O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2017 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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31 outubro 2007

Conflito entre músicos?

Alguém me disse, de forma muito superficial, que há um conflito na praça desde que sexta-feira à noite houve uma troca de mimos entre músicos num programa da Televisão de Moçambique. Alguém sabe de algo? Falam-me num conflito entre músicos (apenas entre eles?) que produzem comercialmente e músicos que não o fazem, num conflito que tem como cerne a música panza e zukuta, por alguns considerada vulgar, sem gosto. Dizem-me que são visados os membros do Gprofam. Será isso? O que há, realmente?
Adenda a 01/11/0, 11.25: entretanto, oiça aqui o Gprofam.

Recenseamento: nenhuma província atingiu 25%

De acordo com o mediafax de hoje, nenhuma província atingiu 25% das metas previstas no recenseamento de raiz para as eleições provinciais. Parece que José Palaço, presidente da Frente Patriótica, não estava longe da verdade. E, já agora, entre as várias entradas existentes neste diário sobre o recenseamento, recorde esta aqui.

A marcha: azagaia voltou à carga

O rapper moçambicano Edson Jesus, azagaia de nome artístico, estudante universitário e autor da famosa canção mentiras da verdade, voltou à carga com novo vídeo de crítica social, com um novo manifesto importante sobre a sociedade moçambicana intitulado A Marcha. Ele é, verdadeiramente, o sucessor do falecido Jeremias Ngwenha, autor do la famba bicha. Convido-os a ouvi-lo num vídeo colocado no youtube há quatro dias.

Queface: o estado da nação não é bom, avante a ditadura proletária!

O Sr. Tomás Daniel Queface está verdadeiramente zangado com o estado da Nação, nação cheia de podridão, de mazelas que fustigam a memória de Samora Machel - sustenta. A coisa está verdadeiramente feia: "Em Moçambique só temos a paz, não há emprego, não há pura democracia, não há transporte para a população. Muito me impressiona nesta sociedade que só apenas um músico tem a coragem de aparecer nos microfones e cantar o estado da Nação, mas as pessoas só ouvem os “beats” esquecendo-se do essencial." Como ser feliz, assim? Impossível. Por isso, Queface declara: "Moçambicanas e moçambicanos, o estado da Nação ainda não é bom." Mas mais militantemente: "Todos os moçambicanos que querem o país cada vez melhor (sem discursos hipócritas) marchemos em direcção aos nossos objectivos, armados com pensamentos e ideais de Samora, levando e plantando em todos lugares a ditadura proletária onde quem manda é o povo."

Parede não é parede: é história

O presidente do Partido de Reconciliação Democrática (PAREDE) - partido que existe apenas nas colunas do jornal "Notícias" - , Jorge Múa, declarou que a sua formação se afastou do Bloco da Oposição Construtiva, onde pontifica e preside o Homo Sibindycus, denodado usador de capulanas e turbantes, lutador contra a pobreza absoluta e frequentador regular do "Notícias". Por que se afastaram Parede e Múa? Porque - disse - o citado bloco não tem registo jurídico e porque lá não se dialoga. Uma verdadeira desgraça blocada. Neste jogo de cissiparidade cortesã dos pequenos partidos à espera de uma teta de vaca partidária choruda que nunca chega, Múa disse, milenarista: "Temos história neste país".

30 outubro 2007

Chissano, o optimista

O ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, afirmou que diminui em África o número dos líderes africanos que querem manter-se no poder para além dos mandatos.

E os chapas venceram as oliveiras



Atravessaram a revolução, sobreviveram à guerra civil, ano após ano, os jornais do passado estão cheios da saga dos autocarros da transportadora Oliveira Transportes e Turismo LTD (foto à direita). Mas agora foram vencidos. Por quem? Pelos chapas, pelo velozes ou-vai-ou racha (foto à esquerda). Vão abrir falência.

Homenagem a Lucky Dube

O youtube já possui um trabalho de homenagem a Lucky Dube (foto reproduzida daqui), genial cantor sul-africano de reggae assassinado no dia 9 num subúrbio de Joanesburgo. Cantor da paz, cantor dos problemas sociais, cantor que sofria com as desigualdades sociais, cantor da vida, cantor do amor. Em meu entender, vale a pena ver e ouvir .

