O que os Americanos escreveram sobre direitos humanos em Moçambique
Saiba o que os Americanos escreveram sobre nós em termos de direitos humanos para 2008, em relatório divulgado a 25 deste mês. Confira aqui.
Saiba o que os Americanos escreveram sobre nós em termos de direitos humanos para 2008, em relatório divulgado a 25 deste mês. Confira aqui.
Os efeitos da crise financeira mundial serão prolongados e antes do seu término haverá sangue, guerras civis irão ocorrer. Governantes moderados tornar-se-ão extremos - prevê Niall Ferguson, autor do livro The Ascent of Money. Leia aqui uma entrevista em cinco páginas, nas quais Ferguson tem o Canadá como foco e refere a sua tese da Chimérica. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência. Já agora, recorde esta minha postagem aqui.
Esse o título de um livro escrito por Michela Wrong sobre o exilado queniano e famoso militante da luta anti-corrupção John Githongo (na imagem). O livro é considerado tão explosivo que algumas livrarias em Nairobi estão a recusar vendê-lo. Comer é um eufemismo para traduzir popularmente o enriquecimento ilícito através do poder político. Confira aqui. Já agora, recorde este trabalho sobre Githongo, datado de 2006 (poderá ainda consultar uma entrevista e um relatório dele sobre a corrupção no Quénia).
Mais um pouco desta série.
Reporta o "Notícias" de hoje que dois supostos assaltantes foram espancados pelos moradores do bairro Guava, distrito de Marracuene*, província de Maputo. Não foram linchados, foram pré-linchados. Notícias deste teor são frequentes nas ocorrências do jornal. A polícia tem feito campanhas de sensibilização procurando mostrar que essa não é a lei, que a lei tem outros canais, os do Estado. Certamente outras instituições estatais têm também trabalhado nesse sentido. Mas debalde. As pessoas continuam a linchar ou a pré-linchar ladrões ou suspeitos, num pleno exercício de privatização taliónica da justiça. É como se dissessem: contra o vosso poder, exibimos o nosso. Aqui está um tema que merecia ser analisado para além da crítica e da morfologia do fenómeno.
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual vos dou, desde já, um aperitivo:




De acordo com a UNESCO, Moçambique não tem línguas em vias de extinção. Mas há países com esse problema, Angola por exemplo, com três línguas extintas e uma em vias de extinção. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência do portal. Entretanto: quantas línguas tem o nosso país? Recorde aqui.
De acordo com o "Savana" desta semana, pela pena de André Catueia, 20 pessoas, entre as quais nove com idades entre os 13 e 16 anos, estão retidas no Infantário Provincial de Manica, cidade de Chimoio, desde domingo, aguardando pela evacuação, após terem escapado a um "suposto rapto". Essas pessoas foram recrutadas no distrito de Machaze, sul da província de Manica, com promessas de emprego e estavam a ser canalizadas para a África do Sul num camião contentor, tendo sido interceptadas pela polícia em Inhambane. A administradora de Machaze, Alice Tamele, afirmou ao jornal que se trata de um "problema cultural enraizado e que necessita de um estudo aprofundado para o seu combate", mas não indicou que problema é esse (p. 4).
O primeiro-ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, revelou inquietação com a nomeação de dirigentes governamentais fora da sua alçada. Um jornal escreveu mesmo que o MDC considera a possibilidade de se afastar do governo. Confira aqui.
Vou de novo a São Paulo em Agosto como conferencista convidado do 15. °Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, para desenvolver o tema Linchamentos e Xenofobia: cartarse e dor. Confira aqui a lista dos primeiros conferencistas convidados.
Não é a primeira vez - nem será a última - que aqui coloco o que chamo poemas sociológicos (recorde aqui e aqui). Eis mais um, então, de uma beleza ímpar, um verdadeiro ariete contra o racismo, da autoria de Rómulo de Carvalho, professor, pedagogo, investigador e poeta com o pseudónimo de António Gedeão:
Esse o título-tema da pesquisa que, este ano, vou dirigir ao nível da Unidade de Diagnótico Social (UDS) do Centro de Estudos Africanos, pesquisa que culminará num livro e que contará com a participação de alguns parceiros institucionais. O tema será extensivo a dois primos - deixem-me dizer as coisas assim prazenteiramente, por agora, sem qualquer rigor - do fenómeno: racismo e etnicismo.
