(128) 30/11/09


Ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki: "Em seu mais alto perfil de comentários públicos desde a sua recolha por parte do Congresso Nacional Africano e resignação quase exatamente um ano atrás, Mbeki advertiu contra a própria cultura de enriquecimento, que se tornou uma das marcas registradas de seus 10 anos de mandato."
Não consigo abrir o portal do Conselho Constitucional. Vocês conseguem?
Por que razão houve tantas reprovações nas disciplinas da secção de ciências nos exames da primeira época do ensino secundário? O director nacional de Exames e Certificação, Jafete Mabote, citado pelo "Notícias", disse que era ainda prematuro dizer que houve muitas reprovações. Mas fez questão de afirmar que (1) as ciências são exigentes ("a aprendizagem das ciências é mais exigente"), (2) os alunos precisam de laboratórios, de bibliotecas e de professores habilitados e (3) é necessário treino permanente na aprendizagem.


O José Carlos Lopes Pereira escreveu uma carta a propósito do nosso hóquei e pediu-me que a publicasse aqui, o que faço com prazer. A carta começa assim: "Meus estimados irmãos hoquistas: Nestes últimos dias tive conhecimento das recentes movimentações para o re-lançamento da modalidade, por parte da Federação e de uma auto-intitulada Comissão Administrativa, composta por 13 membros." (foto reproduzida daqui)


Regresso ao tema do clareamento da pele. De Alline Mazz, médica especializada em medicina estética: "Estou em Kinshasa, capital do Congo (...). Meu primeiro tema é interessante e duvidoso. Muitíssimos africanos tem uma obsessão de... embranquecer! Isso mesmo. Olhava as prateleiras e não conseguia acreditar! A 'cultura popular do embranquecimento'. Parece uma “Síndrome de Michael Jackson”, mas não vou entrar nesta polêmica por nada neste mundo... Cada um faz o que quer! E cabe aos médicos aceitar fazer um tratamento do gênero ou se recusar até por questão 'de foro íntimo'. As gôndolas nas lojas, farmácias e supermercados são repletas de produtos para clarear a pele. (...) Grande parte da população é consumidora desses produtos, que custam caríssimo (nível cosméticos de grandes marcas famosas européias, o mais baratinho que vi aqui custava 150 dólares e era um tubinho de 15g!), principalmente se levarmos em consideração o quanto a população na sua maioria ganha ao mês..."
A propósito de pau-preto: em Setembro do ano passado coloquei neste diário este meu poema.
O estudante finalista da licenciatura em jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, Alvo Ofumane, escreveu-me dizendo que defende na próxima segunda-feira uma monografia com o tema "A manifestação da consciência social nas cartas dos leitores publicadas no jornal Notícias entre 1976 e 2006". Lamento não poder estar presente, mas talvez possa aqui apresentar futuramente pelo menos um resumo do trabalho com um tão interessante tema. Boa sorte!
Na revista "Prestígio" deste mês, que inclui a foto à direita: "Hoje, podemos afirmar que longe de se eliminar a prostituição, ela ressurgiu e em grande força, em todo o território moçambicano, estando a ser praticada de forma selvagem, isto é, sem o respeito de quaisquer regras nem princípios morais, eticamente aceitáveis. Muita gente clama pela regulamentação da actividade das(os) prostitutas(os) como profissão. Apela-se que estas se organizem em associações de profissionais do sexo, para reivindicarem a cidadania nesta sociedade profundamente preconceitualizada. É óbvio que será difícil conseguir, mas terão que remover estes preconceitos aparentemente inamovíveis."
Há severos problemas financeiros em Dubai (confira aqui e aqui), muita falência prevista (leia aqui), mas Dubai DP World, principal patrão do Porto de Maputo, afirma ter investido USD 32 milhões numa companhia que gere o porto de Maputo. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências.
Órgãos de informação mostram que foram maus os resultados obtidos nos exames da primeira época da 10.ª e 12.ª classes (confira, por exemplo, aqui). Uns dizem que os estudantes não se prepararam, outros dizem que algo vai mal na organização dos exames, outros, ainda, com ar televisivo severo, produzem uma generalização do género "a educação em Moçambique não vai bem". Nestas coisas há sempre o vigoroso diz-que-diz, mas raramente encontramos alguém que diga algo após ter pesquisado em profundidade as razões de um determinado fenómeno. Decididamente estamos viciados em opiniões.
Acho que ainda ninguém teve a paciência para descrever, em profundidade, o quanto custa circular nos passeios da cidade de Maputo. Custa por quê? Primeiro porque estão, em sua grande maioria, estragados, esburacados; segundo, porque os automobilistas não têm qualquer pejo em fazer deles locais de estacionamento, em particular os utentes de 4x4; terceiro porque, em determinados locais, que não são poucos, estão atravancados com a múltipla quinquilharia dos vendedores do desenrasca, especialmente sapatos e estatuetas. Um real pesadelo.
O editorial do "Savana", com data de hoje e com o título em epígrafe, começa assim: "Será pura ilusão acreditar que os co-réus no julgamento actualmente em curso, envolvendo o desvio de fundos e bens da empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) são os maiores protótipos do flagelo da corrupção oficial em Moçambique."
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:

