O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 dezembro 2010

Vamos dançar encostados a 2011?

Apoteose dos sentidos

Sempre fascinante este apelo à renovação, à catarse, à purificação. Tudo isso exige o excesso, a apoteose dos sentidos. Todo o fim de ano é, afinal, uma forma de dizer o novo.

Sinta


Sobre Zeca Afonso, confira aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Dossier (1)
* Séries pessoais: O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (21); África enquanto produção cognitiva (13); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Edição de hoje

Maria Benvinda Levi

Vários jornais têm referido o trabalho da ministra Benvinda Levi, destacando-a como figura do ano. A ministra é, para mim, uma excelente, dedicada e sensível pessoa e uma profissional competente.

Retrato num editorial

Extracto: "2010 foi talvez o "ano horribilis" da Renamo com o seu líder auto-exilado em Nampula. O MDM (Movimentro Democrático de Moçambique) começou bem, mas a sua acção está muito circunscrita ao Parlamento e os seus representantes parecem mais preocupados em obter certificados de bom comportamento do que fazer oposição a sério. As organizações da sociedade civil - salvo honrosas excepções - continuam a reboque do partido governamental, o que é pouco salutar para a democracia moçambicana. A imprensa, outro pilar fundamental e que, muitas vezes, tem de fazer papéis múltiplos, começa a dar preocupantes sinais de cansaço e fraqueza, perante a crise económico-financeira, mas também pela crise de valores que corrói (também) as redacções." (editorial com o título "2011: no rescaldo da borrasca", semanário "Savana", p. 6; oportunamente divulgarei o editorial na íntegra no habitual dossier)

A menina e o cesto

A "hora do fecho" no "Savana"

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:

Capa

A partir de amanhã inicio aqui a publicação do Dossier Savana com data de hoje. Mais logo insiro o habitual "A hora do fecho".

Edição de hoje

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (20)


Mais um pouco desta série.
Recordo o que escrevi no número 15: "A resistência foi tão mais demorada quanto mais se caminhava para Norte, tendo sido mais fácil aos invasores vencerem Estados ou Impérios do que formações sociais sem estrutura de comando central".
Prossigo terminando a parte sobre o Centro:
Por consequência, foram igualmente variadas as técnicas de combate, as quais incluíram desde a guerrilha ao grande combate em campina rasa, passando pela luta de fortificações (as famosas aringas). É neste contexto que o Centro de prefigurou como uma transição entre o Norte e o Sul.
No próximo número começarei a escrever sobre o Sul.
(continua)

30 dezembro 2010

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: A "hora do fecho" no "Savana"
* Séries pessoais: África enquanto produção cognitiva (13); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (20); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Faleceu José João Miguel

Vítima de doença, faleceu ontem o Prof. José João Miguel, director científico da Universidade Eduardo Mondlane. Os meus pêsames à família enlutada. Paz à sua alma.

O cidadão A

Um dia o cidadão A foi designado ministro. Antes dessa grande odisseia e tal como  o geral dos seres humanos prosaicos, o cidadão A tinha uma alma horizontal. Com a grande odisseia e de forma vigorosa após ela, a alma tornou-se vertical. Nas mais insignificantes coisas, pelos mais variados pretextos, não importa em que condição e tempo, o cidadão A  só podia ser sendo em cima, olhando e falando de cima. E tal como para discursar  - no que ganhou gesticulado gosto - era fundamental que o fizesse em sítio absolutamente alto, com as palavras jorrando bem do alto, também não mais pôde dormir senão numa cama de base alta, bem acima do soalho, como as crianças em seus beliches. Desta forma, ao acordar de manhã, renovava o prazer de ver a sua augusta e gloriosa alma vertical vencer o pobre corpo horizontal.

O que Adriano Langa disse

"Os tumultos do passado 1 de Setembro, em Maputo, têm causas que fazem o povo sofrer" - leia o resto do que disse o bispo de Inhambane, Adriano Langa  (na imagem), segundo este portal religioso aqui. Foto reproduzida daqui.