Armadilha urbana no combate à pobreza rural

Chama-se Luís Artur, é estudante da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, esteve hoje comigo e manifestou interesse em que um texto seu fosse divulgado e comentado. Com muito prazer, importem o texto aqui.

Cabora-Bassa: o que significa ser nossa?

O chefe de Estado, Armando Guebuza, garantiu hoje que Moçambique vai pagar até 31 de Dezembro o montante em falta (700 milhões de dólares) para que a barragem de Cabora-Bassa seja definitivamente moçambicana (Rádio Moçambique, noticiário das 15 horas). Já anteriormente o ministro da Indústria e Energia, Salvador Namburete, tinha sido definitivo: "Cahora Bassa vai ficar com os moçambicanos e falta pouco. Nós temos o compromisso de pagar ao governo português até ao dia 31 de Dezembro deste ano e esta dívida será liquidada em breve." Mas quem deverá saldar a dívida é um consórcio bancário formado pelos bancos Calyon (francês) e o BPI (português), vencedores de um concurso público aberto pelo governo moçambicano. Eis, então, a pergunta da santa ingenuidade: se é um consórcio bancário que deverá saldar a dívida e partindo do pressuposto sensato de que os bancos não são agências de caridade, o que significa exactamente sustentar que Cabora-Bassa vai ser nossa?

Aspectos dramáticos da vida na Grande Maputo (2)

Há dois problemas concernentes ao abastecimento de água na cidade de Maputo: (1) exaustão das reservas e (2) falta de acesso a água potável. No primeiro caso, as fábricas Mozal e de ferro e aço irão consumir 4o% das reservas de água, estimadas em 200 milhões de m3/ano. Os restantes 120 milhões serão insuficientes para abastecer a cidade. O consumo médio actual da rede é de 165 litros/pessoa. Caso a população prevista para 2010 venha a ser atendida, o consumo médio máximo baixará para 125 litros/pessoa/dia.
Apenas 41% da população é abastecida pela Empresa Águas de Moçambique, cuja rede sofre perdas na ordem dos 41%.
Finalmente, o sistema de adução para o reservatório do Umbulúzi é insuficiente para a procura actual (Fonte: Ministério da Administração Estatal/Conselho Municipal de Maputo/Conselho Municipal da Matola, Plano da estrutura da área metropolitana de Maputo, Relatório final (versão preliminar), volume V, resumo do plano, Março de 1999, p. 7).

Isto é criminoso!

"O transporte de material militar obsoleto via marítima, do município da Catembe para o campo de destruição, no distrito de Boane, passando pelo centro da cidade de Maputo, pode terminar em tragédia. O facto é que o armamento bélico está sendo transportado no mesmo “ferry-boat” que leva consigo centenas de passageiros, pondo em perigo as suas vidas e não só, isto se se considerar que por qualquer motivo ele possa explodir, causando danos incalculáveis."

Issa Shivjy: prémio Mo Ibrahim é um insulto a África

O prémio Mo Ibrahim, no valor de cinco milhões de dólares, foi há dias atribuído ao ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. No sábado, foi tornado público um trabalho do Professor tanzaniano de Direito Issa Shivjy, da Universidade de Dar es Salaam. Resumo desse trabalho: "O prémio Ibrahim é inapropriado - para todos - e um insulto ao povo africano, porque nenhum conhecimento crítico da história, da política e das forças que fundamentaram a guerra e a paz em Moçambique acompanham o prémio. Sem tal, envergonhamos e ridicularizamos as lutas democráticas e as vitórias da libertação do povo africano."
Leia a totalidade do texto, em inglês, aqui.

29 outubro 2007

Temos a maior mina de ouro de África?

Uma geógrafa do Museu Nacional de Geologia, Patrícia Tapia, afirmou existir no Niassa uma reserva de ouro que pode ser a maior de África. Circulando a notícia e caso se comprovem a realidade e o valor da mina, o Niassa pode transformar-se no terreiro de um duro (mais duro ainda) combate político entre a Frelimo e a Renamo.