Da antropóloga moçambicana Carmeliza recebi um texto merecedor de reflexão, a saber: "Nos últimos dias tenho lido e ouvido sobre levantamentos populares onde membros da comunidade queimam casas ou agridem membros da comunidade por diversas razões. Em Nicoadala foi por causa da falta de chuvas. Em Cabo Delgado está ligado à cólera. Aqui foram atacados trabalhadores da saúde e morto um médico tradicional. Pergunto-me se outras frustrações se estarão a representar nesta forma de reagir violenta. Aqui pouco ou nada tem a ver a incapacidade do Estado deproteger o cidadão. No caso das chuvas recorre-se à acusação de feitiçaria para explicar as mudanças climáticas. A obra de Michael Taussing é bastante ilustrativa dos mecanismos de acusação de feitiçaria na explicação da realidade em mutação. No caso da cólera, parece-me uma desconfiança das intenções do Estado. A reacção é similar. O resultado é devastador. Dá que pensar."
De Odibar Lampeão, técnico superior da Administração Pública, recebi, com pedido de publicação, o texto que, com o título em epígrafe, pode ser importado e lido aqui.
Já cheguei a Maputo. Abraço a todas e a todos.
O economista João Mosca escreveu um texto sobre o ensino superior em Moçambique, divulgado neste diário. Agora, Manuel Francisco Lobo, com muitos anos de trabalho na nossa Educação, enviou-me, com pedido de publicação, o texto que se segue: "Concordo com o Professor Mosca em grande parte do que diz no texto. Contudo, creio que as Universidades não só fornecem quadros para a academia, mas também alimentam os sectores da indústria, serviços e mesmo para os sectores primários. Exatamente por este último aspecto aqui tocado, não creio necessário que nos precipitemos em desenvolver muitos números de graduados no ensino superior. Isto porque os sectores que crescem a ritmos elevados em Mocambique o fazem a custa de tecnologia de ponta e de pouca mão de obra. Vejamos a Mozal, Cabora Bassa, Sasol, etc, que são grandes projectos que não necessitam de muita mão de obra, mesmo da mais qualificada. (acho que Cabora Bassa, agora que é nossa... quem sabe não se enche de gente para não fazer nada, não me admiraria...)."
Olá! Estou há várias horas sem conseguir acesso ao meu email da Universidade Eduardo Mondlane. Isso significa que não posso editar os comentários que os leitores eventualmente tenham feito. O meu pedido de desculpas pela acção perversa do xicuembo que me acompanha quando viajo...Dentro de algumas horas deixo esta São Paulo que tanto amo (mas à qual regressarei em Agosto) a caminho de Lisboa. Certamente só aqui poderei libertar os comentários. Abraço.
Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "A hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual vos dou, desde já, um aperitivo:
O chamado governo inclusivo já está formado no Zimbabwe, é uma chuva de 61 membros do gabinete ministerial, envolvendo a ZANU-PF de Robert Mugabe, o MDC-T de Morgan Tsvangirai e o pequeno MDC cessionista de Arthur Mutambara. Apesar das inclusões, os tratamentos dados pelo oficioso The Herald continuam rígidos e exclusivos: quem é da ZANU é camarada, quem não é, é senhor ou senhora. Confira exemplos aqui e aqui.
Eis o programa da Conferência sobre Criminalidade e Sociedade: o respeito pela vida humana, por mim aqui anunciada há dias, a realizar-se nos dias 11 e 12 de Março na cidade de Maputo:
O eng.° Noé Nhantumbo escreve na Beira, com o título em epígrafe, sobre a formação de um novo movimento político liderado por Deviz Simango, alvo de um crescente apoio popular: "O movimento que se prenuncia e que poderá vir a designar-se por MDM, parece arrancar com uma outra base. Logo à partida pode dizer-se que começou com o pé direito. A vitória dos que decidiram abraçar a desobediência democrática nas eleições autárquicas na Beira é um sinal importante do que pode um movimento fazer em termos políticos. Não se pode negar que a vitória foi resultado de trabalho e de uma capacidade de controle e fiscalização que até faz inveja a partidos enraizados e com anos de existência. Vaticínios não vão ser suficientes para parar a vontade popular numa situação em que de ano para ano vai piorando a vida das pessoas. Os moçambicanos mesmo sem recurso a grandes esforços têm tido a capacidade de aprender que os políticos que os procuram conquistar, são muitas vezes movidos por sentimentos que não são de confiar. Tudo o que as sucessivas legislaturas tem produzido deixa muito pouco a desejar. Os problemas remetidos ao Parlamento acabam quase sempre sem as soluções desejadas mesmo quando a razão está do lado de quem se queixa."