A conferir

Confira um trabalho disponível no IESE, aqui. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Edição de hoje

O jovem do fato branco

Edição de hoje

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (19)


Mais um pouco desta série.
Vou recordar o que escrevi no número 15: "A resistência foi tão mais demorada quanto mais se caminhava para Norte, tendo sido mais fácil aos invasores vencerem Estados ou Impérios do que formações sociais sem estrutura de comando central".
Prossigo escrevendo sobre o Centro:
Em sociedades divididas em classes sociais, onde ao estatuto de parente se impôs pouco a pouco o de súbdito, os tributos cobrados pelas classes dominantes tornaram possível um excedente alimentar maior, o qual se reflectiu quer numa concepção mais sistemática da actividade guerreira, quer na amplitude acrescentada das operações militares. E isso justamente porque a guerra visava agora não só danar ou expulsar o inimigo, mas também e sobretudo perpetuar uma soberania territorial sobre populações subjugadas e tributadas  (resposta ao ponto ainda não terminada)
(continua)

Notas sobre WikiLeaks (17)

O fim desta série (mapa em epígrafe do Spiegelonline aqui, pode também ver um outro mapa elaborado pelo Guardian aqui), através da qual podemos verificar quantos inesperados inquilinos habitam a democracia de rosto fulgurante.
5. Conclusões. No “Vagabundo dos Limbos”, série de ficção científica de Christina Godard e Julio Ribera, o herói Axle Munshine cometeu o maior crime do Império Galáctico ao atravessar as portas proibidas do sonho para encontrar Quimera, uma mulher por quem se apaixonou num sonho. No nosso mundo mais prosaico, o australiano Julian Assange, antigo hacker, atravessou ousadamente as portas proibidas do império secreto americano para revelar segredos de espionagem mundial. O sagrado secretista global dos vários senhores do mundo apareceu desnudo num portal - o WikiLeaks -, as vozes locais levantaram-se e levantam-se, protestando, condenando ou ironizando. Um autêntico Cablegate. Em meio à comoção e à controvérsia em todo o mundo (incluindo a discussão sobre o futuro do jornalismo num momento em que já surgiram dois clones do portal e um terceiro se anuncia), a leitura daltónica moralizante imperou e impera generalizadamente, jogando no estreito espectro dicotómico dos conspiradores e das vítimas, das verdades e das mentiras, dos bons e dos maus, enfim dos demónios e dos santos. O WikiLeaks pode ser analisado em dois registos: o da informação diplomática americana e o do movimento social que desafia os múltiplos senhores do planeta (independentemente da sua nacionalidade). O primeiro registo tem sido o mais discutido. Neste trabalho foi o segundo que mais me interessou, mas isso não significa que eu esteja de acordo com ele. Ou com o primeiro. Uma hipervalorização do conteúdo informacional coloca na penumbra o facto de WikiLeaks pré-anunciar a transição para um novo tipo de mundo, bem mais do que pré-anunciar um novo tipo de jornalismo ou de tratamento de informação. Esse novo tipo de mundo, vestido de cibermundo, está e estará cheio de propósitos e de tecnologias panópticas. Mas está e estará, também, povoado por resistentes, especialmente por ciberquestionadores e ciber-resistentes.
(fim)
Adenda: uma versão melhorada desta série poderá vir a ser publicada num jornal local.

29 dezembro 2010

Sinta


Sobre a cantora e pianista norte-americana Alicia Keys, aqui; sobre a cantora e empresária maliana Oumou Sangaré, aqui.

O cofre humano

Esta tarde, às 17:15, nesta cidade de Maputo, calmamente, a senhora introduziu a mão no decote e de entre o sutien e o seio esquerdo retirou uma nota de cem meticais - desdobrando-a - para pagar uma recarga de celular com esse valor ao vendedor de rua. Muitas das nossas senhoras guardam o dinheiro dessa maneira, para evitar os roubos seja nos chapas, seja na via pública. Essa uma das razões por que as notas estão amarfanhadas, especialmente as de vinte meticais. No tocante aos homens, as notas são muitas vezes guardadas nas meias.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Notas sobre WikiLeaks (17); África enquanto produção cognitiva (13); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (19); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Prismas

Compare duas visões do país, aqui e aqui.