Homo Chambecus: Renamo tem comportamento selvagem

O presidente do Partido União para a Reconciliação, João Chambe, o Homo Chambecus, auto-dito da oposição, cuja importância política apenas existe nas colunas que o "Notícias" lhe dá, veio uma vez mais a terreiro atacar a Renamo, desta vez atribuindo-lhe um comportamento selvagem. Confira aqui.
Enquanto isso, um outro auto-intitulado político da oposição desposicionada, o glorioso e sábio Homo Sibindycus, usador de capulanas e turbantes sem fim (mas também, de há tempos a esta parte, de um nobre cajado), descobriu a pólvora: a unidade faz a força - afirmou.
Nota: esta é a 2.500.ª postagem do diário, nascido a 18 de Abril de 2006.

Mediafax: juiz espanca e faz desmaiar escrivão de 60 anos

Segundo o mediafax de hoje, o juiz presidente do Tribunal Provincial de Inhambane, José Sampaio, espancou gravemente o escrivão João Mathe Mangayo, de 60 anos, até este desmaiar, por ter chegado atrasado à Barra Lodge (estância turística da Praia da Barra), onde deveria ter ido buscar os juízes dos supremos tribunais da CPLP, que, semana passada, estiveram em Moçambique. Confira aqui.

Expulso deputado da Frelimo na Beira

Numa assembleia municipal controlada pela Renamo, na cidade da Beira, um deputado da Frelimo foi expulso por ter iniciado uma intervenção elogiando o ex-presidente da República e do Partido Frelimo, Joaquim Chissano, premiado com o Prémio Mo Ibrahim (cartoon reproduzido daqui).

Fuga das celas em policial distracção distraída

Quatro supostos criminosos, acusados de assalto à mão armada e de homicídio voluntário, fugiram sexta-feira passada do Comando da Cidade de Maputo. A polícia admitiu haver conivência policial na fuga. "O homem é um ser complexo e aproveitaram-se do desleixo dos polícias" - afirmou um porta-voz da polícia. Foram cerrados grades das celas e cadeados dos portões de saída (Rádio Moçambique, noticiário das 12.30). Sem dúvida: uma distracção extremamente distraída.
Enquanto isso, três indivíduos armados assaltaram, também na sexta-feira, uma unidade sanitária privada no bairro de Mahlazine, cidade de Maputo, "apoderando-se de dinheiro, telefones celulares e de outros bens pertencentes aos doentes".
Vamos a ver se não estamos perante um novo pico ganguista em Maputo, após uma fase de relativa acalmia.

"Para que os Moçambicanos saibam"

Com o título em epígrafe, o Observador de hoje publica uma carta de Adriano Parreira, presidente do Partido Angolano Independente e professor universitário, na qual ele tenta descrever o que é Angola sob a presidência de Eduardo de Santos, que vai visitar Moçambique nos próximos dias. Na sua descrição, uma Angola depredada, pilhada.

Não se enerve, chape-se!

Você quer conduzir na cidade de Maputo? Não conduza, não pode, não deve, o chapa 100 não deixa. Você está chapado. Você vai a conduzir e de repente, ali na Julius Nyerere, por exemplo, em frente ao luxuoso edifício da Miramar (IURD) ou do lado contrário, junto à entrada de serviço do Hotel Polana, você quer passar e não pode e fica à espera, em enorme fila de viaturas, que o chapa se chape andando? Você quer ir ver os seus familiares falecidos no cemitério de Lhanguene e leva um século a chegar à campa por causa dos chapas que, se ainda não chapam dentro do cemitério, é apenas por ligeira distracção? Você vai casar-se e chega tarde ao casamento e ao coração da noiva porque os chapas lhe ocupavam toda a alma, um após um, paragem após paragem? Você vai a atravassar uma rua e cai-lhe um chapa em cima fazendo-o acordar morto logo de seguida? A vida está uma chapice? Então você não vê que é direito de chapista chapá-lo? Não vê que é direito de chapista parar onde e quando quer, até porque na chapação há sempre um cidadão de mão estendida mandando parar o chapa? Você está preocupado com a fumarada desalmada que chapa dos escapes chapados dos chapas? Você está preocupado com a desumada condição em que viajam os passageiros, sardinhas em lata, gado em curral estreito? Você enerva-se, você dispara palavras feias? Mas por que se preocupa você com esse múltiplo isso, por que se úlcera gastricatiza se a vida é assim, chapada, se a vida é uma chapice? Não há polícia? E se há, não tem moto? E se há e tem moto nada muda? E se nada muda mesmo na cobrança da coca-cola para o fim-de-semana? Não se enerve, cidadão, não se enerve: chape-se! Transforme o chapa em natureza, sua natureza. Contra a natureza não se luta: vive-se, sente-se, chapa-se.

