Blogue seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Segundo o Ministro Pacheco, entre salários indevidos e desvios, o Tesouro Nacional sofreu um rombo de mais de 220 milhões de meticais (novos). Convertidos em dólares (25MT=1USD) estamos a falar de 8.800.000USD. É obra! Assumindo que um furo para captação de água rural com a respectiva bomba manual pode custar cerca de 4.000USD concluímos que o valor do roubo equivale a 2.200 furos para abastecimento de água rural. Assumindo ainda que cada furo abasteceria no mínimo 100 pessoas, concluímos que o roubo (e não desvio, como eufemísticamente o Sr Ministro lhe chamou) equivale a privar o acesso mais fácil a água de 220.000 pessoas. Esta situação evidencia que os nossos problemas não resultam apenas da falta de recursos – resultam também, e bastante, do esbanjamento de recursos e do nosso conformismo, tolerância, não exigência de responsabilização. Temos de nos libertar de fatalismos: os criminosos estão identificados, conhecem-se os seus patrimónios - exige-se celeridade na aplicação da legislação em vigor. Esta situação mostra também a fragilidade com que o nosso Orçamento de Estado é elaborado e se faz o controlo da sua realização: cultura de não exigência. Um Ministro é um gestor, equiparado ao CEO duma grande empresa. Em qualquer grande empresa Pacheco já não era CEO. Não é admissível tanta incúria. Abraço, Florêncio ________ PS Um Ministério tão importante como o de Pacheco não pode vir dizer-nos que vive de donativos de bicicletas, motorizadas ou carros para exercício de funções vitais da sua Missão. Estes meios têm de constar do plano de actividades do Ministério e do seu Orçamento de funcionamento e investimento, com cobertura garantida pelo Orçamento Central. Poupem-nos, por favor, as palhaçadas protagonizadas por Pacheco na recepção das 50 motos oferecidas por Bachir.
4 Comments:
Realmente...200 é um número elevado, seria bom que soubessemos quantos fantasmas temos na função pública em geral !!!
Sim, muita gente mesmo.
Segundo o Ministro Pacheco, entre salários indevidos e desvios, o Tesouro Nacional sofreu um rombo de mais de 220 milhões de meticais (novos). Convertidos em dólares (25MT=1USD) estamos a falar de 8.800.000USD. É obra!
Assumindo que um furo para captação de água rural com a respectiva bomba manual pode custar cerca de 4.000USD concluímos que o valor do roubo equivale a 2.200 furos para abastecimento de água rural.
Assumindo ainda que cada furo abasteceria no mínimo 100 pessoas, concluímos que o roubo (e não desvio, como eufemísticamente o Sr Ministro lhe chamou) equivale a privar o acesso mais fácil a água de 220.000 pessoas.
Esta situação evidencia que os nossos problemas não resultam apenas da falta de recursos – resultam também, e bastante, do esbanjamento de recursos e do nosso conformismo, tolerância, não exigência de responsabilização. Temos de nos libertar de fatalismos: os criminosos estão identificados, conhecem-se os seus patrimónios - exige-se celeridade na aplicação da legislação em vigor.
Esta situação mostra também a fragilidade com que o nosso Orçamento de Estado é elaborado e se faz o controlo da sua realização: cultura de não exigência.
Um Ministro é um gestor, equiparado ao CEO duma grande empresa. Em qualquer grande empresa Pacheco já não era CEO. Não é admissível tanta incúria.
Abraço,
Florêncio
________
PS Um Ministério tão importante como o de Pacheco não pode vir dizer-nos que vive de donativos de bicicletas, motorizadas ou carros para exercício de funções vitais da sua Missão.
Estes meios têm de constar do plano de actividades do Ministério e do seu Orçamento de funcionamento e investimento, com cobertura garantida pelo Orçamento Central. Poupem-nos, por favor, as palhaçadas protagonizadas por Pacheco na recepção das 50 motos oferecidas por Bachir.
Efectivamente um problema sério, este. E parece que passa por natural, como em outros muitos casos, análogos ou diferentes, da vida do país.
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