Edição de hoje

No "O País"

Aqui. Recorde o "Canal de Moçambique" aqui.

Sobre linchamentos

Segundo o "Notícias" online de hoje, pessoas de várias condições sociais em Chimoio estiveram com a ministra da Justiça e procuraram dizer-lhe quais as razões dos linchamentos (creio que tomando como referência apenas as cidades). Aqui. Complemente aqui.
Entretanto, sugiro a leitura das duas obras com as capas logo abaixo:
 

Vendendo laranjas

Liberdade económica em Moçambique segundo IEF2010

No Index of Economic Freedom 2010 da Heritage Foundation, o nosso país tem o score de 56, ocupando o 111.º lugar entre 183 países avaliados e o 16.º entre os 46 países da África subsariana. Os top 10 aqui.Texto em português aqui. Recorde, neste diário, os dados para 2009 aqui e para 2008 aqui.

África enquanto produção cognitiva (12)

Mais um pouco da série, dedicada a mostrar como, através das ideias de Hegel no seu livro oitocentista A razão na história, operou e continua a operar um certo tipo de produção ideologizada sobre África. Eis a continuidade das ideias:
Nem todos os Africanos têm o poder mágico, pois este está concentrado em determinadas pessoas. São estas que mandam nos elementos naturais. Os reis têm ministros e sacerdotes, às vezes organizados em completa hierarquia, cuja função oficial consiste em fazer sortilégios, dar ordens às forças naturais e fazer chover no bom tempo. Quando os seus mandatos se mostram ineficazes, esses especialistas em sortilégios são espancados. Cada país possui os seus próprios feiticeiros (sic), que se entregam a cerimónias oficiais acompanhadas de todo o tipo de danças, ruídos e gritos.
Prossigo mais tarde.
* Hegel, G.W.F, La razon en la historia. Madrid: Seminarios y Ediciones, S.A., 1972, p. 275.
 (continua)

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (18)


Mais um pouco desta série.
Vou recordar o que escrevi no número 15: "A resistência foi tão mais demorada quanto mais se caminhava para Norte, tendo sido mais fácil aos invasores vencerem Estados ou Impérios do que formações sociais sem estrutura de comando central".
Então, falado do Norte do país, passo agora para o Centro:
No Centro, a estrutura social era mais complexa e polivalente. O político revestiu aí diversas gradações entre o atomizado e o centralizado, embora com predominância deste último. À linhagem e à chefatura, juntaram-se o Estado e, temporariamente, o Império, configuradores de grandes espaços. (resposta ao ponto ainda não terminada)
(continua)

28 dezembro 2010

Sinta


Sobre o cantor senegalês Ismaël Lô, confira aqui.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Notas sobre WikiLeaks (17); África enquanto produção cognitiva (12); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (18); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Na baía de Maputo

Uma casa diferente

Foto tirada pelo jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia" no posto administrativo de Macuse, distrito de Namacurra, província da Zambézia. O jornalista escreveu-me dizendo que a casa de quatro águas era corrente na Zambézia, mas que a casa em epígrafe apresentava um padrão diferente. Clique sobre a foto com o lado esquerdo do rato para a ampliar.
Adenda: já agora, sugiro uma digressão histórica lendo a versão completa do livro Zambezia 1900-1902 (após algumas frases em inglês, tem o texto em português), aqui.

CM

Edição de hoje

Nasceram dois clones do WikiLeaks

Nasceram dois clones do WikiLeaks: são o IndoLeaks (em indonésio, com a divisa "Porque informação é um direito humano") aqui e o BrusselLeaks (em inglês, com a divisa "Desmascarando o processo da produção de decisões") aqui.  Um terceiro clone, o OpenLeaks,  está em pré-teste aqui.
Tentarei acompanhar tudo o que está a suceder na sequência do Wikigate.