Aspectos dramáticos da vida na Grande Maputo (1)

O Conselho Municipal da cidade de Maputo prepara o seu Programa de Desenvolvimento Municipal e, para o efeito, vai ouvir diferentes tipos de actores no dia 7 de Novembro. Do conjunto de documentos preparatórios que recebi (como outros receberam) através do presidente do Conselho Municipal, Dr. Eneas Comiche, consta um relatório elaborado em 1999. Este relatório tem 11 páginas de análise das condições de vida existentes na Grande Maputo, condições dramáticas, condições que, potencialmente, são hoje piores. A presente série versa sobre algumas dessas condições. Conhecê-las é conhecer as dificuldades de gestão municipal da área metropolitana de Maputo.

Prepara-te, trabalhador!

"A nova lei remete os trabalhadores a uma situação tal em que terão de estar permanentemente a negociar os direitos com os empregadores." Estou a tentar ter acesso a essa nova lei do trabalho.

28 outubro 2007

Somos campeões africanos!

Pela primeira vez na sua história, o Desportivo de Maputo acaba de se sagrar campeão africano de basquetebol africano em séniores femininos ao vencer o 1.º de Agosto de Luanda, Angola, por 64/47. É o terceiro título do género ganho por Moçambique. Há festa em Moçambique, certamente também festejam os Moçambicanos na diáspora. Parabéns! E parabéns também ao 1.º de Agosto, parabéns a todas as equipas!

Há delírio em Maputo...

O Desportivo de Maputo vence o 1.º de Agosto de Angola por 47/30 na final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol sénior feminino. Barulho ensurdecedor no estádio, locutores entusiastas mas muito nervosos, recorrendo com frequência à expressão "pátria amada".

Ilser respondeu a Mando

Gosta de cartas de amor? Não gosta? Estão ultrapassadas? Bem, mesmo assim tente ler a resposta de Ilser a Mando.

Linchamentos: 2.º seminário a 14 de Novembro

O segundo seminário público da Unidade de Diagnóstico Social (UDS) sobre linchamentos em Moçambique realiza-se no dia 14 de Novembro na Faculdade de Medicina, 16 horas, cidade de Maputo.
A equipa da UDS apresentará mais alguns resultados da pesquisa que realiza sobre o tema, após o que iremos conhecer um trabalho do mesmo género feito em São Paulo pela pesquisadora brasileira
Jacqueline Sinhoretto, que chega a Maputo no dia 10 de Novembro.

Hoje: funeral de Lucky Dube


Realiza-se hoje, em Kuazulu Natal, sua terra natal, o funeral do cantor sul-africano de reggae, Lucky Dube, assassinado no dia 9 num subúrbio de Joanesburgo. O funeral está vedado ao público (Rádio Moçambique, noticiário das 12.30). Recorde-o aqui.

Vixe, Confetti!

Leitora do excelente blogue brasileiro de Pedro Doria, a gentil Confetti referiu-se nos seguintes termos a este diário a propósito da sua pré-selecção para o prémio "melhor weblog em português" do BOBs2007: (....) e voto tbm pro diario do sociologo de maputo, local, meio ingenuo, mas muito simpatico!" Vixe, Confetti! Mas prontos, recebido o voto, obrigado, kanimambo!