O edital acima reproduzido encontra-se no Departamento de Informática e Matemática da Universidade Eduardo Mondlane. Confira o portal da Associação dos Estudantes Universitários da Universidade Eduardo Mondlane, aqui. Obrigado ao Elísio Leonardo pelo alerta. Clique com o lado esquerdo do rato sobre a imagem acima para a ampliar.
Jurista, professor universitário de Direito Público, o brasileiro Roberto Wagner Lima Nogueira (na imagem) escreveu em 2006 um artigo com o título "O que é a lei para os donos do poder no Brasil?”. A noção de “Estado patrimonial” é aí abordada. Eventualmente é um trabalho que, ainda que pequeno e tendo o Brasil como referência, pode ser teorica e transnacionalmente útil para os leitores em várias coisas. Confira aqui.
As pessoas vão-se inscrevendo no bricolando o social e análise, os temas vão-se multiplicando (últimos temas: catadores, a representação do negro na prosa brasileira), Moçambique e Brasil em destaque nas participações. Participe também, confira aqui.
pré-
trombose.
Caso Aeroportos, os voos monetários atingem altitudes enormes: o representante de uma imobiliária afirmou que vendeu duas casas - custando cada uma um milhão de dólares - ao ex-presidente do Conselho de Administração dos Aeroportos de Moçambique, Diodino Cambaza. Confira aqui.
Estar ou não de acordo com as políticas de Barack Obama pode influenciar a forma como o concebemos ao nível da cor: se concordamos com elas, concebemo-lo com a pele clara; se não, com a pele escura. Conheça os pormenores de um trabalho científico aqui. Obrigado ao Ricardo, dedicado correspondente em Paris, pelo envio da referência.
Mais um linchamento, desta vez em Chimoio, de um jovem acusado de roubo. Um segundo indivíduo escapou graças à intervenção policial. Em Junho reportei que jovens tentaram linchar três outros no Bairro Codamo daquela cidade.
Em conferência de imprensa hoje na cidade de Nampula, Simão Bute, que se apresentou como antigo general da Renamo na guerra civil, disse que a Frelimo tinha um plano para capturar Afonso Dhlakama quando da manifestação (ainda sem data marcada) contra os resultados das eleições de 28 de Outubro. Quais as evidências? A chegada, fim-de-semana passado, de cinco viaturas policiais e a presença de muitos agentes da segurança do Estado. O ex-general falou de forma muito emotiva, dizendo que a Renamo ripostaria a contento em caso de ataque por parte da Frelimo. Contactado, um oficial da polícia confirmou, de facto, a chegada de cinco viaturas, quatro para o policiamento e uma para os serviços burocráticos (Rádio Moçambique, noticiário das 19:30).
O presidente angolano José Eduardo dos Santos fez uma crítica à corrupção e falou na necessidade de haver tolerância zero para com ela. Aqui. Já agora, o leitor por acaso conhece o Maka (para o seu significado conferir aqui), portal anti-corrupção coordenado pelo jornalista e activista angolano Rafael Marques (na imagem)? Em português aqui e em inglês aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio das referências.
Especialmente nos distritos de Mocuba e Lugela, província da Zambézia, sai madeira de forma ilegal, a "olho nu" como titula o "Diário da Zambézia" de hoje. Quem isso afirma é o director provincial de Agricultura, Mahomed Valá. Confira aqui.
A propósito do que se convencionou chamar "Caso Aeroportos de Moçambique": mais do que o julgamento de A e B, "estão em julgamento, no Tribunal, as opções nepotistas do Governo de Moçambique" (sic); mais do que meia dezena de co-réus, "existem, as magotes, milhares de ladrões, de maior sofisticação, que, diariamente e em conivência com ex-colegas de António Munguambe, delapidam os parcos recursos do nosso empobrecido Estado, construindo e comprando mansões, por via de enriquecimento ilícito e, até, oferecendo diversas casas e outros bens públicos a amigas de ocasião (...)" (sic); Moçambique tem de tomar um posição firme contra a corrupção. E onde deve começar a luta contra a corrupção? No Conselho de Ministros (sic) - resumo do editorial de Salomão Moyana (na imagem) no "Magazine Independente" com data de amanhã e com o título "Cambazadas" infelizes no Tribunal!"
Há dias, cerca de quatro mil imigrantes, na maioria Zimbabweanos, ficaram sem abrigo a 140 quilómetros da cidade do Cabo, depois que foram atacados por Sul-Africanos localmente residentes. Por que foram atacados? Segundo uma fonte policial, porque os Sul-africanos os acusaram de lhes roubar os empregos.

Prosseguem as revelações inquietantes sobre o que se convencionou chamar “Caso Aeroportos de Moçambique”. Confira aqui.
eleições tenham sido pacíficas, a exclusão de muitos candidatos da oposição do processo eleitoral com base em alegadas questões técnicas não constitui um bom sinal no que toca o desenvolvimento de uma democracia multi-partidária em Moçambique”. Sobre a distribuição dos ganhos financeiros no país: "Muito dos ganhos financeiros tem sido distribuídos de forma desigual, deixando na pobreza demasiados moçambicanos, incluindo os jovens do país, e criando condições para uma potencial instabilidade social."