CM

"Correio da manhã" aqui
Adenda às 8:11: sobre o deslocamento de pessoas por causa dos megaprojectos apontado pelo arcebispo D. Jaime Gonçalves no CM, confira aqui.

Edição de hoje

Linchamentos

Segundo o "Notícias", um polícia foi linchado e esquartejado no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, lá onde estranhas coisas têm acontecido desde pelo menos 1992. Aqui. O mesmo jornal reporta que a ministra da Justiça encontra-se em Chimoio procurando desencorajar os linchamentos. Aqui.

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (17)


Mais um pouco desta série.
Prossigo o desenvolvimento do ponto referente às características das resistências opostas aos invasores.
Ainda sobre o Norte: também não surpreende que não se tenham desenvolvido símbolos ostentatórios da guerra campal (estandartes, por exemplo), o traje guerreiro formal, inibidor da aguda mobilidade exigida no ataque fulminante e na retirada célere, e, ainda, certas armas de defesa como o escudo, típico das lutas corpo-a-corpo. E compreende-se, da mesma forma, por que a espingarda se pôde tornar na mais social e ecologicamente adaptada arma da guerrilha nortenha, com reflexos a outros níveis, por exemplo na compensação matrimonial, cujas transações só podiam efectuar-se com a sua presença.  (resposta ao ponto ainda não terminada)
(continua)

África enquanto produção cognitiva (11)

Mais um pouco da série, dedicada a mostrar como, através das ideias de Hegel no seu livro oitocentista A razão na história, operou e continua a operar um certo tipo de produção ideologizada sobre África. Eis a continuidade das ideias:
Os africanos dão-se conta de que as forças naturais o dominam. Mas essas forças podem ser contactadas e dominadas. Esta, a tessitura do mundo mágico. Os Africanos acreditam que nunca morrem de morte natural, senão da vontade maligna de alguém portador de poderes mágicos. Para impedir a magia só há um meio: a própria magia.
Prossigo mais tarde.
* Hegel, G.W.F, La razon en la historia. Madrid: Seminarios y Ediciones, S.A., 1972, pp. 271-275.
 (continua)

Notas sobre WikiLeaks (16)

Mais um pouco desta série (mapa em epígrafe do Spiegelonline aqui, pode também ver um outro mapa elaborado pelo Guardian aqui), através da qual podemos verificar quantos inesperados inquilinos habitam a democracia de rosto fulgurante.
4. WikiLeaks e ciberactivismo (continuidade deste ponto do sumário). Escrevi anteriormente que, em função dos eixos de luta ciberactiva que apresentei, há cinco perguntas a ter em conta: pode o WikiLeaks ser considerado (1) um movimento terrorista?; (2) um movimento anarquista?; (3) um movimento social?; (4) o equivalente ou o substituto electrónico dos protestos sociais clássicos de rua?; (5) traduz o movimento a transição para um novo mundo?
Tento, de seguida, responder à quinta e última pergunta.
Estamos, na realidade, em transição para um novo mundo, um mundo que guarda ainda os pedais do presente mas que embraia já no futuro, um futuro com os pressupostos dos mundos de ficção científica criados por George Orwell e Aldous Huxley, digamos que um futuro de seres bionicamente produzidos e controlados, o futuro  afinal de um certo Matrix e das tecnologias panópticas. Certa gente desejará pensar num futuro domesticado, sem protestos sociais, no qual a democracia poderá ser, apenas e definitivamente, uma pequena memória temerosa e envergonhada face a uma multidimensional ditadura cientificamente programada e aplicada. Todavia, quero crer, esse futuro será também habitado por ciberquestionadores.
A série deverá terminar no próximo número.
(continua)
Adenda: uma versão melhorada desta série poderá vir a ser publicada num jornal local.

27 dezembro 2010

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Notas sobre WikiLeaks (16); África enquanto produção cognitiva (11); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (17); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

Salários+taxas de matrículas

Segundo o "Correio da manhã", os sindicatos querem incremento salarial acima de 10%  no próximo ano; segundo o "Notícias", as taxas das matrículas para os licenciandos na Universidade Eduardo Mondlane ficarão, próximo ano também, sete vezes mais caras.