Satanás de Moçambique

O Sr. Mini Macatai Mathendja, regularmente referido neste diário pela sua gloriosa luta em prol da visão mágica das coisas da vida, salta hoje a terreiro no semanário "domingo abrindo uma série de crónicas sobre os "desafios de pensar o desenvolvimento" na governação guebuziana.
Segundo Mathendja, existem três inimigos desse desenvolvimento: (1) "o capital social" que apenas defende agendas pessoais de acumulação de capital (nesta categoria moram os corruptos), (2) o "capital humano" que enriquece usando as instituições internacionais (aqui habitam os ambientalistas nacionais), "aliados do diabo ocidental e do Satanás de Mocambique" (sic) e (3) "os agentes do diabo (sic), "que, por excelência, actuam como puros agentes de fomento das barreiras do subdesenvolvimento" (aqui medram os consultores ao serviço das agências internacionais, com o seu arsenal de "comentários, projeções e políticas macroeconómicas" (p. 9).

BOBs2008: já podem inscrever-se...

Amigos visitantes deste diário, particularmente bloguistas moçambicanos, permitam-me dizer-vos que já se podem inscrever no BOBs2008. Confiram aqui.

BOBs2007: vote nos blogues de Moçambique, Congo e Angola!



Caso ache que este blogue é socialmente útil, vote: (1) entrando aqui, (2) depois encontre a secção "melhor weblog em português", (3) coloque um bolinha do lado esquerdo do "Diário de um sociólogo", (4) depois desça com o rato, (5) no quadro final coloque o seu nome, o endereço do seu email, digite o código da imagem que vir, (6) a seguir coloque xis em "eu li as condições de participação" e, (7) finalmente, envie o voto. Também pode deixar o seu comentário lá.
Depois, peço-lhe que vote também nos blogues congolês e angolano.
Somos os únicos blogues africanos apurados.

27 outubro 2007

Parabéns, Sandra!

Licenciada em arquitectura de design de moda, Sandra Cardoso Muendane expõe trabalhos seus no Centro Cultural Franco-Moçambicano, cidade de Maputo, até ao dia 29. Entretanto, pela segunda vez, irá representar Moçambique no Festival Internacional de Moda Africana, a realizar-se no Niger.
aqui falei dela.

Dos empreendedores de Macuácua aos xiconhocas de Rebelo

"Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a pureza e justiça existam dentro de nós" (Jorge Rebelo)
A vida tem a alma de Janus. Vamos a ver como:
O Comité Central do partido Frelimo discutiu o papel dos empreendedores (um termo que parece ganhar crescente força, bem mais elegante do que empresários e bem mais leve do que capitalistas) no país. Os empreendedores têm de ser mais empreendedores, devem aprender a gerar riqueza, a lutar contra a pobreza, os empreendedores moçambicanos devem ser respeitados, as pessoas têm de aprender que a riqueza se gera com honestidade, não se pense que não se deve ser rico, quem fica ric0 com honestidade deve ser respeitado, as pessoas têm de saber que ter riqueza nada tem a ver com processos mágicos. Claro, nem todos os Moçambicanos podem ser ricos - esta uma tentativa de resumo de uma intervenção de Edson Macuácua, porta-voz da Frelimo, sempre bem-falante (Rádio Moçambique no noticiário das 12.30 horas de ontem, TVM e País online).
Enquanto isso, fazendo fé no jornalista José Belmiro, o membro sénior da Frelimo, Jorge Rebelo, antigo homem forte da Informação e Propaganda da era samoriana, fala em muitos xiconhocas no partido, nos muitos que apenas militam no partido para terem vida fácil, na corrupção generalizada, no enriquecimento sem fim, no medo de confrontar os corruptos.

