais que a facilitam e a reproduzem. Quanto mais pobres são as pessoas, mais vulneráveis são à doença.
Gana: a esperança africana hoje

Adenda às 22:20: prolongamento no Gana/Estados Unidos, 1/1.
Adenda 2 às 22:27: golo do Gana.
Adenda 3 às 22:30: creio que o Gana entrará nos quartos-de-final.
Adenda 4 às 22:42: segundo tempo do prolongamento, mais 15 minutos.
Adenda 5 às 22:53: dramáticos momentos finais.
Adenda 6 às 23:00: Gana nos quartos-de-final.
Portais de partidos políticos
Com excepção do portal do partido FRELIMO - regra geral actualizado -, os portais de outros partidos e de uma coligação (UD) com registo na internet estão ou desactualizados (a última entrada do da RENAMO data de 23 de Maio) ou desactivados (MDM) ou abandonados há muito (PDD, UD). A minha anterior postagem sobre o tema data de 16 de Abril, aqui. Santos de casa não fazem milagres? (11)

O fim desta série.
Em números anteriores deixei duas ideias: (1) A da necessidade de acreditarmos nos santos da casa e em seus milagres e (2) a de profissionalizarmos cientificamente o futebol.
Creio ser necessário repisar essas duas ideias.
A mentalidade do tou pidir à ajuda externa marca fortemente a nossa concepção de quem pode pôr-nos em condições para competir com as equipas estrangeiras. A recontratação de Mart Nooij com um salário de luxo é disso um exemplo eloquente, um paradigma externalizador.
No tocante à profissionalização científica do futebol, é salutar saber que: "A Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica vai introduzir a partir do próximo ano lectivo cursos de formação superior para treinadores de diversas modalidades, sendo os de futebol, basquetebol, atletismo e voleibol os primeiros já em 2011."
(fim)
Vuvuzela (5)

Mais um pouco desta série, que tem como tema não o futebol em si, mas a prosaica vuvuzela (imagem reproduzida daqui), ruidoso aparelho que emite um som de 125 decibéis, mais potente do que o de uma motoserra (100 decibéis).
No número anterior escrevi que a vuvuzela é uma espécie de ingrediente de um inconsciente colectivo castrense ao mesmo tempo reactivado e infantilizado.
Mas não me parece também má hipótese defender que a vuvuzela é um fusível, uma comporta aberta, uma válvula de escape, um desaguadouro de tensões e de estados panópticos activos e persistentes. Numa civilização cada vez mais portadora de interditos e de punições, a inofensiva vuvuzela assume o papel de uma enorme desforra sem perímetro, de uma compensação redentora, tanto mais eficaz quanto é colectivamente posta em acção nos enormes templos profanos que são os estádios de futebol do tipo Kings Park na África do Sul.
(continua)
"Voz di Paz"

A manchete do "Eco da Voz di paz" da Guiné-Bissau tem esta pergunta: podem as forças armadas ser reformadas? Aqui.
25 Junho 2010
Postagens na forja
Eis alguns dos temas de postagens que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:* Genéricos: "Voz di Paz": Podem as forças armadas ser reformadas?; Dossier "Savana"
* Séries: Vuvuzela (5); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (5); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (8); Santos de casa não fazem milagres? (11); Já nos descolonizámos? (9); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (9); Moçambique dentro de 30 anos (série) (5) (recordar aqui e aqui)
A "hora do fecho" no "Savana"
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, dois aperitivos:

