De Zacarias Isaac Mundiara recebi há momentos, com pedido de publicação, um trabalho com parte do título em epígrafe e do qual extraí esta passagem: "Estudos sobre o nacionalismo moçambicano, sobretudo, a história da luta de libertação de Moçambique revelam-se problemática. A multiplicidade de versões em torno da história da luta de libertação de Moçambique, a controvérsia, a opacidade e os equívocos que volteiam o processo de descolonização de Moçambique, “diminuem” o valor e peso da independência nacional."
Aqui, em São Paulo, onde me encontro, as manchetes dos jornais e da televisão são invariavelmente dedicadas à crise capitalista mundial e aos despedimentos de trabalhadores. Vejamos o nosso caso, Moçambique, através de um trabalho publicado no "Savana" desta semana.
Da coluna semanal de Machado da Graça no "Savana": "Entretanto, nas aldeias as pessoas morrem à fome. Porque não há novas barragens para capturar a água que temos em demasia e se perde no mar. Porque o Estado não tem dinheiro para criar as infra-estruturas que poderiam fazer a diferença entre o que somos hoje e o que já poderiamos ser neste momento. Porque não podemos fugir à realidade: o dinheiro gasto nas obscenas mansões da elite, nos carros de luxo, em toda a ostentação de uma riqueza que a maioria não saberia justificar, é dinheiro que faz falta para melhorar a vida da maioria. E a acumulação continua de forma totalmente descontrolada. Os mais fieis seguidores da Frelimo têm garantidos, para além de chorudos ordenados nos seus cargos no seu partido e nos órgãos do Estado (Assembleia da República, por exemplo) novas mordomias nos Conselhos de Administração de grandes empresas públicas, de cuja gestão nada percebem mas onde estão colocados apenas para receber os opíparos salários. E, entretanto, na base o povo passa fome. Porque o dinheiro não é elástico. Ou vai para um lado, ou vai para o outro. O mesmo dinheiro não pode ir para dois lados diferentes ao mesmo tempo. Portanto, a riqueza ultrajante de uma elite, que se delapida em carros de luxo destruídos todos os fins de semana, em Maputo, por jovens bêbados, é o que falta para criar a escola, pagar o professor e o enfermeiro, construir a represa ou montar a energia eléctrica. Não são coisas separadas, independentes uma da outra. São as duas faces de mesma moeda."
Leiam a seguinte carta de docentes da Universidade Eduardo Mondlane divulgada "no "Savana" desta semana: "A leitura do editorial do jornal “Domingo” de 8 de Fevereiro de 2009, que se debruçava sobre a reforma curricular na Universidade Eduardo Mondlane, causou em nós uma certa tristeza pela forma incorrecta como o jornal “Domingo” destratava os seus colegas, apelidando-os de levianos e pretendendo ser o jornal que havia verdadeiramente investigado o assunto. Na verdade, o jornal “Domingo”, não sabemos se proposidamente ou devido à falsidade das fontes a que teve acesso, acabou sendo o jornal que desinformou."
No semanário "Savana" desta semana: "O presidente da Renamo, até aqui maior partido político em Moçambique, disse que pretende, a partir do presente mês, fixar a sua residência na chamada capital do norte como estratégia da sua formação política para os escrutínios provinciais e gerais a realizarem-se nos finais do presente ano."
No semanário "Savana" desta semana: "Numa altura em que se assiste a uma massificação desenfreada do ensino superior no país – em parte devido à subordinação do ensino a objectivos políticos, como o combate à pobreza absoluta e a formação em maior quantidade possível -, João Mosca duvida que Moçambique necessite da massificação do ensino superior, mostrando que sociedades muito avançadas só agora estão ensaiando esse objectivo. O académico, formado em economia agrária, falava sexta-feira última em Oração de Sapiência na Universidade Politécnica em Maputo."