A fantástica Maputo de François: Havana sem Castro

Estudava eu a blogosfera francesa, quando dei com um texto no qual um jornalista, François Hauter, descreve a sua estadia em Maputo. O texto foi publicado no Le Figaro em Agosto de 2006, mas mantém a juventude do fantástico e a actualidade de um texto de Garcia Marques. Leiam por favor, em tradução livre minha:
"Maputo é uma capital da velha Europa edificada à beira de savanas não cultivadas, uma cidade do século XX plantada em pleno século XVI. Uma miragem, uma ilha, uma espécie de Atlântida, uma utopia dos tempos modernos: avenidas, grandes boulevares, palácios e hotéis de luxo, caminhos de ferro, uma Lisboa tropical cujos edifícios contemplam uma flotilha de sonhos de abundância, o horizonte a perder de vista. Atrás, o ouro do Transvaal. À frente, o Oceano Índico e as suas especiarias. Devia ser Manhattan. Mas é Maputo. Uma ilusão. Os diplomatas habitam a avenida Mao Tsé-toung. Os burgueses vão ao espectáculo entre as avenidas Guerra-Popular, Karl-Marx e Vladimir-Lénine. Fazem-se compras na avenida Hô-Chi-Minh. Os namorados abraçam-se sob as sombras perfumadas dos jacarandás em frente ao mar, na avenida Friedrich Engels (o autor joga humoristicamente com a toponímia maputense, que guarda ainda os nomes reportados). (...) Hoje, Maputo é a Havana após a morte de Fidel Castro. Uma Cuba que renasce."
Segundo alguém que o o jornalista disse ter escutado em Maputo, a Frelimo soube "fazer uma revolução (nota minha: trocar o socialismo pelo capitalismo) com as mesmas pessoas."

De novo a ponte de Tete

Regresso à ponte sobre o Zambeze, em Tete, que já foi motivo aqui de uma carta que escrevi a Felício Zacarias, ministro das Obras Públicas e Habitação. Alguém me enviou de Tete, por email, uma carta, que julgo ter sido publicada no diário "Notícias", onde se descreve o cenário de Tete...sem ponte. Depois, pedi ao arquitecto Miguel César que me dissesse como encara ele os problemas que afectam a ponte.

A Renamo vista pela Frelimo através de Edson Macuácua

Falando em nome da bancada da Frelimo, partido no poder, eis como Edson Macuácua definiu a Renamo, numa intervenção feita quinta-feira antes da ordem do dia, na Assembleia da República: "A Renamo não foi concebida democraticamente e nem foi moldada para ser democrática. Foi, sim, estrategicamente fecundada e configurada para agir como um mero instrumento de desestabilização da independência, a soberania, da paz, da democracia ou seja instrumento para a desestabilização do povo e do Estado moçambicanos. Foi por isso que a guerra de desestabilização esteve prenhe de massacres, assassinatos, mutilações, raptos, violações, sabotagens económicas, destituições, roubos, actos tipicamente terroristas que não têm nada de democracia."
Perante esse exercício básico de desqualificação (que consiste em retirar autenticidade e patriotismo ao campo adversário, dotando-o de uma natureza destrutiva irremediável e incurável), certamente reacendido face à proximidade das eleições, permita-me pedir-lhe que leia ou recorde aqui algo que escrevi há uns anos atrás sobre o que chamei configuração sociológica.

26 outubro 2007

Entre 100 e 140 milhões de mulheres genitalmente mutiladas

"Um estudo do Instituto francês de Estudos Demográficos revela que entre 100 a 140 milhões de mulheres foram vítimas de mutilação genital. Mais de 6 milhões vivem nos países do Norte, em resultado da imigração, e são 28 os países africanos onde a prática existe. O estudo esclarece que na origem da mutilação sexual, que provoca graves problemas de saúde, estão razões culturais e étnicas e não imposições de ordem religiosa."

Apenas 8% de eleitores recenseados em Nampula

Um mês após o início do recenseamento de raiz em Nampula, o maior círculo eleitoral do país, apenas foram recenseados 8% dos potenciais eleitores nas eleições provinciais, marcadas para 16 de Janeiro de 2008, mas agora adiadas para data indeterminada. A meta era e é a de recensear cerca de um milhão e meio de eleitores. Computadores continuam avariados e, como se isso não bastasse, foram programados para operar apenas durante um mês, quando afinal é para mais tempo do que esse. Espera-se agora que os computadores sejam reprogramados no dia 22 (Rádio Moçambique, noticiário às 20 horas).
Continuo a interrogar-me sobre como todo este kafkeano processo foi iniciado e, especialmente, como se explica o finca-pé que os dirigentes eleitorais continuam a fazer sobre o cumprimento da meta de execução do recenseamento.