Edição de hoje

O problema de Castande

O jurista João Baptista André Castande colocou um problema aqui.

O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (16)


Mais um pouco desta atrasada série.
Escrevi no número anterior que a ocupação militar sistemática do nosso país começou em 1886 e terminou cerca de 1917. Nela, dois fenómenos foram para mim fundamentais: (1) A resistência foi tão mais demorada quanto mais se caminhava para Norte, tendo sido mais fácil aos invasores vencerem Estados ou Impérios do que formações sociais sem estrutura de comando central; (2) A ocupação esteve especialmente a cargo de cipaios.
Vou desenvolver o primeiro ponto, em meu entender pouco conhecido.
No Norte, a estrutura social atomizada não foi dissolvida pela emergência de alguns poderosos senhorios políticos de cunho territorial, desenvolvidos especialmente a partir de meados do século XVIII com o comércio de escravos. Nessa sociedade, onde a linhagem ou o segmento de linhagem constituíram o eixo geral a partir do qual ela se ordenou, se aliou e, com mais frequência ainda, se dividiu, nessa sociedade típica dos pequenos espaços, geradora de reduzidos excedentes alimentares e, portanto, menos afectada pelas clivagens sociais, a lide guerreira não podia destacar-se da produção. Cada produtor era, em determinadas circunstâncias, perante necessidades específicas, um guerreiro adicional que, após curtas operações, retomava a sua actividade produtiva. A esse tipo de sociedade como que correspondiam idealmente o relevo acidentado e a vegetação cerrada, equipamento defensivo natural e pródigo. Não admira, portanto, que o golpe de mão ao povoado ou a emboscada, a cargo de grupos muito móveis de guerreiros, destinados não a delimitar mandos territoriais sobre populações tributáveis mas a danar ou a expulsar o inimigo, fossem as técnicas mais adequadas à estrutura social e ao meio físico descritos (resposta ao ponto ainda não terminada).
(continua)

Convite à sua participação

Dois questionários estão disponíveis no lado direito deste diário com os temas "Governantes e interesses empresariais" e "Desempenho governamental em Moçambique", respectivamente aqui e aqui.

Dossier (3)

Queira consultar a terceira e última parte de um dossier com peças do semanário "Savana" de 24/12/2010, aqui.
(fim)

Notas sobre WikiLeaks (15)

Mais um pouco desta série (mapa em epígrafe do Spiegelonline aqui, pode também ver um outro mapa elaborado pelo Guardian aqui), através da qual podemos verificar quantos inesperados inquilinos habitam a democracia de rosto fulgurante.
4. WikiLeaks e ciberactivismo (continuidade deste ponto do sumário). Escrevi anteriormente que, em função dos eixos de luta ciberactiva que apresentei, há cinco perguntas a ter em conta: pode o WikiLeaks ser considerado (1) um movimento terrorista?; (2) um movimento anarquista?; (3) um movimento social?; (4) o equivalente ou o substituto electrónico dos protestos sociais clássicos de rua?; (5) traduz o movimento a transição para um novo mundo?
Tentarei de seguida responder à quarta pergunta.
Tudo leva a crer que o espaço cibernético se torna cada vez um espaço de luta, a três níveis: militar, espionagem e resistência. Este é um ano paradigmático a esse respeito.
O terceiro nível está a cargo do Wikileaks, um portal  a que Julian Assange, seu criador, chamou "a primeira agência dos serviços secretos do povo".
É o WikiLeaks o equivalente ou o sucedâneo cibernético dos protestos sociais clássicos de rua? Em minha opinião é, esse portal é um exemplo de resistência cibernética capaz de abranger e de interessar, por efeito bola de neve, muito rapidamente, milhões de pesssoas da crescente ciberpopulação. Mas as paisagens de protesto e resistência  cibernética - num espectro indo do questionamento da pressão publicitária idiotizante ao questionamento das sofisticadas técnicas de controlo a cargo dos senhores do mundo - exigem ainda muito estudo. Por exemplo, importa estudar que tipo de ciberactores complementa hoje, na internet, os clássicos operários das ruas e os camponeses das savanas.
Prossigo mais tarde.
(continua)
Adenda: a qualquer momento, como é meu hábito neste diário, posso introduzir emendas no texto em epígrafe.