Xenofonia: canibalização do outro (a propósito do assassinato de Lucky Dube)

Recentemente, apoquentados com a criminalidade, residentes do bairro T3 na Matola acusaram cidadãos do Zimbábué e dos Grandes Lagos "de se transformarem em gatos, ratos e cobras para violarem mulheres na calada da noite e matarem cidadãos com o fito de lhes extraírem o sangue para operações mágicas."
Na África do Sul, o assassinato da estrela do reggae Lucky Dube começou a gerar um clima xenófobo, com o dedo acusador apontado aos estrangeiros acusados de criarem problemas no país.
Conteúdos causais de morfologia diferente, mas coração comum: intranquilidade gerada por acontecimentos extraordinários, considerados desestabilizadores das normas e das regras locais, com um sentido eclipse do social normal.
Quando confrontados com fenómenos excepcionais, os males gerais que nos afectam ou que julgamos afectar-nos são imediatamente reagrupados, sistematizados, ampliados e apontados para bodes expiatórios, num processo diabolizador instintivo.
É quando se multiplica o fenómeno do racismo, com raça ou sem ela. E isto remete, regra geral, para o que chamo recursos de poder.
É de prever que fenómenos dessa natureza possam ampliar-se quando as fronteiras da SADC estiveram completamente abertas (ideia sugerida pelo Patrício Langa) e os estabelecidos sentirem que os emigrantes estrangeiros chegam para lhes roubarem os recursos.

Mugabe: "viciado no poder"

O semanário "Savana" de hoje tem as centrais (pp. 16/17) ocupadas com uma entrevista dada por Dzinashe Machingira, um dos ex-comandantes militares que ajudou o presidente Robert Mugabe (na foto) a atingir a independência no Zimbábuè, lá onde os veteranos de guerra dizem que só a ZANU deve reinar no país e que Mugabe deve ser presidente vitalício. É Machingira e não Blair ou Brown da Grã-Bretanha quem afirma que Mugabe é "viciado no poder".

Kanimambo!

No momento em que vos escrevo, este diário está em terceiro lugar na classificação por votos para o prémio "Melhor weblog em português", tem registado muitos votos, possuindo 47 comentários aprovados e 11 pendentes (de vários países, em várias línguas). Há quem, em vários webespaços, fique irritado, úlcera gastricando, pelo facto de eu, estudante do social, entrar em concursos e pedir votos, cheira a fama show, dizem. Mas prosseguirei: como já escrevi em comentário, não é já o meu blogue que está em causa, mas o facto de eu representar o meu/nosso país. Quanto mais longe o levar, mais podemos moçambicanizar o mundo. Votem portanto neste diário. E votem, também, nos blogues congolês e angolano. Os nossos três blogues foram apurados num concurso que teve mais de sete mil concorrentes. Não temos a força irradiadora dos excelentes blogues de países bem mais avançados e bem maiores. Não importa: votem em nós, votem no Diário de um sociólogo. E deixem os vossos comentários lá! Obrigado, kanimambo!

Assassinato de Dube e xenofobia


Reabordarei esse tema ainda hoje aqui. Aguarde.

A história repete-se duas vezes

A história repete-se duas vezes, escreveu um dia o sempre jovem Marx: a primeira como tragédia, a segunda como farsa.
Os habitantes da periferia de Maputo foram avisados pelas nossas autoridades de que não devem assustar-se com as explosões e com o tiroteio que irão começar (e durar várias semanas) por ocasião das filmagens de uma série americana em sete partes com o título "Generation Kill", que versa sobre a guerra no Iraque.
A nossa capital parece tornar-se num sítio ideal para este tipo de filmes (e logo este, sobre a guerra no Iraque!), como se a guerra civil de 1976/1992 e as explosões de Malhazine tivessem sido apenas visões tidas no interior da caverna de Platão subitamente africanizada.
Deverei voltar a este tema hoje ainda.

O problema das eleições

Um porta-voz da Renamo exige negociações directas com a Frelimo, partido no poder, a propósito da eventual alteração da Constituição da República visando reorganizar o calendário eleitoral. Um porta-voz da Frelimo diz que o diálogo só pode ter lugar na Assembleia da República. Aqui temos mais um tema certamente destinado a provocar uma densa celeuma.

Assassinato de Lucky Dube provoca xenofobia