26 dezembro 2010

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Dossier(3)
* Séries pessoais: Notas sobre WikiLeaks (15); África enquanto produção cognitiva (11); Política enquanto produção de ideologia (6); Linchar à luz do dia: como analisar? (5) Somos natureza (8); Indicadores suspeitos e comoção popular (11); Vassalagem (4); Cientistas sociais são "sacerdotes"? (8); É nas cidades do país (9); Ciências sociais e verdade (11); Já nos descolonizámos? (13); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (16); Moçambique dentro de 30 anos (série) (6) (recordar aqui e aqui)

As dez cidades mais perigosas do mundo


Adenda às 9:45: em francês, de 2007, um trabalho de Fabrice Folio intitulado La criminalité à Maputo: origine, distribution et répercussions espatiales (=A criminalidade em Maputo: origem, distribuição e repercussões espaciais), aqui. Para traduzir, aqui.

Relatório Mundial sobre Drogas 2010

Em inglês, o Relatório Mundial sobre Drogas 2010, aqui. Sobre Moçambique, o relatório afirma que não dispõe de dados recentes e seguros (pp.277, 282, 287, 292 e 297). Para traduzir, aqui.
Adenda: recorde um trabalho do jornalista Paul Fauvet intitulado "Drogas: para refrescar a memória", divulgado pelo semanário "Savana", aqui.
Adenda 2 às 9:57: o nosso país num relatório da CIA americana sobre drogas ilícitas, datado de Março deste ano, aqui.

Instantâneo

Notas sobre WikiLeaks (14)

Mais um pouco desta série (mapa em epígrafe do Spiegelonline aqui, pode também ver um outro mapa elaborado pelo Guardian aqui).
4. WikiLeaks e ciberactivismo (continuidade deste ponto do sumário). Escrevi anteriormente que, em função dos eixos de luta ciberactiva que apresentei, há cinco perguntas a ter em conta: pode o WikiLeaks ser considerado (1) um movimento terrorista?; (2) um movimento anarquista?; (3) um movimento social?; (4) o equivalente ou o substituto electrónico dos protestos sociais clássicos de rua?; (5) traduz o movimento a transição para um novo mundo?
Tentarei de seguida responder à terceira pergunta.
Creio que se pode definir o wikileakismo como movimento social digital operando no protesto social e na pressão política contínua, eventualmente visando uma sociedade mais transparente e mais crítica. O campo de luta dos seus actores não é a praça pública, mas a praça digital. Não se sabe se o grupo está transversalmente articulado com outros grupos de pressão.
Prossigo mais tarde.
(continua)
Adenda: a qualquer momento, como é meu hábito neste diário, posso introduzir emendas no texto em epígrafe.

África enquanto produção cognitiva (10)

Mais um pouco da série, dedicada a mostrar como, através das ideias de Hegel no seu livro oitocentista A razão na história, operou e continua a operar um certo tipo de produção ideologizada sobre África. Eis a continuidade das ideias:
Para compreender o negro, temos de abandonar os modos europeus de ver. Ele está no estado de inocência (em itálico no livro). Vejamos a religião: nos negros não há a consciência de um ser superior ao homem; o que há é, apenas, a consciência de distinção em relação à natureza e a convicção de que a natureza pode ser dominada por eles. Recordando Heródito, "Em África todos os homens são magos". O poder que os africanos se arrogam sobre a natureza é o poder mágico. As forças naturais são consideradas terríveis. Então, os africanos reconhecem a força da natureza e procuram dominá-la magicamente.
Prossigo mais tarde.
* Hegel, G.W.F, La razon en la historia. Madrid: Seminarios y Ediciones, S.A., 1972, pp. 271-275.
 (continua)